Quando entrei naquela casa, o chão tinha acabado de ser lavado. A tijoleira cheirava a detergente e tudo estava impecavelmente limpo e arrumado, cada coisa no seu sítio e no meio um vazio gigante. Aquela mãe tinha acabado de ficar sem os seus sete filhos menores e abria-me a porta para que lhe contasse a história. Nas semanas seguintes, recebi cartas, e-mails e até visitas na redação de pessoas que tinham histórias parecidas. Cheguei a ir a uma casa, longe de tudo, num bairro muito pobre e periférico, aonde não chegavam transportes públicos, e onde uma mãe me abriu as gavetas de uma cómoda para me mostrar as roupinhas de um bebé que nunca conseguiu trazer da maternidade para casa, por ter já outros dois filhos adolescentes sinalizados.
Como não sabia fazer outra coisa, escrevia. Escrevi sempre as histórias, na esperança de que contá-las ajudasse alguma coisa. Sabia que quem me procurava esperava isso de mim. Vinham ter comigo quando tudo o resto tinha falhado. Os que se sentiam injustiçados, os que não tinham a quem recorrer, os que estavam indignados, os que queriam travar a corrupção. Todos, cada um à sua maneira, viam em mim uma parte da salvação.
Eu duvidava. Mas ouvia e escrevia. Ouvir é sempre a primeira coisa que se pode fazer por alguém que precisa de ajuda e já perdeu toda a esperança. Quando nos dispomos a ouvir quem está desesperado, começamos a ajudar. Porque lhes parece que já mais ninguém os ouve e que aquele problema sem solução começa a ser invisível para todos e, por isso, impossível de partilhar. À medida que tomava notas, ia sentido que uma parte daquele fardo se desfazia. Era como se começássemos a partilhar o peso.
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Então, atirava-me ao computador e escrevia. Sentia-lhes a impaciência. “Quando é que sai? Quando vai ser publicado?” A dúvida sempre era uma distração para alguns, para outros mais uma ansiedade. “Nunca vai sair, pois não? Desistiu da história?”
E então, às vezes muito tempo de depois, lá aparecia em letra impressa sobre papel de jornal ou revista ou num ecrã, debaixo de um título sempre demasiado pequeno para conter todo o problema, o texto. Estava cá fora. E a ansiedade de quem me tinha passado a história estava agora em mim. Agora, era eu quem sustinha a respiração à espera das reações.
Às vezes, não acontecia nada. Outras vezes, alguma coisa se resolvia. Quase sempre me agradeciam. Mas também havia quem se esfumasse para sempre sem me chegar a dizer se o meu texto tinha servido para alguma coisa. Raramente, alguém se queixava. E eu ficava sempre na dúvida: teria mesmo feito a diferença?
Há muitas maneiras de fazer jornalismo. Mas esta é aquela que mais se parece com um serviço. E é uma que tende a ser esquecida. Poucas pessoas param para pensar na importância que pode ter contar a história de alguém.
Raramente, a história de alguém é só dessa pessoa. Na maior parte das vezes, o que fazemos é dar uma cara e um nome a um problema em que até aí ninguém reparou. É esse corpo que torna visível aquilo que tendíamos a ignorar coletivamente.
Foi quando escrevi pela primeira vez o nome de Odair Moniz que ele deixou de ser o “suspeito” anónimo que vinha descrito no auto policial. E foi quando lhe vimos a cara que nos interrogámos sobre como se pode acabar morto depois de ter desrespeitado uma ordem da polícia. Cada um pode ter tirado conclusões diferentes sobre essa interrogação, mas foi quando o jornalismo contou essa história que descobrimos a estatística segundo a qual uma pessoa negra tem 21 vezes mais probabilidades de ser morta pela polícia em Portugal do que uma pessoa branca.
Contar as histórias, procurar as causas, revelar os números, explicar os mecanismos, expor versões contraditórias, confrontar quem tem poder. É isso que faz o jornalismo. É isso que torna o jornalismo diferente de qualquer outra forma de comunicação.
Escrevo este texto em dias de grande perturbação para a redação da VISÃO. Vivemos numa enorme incerteza. E haverá quem culpe o mercado, quem nos diga que é o futuro inexorável que aí vem, com os seus algoritmos e inteligências artificiais, quem ache que não faremos falta e quem se regozije com a possibilidade de ver desaparecer quem interroga, quem incomoda, quem escrutina e expõe. A todos gostaria de pedir que parassem para pensar e imaginassem esse futuro sem jornalismo.
Não é um exercício difícil. É só voltar atrás. Ao passado em que as atrocidades se cometiam em silêncio, os povos eram comandados sem questionar, as verdades eram divinas e o poder uma coisa obscura.
Foram precisos séculos, revoluções e muitas lutas para fugir a essa escuridão. No que me toca, vou tentar não deixar que a luz se apague.
1. Orquestra Gulbenkian na Fundação Gulbenkian, em Lisboa
Sob a direção do maestro de ascendência romena Lawrence Foster, o repertório dos três concertos de Ano Novo no Grande Auditório da Gulbenkian gira em torno do período do Império Austro-Húngaro em Viena, com peças de vários compositores, nomeadamente, da família Strauss (Josef, Johann e Richard). Cada concerto, com a duração de mais de duas horas, contará com as vozes da soprano francesa Isabelle Cals e do tenor austríaco Nikolai Schukoff. As três datas já se encontram esgotadas, no entanto, o concerto do dia 10 de janeiro (às 19h) será transmitido em direto no site da Gulbenkian e na Antena2. Fundação Calouste Gulbenkian > Av. de Berna, 45 A, Lisboa, T. 21 782 30 00 > 8, 9 e 10 jan, 20h e 19h > €26-€58
2. Orquestra Metropolitana de Lisboa, em Setúbal, Barreiro, Águeda e Montijo
Foto: DR
Depois de ter começado o ano com dose dupla no Centro Cultural de Belém, a Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML) vai levar o Concerto de Ano Novo a mais quatro palcos: Setúbal, Barreiro, Águeda e Montijo. Dirigida por Fernando Marinho, a OML interpreta valsas, polcas, aberturas de opereta e marchas da família Strauss (Vozes da Primavera, abertura da opereta O Morcego ou, entre outras, a valsa Danúbio Azul), e de compositores como Filipe Raposo (Valsa da Noite), Joly Braga Santos (Dança Geral, da suíte do bailado Encruzilhada) eFrederico de Freitas (Bailia, do bailado Suíte Medieval). Fórum Municipal Luísa Todi, Setúbal > 3 jan, sex 21h > €14 > Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro > 4 jan, sáb 16h30 > €20 > Centro de Artes de Águeda > 5 jan, dom 17h > €6 a €8 > Cinema Teatro Joaquim d’ Almeida, Montijo > 11 jan, sáb 21h30 > €5
3. Orquestra do Algarve na Culturgest, em Lisboa
Martim Sousa Tavares dirige a Orquestra do Algarve no Concerto de Ano Novo da Culturgest. Uma seleção de temas das danças húngaras, compostos por Johannes Brahms,e das danças eslavas, compostas por Dvórak, dão início ao concerto que inclui as obras Morgenblätter Walzer, Bluette Polka e Aus den Bergen Walzer, de Johann Strauss Jr., compositor austríaco que assinala 200 anos de nascimento neste ano. Culturgest > R. Arco do Cego, 50, Lisboa > T. 21 790 5155 > 9 jan, qui 19h > €5
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4. Strauss Festival Orchestra no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e no Coliseu do Porto
A Strauss Festival Orchestra e o Strauss Festival Ballet Ensemble chegam a Lisboa e ao Porto com uma seleção de valsas, polcas e marchas de Strauss para dois Concertos de Ano Novo. Entre as obras, escutar-se-ão, entre outras, Napoleão, Festa das flores, Klipp Klapp, A valsa do imperador, Champagne,Danúbio Azul, e a fechar o espetáculo, a Marcha Radetzky. Coliseu dos Recreios, Lisboa> 3 jan, sex 21h30 > €45 a €100 > Coliseu do Porto, Porto > 9 jan, qui 21h30 > €46 a €52
5. Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
