Em declarações à agência Lusa, Pedro Delgado Alves, que coordena o Grupo de Trabalho de Registo de Interesses, da Assembleia da República, confirmou ter consultado a declaração de Luís Montenegro, após ter sido notificado pela Entidade para a Transparência (EpT) de que tinha havido alterações.

O deputado do PS referiu que consultou essa declaração “nos termos em que se faz nestes casos” e tendo em conta que, no dia seguinte, iria haver uma reunião do Grupo de Trabalho de Registo de Interesses, que tem como função “aferir a existência de conflitos de interesses (possíveis impedimentos ou incompatibilidades) entre as atividades declaradas e o exercício do mandato” de titulares de cargos públicos.

“Na sequência disso, apenas falei com o deputado [do BE] Fabian Figueiredo (que é membro do grupo de trabalho) sobre as dúvidas que a declaração me suscitava, nomeadamente aparentavam estar ali entidades de que não se tinha qualquer referência anteriormente”, indicou Pedro Delgado Alves.

Questionado se recusa qualquer alegação de que terá partilhado essa informação com pessoas externas ao grupo de trabalho, Pedro Delgado Alves respondeu: “Precisamente.”

“E permita-me até lamentar que pessoas que conhecem muito claramente as regras alimentem desinformação sobre o procedimento – ou seja, a existência de notificação para que se possam consultar as declarações e assegurar transparência -, mas também sobre a natureza destas declarações: elas não são sigilosas, são públicas por obrigação legal, não são sequer reservadas”, referiu, numa alusão ao deputado do PSD Hugo Carneiro.

Na quarta-feira, o jornal Expresso noticiou que Luís Montenegro submeteu junto da Entidade para a Transparência uma nova declaração, na qual acrescentou sete novas empresas para as quais trabalhou na Spinumviva, empresa fundada pelo próprio e que passou recentemente para os seus filhos.

Essa informação foi conhecida pouco antes do debate com o do PS, Pedro Nuno Santos, na quarta-feira à noite, tendo este lançado a suspeita de que o próprio Luís Montenegro o fez feito com o propósito de influenciar o debate.

Montenegro disse não ter difundido nem promovido a difusão do documento e, esta quinta-feira, considerou haver indícios de que o PS “tem muito mais a ver” com a divulgação dos clientes da empresa Spinumviva.

Na sequência da divulgação de novos dados, o deputado do PSD Hugo Carneiro pediu ao Grupo de Trabalho do Registo de Interesses no Parlamento que peça à Entidade para a Transparência os registos de quem acedeu aos dados sobre o primeiro-ministro, de forma a descobrir quem partilhou a informação com a imprensa.

O PS, em conferência de imprensa na quinta-feira, rejeitou responsabilidades na divulgação dos clientes da Spinumviva e acusou o Governo de ter “um padrão de opacidade e falta de transparência”.

O custo ambiental da utilização de pensos higiénicos convencionais resulta, entre outras consequências, no despejo de mais de 220 mil toneladas de plástico nos oceanos. Agora, uma equipa de investigadores académicos propõe que estes sejam substituídos por pensos feitos à base de amido de milho, seguindo métodos de produção escaláveis e com um custo competitivo.

Os pensos tradicionais contêm cerca de 90% de plástico e a utilização de um material biodegradável chamado ácido poliláctico (PLA) feito a partir de amido de milho pode ajudar a minimizar drasticamente estas consequências. O uso de fontes renováveis e um processo de manufatura menos tóxico para a produção destes pensos mitiga o facto de ser necessário mais solo para os fabricar, explica o Interesting Enginnering.

Alice Medeiros de Lima, autora correspondente do estudo, realça que “a investigação em materiais sanitários sustentáveis mostrou consistentemente que, embora existam muitas alternativas aos produtos tradicionais, a chave para a adoção generalizada assenta na facilidade de produção, no preço e na escalabilidade. Dados os efeitos negativos dos produtos sanitários baseados em plástico no ambiente, a mudança para produtos à base de amido de milho pode reduzir significativamente os resíduos e constituir uma solução mais sustentável para o futuro”.

No estudo, estima-se que uma mulher menstruada utilize cerca de 120 quilogramas destes produtos ao longo da sua vida. Com a maior parte dos pensos a serem constituídos em grande medida por plástico, é fácil perceber que uma grande quantidade destes vá parar ao fundo dos oceanos. A desvantagem da transição para os pensos feitos de amido passa pela necessidade de mais solos para cultivar o milho. No entanto, a natureza renovável do material e um método de produção que emite menos gases poluentes acabam por compensar em grande parte esta desvantagem.

Nesta fase, os principais fabricantes deste tipo de produtos ainda têm de afinar a produção para conseguir escalar e manter a competitividade do custo. Com o milho a constituir-se como uma das maiores colheitas no mundo, usado para alimentação humana e animal, bem como na produção de biocombustível e materiais industriais, será uma questão de tempo até se conseguir construir e manter uma cadeia de funcionamento para abastecimento dos materiais brutos necessários para o PLA.

O estudo completo pode ser lido no Sustainability Science and Technology.

Os comportamentos das administrações do presidente D. Trump (USA) e V. Putin (Federação Russa) confirmam que estas seguem os mesmos princípios morais, ideológicos e políticos:

– o mais forte tem sempre razão,

– os mais fracos têm de se submeter aos mais fortes,

– a verdade e a lei, sou eu,

– embora o achem, isto não é nem normal, nem natural.

Nestes países, questionar os comportamentos do presidente e da sua administração é considerado absolutamente inaceitável e desencadeia de imediato irritação, agressão e um enorme desejo de vingança por parte do Estado, contra quem não o segue.

Quando os princípios basilares da democracia (e da saúde mental) tais como o Estado de Direito Democrático, a Liberdade de Pensamento e de Expressão e a Liberdade de Escolha lhe são sonegados pelos homens mais poderosos do mundo, o cidadão, atónito, sente-se ameaçado e despojado da sua dignidade. O cidadão experiencia um ambiente social totalmente anormal e extremamente agressivo, quase irreal. As pessoas sentem-se desorientadas, envergonhadas e interrogam-se: como lidar com uma situação que tira todo o sentido à nossa existência?

Tudo é encenado e manipulado, mas a maldade é genuína e inabalável

As políticas internacionais destas duas administrações estão em sintonia, completam-se e ajudam-se mutuamente, em particular no que diz respeito à guerra de agressão da Federação Russa contra a Ucrânia -um país membro da ONU:

– o agressor é bem tratado, apreciado e recompensado

– o agredido é humilhado, ridicularizado e canibalizado

Estas duas administrações não reconhecem a ordem estabelecida, desprezam as fronteiras de países independentes, o Direito Internacional, a Organização das Nações Unidas e o Tribunal Penal Internacional na Haia. A Federação Russa há muito que anexa -através de ações militares- regiões de países independentes como por exemplo no caso da Geórgia e da Ucrânia. Os Estados Unidos informam o mundo que querem o Canadá, o Panamá e a Gronelândia (Dinamarca). Estes dois presidentes, D. Trump e V. Putin, consideram perfeitamente normal e legítimo apoderarem-se das riquezas e dos territórios de países independentes, inclusivamente dos seus habitantes, aos quais negam a sua identidade e dignidade. Estes dois presidentes colocam a humanidade em estado de choque, causam-nos enorme angústia e sofrimento e consideram-se absolutamente extraordinários em tudo o que fazem. O disfuncionamento- continuado- emocional, comportamental e cognitivo provoca, frequentemente, gravíssimos problemas e incidentes a quem lida ou se encontra ao alcance destas pessoas.

Comportamentos perturbadores, anormais, padronizados. A maldade institucionalizada e o desconhecimento de como líder com estas situações.

No âmbito da NATO, a administração dos Estados Unidos da América do Norte, para além de querer anexar dois países membros e de se recusar a participar na defesa comum, como estipula o Tratado que assinou em 1949, negoceia -unilateralmente- com a Federação Russa o fim da agressão desta à Ucrânia. Fá-lo sem qualquer mandato, enquanto manifesta uma enorme admiração e simpatia pelo agressor. Este ameaça frequentemente utilizar as suas armas nucleares contra quem a incomodar e manifesta o seu desejo de continuar a marchar até ao Mediterrâneo. A guerra de conquista da Federação Russa -que se identifica e alinha com a ex-URSS- já começou. A Ucrânia e os ucranianos, são, de facto, a primeira linha de defesa da Europa (democrática).