A OCCO-Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras começa o ano “a jogar em casa”, com dois concertos de Ano Novo sob o mote Paz e Liberdade – nesta sexta, 3, no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Oeiras, e no domingo, 5, no Casino Estoril, em Cascais. Ambos são dirigidos e comentados pelo maestro Nikolay Lalov, e incluem um repertório com valsas de Chopin, Shostakovich, Khachaturian, Dunayevsky e obras de Strauss. Auditório Municipal Ruy de Carvalho > R. 25 de Abril, Carnaxide > T. 21 417 0109 > 3 jan, sex 18h > €5 > Casino Estoril > Av. Dr. Stanley Ho, Estoril > T. 21 466 7700 > 5 jan, dom 18h > a partir €12
6. Coro Gulbenkian na Casa da Criatividade, em São João da Madeira
No Concerto de Ano Novo, o Coro da Gulbenkian interpreta a peça Agnus Dei, adaptada para versão coral por Samuel Barber a partir do seu Adagio para Cordas.Casa da Criatividade > Pç. 25 de Abril, São João da Madeira > 3 jan, sex 21h30 > €5 a €10
7. Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, no Porto
Orquestra Sinfonica do Porto Casa da Musica
Sob a direção do maestro José Eduardo Gomes, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música inicia 2025 com dois concertos de Ano Novo neste sábado e domingo, 4 e 5. Num repertório preenchido por valsas e polcas, cabem as obras de Johann Strauss II (Polca Tritsch-Tratsch; Kaiser-Walzer; Polca Annen; Polca Tik Tak), Frank von Suppé (Abertura Poeta e Aldeão); Tchaikovski (Valsa das Flores), entre outras. Casa da Música > Av. da Boavista, 604, Porto > T. 22 012 0220 >4-5 dez, sáb-dom 18h > €19 a €38
8. Banda Sinfónica Portuguesa no Fórum da Maia
A celebrar 20 anos em 2025, a Banda Sinfónica Portuguesa começa o ano com um concerto onde cabem obras de Stephen Melillo (Godspeed ), Bert Appermont (Colors ), John Powell (How To Train Your Dragon ) e, entre outros, Johann Strauss II (An Der Schönen Blauen Donau ). Fórum da Maia, Pça. Dr. José Vieira de Carvalho, Maia > T. 22 9408 600 > 4 jan, sáb 21h30 > grátis
9. Orquestra do Norte no Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia
A entrada em 2025 é celebrada com algumas das obras do compositor Johann Strauss Jr., a pretexto dos 200 anos do seu nascimento, e de Puccini (evocando o centenário da sua morte). A Orquestra do Norte será dirigida pelo maestro convidado Filipe Fonseca, com a voz da soprano Regina Freire. Auditório Municipal > R. de Moçambique, 183, Vila Nova de Gaia > T. 22 377 1820 > 4 jan, sáb 21h > grátis
10. Concerto de Ano Novo no WoW, em Vila Nova de Gaia
O coro infantil Crescendi, constituído por 60 crianças entre os 5 e os 15 anos, brinda ao Novo Ano com um concerto na praça central do WoW (ou no interior do edifício, caso chova). World of Wine > R. do Choupelo, Vila Nova de Gaia > 4 jan, sáb 18h > grátis
Até 1991, era a Dona Helena quem tomava conta da pensão da Rua Dr. Pádua, com muito boa reputação. Depois da sua morte, nesse ano, ninguém mais lhe pegou e a casa, com mil metros quadrados, caiu em ruína. Só em 2019, este edifício histórico de Olhão, do século XIX, seria salvo pelo casal de franceses Jack e Walter. Meteram mãos à obra para o reabilitar para um turismo de habitação com 10 quartos, aberto em março de 2024, e que tem também uma coffee shop com porta para a rua.
Foto: Marcos Borga
Existem vários recantos que nos envolvem em indiscutível bom gosto e nos puxam para o desligamento quase total, apenas concentrados nos pormenores que garantem o respeito pela originalidade da arquitetura, das paredes caiadas às abóbadas ou às pedras ocre, típicas da região.
Um dos pontos irresistíveis da Casa Amor é a sua açoteia, o local onde antes se secavam os polvos. Hoje, existe aqui uma pequena piscina de água salgada, perfeita para refrescar do calor do verão. Dentro de água, dá para apreciar o recortado árabe, muito evidente nesta cidade algarvia, a que se chama de capital do cubismo: um mar branco, sem telhados, pintalgado de chaminés de balão e mirantes. L.O. R. Dr. Pádua, 24 A, Olhão > T. 91 066 9436 > a partir de €127,50 > coffee shop > ter-sáb 9h-15h
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2. Casas da Quinta de Cima, Vila Nova de Cacela
Acordar nesta quinta de 50 hectares, no meio do nada, num silêncio conciliador, ainda que saibamos que o mar não está muito longe, é um luxo. Um luxo discreto, que quase nem se nota – ou nota-se na beleza das pequenas coisas: como sair do quarto, que, na verdade, é uma suíte com kitchenette incluída, e seguir a pé para o pequeno-almoço, que se toma dentro ou fora, consoante a meteorologia, mas em que, em qualquer dos casos, se experimentam alguns dos produtos da terra, como limões, laranjas ou abacates.
Foto: Francisco Nogueira
As nove suítes, com 70 m², eram as antigas casas dos trabalhadores da Quinta de Cima. Todas têm também sala de estar, kitchenette, como já se escreveu, e uma casa de banho, que se abre, de par em par, para o pátio privativo. Nos interiores, privilegiaram-se os materiais tradicionais: madeira, terracota, mármore, lã e algodão. Os tetos, altíssimos, são tipicamente algarvios e forrados a vime. Além destes quartos, o hotel tem duas villas isoladas, no meio dos pomares, ideais para famílias.
O restaurante está aberto só para jantares, com receitas da família, como caril ou arroz de pato. Ao almoço, quem quiser ficar pela piscina (um antigo tanque de rega) ou a relaxar numa das cadeiras, abrigadas pela densa vegetação, pode pedir sanduíches e saladas. Espaço não falta por aqui. Aliás, faz parte do programa andar a pé pela propriedade. L.O. EM1242, Vila Nova de Cacela > T. 96 691 2743 > a partir de €200
3. Casa Az-Zagal, Sousel
A traça desta casa senhorial e alguns dos apontamentos que fizeram a sua história foram preservados, como o grande fumeiro da entrada, a manjedoura das estrebarias da sala de jantar, os tijolos que sobressaem em algumas paredes ou as pias de cozinha em mármore de um dos quartos – são 13, no total, quatro deles em suíte, e nenhum tem televisão.
Foto: José Carlos Carvalho
No exterior, descobre-se a piscina e o alpendre, com a lareira de chão pronta a ser acesa nas noites mais frias (assim como as menos sedutoras pirâmides de aquecimento). Na cozinha, Célia Delgado encarrega-se das delícias que chegam à mesa das refeições, desde o pequeno-almoço aos snacks, passando pelo almoço e o jantar, por encomenda (não deixe de reservar, porque esta é uma peça fundamental da estada na Casa Az-Zagal, fica a dica). Por sorte, estas refeições típicas, confecionadas com produtos das redondezas – como a hortelã ou o poejo do jardim, o borrego de Sousel ou a cabeça de xara da salsicharia do Cano –, estão abertas a quem por aqui passe e queira provar, sem que seja preciso estar hospedado.
Outra coisa: criança não entra. Só a partir dos 16 anos, quando já não é suposto perturbarem a paz que reina na propriedade, goste-se ou não deste conceito de excluir os mais novos dos prazeres da vida, como deambular por Casa Branca, aldeia típica em que foi edificada este belo casarão, e ver os mais velhos a passar de bicicleta ou de saco de pão na mão, como quem tem todo o tempo do mundo. L.O. R. de Évora, 14, Casa Branca, Sousel > T. 268 539 085 > a partir de €90
4. Casa da Moira, Avis
Com vista para a Barragem do Maranhão, a Casa da Moira, no centro histórico de Avis, junto da muralha medieval, conta com 11 quartos divididos por dois edifícios nobres – um do século XVII, outro do século XIX. A disponibilidade dos proprietários, o casal João e Maria João Tenreiro, faz a diferença. São eles que recebem os hóspedes, estão discretamente por perto e gostam de uma boa conversa noite fora.