Precisamos de aprender a nos protegermos, a ajudar e a amar.

Neste contexto, o que significa a NATO do ponto de vista moral, ético e militar? Perante a invasão da Europa por parte da administração russa, apoiada militarmente pela pelo Irão e pela Coreia do Norte -com a China na retaguarda- o que propõe o secretário-geral da NATO, aos 650 milhões de cidadãos europeus, aos 340 milhões de americanos, aos 40 milhões de canadianos e aos 140 milhões de russos? O que vão, ou o que vamos fazer se as duas administrações obrigarem a Ucrânia e os ucranianos a renderem-se e a entregarem o que é deles, de direito? Como nos protegemos da insanidade e como vamos preservar a nossa humanidade e humanismo? Como está a sociedade civil dos países europeus? Os cidadãos estão alerta, ativos e disponíveis para criarem um pacto social, global, de defesa e ajuda?

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Na passada segunda-feira, dia 28 de abril, a energia foi cortada, a rede foi abaixo, os ecrãs apagaram-se, o som das notificações cessou. De repente, ficámos offline – mas vivos. Fomos empurrados para fora da rotina automática, uma interrupção brusca que nos forçou a parar. Fomos levados, por breves horas, a lugares onde já não costumamos ir: aos livros na estante, à varanda que quase esquecemos, à conversa com os vizinhos do prédio, ao sofá com os nossos filhos. Digo “empurrados” porque ninguém escolheu estar onde esteve. Não houve vontade, houve circunstância, ninguém escolheu o que fazer naquela tarde, apenas reagimos, cada um à sua maneira, para tentar encontrar um interruptor interno para dar sentido à falta de energia. O apagão revelou, por contraste, o quanto estamos dependentes de um sistema que raramente questionamos: o da conexão total e constante. E mais: deixou a nu os nossos próprios condutores emocionais – os que procurámos primeiro, os que quisemos proteger, os que desejámos abraçar quando o mundo ficou, por instantes, silencioso.

Foi um choque elétrico sem eletricidade. Uma reinicialização involuntária do sistema – não apenas o tecnológico, mas o emocional. Num instante, incomunicáveis, voltámos a prestar atenção ao essencial: como estamos, com quem estamos, e o que fazemos quando não podemos fazer o que sempre fazemos. Podíamos até brincar com as palavras e dizer que se acendeu uma luz – a da consciência. Mas, sejamos honestos: talvez tenha sido apenas um relâmpago, um clarão breve. Porque, à noite, quando as luzes voltaram… voltaram com elas a pressa, os hábitos, os vícios digitais e o ruído constante que aprendemos a chamar de normalidade. Voltámos, in-conscientemente, a emaranhar-nos na corrente – não à elétrica, mas àquela que nos prende ao piloto automático.

Mas e agora? O que fazer com essa breve experiência? Deixá-la cair no esquecimento como um mero contratempo técnico? Ou aproveitá-la como oportunidade de revisão interna?

Há algo profundamente humano em momentos de suspensão. Estes desafiam as nossas prioridades, revelam o que importa e mostram que não precisamos de tanto para viver bem. Revelam que há uma luz que não depende da eletricidade para se acender: a da consciência emocional – aquela que se acende quando deixamos espaço para pensar, sentir e estar verdadeiramente.

Talvez não tenhamos aprendido nada. Talvez tudo tenha voltado ao mesmo – até que o próximo apagão nos lembre, outra vez, que a vida acontece fora do ecrã. Ou talvez, só talvez, alguém tenha aproveitado aquela pausa forçada para fazer uma escolha: desligar um pouco mais, escutar um pouco melhor, estar um pouco mais presente.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

A linha Galaxy A Series, que compreende os modelos A56 5G, A36 5G e A26 5G, surge equipada com uma vasta oferta de características e funcionalidades, mas o foco da Samsung está na IA e na forma como estes recursos avançados podem ser disponibilizados em smartphones de gama média e preço mais acessível aos seus utilizadores. Isto sem descurar o compromisso da Samsung com 6 anos de atualizações e com a durabilidade dos seus dispositivos.

AWESOME PERFORMANCE

Os três modelos partilham o Android 15 com One UI7 como sistema operativo. O A26 5G vem equipado com o processador Exynos 1380 (5nm). O A36 5G com o melhorado processador Snapdragon 6 Gen3 (4nm) e o A56 5G com o novo processador Exynos 1580 (4nm), o que, em conjugação com as baterias de alta capacidade e carregamento super rápido, lhes concedem maior desempenho em jogos e multitarefas.

AWESOME ECRÃ

Para complementar o seu desempenho, estes modelos partilham o mesmo ecrã de 6,7’’ Super AMOLED 120Hz FHD+ (2340×1080), um ecrã maior e com menos molduras, de elevado contraste e movimento suave para um visualização perfeita mesmo em exteriores. Com Vision Booster e 1200 nits, o Galaxy A36 5G e o A56 5G permitem desfrutar de qualquer conteúdo multimédia em qualquer lugar. Estes ecrãs vibrantes, aliados ao som estéreo, trazem aos smartphones tudo o que precisa para maratonas de séries televisivas ou gaming sem interrupções, acompanhando o ritmo de um dia agitado.

AWESOME CÂMARA

Equipados com um sistema de câmaras concebido para captar todos os momentos com nitidez e estabilidade, os Galaxy A Series estão preparados para todo o tipo de situações. A câmara principal de 50MP OIS F1.8 é comum aos três modelos, mas tem características únicas (AF e FOV 80º) no A36 5G e no A56 5G. Estes dois partilham também a mesma câmara Macro de 5MP F2.4 FOV 78º, enquanto que no A26 5G, esta câmara é de 2MP F2.4. A câmara Ultra Grande Angular de 8MP F2.2 FOV 120° é comum ao A26 5G e ao A36 5G, enquanto que no A56 5G a câmara é de 12MP F2.2 FOV 120°. Por último, a câmara frontal de 12MP HDR F2.2 FOV 81° é partilhada pelo A36 5G e pelo A56 5G. No A26 5G encontramos uma câmara de 13MP F2.2.

Esta combinação de características técnicas unida aos recursos da IA proporcionam uma experiência incrível para amantes da fotografia e das redes sociais. Mesmo em movimento ou com pouca luz, é possível captar fotografias e vídeos sempre nítidos e estáveis, selfies com mais cores e mais detalhe e retratos com uma desfocagem de fundo mais realista.

AWESOME INTELLIGENCE

A Inteligência Artificial é outro elemento transversal a toda a linha Galaxy A Series e talvez o mais diferenciador. No Galaxy A26 5G, a IA torna tudo mais intuitivo e eficiente, desde a pesquisa de informações com um único gesto até à edição de fotografias com ferramentas avançadas. O Galaxy A36 5G e o Galaxy A56 5G, o dispositivo mais inteligente da sua gama, herdam as funcionalidades de IA essenciais e incorporam um conjunto de ferramentas inovadoras com IA que permitem editar fotografias e vídeos em segundos e sem esforço.

No campo da fotografia e da criatividade, a Awesome Intelligence oferece ferramentas como Melhor Cara, a qual permite que, em fotos de grupo tremidas e desfocadas ou em que alguém que esteja com os olhos fechados, os rostos possam ser editados para estejam sempre a sorrir. Outra ferramenta é o Apagador de Objectos, muito útil para remover elementos indesejados das fotografias deixando que a IA preencha o fundo com resultados fantásticos. E para aficcionados de fotografia noturna, Nightography é a ferramenta perfeita para fazer fotografias e vídeos no escuro ao agrupar os píxeis de forma a captar mais luz e menos ruído.

Já para quem investe na descoberta de novos locais, tendências ou referências, a ferramenta Circle to Search surge como o aliado perfeito. Basta fazer um círculo em qualquer elemento no ecrã e deixar que a AI descubra informações sobre monumentos, identifique canções, traduza de forma instantânea, ou direcione para a compra do que vê nas redes sociais.