As suítes são espaçosas e confortáveis (há, inclusive, uma suíte duplex), com zonas de estar e tetos trabalhados. Os hóspedes têm à disposição as áreas comuns das duas casas: terraços com sofás confortáveis, salas de estar aconchegantes, algumas com lareira, cantos de leitura e um salão de jogos. No inverno, saberá bem um jantar no casão – feito a pedido, com pratos da região. Uma sugestão para dar um passeio? O Centro Interpretativo da Ordem de Avis, no antigo Convento de São Bento de Avis, traça a história da ordem militar e destaca a importância da vila alentejana através dos séculos. S.L.F. Lg. Dr. Sérgio de Castro, 1, Avis > T. 242 412 059 > a partir €165
5. O Lugar, Porto Covo
Fotos: DR
É com o chilrear dos passarinhos que se acorda n’O Lugar. Pedro Martins trocou Lisboa por Porto Covo, onde viveu até aos 18 anos, para abrir esta guesthouse em 2017, junto com a mulher, Inês. Os seis quartos têm uma decoração minimalista, em cores neutras e com mobiliário de linhas direitas, e varanda com vista para a baía. Na sala de estar, servem um pequeno-almoço com produtos da região: pão alentejano, croissants, queijadas de requeijão, feitas na padaria da família do proprietário, sumo de laranja natural, iogurte, cereais e fruta fresca. S.P. R. 25 de Abril, 7C > T. 96 580 0557 > a partir de €90
6. Sesimbra Oceanfront Hotel, Sesimbra
É um privilégio acordar de frente para a praia da Califórnia, um dos areais da vila de Sesimbra e para o qual há acesso direto a partir do Sesimbra Oceanfront Hotel. Dos 92 quartos existentes, não há um que não tenha vista para o imenso azul do mar, varanda e outras mordomias dignas das cinco estrelas, que o hotel passou a ostentar depois das obras de remodelação. Quem conheceu o antigo Sesimbra Hotel & Spa, aberto há 18 anos, vai encontrar diferenças: os quartos e as áreas comuns têm nova decoração, o restaurante e bar também.
Um dos quartos do Sesimbra Oceanfront Hotel. Foto: DR
No restaurante MarLuso, aberto aos jantares, a carta é inspirada nas viagens do navegador Sebastião Rodrigues Soromenho, natural de Sesimbra, e propõe uma fusão de sabores com influências da América Central. Exemplos? Guacamole de ervilhas com chips de batata-doce, um tiradito de espadarte-rosa com leite de tigre de agrião, e polvo grelhado com puré de feijão-coco e óleo de chouriço. Ao almoço, o Poké Bar serve refeições leves, com sugestões como o hambúrguer de grão, bolo lêvedo e molho toban djan ou o poké de camarão-tigre, cogumelos shitake e manga. Tudo acompanhado pela belíssima vista para o mar, sempre à espreita em cada canto deste hotel. S.L.F. R. Navegador Rodrigues Soromenho, Sesimbra > T. 21 228 9800 > a partir de €185
7. AlmaLusa Comporta
Foto: DR
É o único hotel de portas abertas bem no centro da Comporta, com tudo o que esta aldeia tem para oferecer, do comércio à restauração, a meia dúzia de passos. Dos 53 quartos do AlmaLusa, 31 são espaçosas suítes equipadas com kitchenette. Umas têm um terraço de 30 metros quadrados, outras acesso direto à piscina, no centro do hotel e rodeada de espreguiçadeiras.
O The Rooftop Bar, aberto a não hóspedes e com vista para os arrozais, é uma boa alternativa para um jantar leve com pratos de partilha, das ostras aos chipirones com molho aïoli, do taco de camarão e maionese de especiarias ao ceviche de corvina, coentros, pickle de chalota e crocante de arroz da Comporta.
Também aberto a todos, o Café do AlmaLusa, com mesas no interior e uma esplanada, tem uma carta com sugestões para comer no hotel, levar para a praia ou num passeio pela região. Além do menu de pequeno-almoço, há sumos naturais e smoothies, saladas, paninis e wraps. S.L.F. R. Pedro Nunes, 3, Comporta, Alcácer do Sal > T. 265 098 600 > a partir de €140
8. Vila Galé Collection Tomar
No centro de Tomar, encostado ao rio Nabão, este hotel de quatro estrelas divide-se em dois edifícios históricos recuperados – o antigo Convento de Santa Iria, construído no século XVI, e o ex-Colégio Feminino –, ligados entre si por um renovado passadiço.
Foto: DR
No primeiro, ficam o restaurante Versátil, que aposta numa ementa regional, dois bares, a piscina exterior, a biblioteca e a capela. Na segunda ala, encontram-se o Satsanga Spa & Wellness – com salas de massagem, piscina interior aquecida com cascatas, sauna e banho turco – e uma sala de reuniões, preparada para receber congressos. Os 100 quartos, com diferentes tipologias (standard, familiar e suítes), dividem-se pelos dois edifícios. Entre um passeio a pé pela cidade e uma visita ao Convento de Cristo, não deixe de provar os doces Beija-me Depressa, inspirados na doçaria conventual, na pastelaria Estrelas de Tomar. S.P. R. Santa Iria, 8, Tomar > T. 249 249 820 > a partir de €130
9. MS Collection – Palacete Valdemouro, Aveiro
Os mais distraídos hão de passar o edifício no número 50 da Rua José Estêvão, em Aveiro, que outrora foi residência da família de Eça de Queirós. Abrande-se o ritmo, então, para observar as paredes de um pálido cor de rosa, a varanda em ferro e as janelas altas debruadas a pedra, que contam parte da história desta casa construída no século XVIII.
Foto: DR
Situada a dois passos da ria, responde agora pelo nome MS Collection – Palacete Valdemouro, o primeiro hotel de cinco estrelas da cidade, inserido num edifício histórico de quatro pisos, restaurado. Tem 39 quartos de seis tipologias, todos singulares: uns criados à imagem das personagens de Eça, como Carlos da Maia, Padre Amaro ou Luísa de Brito, com elementos representativos da época, e outros com uma decoração art déco. Na sala de leitura, encontam-se fotografias, cartas, canetas de tinta permanente e até o monóculo, pertença do espólio da Fundação Eça de Queiroz, com a qual foi estabelecida uma parceria.
No pátio, há livros disponíveis para leitura, junto ao restaurante Prosa. Aberto ao jantar, serve uma ementa da autoria do chefe Rui Paula, composta por pratos alusivos à região, como o bacalhau, a enguia e as ostras. S.S.O. R. José Estêvão, 50, Aveiro > T. 234 245 630 > a partir de €230
10. Hotel da Fábrica, Manteigas
Fotos: Lucília Monteiro
Ainda não espreitámos o quarto, mas na chave que levamos na mão vai presa uma lançadeira de madeira, uma peça fundamental nos teares antigos que servia para enrolar o fio e fazer a trama (tecido entrelaçado). Tem tudo que ver, afinal, com a história deste hotel, que nasceu nas primeiras instalações da Ecolã, a mais antiga unidade produtiva artesanal de lanifícios do País (fundada em 1925).
Uma coisa é certa: quem pernoitar no Hotel da Fábrica (16 quartos e duas suítes) usufruirá não só de conforto e de uma noite bem dormida, com vista para o vale glaciar do Zêzere, mas também de uma viagem ao passado da indústria dos lanifícios, que outrora era parte integrante da paisagem geográfica e económica da serra da Estrela – hoje, em Manteigas, só restam duas, a Ecolã e a Burel Factory. Ao pequeno-almoço, não faltam o queijo e o requeijão Serra da Estrela, e a piscina interior aquecida é bem apetecível quando faz frio lá fora. F.A. Quinta de Santa Clara, EN232, Manteigas > T. 275 982 420 > a partir €85
11. Puro Dão Hotel & Spa, Nelas
No coração da região vitivinícola do Dão, este quatro estrelas é um pequeno oásis. A lareira acesa na sala de estar comum convida ao ócio, sentados nos sofás em couro, a olhar para a janela rasgada de alto a baixo com vista para a serra da Estrela. A mesma vista têm os 50 quartos e seis suítes (uma delas com jacúzi na varanda), com encostos de cama em couro, traves de madeira reaproveitas – muitas encontradas nas ruínas do edifício – e betão, tal como a restante decoração do hotel.
Foto: Lucília Monteiro
A cereja em cima do bolo deste dolce far niente é o spa, com piscina interior aquecida, que se liga à exterior (sempre com a serra no horizonte), e as massagens de relaxamento, algumas feitas com azeite biológico da região. Ao pequeno-almoço, ficamos a saber, o sumo de laranja e a marmelada vêm dos frutos do pomar do hotel, o requeijão e o queijo são de ovelha de raça bordaleira.
Integrado no Puro Dão, o restaurante Tertúlia serve os sabores da região: tachinhos de arroz malandrinho de míscaros, o cabrito grelhado e a aba de vitela assada à moda de Lafões (domingos ao almoço). A garrafeira tem mais de 300 referências de vinho, em grande maioria da região do Dão. F.A. R. do Mondego, Lote 9, Nelas, Viseu > T. 232 245 777/96 821 2158 > a partir €100
12. Solar de Vila Meã, Barcelos
Ao percorrer a Estrada Nacional 204, entre Barcelos e Vila Nova de Famalicão, era inevitável admirar de longe o Solar de Vila Meã. Agora, já é possível transpor o portão imponente, percorrer a alameda ladeada por árvores e extensos vinhedos, e conhecer o edifício do final do séc. XIX – com arquitetura original de João de Moura Coutinho, o mesmo que desenhou o Theatro Circo, em Braga – convertido em hotel, no topo da propriedade de 40 hectares.