A ideia geral é, portanto, tornar esta vasta oferta de recursos inovadores acessível a um leque muito mais abrangente de consumidores que até aqui se encontravam limitados não só pela escassez destes recursos, mas também pelo elevado preço associado aos equipamentos que os disponibilizavam. Ao trazer a sua Awesome Intelligence para a linha Galaxy A Series, a Samsung garante assim que mais utilizadores tenham acesso a estes recursos e que, qualquer que seja o foco de cada utilizador, da criatividade à produtividade, a sua experiência seja aprimorada pelas incríveis ferramentas de Inteligência Artificial.

O Huawei XT Ultimate seria, sem dúvida, o smartphone mais desejável do mercado se não fossem as limitações que foram impostas à marca pelo ocidente, mais concretamente pelos Estados Unidos. Ainda assim, como vamos explicar, este gadget é, acreditamos, uma visão do futuro. Um conceito que, mais cedo ou mais tarde, será adaptado e otimizado por outros fabricantes.

Dobra… a realidade

É impossível não começar esta análise com uma nota de admiração: o XT Ultimate dobra-se em três partes. Não duas, como nos modelos Fold ou Flip da concorrência. Três. E essa terceira dobra muda tudo – da forma como transportamos o equipamento à maneira como interagimos com o ecrã. É como se estivéssemos perante uma espécie de origami digital, que nos oferece um verdadeiro tablet quando aberto (com uma diagonal generosa de 10,2”) e que, fechado, cabe surpreendentemente bem no bolso das calças. A ergonomia é um dos grandes triunfos do XT Ultimate. Com menos de 4 mm de espessura quando totalmente aberto e cerca de 14 mm fechado, a Huawei conseguiu o que parecia impossível: fazer com que um dispositivo com um ecrã de mais de 10 polegadas se transporte com a ‘leveza’ de um smartphone topo de gama tradicional.

O mecanismo de dobragem, apesar dos vincos visíveis, é robusto, preciso e, acima de tudo, funcional. Aqui, a engenharia fala mais alto.

A Huawei aposta num formato 16:11 para o ecrã quanto totalmente desdobrado. Uma escolha inteligente por ser mais adequado a conteúdos multimédia e jogos que os ecrãs mais quadrados usados nos Galaxy Z Fold da Samsung. Mas sem também cair no formato demasiado retangular de alguns tablets. O resultado é um ecrã particularmente versátil: vê-se bem um filme em 16:9, sem grandes bandas negras, e navega-se confortavelmente num documento Word ou numa folha de Excel. Também é particularmente adequado para usar duas aplicações lado a lado, sem sentirmos que falta espaço.

As margens são finíssimas, a resolução é elevada e o brilho, mesmo em exteriores, está ao nível do que se espera num topo de gama. A Huawei soube tirar partido do espaço: quando dobrado, temos um ecrã exterior com 6,4″, que se usa como um smartphone normal. É, ainda, possível recorrer ao modo de utilização com dois painéis abertos (7,9”), que é útil em situações em que queremos ter mais área de ecrã, mas, simultaneamente, poder segurar o aparelho mais facilmente com apenas uma mão.

Como o módulo de câmara sobressai e está num dos extremos do aparelho, quando aberto e apoiado sobre uma superfície, como uma mesa, o aparelho fica instável. O que prejudica atividades como escrever um texto ou responder a um mail

Chip made in China

O HiSilicon Kirin 9010, fabricado, segundo várias fontes, em 7 nanómetros pela SMIC, é um dos processadores mais intrigantes da atualidade. Por um lado, é um símbolo de resiliência tecnológica chinesa; por outro, é tecnicamente um motor de 2022 com aspirações de 2025. Os 12 núcleos em três grupos têm um desempenho decente, mas os benchmarks não mentem: fica atrás dos chips mais recentes da Qualcomm e da Apple.

Na prática, isto sente-se pouco nas tarefas do dia a dia. A interface é fluída, as apps abrem depressa e o multitarefa é impecável, ajudado, lá está, pelo ecrã generoso. Mas nos jogos graficamente mais intensos e nas apps de edição de imagens notam-se as limitações. É um suposto topo de gama de 2025 que corre… ao ritmo de um topo de gama alta de há três anos.

A componente gráfica, a cargo do GPU Maleoon 910, não tem a robustez dos GPUs integrados nos chips da Qualcomm ou da Apple, e isso penaliza sobretudo a experiência em gaming. Falta também a aceleração dedicada para ferramentas de IA que já são padrão noutros concorrentes. A Huawei até disponibiliza um assistente digital, mas só conseguimos que falasse em Chinês.

Com margens ultrafinas e apenas 3,6 mm de espessura quando totalmente aberto, o XT Ultimate oferece uma experiência visual imersiva, sem comprometer a portabilidade

O eterno elefante na sala

Continuamos a repetir, análise após análise de smartphones e tablets da Huawei, mas a situação mantém-se e não há como ignorá-la: sem os serviços Google, o XT Ultimate não passa de uma promessa para o mercado europeu. A AppGallery melhorou bastante, há mais aplicações e o Petal Search até ajuda a encontrar alternativas em outras lojas, embora algumas não transmitam muito confiança. Não há Play Store, nem Gmail, nem YouTube, nem Google Maps… Mais grave ainda: muitas apps que estamos habituados a usar dependem de serviços de fundo da Google para funcionarem. E isso complica tudo – desde sincronizações automáticas a pagamentos móveis. Para o utilizador comum, a experiência continua a ser, no mínimo, frustrante. Para quem vive na China, claro, é outro campeonato.

Câmaras versáteis

O Huawei XT Ultimate vem bem apetrechado no campo fotográfico. A câmara principal (1x) é competente, com boa definição e apenas um ligeiro sobreprocessamento, que cria imagens um pouco artificiais, mas que resultam bem no Instagram. A ultra grande angular é decente e não apresenta grandes distorções, embora não seja uma referência. O zoom periscópico de 5,5x está longe de ser o mais impressionante que já vimos, mas é versátil e cumpre bem o seu papel.

Como é habitual nos dobráveis, podemos utilizar a câmara traseira para selfies, dobrando parcialmente o smartphone, o que permite selfies de qualidade muito superior à câmara frontal, que tem um desempenho algo inconsistente e produz cores deslavadas em algumas situações.

Já em vídeo, o Huawei mantém a qualidade nas principais lentes, embora o som gravado fique aquém das melhores referências do mercado.

Como o módulo de câmara sobressai e está num dos extremos do aparelho, quando aberto e apoiado sobre uma superfície, como uma mesa, A configuração inclui uma lente principal de 1x, uma ultra grande angular e uma periscópica de 5,5x, permitindo desde paisagens amplas a retratos detalhados com boa nitidez, mesmo a longas distâncias

Autonomia surpreendente

Uma bateria de 5600 mAh num chassis tão fino parece quase magia. E, de facto, a Huawei conseguiu aqui um feito notável. Em reprodução contínua de vídeo, conseguimos cerca de 11 horas de autonomia – bem mais do que os 7 h que registámos com o Galaxy Z Fold 6.

No dia a dia, a bateria dá conta do recado com margem: chegámos ao final do dia com 30% em utilização mista (e-mail, vídeo, redes sociais e navegação). O carregamento rápido também está presente, com velocidades adequadas (embora não revolucionárias) e suporte para carregamento sem fios.

Veio do futuro

O XT Ultimate não é só dobrável – é visualmente distinto. O chassis em metal escovado e vidro tem um ar futurista, quase conceptual. O botão de desbloqueio embutido na lateral funciona como leitor biométrico e é rápido e fiável. A dobradiça é discreta e dá a sensação de que foi feita para durar – apesar de ser claramente mais complexa do que qualquer dobrável atual.

É um produto premium em toda a linha. E isso nota-se não só nos materiais, mas também nos detalhes da interface (HarmonyOS 4.0), nas animações fluídas e nos atalhos de produtividade bem pensados.