Foto: Pedro Ferreira
Os sete quartos do solar e os espaços comuns combinam o respeito pela traça (agora com uma maior leveza) e a decoração eclética, com peças contemporâneas e apontamentos do mobiliário original. Os antigos edifícios agrícolas e a casa do caseiro também foram reconvertidos e acolhem 16 quartos e seis apartamentos duplex, além de outras valências, com a decoração inspirada na riqueza das artes e ofícios de Barcelos.
Além de duas piscinas (interior e exterior), spa e ginásio, tem também o restaurante Barro, marcado pelos tons terracota da olaria na decoração e pelos pratos mais tradicionais de várias regiões portuguesas, dos rojões à chanfana. J.L. R. Principal, 101, Silveiros, Barcelos > T. 253 400 850 > a partir de €150
13. InnSide by Meliá Braga Centro
Este hotel de quatro estrelas surge da recuperação de um edifício contíguo ao Retiro das Convertidas (fundado em 1722) e apela à vontade de descobrir a cidade de Braga. O imóvel barroco serviu de inspiração para a arquitetura da ala mais antiga do hotel, onde se encontra a receção e o restaurante Convertidas (aberto a não hóspedes), à qual foi acrescentada uma outra ala contemporânea com vista para a piscina e os jardins exteriores.
Foto: DR
A tal curiosidade é aguçada pelas muitas bicicletas retro espalhadas pelo hotel (há modelos elétricos que podem ser alugados a partir €5/hora), pelo DJ que anima o bar nas noites de sexta e sábado ou pelas dezenas de ilustrações que decoram as paredes, tanto das áreas comuns como nos 109 quartos (duplos, suítes e estúdios). O restaurante serve pratos da cozinha tradicional portuguesa, como o arroz de pato à moda de Braga, o polvo à lagareiro com batata a murro e, claro, o pudim Abade de Priscos. Tudo, num ambiente descontraído para todas as idades. F.A. Av. Central, 107, Braga > T. 253 200 200 > a partir €135
14. Torel Quinta da Vacaria, Peso da Régua
Uma das mais antigas propriedades da região do Douro, a Quinta da Vacaria (a sua história remonta a 1616) foi convertida em boutique hotel de cinco estrelas. A funcionar desde agosto de 2024 em Vilarinho dos Freires, Peso da Régua, soma 33 quartos e suítes decorados pelo Studio Astolfi, um spa com piscina interior e exterior virada para as vinhas, e um restaurante. No 16 Legoas, Vítor Gomes, com a consultoria do chefe de cozinha Vítor Matos, dá a provar uma cozinha descomplicada e simples, com produtos locais, como o cordeiro, o porco bísaro e o lúcio-perca.
Foto: Luís Ferraz
Uma adega construída de raiz, coberta de xisto e integrada na encosta de vinhas, fica a poucos metros do hotel. Encontra-se aberta a visitas e organizam provas diárias de vinhos DOC e do Porto (a partir €15) ou almoços exclusivos na Casa da Vinha – situada numa cota mais alta, aonde se acede de jipe. F.A. Vilarinho dos Freires, Peso da Régua > T. 254 240 242 > a partir €300
15. Hotel Senhora da Rosa, Ponta Delgada
Entre ananases, bananeiras, araucárias e inhames, este hotel familiar é um mergulho no verde da ilha açoriana de São Miguel. Além dos 33 quartos e suítes no edifício principal, o Senhora da Rosa tem dois refúgios de madeira escondidos entre a vegetação – o Cafuão e o Granel, com banheiras ao ar livre na varanda -, inspirados nos cafuões onde se guardavam os cereais.
Foto: Gonçalo F. Santos
Tomar um banho no tanque da estufa de ananás, fazer uma aula de ioga ou de Pilates, ou dar um passeio nesta quinta do século XVIII, são algumas das possibilidades para uns dias bem passados. No Spa Musgo, as massagens são feitas com óleos essenciais, elaborados na ilha pela Essentia Azorica. O restaurante Magma aposta nos sabores tradicionais dos Açores: risotto de lapas, pastéis de massa tenra, pica-pau de moreia, chicharrinhos casados, atum braseado com molho de vilão. Em alternativa, o Mirante Rooftop serve cozinha asiática. F.A. R. Senhora da Rosa, 3, Fajã de Baixo, Ponta Delgada > T. 296 100 900 > a partir €150 (quartos), €280 (cafuões)
Ponto forte: Tem grande notoriedade. Pode gerir o tempo de apresentação da candidatura. Conduziu com eficácia o plano de vacinação durante a Covid-19. Tem uma imagem acima dos partidos.
Ponto fraco: A condição de militar pode jogar contra ele. Não se lhe conhecem ideias políticas para o País. Dificilmente terá uma máquina partidária a organizar-lhe e a financiar-lhe a campanha.
José Pedro Aguiar-Branco
Militante do PSD
Apoio: PSD ou AD?
Ponto forte: Tem um perfil moderado, muito capaz de ir buscar votos ao centro-esquerda. Não tem anticorpos junto da direita mais radical. Notabilizou-se pelas suas intervenções como presidente da AR.
Ponto fraco: Mesmo ocupando o cargo que ocupa, falta-lhe notoriedade nacional. Precisa de arrancar cedo, o que o obrigará a deixar a sua tribuna na AR. Tem concorrência no seu partido.
Luís Marques Mendes
Militante do PSD
Apoio: PSD ou AD?
Ponto forte: Tem grande notoriedade e exposição semanal em canal aberto, como comentador da SIC. Tem um perfil moderado, capaz de recolher votos no centrão. Corresponde ao perfil definido pelo PSD.
Ponto fraco: Percurso televisivo demasiado decalcado do de Marcelo Rebelo e Sousa, mas sem ser a mesma coisa. Pode ter muita concorrência, dentro da sua área política e, até, do seu partido.
André Ventura
Líder do Chega
Apoio: Chega
Ponto forte: Com plena notoriedade nacional, pode gerir o tempo para anunciar candidatura. Agrega todo o eleitorado do Chega. Exímio em campanha e nos debates-espetáculo. Tem máquina partidária.
Ponto fraco: Muito marcado ideologicamente, não terá votos à sua esquerda. Concorrência do almirante pode tirar-lhe o eleitorado antipartidos.
Pedro Passos Coelho
Militante do PSD
Apoio: AD e…?
Ponto forte: Tem notoriedade nacional e pode gerir entrada na corrida. Consegue agregar toda a direita e algum eleitorado antipartidos. Entusiasma vastos setores da AD e terá máquina partidária.
Ponto fraco: Pouca capacidade de conquistar votos ao centro e ainda menos à esquerda. Probabilidades escassas de ganhar à segunda volta.
Pedro Santana Lopes
Independente
Apoio: Chega e…?
Ponto forte: Mantém intacta a notoriedade nacional, reforçada pelo comentário no canal NOW. Tem um discurso “fácil” e persuasivo, muita experiência política, simpatia pessoal e alguma popularidade em campanha.
Ponto fraco: Não tem máquina partidária. Muita concorrência na sua área política. Credibilidade afetada pelo desempenho como primeiro-ministro. Aproximação a André Ventura joga contra ele.
António José Seguro
Militante do PS
Apoio: PS
Ponto forte: Tem a imagem de um político sério e moderado. O PS admite colocar a máquina à sua disposição. Como comentador televisivo, pode recuperar a notoriedade perdida.
Ponto fraco: Está há demasiado tempo fora da política e o seu nome não empolga o eleitorado. Terá de anunciar a candidatura o mais cedo possível, para os portugueses se habituarem à ideia… e a ele.
Militante do CDS Apoio: CDS e…? Ponto forte: Mantém intacta a sua notoriedade, alimentada pelo comentário televisivo. Tem um discurso persuasivo, pode passar por moderado e é eficaz em campanha e nos debates. Ponto fraco: Embora tenha o apoio incondicional do CDS, será difícil convencer o partido de coligação, que tem as suas próprias hipóteses de candidaturas. Isso limita a máquina partidária e a penetração no centrão.
Mário Centeno
Área do PS
Apoio: PS?
Ponto forte: Ficou no imaginário do eleitorado como o ministro que virou a página da austeridade e solidificou as contas nacionais. Também por isso, pode penetrar no eleitorado mais à direita.
Ponto fraco: Paradoxalmente, o PS de Pedro Nuno Santos resistirá em conceder-lhe o apoio e a máquina de que precisa. Terá de antecipar a candidatura, tornando-a facto consumado, e deixar o Banco de Portugal…
Augusto Santos Silva
Militante do PS
Apoio: PS
Ponto forte: Intelectualmente, é o mais bem preparado dos candidatos potenciais. Conseguirá fazer o pleno da esquerda, pelo menos, à segunda volta. Terá máquina partidária. Mas tem concorrência na sua área…
Ponto fraco: Não consegue, em campanha, uma popularidade fácil. Tem dificuldade em penetrar no centro e não terá um único voto à direita.
António Vitorino
Militante do PS
Apoio: PS
Ponto forte: Tem uma imagem de competência técnica, projeção internacional e moderação política. Simpático, pode revelar-se, em campanha. Agrada ao centrão e pode obter simpatias no centro-direita.
Ponto fraco: Já não tem a notoriedade que teve, em tempos, e precisará de arrancar antes da concorrência. Não é um nome óbvio, capaz de entusiasmar o eleitor comum.
Paulo Raimundo
Líder do PCP
Apoio: PCP
Ponto forte: Tem experiência política e de campanha e a notoriedade própria do secretário-geral do PCP. Pode gerir a entrada na corrida, marcar a agenda, fixar o eleitorado comunista e ganhar outros eleitores, à esquerda.
Ponto fraco: Sem hipótese de vitória ou de forçar, sequer, uma segunda volta, pode expor as fragilidades eleitorais atuais do PCP, sobretudo se for vítima do voto útil…
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Já há dois candidatos a Belém
A psicóloga e comentadora Joana Amaral Dias, que foi militante do Bloco de Esquerda, mandatária de juventude da 3.ª candidatura de Mário Soares a Belém e candidata às eleições europeias pelo ADN, já anunciou a sua candidatura às presidenciais de 2026. Uma semana depois, seguiu-se o anúncio da candidatura do líder do S.TO.P. (Sindicato de Todos os Profissionais de Educação), André Pestana, dissidente do Bloco de Esquerda e fundador do MAS (Movimento de Alternativa Socialista). São os primeiros candidatos oficiais a Belém (ou pré-candidatos, até que as candidaturas sejam devidamente formalizadas), e ambos têm em comum com o possível concorrente André Ventura um discurso antissistema.
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Instabilidade, insegurança, imigração. 2025 vem cheio de palavras começadas por “i”, incluindo, claro, várias “incógnitas”. O Governo de Luís Montenegro ganhou novo fôlego até outubro de 2025, altura em que ficará outra vez na corda bamba da negociação orçamental, mas isso não significa que a instabilidade tenha desaparecido do dicionário político. No continente, a AD continuará a ter de lidar com instável geometria parlamentar, que permite maiorias que fogem ao seu controlo, e na Madeira os eleitores começam o ano novamente em clima pré-eleitoral, depois de o governo minoritário de Miguel Albuquerque ter caído seis meses após entrar em funções.
Imigração: o tema do ano
Pressionado pelas reivindicações de classes profissionais que ainda não viram as suas pretensões satisfeitas (com os sapadores bombeiros à cabeça, mas também os funcionários dos registos e os médicos), Luís Montenegro parece ter traçado uma nova estratégia: concentrar a atenção não na criminalidade real, mas numa insegurança percecionada. “Muitas vezes não é preciso que haja muitos crimes para que as pessoas se sintam inseguras”, disse o primeiro-ministro no dia em que dezenas de imigrantes de origem asiática foram encostados a uma parede do Martim Moniz, em Lisboa, numa “operação especial de prevenção criminal” – como lhe chamou Montenegro –, que redundou em duas detenções (uma delas de um cidadão português) e na apreensão de uma faca e sete bastões.
Montenegro deixou claro que operações como esta são para continuar, apesar da chuva de críticas da oposição à esquerda, que o acusa de instrumentalização da polícia. Mas não é só por isso que a imigração continuará a dominar o léxico político de 2025. Depois de a AD ter aprovado não só a sua a própria proposta, mas também a do Chega, para travar o acesso dos imigrantes irregulares a cuidados do SNS, o tema promete continuar, desta vez com a pressão sobre Belém. “O Presidente da República deve intervir evitando que este projeto indigno se torne lei”, escreveu a líder parlamentar do PS, Alexandra Leitão, na rede social X, em resposta à tomada de posição de mais de 800 profissionais de saúde que prometem praticar a desobediência civil para continuar a auxiliar estrangeiros em perigo de vida e chamam a atenção para os riscos de uma lei que deixa sem cuidados nem vacinas milhares de pessoas que podem, por isso, contribuir para a disseminação de doenças infectocontagiosas. Marcelo Rebelo de Sousa, que acabou o ano prometendo maior recato presidencial, ficará assim na berlinda.
A imigração pode, contudo, ser uma faca de dois gumes para o Governo. Se, por um lado, Luís Montenegro assumiu em pleno a bandeira da política contra “as portas escancaradas” de entrada no País, por outro, a falta de mão de obra pode trazer grandes dores de cabeça ao seu Executivo. Sem mais imigração, pode estar em risco a execução dos fundos do PRR. “Ou há um reforço da entrada de imigrantes, designadamente para a área da construção civil, ou não haverá condições para executar estas obras”, avisou em novembro o ministro com a pasta dos fundos, Manuel Castro Almeida. Não é o único a fazer este apelo: em dezembro, as confederações patronais fizeram as contas e estimaram que seriam precisos cerca de 100 mil imigrantes para dar resposta às necessidades de mão de obra da economia nacional. Uma entrada que parece estar a ser dificultada pelo fim da manifestação de interesse – um regime que permitia a regularização da permanência em Portugal a quem estivesse a trabalhar e a fazer descontos – e pela obrigatoriedade de chegar ao País com um contrato de trabalho na mão, mas também pela ideia do Governo de passar para os patrões a responsabilidade de garantir habitação para os trabalhadores. “Os empresários têm-nos sinalizado a dificuldade em contratar imigrantes”, admitia no final de outubro, ao Expresso, o presidente da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), Pedro Portugal Gaspar.
Os dados oficiais mostram que os imigrantes, que representam entre 10% e 12% da população, contribuem mais para a Segurança Social do que os apoios que recebem. Em 2023, os trabalhadores estrangeiros contribuíram com 2 677 milhões de euros e beneficiaram de prestações sociais no valor de 483 milhões. Ou seja, deram um “lucro” de 2 200 milhões de euros. E também não é certo que haja mais crime entre imigrantes. Apesar de a imigração ter crescido, a percentagem de condenados estrangeiros nas prisões portuguesas é de 12,9%, quando em 2012 era de 18,56%. No entanto, o Barómetro da Imigração feito pela Fundação Francisco Manuel dos Santos revela que metade dos portugueses vê os imigrantes como uma “ameaça simbólica” e acha que estes estrangeiros “empobrecem os valores e tradições portuguesas”, enquanto 67,4% pensam que “os imigrantes contribuem para o aumento da criminalidade”. E são essas perceções que o Governo escolheu valorizar sobre os factos.
Pressão sobre a saúde
Há, contudo, alguns factos que podem pressionar o Governo nos próximos meses, a começar pelos dados da Direção Executiva do SNS que revelam que, no final de novembro, havia 1 082 doentes oncológicos a aguardar cirurgia para lá do tempo de espera clinicamente recomendado, depois de Montenegro ter declarado no Parlamento que não havia nem um nessa situação. Esses números, mas também os das urgências de Pediatria e de Obstetrícia encerradas e a dificuldade em chegar a um acordo com os sindicatos dos médicos, prometem manter alta a pressão sobre o Ministério da Saúde, onde ainda se aguarda pelas conclusões dos inquéritos abertos às 11 mortes ocorridas durante a greve do INEM.
A bomba-relógio da Educação
Os números da Educação também teimam em não bater certo na calculadora do Governo, com o ministro Fernando Alexandre a admitir que errou quando disse ao Expresso que o número de alunos sem professores tinha caído 90% em relação ao ano letivo anterior e a Fenprof a estimar que cerca de 300 mil crianças e jovens tenham estado, pelo menos, três semanas sem aulas neste primeiro período letivo. Apesar do conjunto de medidas anunciadas pelo Governo para reforçar o número de docentes nas escolas, apenas 63 professores reformados aceitaram voltar à escola e só nestes primeiros três meses de aulas foram precisas 60 mil horas extraordinárias para assegurar o serviço. Professores cansados, falta de auxiliares e uma negociação que pode alargar a área a que têm de concorrer os docentes que estão efetivos nos Quadros de Zona Pedagógica podem formar um cocktail explosivo capaz de pôr fim à paz relativa conseguida na Educação quando o Governo repôs o tempo de serviço congelado na altura da Troika.