Num mundo de smartphones cada vez mais previsíveis, o XT Ultimate é uma pedrada no charco. Não é perfeito, nem se propõe a sê-lo. O desempenho podia ser melhor, os serviços Google fazem falta e os vincos no ecrã são visíveis. Mas há aqui algo que raramente encontramos em tecnologia: ousadia.

A Huawei podia ter jogado pelo seguro. Mas preferiu arriscar, reinventar, dobrar regras e expectativas. É uma abordagem quase poética, num mercado onde todos parecem seguir o mesmo guião.

O Huawei XT Ultimate adequa-se a poucos utilizadores. É caríssimo, não é fácil de encontrar no mercado, requer compromisso, adaptação e alguma tolerância às limitações. Mas é também o tipo de produto que abre caminho para o que vem aí. Uma declaração de intenções. Uma prova de que a inovação, mesmo sob bloqueios e sanções, continua viva.

Se está à procura de um smartphone convencional, este não é o equipamento para si. Mas se gosta de estar na vanguarda, se aprecia engenharia ousada e se não depende dos serviços Google para o dia a dia, então o XT Ultimate é, provavelmente, o dispositivo mais emocionante que vimos este ano.

Tome Nota
Huawei XT Ultimate – Cerca de €3500

BENCHMARKS
Antutu: 726047 • CPU 290081• GPU ND • UX 188741• Memória 247225• 3DMark Wild Life Extreme: ND • PCMark Work 3.0 9889 • Autonomia 11:51 min (ecrã totalmente aberto) • Geekbench Single/Multi 1358/3813 • GPU 3081

Ecrã Excelente
Fotografia Bom
Construção Muito Bom
Autonomia Muito bom

Características
Ecrã interior AMOLED flexível 10,2”, 2232×3184, 90 Hz • Ecrã ‘capa’ (dobrado): 1008×2232 • Proc. Kirin 9010, GPU Maleoon 919 • 16 GB RAM, 512 GB armaz. • Câmara 50 MP c/ OIS (f/1.4), 12 MP (ultra grande angular, f/2.2), 12 MP (telefoto, 5,5x), 8 MP (selfie) • BT 5.2, Wi-Fi 6, USB C 3.1 • SO:
HarmonyOS 4.2 • Bateria: 5600 mAh (66 w, 50 w sem fios) • 157x219x3,6-4,8 mm mm (aberto), 157x74x12,8 mm (fechado) • 298 gramas

Desempenho: 3,5
Características: 4
Qualidade/preço: 2

Global: 3,2

Uma experiência académica “não autorizada” está a levantar polémica entre os utilizadores e moderadores do Reddit. Uma equipa de investigadores da Universidade de Zurique esteve, durante meses e de forma secreta, a publicar comentários na thread r/changemyview gerados por Inteligência Artificial, naquilo que os moderadores apelidam de “manipulação psicológica” dos utilizadores. A condução do estudo foi tornada pública agora pelos moderadores que explicam que a experiência não foi autorizada previamente e se destinava a “estudar como a IA pode ser usada para mudar perspetivas”.

Naquela comunidade do Reddit, os utilizadores publicam mensagens muitas vezes controversas ou provocatórias, numa tentativa de que o resto da comunidade lhes faça mudar de ideias. Os investigadores usaram grandes modelos de linguagem (LLM) para criar comentários de resposta a estas publicações. A Inteligência Artificial assumiu várias identidades distintas para poder ser mais eficaz na argumentação e tinha também em consideração o perfil do utilizador a quem estava a responder, tendo recolhido informação a partir das publicações anteriores, como género, idade, etnia, localização e orientação política). Essa recolha foi feita com a utilização de outro modelo de linguagem.

Os moderadores acusam este estudo de violar múltiplas regras das subreddits, incluindo a que requer que o uso de IA seja previamente anunciado e outra que proíbe o uso de bots. A Reddit está a considerar executar ações legais no caso e os moderadores também já fizeram uma queixa na Universidade e pedem que o estudo não seja tornado público.