Se os professores voltarem à rua, terão a companhia dos sapadores bombeiros, que já anunciaram que não desistem da luta. Mas podem vir aí mais manifestações, desde logo pela Habitação. Depois de todas as medidas do Governo no setor, o resultado, de acordo com o INE, é que o mercado está cada vez mais aquecido. A subida dos preços atinge os 9,8%, em resultado de políticas que dão garantias públicas e isenção de IMT aos mais jovens e voltam a aligeirar as regras do Alojamento Local, ao mesmo tempo que há cada vez mais procura estrangeira para o imobiliário nacional. E isso tem consequências: a DECO diz que há cada vez mais pessoas a recorrerem ao crédito para pagar a renda e até a prestação da casa e que 75% dos pedidos de auxílio que chegam à Associação de Defesa do Consumidor vêm de pessoas empregadas. “Portanto, não é a questão do desemprego, não é a questão da diminuição dos rendimentos por esta via que está a levar as famílias a estar em dificuldades. É precisamente pelo lado da despesa, ou seja, as despesas estão a aumentar muito para além daquilo que é o aumento dos rendimentos”, disse à Lusa a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira (GPF) da DECO, Natália Nunes.
Decisões nas nuvens
Se a primeira grande decisão do Governo foi anunciar a localização do novo aeroporto de Lisboa, o ano deve arrancar com uma outra decisão sobre esta obra: a que diz respeito ao relatório apresentado pela ANA sobre os pressupostos da sua construção. E o tema vem com um potencial de embaraço político. Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas, tinha feito a promessa de que a obra não ia pesar “nem um euro” aos contribuintes. O relatório tem outro cenário e mostra um aumento do custo de construção na ordem dos 47% face à estimativa feita pela Comissão Técnica Independente. Não há dúvidas de que os contribuintes vão pagar os cerca de nove mil milhões de euros que vai custar a obra, a única dúvida é o método de pagamento, com o Governo a ponderar aumentar a concessão até 2087, mantendo o muito lucrativo negócio aeroportuário nas mãos da francesa Vinci.
Recorde-se que, segundo o Tribunal de Contas (TdC), a empresa comprou a ANA nos tempos de Pedro Passos Coelho por 1 127 milhões de euros, com o Estado a conceder à Vinci os dividendos de 2012, ano em que a empresa ainda era pública. Ainda segundo o TdC, em nove anos o privado já recuperou a totalidade do investimento e realizou um lucro de 309 milhões de euros, ficando também com poder estratégico de escolha sobre a localização do novo aeroporto. Um negócio que, a manterem-se os níveis de rentabilidade, pode render à Vinci mais de 20 mil milhões de euros nos 50 anos que tem a concessão em vigor, pelo que não é de admirar que a empresa aproveite a negociação sobre o aeroporto de Lisboa para prorrogar o prazo do negócio, ao mesmo tempo que prolonga o período útil de funcionamento do Aeroporto Humberto Delgado.
Haverá em 2025 mais razões para ficar a olhar para os aviões: este será o ano em que a TAP volta a ser privatizada. Depois de os contribuintes terem sido obrigados a injetar mais de três mil milhões para salvar a companhia aérea, das dúvidas geradas pela forma como foi comprada por David Neelman e de se saber o peso estratégico que tem para a economia nacional o hub de Lisboa, é natural que o escrutínio sobre o negócio de venda seja alto. Tanto mais que o Governo não tem maioria parlamentar para sustentar uma privatização a 100%, já que quer o PS quer o Chega (os dois principais partidos da oposição) preferiam que o Estado mantivesse poder de influência na empresa.
Mais um miniciclo madeirense?
O ano vai ser marcado por três eleições. A primeira é na Madeira, que se arrisca a não conseguir sair de um cenário de ingovernabilidade. A fazer fé nas sondagens, o PSD continua a ganhar sem maioria absoluta e a precisar do Chega para governar. Se isso acontecer e Miguel Albuquerque (como tudo indica) permanecer à frente do PSD Madeira, o mais certo é que o próximo governo dure pouco. É que André Ventura tem feito toda a pressão sobre o Chega Madeira para que o seu partido não fique na fotografia com um político acusado de corrupção.
Autárquicas: líderes em xeque
As eleições que se seguem no calendário político são as autárquicas. E não há partido que possa dizer que arranca sem sobressalto para essa corrida. O PSD, no poder, pode temer os efeitos de um cartão vermelho à governação e poderá ter de enfrentar alguma divisão à direita em câmaras como o Porto ou Sintra, mas tem boas hipóteses de continuar à frente de Lisboa, o que só por si é uma vitória importante.
Já no PS, Pedro Nuno Santos enfrenta um teste que pode ser decisivo e que não será fácil: é o maior partido autárquico, mas 50 dos seus eleitos estão em final de mandato e manter esse score eleitoral pode ser complicado. Pedro Nuno tem dados que lhe dão algumas hipóteses de conquistar o Porto e Coimbra, mas perder Lisboa terá sempre o sabor amargo de uma derrota. E o problema é que não há consenso entre os socialistas em relação ao melhor nome para fazer frente a Carlos Moedas e nem sequer sobre se uma frente de esquerda será mesmo a melhor fórmula para bater Moedas. Certo é que o calendário vai acelerar e Pedro Nuno vai ter de tomar decisões muito em breve. E essas decisões podem ditar parte do que será o resto do seu ano. Uma derrota pesada pode fazer erodir a liderança, mesmo que agora ela pareça de pedra e cal, assente num controlo da máquina socialista que poucos líderes já tiveram.
Também complicada será a vida de Paulo Raimundo. Não está em causa a liderança do secretário-geral comunista, mas é essencial – para usar a palavra que mais marcou o Congresso do PCP em dezembro – dar sinais de “resistência”, numa altura em que as sondagens não são animadoras. Dos 19 presidentes de câmara comunistas, há 11 que atingiram o limite de mandatos e isso só por si pode complicar as contas. Depois há ainda que ver como corre a aposta (arriscada) de ficar de fora de uma eventual frente de esquerda em Lisboa, decidida para tentar afirmar o PCP não só como alternativa ao PSD de Moedas, mas também ao PS de Medina. Resultará? Ou fará o PCP eclipsar-se?
Mais confiante pode partir André Ventura para esta corrida eleitoral. O Chega não tem ainda implantação autárquica, pelo que qualquer vitória pode ser usada para embandeirar em arco. Se Ventura tiver a capacidade de ir buscar autarcas a outras formações políticas, isso também lhe dará força. Para já, tem pelo menos a vitória de ter conseguido pôr autarcas do PS a endurecer o discurso sobre a atribuição de apoios sociais, causando embaraço à direção socialista.
A jogar noutro campeonato, o máximo que BE e Livre podem almejar é ter peso nas vereações de Porto e Lisboa. Já o PAN contará muito pouco para este totobola. E o CDS e a IL dependem muito das coligações com o PSD para cantar vitória.
O xadrez presidencial
A terceira eleição que marca 2025 nem sequer vai acontecer nesse ano, mas é certo que marcará toda a próxima época política. Os próximos meses serão feitos de avanços e recuos táticos e de muito jogo entre os potenciais candidatos à Presidência da República. O almirante Gouveia e Melo despiu já a farda, para se apresentar à civil, e é o único que é seguro, numa bolsa de apostas, dar como candidato à corrida. De resto, tanto à esquerda como à direita, há muitas hipóteses, mas muito poucas certezas.
Luís Marques Mendes tem seguido o guião de Marcelo Rebelo de Sousa no caminho para Belém, mas as sondagens não são, nem de longe nem de perto, tão encorajadoras como eram há dez anos para outro comentador televisivo que acabaria Presidente. Isso e a falta de entusiasmo notória que gera no PSD – apesar de cumprir à risca o perfil traçado por Luís Montenegro para um candidato – podem travar aquele que é um dos que mais vontade têm de se fazer ao caminho para a Presidência.
Ainda à direita, Pedro Santana Lopes faz-se desejado, ora mostrando-se disponível para o voo presidencial, ora indo a jornadas parlamentares do Chega, baralhando tudo quando também se diz pronto a ser candidato autárquico outra vez na Figueira da Foz ou até em Sintra. José Pedro Aguiar-Branco também não sai de cena e está no banco dos suplentes. Mas aquele que todos queriam, Pedro Passos Coelho, teima em ser equívoco nos sinais, com os mais próximos a garantirem que não será candidato e o próprio a recusar-se a dizê-lo assim com todas as letras.
Mais à direita, há outras incógnitas. Uma delas é o Chega. André Ventura não afastou por completo a hipótese de voltar a ser candidato, agora que o distanciamento imposto por Gouveia e Melo fez Ventura recuar no apoio que lhe tinha prometido e que o almirante rejeitou. A IL já disse que terá um candidato próprio, mas é incerto quem será ou mesmo se Rui Rocha continuará muito mais tempo à frente de um partido que lhe parece fugir das mãos. E o CDS, cujo acordo de coligação com o PSD deixa expressamente as presidenciais de fora, pode ainda apoiar Gouveia e Melo ou até apresentar o também muito presidenciável Paulo Portas.
À esquerda, o cenário é também muito complicado. Mário Centeno tem muita vontade e é o que mais parece convencer os socialistas, mas a marca de campeão das cativações torna-o antipático à esquerda do PS. António José Seguro deixou claro que tem disponibilidade, mas esse anúncio foi recebido com relativa indiferença entre os socialistas, mesmo que reúna alguns apoios na ala mais à direita do partido e não pareça ter já especiais anticorpos. Augusto Santos Silva também insiste em ficar na fotografia, apesar da notória falta de popularidade e da falta de entusiasmo que gera no seu partido. E António Vitorino, visto por muitos como mais qualificado para a tarefa, sofre de uma falta de notoriedade que pode ser-lhe fatal.
Resta ainda saber o que fará a esquerda da esquerda. O PCP pode apresentar Paulo Raimundo a votos, para aproveitar o tempo de antena, mas a VISÃO sabe que tudo está em aberto e nem sequer é de descartar o apoio a uma figura de fora do partido. O BE também pode voltar a apresentar um candidato próprio, mas os bloquistas ainda não têm a decisão fechada.
À dúzia é mais barato?
Os 12 nomes mais falados para Belém. Consulte o “candidómetro”: de 0 a 10, quais as probabilidades de candidatura?
Henrique de Gouveia e Melo
Independente
Apoios: CDS e…?
Ponto forte: Tem grande notoriedade. Pode gerir o tempo de apresentação da candidatura. Conduziu com eficácia o plano de vacinação durante a Covid-19. Tem uma imagem acima dos partidos.
Ponto fraco: A condição de militar pode jogar contra ele. Não se lhe conhecem ideias políticas para o País. Dificilmente terá uma máquina partidária a organizar-lhe e a financiar-lhe a campanha.
José Pedro Aguiar-Branco
Militante do PSD
Apoio: PSD ou AD?
Ponto forte: Tem um perfil moderado, muito capaz de ir buscar votos ao centro-esquerda. Não tem anticorpos junto da direita mais radical. Notabilizou-se pelas suas intervenções como presidente da AR.
Ponto fraco: Mesmo ocupando o cargo que ocupa, falta-lhe notoriedade nacional. Precisa de arrancar cedo, o que o obrigará a deixar a sua tribuna na AR. Tem concorrência no seu partido.
Luís Marques Mendes
Militante do PSD
Apoio: PSD ou AD?
Ponto forte: Tem grande notoriedade e exposição semanal em canal aberto, como comentador da SIC. Tem um perfil moderado, capaz de recolher votos no centrão. Corresponde ao perfil definido pelo PSD.
Ponto fraco: Percurso televisivo demasiado decalcado do de Marcelo Rebelo e Sousa, mas sem ser a mesma coisa. Pode ter muita concorrência, dentro da sua área política e, até, do seu partido.
André Ventura
Líder do Chega
Apoio: Chega
Ponto forte: Com plena notoriedade nacional, pode gerir o tempo para anunciar candidatura. Agrega todo o eleitorado do Chega. Exímio em campanha e nos debates-espetáculo. Tem máquina partidária.
Ponto fraco: Muito marcado ideologicamente, não terá votos à sua esquerda. Concorrência do almirante pode tirar-lhe o eleitorado antipartidos.
Pedro Passos Coelho
Militante do PSD
Apoio: AD e…?
Ponto forte: Tem notoriedade nacional e pode gerir entrada na corrida. Consegue agregar toda a direita e algum eleitorado antipartidos. Entusiasma vastos setores da AD e terá máquina partidária.
Ponto fraco: Pouca capacidade de conquistar votos ao centro e ainda menos à esquerda. Probabilidades escassas de ganhar à segunda volta.
Pedro Santana Lopes
Independente
Apoio: Chega e…?
Ponto forte: Mantém intacta a notoriedade nacional, reforçada pelo comentário no canal NOW. Tem um discurso “fácil” e persuasivo, muita experiência política, simpatia pessoal e alguma popularidade em campanha.
Ponto fraco: Não tem máquina partidária. Muita concorrência na sua área política. Credibilidade afetada pelo desempenho como primeiro-ministro. Aproximação a André Ventura joga contra ele.
António José Seguro
Militante do PS
Apoio: PS
Ponto forte: Tem a imagem de um político sério e moderado. O PS admite colocar a máquina à sua disposição. Como comentador televisivo, pode recuperar a notoriedade perdida.
Ponto fraco: Está há demasiado tempo fora da política e o seu nome não empolga o eleitorado. Terá de anunciar a candidatura o mais cedo possível, para os portugueses se habituarem à ideia… e a ele.
Paulo Portas
Militante do CDS Apoio: CDS e…? Ponto forte: Mantém intacta a sua notoriedade, alimentada pelo comentário televisivo. Tem um discurso persuasivo, pode passar por moderado e é eficaz em campanha e nos debates. Ponto fraco: Embora tenha o apoio incondicional do CDS, será difícil convencer o partido de coligação, que tem as suas próprias hipóteses de candidaturas. Isso limita a máquina partidária e a penetração no centrão.
Mário Centeno
Área do PS
Apoio: PS?
Ponto forte: Ficou no imaginário do eleitorado como o ministro que virou a página da austeridade e solidificou as contas nacionais. Também por isso, pode penetrar no eleitorado mais à direita.
Ponto fraco: Paradoxalmente, o PS de Pedro Nuno Santos resistirá em conceder-lhe o apoio e a máquina de que precisa. Terá de antecipar a candidatura, tornando-a facto consumado, e deixar o Banco de Portugal…
Augusto Santos Silva
Militante do PS
Apoio: PS
Ponto forte: Intelectualmente, é o mais bem preparado dos candidatos potenciais. Conseguirá fazer o pleno da esquerda, pelo menos, à segunda volta. Terá máquina partidária. Mas tem concorrência na sua área…
Ponto fraco: Não consegue, em campanha, uma popularidade fácil. Tem dificuldade em penetrar no centro e não terá um único voto à direita.
António Vitorino
Militante do PS
Apoio: PS
Ponto forte: Tem uma imagem de competência técnica, projeção internacional e moderação política. Simpático, pode revelar-se, em campanha. Agrada ao centrão e pode obter simpatias no centro-direita.
Ponto fraco: Já não tem a notoriedade que teve, em tempos, e precisará de arrancar antes da concorrência. Não é um nome óbvio, capaz de entusiasmar o eleitor comum.
Paulo Raimundo
Líder do PCP
Apoio: PCP
Ponto forte: Tem experiência política e de campanha e a notoriedade própria do secretário-geral do PCP. Pode gerir a entrada na corrida, marcar a agenda, fixar o eleitorado comunista e ganhar outros eleitores, à esquerda.
Ponto fraco: Sem hipótese de vitória ou de forçar, sequer, uma segunda volta, pode expor as fragilidades eleitorais atuais do PCP, sobretudo se for vítima do voto útil…
A psicóloga e comentadora Joana Amaral Dias, que foi militante do Bloco de Esquerda, mandatária de juventude da 3.ª candidatura de Mário Soares a Belém e candidata às eleições europeias pelo ADN, já anunciou a sua candidatura às presidenciais de 2026. Uma semana depois, seguiu-se o anúncio da candidatura do líder do S.TO.P. (Sindicato de Todos os Profissionais de Educação), André Pestana, dissidente do Bloco de Esquerda e fundador do MAS (Movimento de Alternativa Socialista). São os primeiros candidatos oficiais a Belém (ou pré-candidatos, até que as candidaturas sejam devidamente formalizadas), e ambos têm em comum com o possível concorrente André Ventura um discurso antissistema.
“Pole position”
Já há dois candidatos a Belém
Montenegro deixou claro que operações como a do Martim Moniz são para continuar, apesar da chuvade críticasda oposiçãoà esquerda,que o acusa de instrumentalizara polícia
Cada vez mais se recorre ao crédito para pagar a renda e, até, a prestação da casa e 75% dos pedidos de ajuda que chegam à DECO vêm de pessoas empregadas
Não há partido que possa dizer que arranca sem sobressalto para a corrida autárquica. O PSD pode temer um cartão vermelho à sua governação, o PS tem 50 eleitos em final de mandato…
Destino comum Carlos Moedas deverá recandidatar-se em Lisboa e, para Montenegro, é crucial que o PSD mantenha a capital
Montenegro e Pedro Nuno O PS deixou passar o Orçamento para 2025, mas nada indica que possa repetir essa decisão, da próxima vez
Desde as sete da manhã de 1 de janeiro que não há gás russo a abastecer a União Europeia por gasoduto, com a Ucrânia a cumprir a promessa de não revalidar o contrato que permite a passagem de gás pelo seu território. É um excelente início de ano. (Há uma exceção: a Hungria de Órban, aliado de Putin, continua a receber gás pelo TurkStream, ligado à Turquia através do mar Negro, acentuando a sua posição de pária da UE.) Durante anos, o Kremlin usou a energia como arma de chantagem, para tentar manter a União Europeia controlada – arma essa que os europeus, com a Alemanha à cabeça, ajudaram a carregar, pondo-se alegre e ingenuamente nas mãos de um regime neofascista, controlado por um déspota. Esses dias finaram-se de vez. Resta a Putin e seus esbirros acenarem com os mísseis supostamente imparáveis e fazer as costumeiras ameaças ocas de ataques nucleares, que já não provocam mais que ligeiros arqueios de sobrancelhas.
Num momento em que somos intensamente bombardeados com os fenómenos ensejados pela inteligência Artificial (IA), é premente não nos deixarmos robotizar. A IA está a mudar drasticamente a vida das pessoas e a influenciar os domínios sociais, económicos, de saúde, de educação. Não há que negar os seus e-feitos de melhoria no quotidiano, que vão desde os produtos associados ao cartão do supermercado ao assistente (e.g., Alexa) que põe a tocar a música que queremos ouvir. A Hume AI, uma voz com Inteligência Emocional (IE) que pode gerar conversas que contribuem para o bem-estar emocional dos utilizadores, levando à compreensão das suas emoções através de uma conversação empática, eleva a fasquia da interação e das inter-relações humanas.
Estará o ser humano a agir também de forma artificial? Se, por um lado, podemos assumir que o corpo humano é uma máquina perfeita – composto por um conjunto complexo de sistemas, por outro, serão, ainda, as emoções o seu motor?!
A IE é muito mais do que ser simpático e manter a calma para não explodir ante uma situação frustrante. Ser emocionalmente inteligente significa ser capaz de identificar os chamados “gatilhos” emocionais, de modo a gerir positivamente as emoções, a saber relacionar-se com os outros, a ser capaz de enfrentar sentimentos desconfortáveis. A IE é composta por um conjunto de competências emocionais e sociais que influenciam as habilidades individuais, nomeadamente no que diz respeito à capacidade de reconhecer, perceber, regular e utilizar informações emocionais para orientar as ações e interagir com o ambiente.
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Daniel Goleman destaca a autoconsciência (self-awareness, capacidade de reconhecer, criticamente, as próprias emoções e os efeitos no comportamento), a autorregulação (self-management, capacidade de lidar e manter as emoções sob controlo), a consciência social (social awareness, capacidade de compreender e cor-responder às emoções de outras pessoas – ser empático) e a gestão de relacionamentos interpessoais (relationship management, capacidade de lidar com as emoções de outras pessoas, i.e., gestão de conflitos, trabalho em equipa) como fatores chave da IE. Estes quatro pilares, que se desdobram em doze competências, quando aplicados, por exemplo, no local de trabalho permitem a um líder compreender os seus impulsos, as suas frustrações e fraquezas e de que forma é que isso pode afetar o seu trabalho, a si mesmo e às suas relações de pares. Neste sentido, um índice elevado de inteligência emocional proporciona diferentes benefícios, como melhor desempenho académico, bem-estar e sucesso profissional, assim como melhor discernimento na hora de tomar decisões.
Uma visão mais ampla e integradora da inteligência permite compreender o importante e positivo papel que as emoções desempenham na vida individual, profissional e social. Competências humanas como a IE são um fator diferenciador num futuro cada vez mais dominado pelos robots. A relação entre IE e IA pode ser fascinante, já que pode contribuir para uma sociedade mais eficiente e emocionalmente conectada, complementando-se de forma holística, eficiente e até humanizada – através de assistentes virtuais sensíveis às emoções e necessidades do utilizador. Cabe ressalvar, todavia, que desenvolver a capacidade de ser emocionalmente inteligente é uma necessidade, num mundo em que a IA, apesar dos seus irrefutáveis avanços, é, ainda, uma preocupação.
“Emotional intelligence refers to a different way of being smart”. D. Goleman
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.
Pelo menos 322 reclusos, do total de 1.534 que fugiram, há uma semana, na sequência de rebeliões de duas cadeias em Maputo, localizadas a mais de 14 quilómetros do centro da capital moçambicana, foram recapturados.
“Os reclusos evadidos estavam a cumprir penas por crimes diversos, incluindo ações conexas ao terrorismo, homicídio, roubo, tráfico de drogas e outros delitos graves e as sentenças variam de cinco e 25 anos de prisão. Entre os fugitivos encontram-se indivíduos de alta perigosidade”, lê-se numa nota do Serviço Nacional Penitenciário de Moçambique (Sernap) a que a Lusa teve acesso.
“O Sernap apela para colaboração da população, fornecendo qualquer informação que possa ajudar na recaptura dos reclusos”, acrescenta a nota.
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No mesmo dia em que foram registadas as rebeliões, o comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, considerou que se tratou de uma ação “premeditada” e da responsabilidade de manifestantes pós-eleitorais que, desde outubro, estão na rua em protesto contra os resultados das eleições gerais.
Segundo dados das autoridades, pelo menos 33 pessoas morreram em resultado dos confrontos entre os guardas e os reclusos.
No mesmo dia, rebeliões similares também foram registadas na Cadeia de Manhiça, norte da província de Maputo, em que os manifestantes libertaram os presos, e na Cadeia de Mabalane, onde houve uma tentativa de fuga.
Moçambique atravessa desde outubro uma crise pós-eleitoral, com protestos e paralisações que têm culminado em confrontos violentos entre polícia e manifestantes que rejeitam os resultados das eleições de 9 de outubro, com quase 300 mortos e mais de 500 pessoas feridas a tiro, segundo organizações da sociedade civil que acompanham o processo.
O Conselho Constitucional de Moçambique proclamou em 23 de dezembro Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), como vencedor da eleição a Presidente da República, com 65,17% dos votos, sucedendo no cargo a Filipe Nyusi, bem como a vitória da Frelimo, que manteve a maioria parlamentar, nas eleições gerais de 09 de outubro. Este anúncio aumentou o caos em todo o país, com manifestantes pró-Venâncio Mondlane – que segundo o Conselho Constitucional obteve apenas 24% dos votos – nas ruas, barricadas, pilhagens e confrontos com a polícia, que tem vindo a realizar disparos para tentar a desmobilização.
A LG anunciou o monitor OLED 5K2K, ou seja, com resolução de 5120 por 2160 pixéis e que pode passar de completamente plano para uma curvatura de 900R. Além de o painel poder ser curvado, o utilizador pode ativar o Dual Mode e escolher entre o rácio de 21:9 ou 16:9 ou mesmo para assumir dimensões ajustadas para ecrãs de 39, 34 ou 27 polegadas facilmente. A LG revela que p 45GX990A tem oito configurações que podem ser escolhidas, noticia o The Verge
A resolução máxima pode alterar, de acordo com as definições escolhidas e o ecrã tem uma contagem de pixéis equivalente ao 4K, com 3840 por 2160. O painel é compatível com Nvidia G-Sync e AMD FreeSync Premium, incluindo suporte para DisplayPort e HDMI 2.1, embora o padrão 2.2 esteja para chegar brevemente.
Com estas dimensões e características, este ecrã pode ser o único necessário para a maior parte das secretárias de trabalho e de gaming e servir para dizer adeus aos múltiplos monitores. Nesta fase, ainda não há qualquer indicação de preço para o aparelho, com a LG a provavelmente reservar algum espaço para a apresentação na CES dentro de poucos dias.