Os autores do estudo referem que a investigação foi aprovada pelo comité de ética da Universidade e defendem que o trabalho pode ajudar as comunidades online, como as do Reddit, a proteger os utilizadores contra usos “maliciosos” da Inteligência Artificial. “Percebemos a posição dos moderadores de que este estudo foi uma intrusão não bem vinda na vossa comunidade e percebemos que alguns de vocês possam sentir-se desconfortáveis por esta experiência ter sido conduzida sem a vossa autorização prévia. Acreditamos que os potenciais benefícios desta investigação compensam substancialmente os riscos”, afirmou a equipa de cientistas em várias publicações no Reddit e no esboço do estudo. Os académicos salientam ainda que o uso foi feito de forma controlada e com um baixo risco.

Já a Universidade de Zurique, em comunicado enviado por email, confirma que a investigação passou pelo comité de ética, cujas recomendações não têm vínculo legal e salientou que “à luz dos eventos, o Comité de Ética da Faculdade de Ares e Ciências Sociais pretende adotar um processo de revisão mais rígido no futuro e, em particular, coordenar com as comunidades nas plataformas antes dos estudos experimentais (…= As autoridades relevantes na Universidade estão cientes dos incidentes e irão investiga-los em detalhe, aplicando um julgamento crítico aos processos relevantes. Os investigadores decidiram por si não publicar os resultados da pesquisa”.

Remonta à Antiguidade Romana o pensamento afirmado por juristas, como Cícero ou Ulpiano, no sentido de que o direito é algo fundamental à convivência humana. O brocado latino “ubi societas, ibi jus” (“onde está a sociedade, aí está o direito”) atravessou o pensamento jurídico pelos séculos até aos dias de hoje, afirmando o óbvio: onde haja humanidade, aí se gera a necessidade de regulação dos respetivos comportamentos e conflitos. Na verdade, desde tempos imemoriais, e mesmo nas sociedades mais primárias, as comunidades foram sentindo a necessidade de criar padrões vinculativos de organização e regulação social que lhes garantissem estabilidade e, por essa via, condições para alcançarem a prosperidade coletiva.

Contudo, a evolução dos tempos importou, também para o direito, o acompanhamento de realidades sociais cada vez mais complexas, geradoras de novas relações, de novos institutos e de novas necessidades de regulação e de organização. Na verdade, em pleno século XXI, a justiça, um pouco por todo o mundo, parece ter entrado em definitivo na nova era digital, em que desde a tramitação dos processos, à documentação das audiências de julgamento, ao armazenamento da informação, tudo é feito com recurso a ferramentas informáticas. Mas esta transformação não gera apenas a desejável eficiência, simplificação ou celeridade do sistema de justiça. O seu progressivo e, cada vez mais, acelerado processo de digitalização cria, aqui como noutros sistemas, uma carência que, por estes dias, se tornou óbvia e que se centra na evidência de uma total e preocupante dependência energética.

Tal como em Cage, mesmo que o sistema de justiça entre em falência e não possa momentaneamente “dizer o direito” por comprometimento da sua operacionalidade, a sociedade continua a reger-se por um lastro de regras comuns que, no meio da calamidade, vêm ao de cima

Nas sociedades modernas, o progresso criou condições de conforto de tal ordem estabilizadas que, para um cidadão de médios recursos, ter água, eletricidade, rede de telecomunicações e internet, se tornou numa circunstância quase tão natural como respirar. Algo de tão dado por adquirido que só uma situação extrema de privação permite que se alcance a extensa ramificação de implicações que um tal corte provoca na gestão do quotidiano e até nas reações ou interações de índole social. A virtualidade de um “apagão” como o ocorrido nesta semana é, por isso, indubitavelmente, a de nos confrontar com a essencialidade da energia para a manutenção de um padrão de vida que o progresso nos fez alcançar. E isto ao ponto da energia, o acesso à mesma e a integridade das suas infraestruturas representarem hoje uma questão jurídica de alta relevância, não apenas porquanto o seu fornecimento às populações é garante da efetivação de direitos fundamentais, como constitui matéria geradora de problemas políticos, diplomáticos e até bélicos. Face à dependência mundial em relação à “questão energética”, em especial no mundo ocidental, constatamos que a falência dos sistemas de fornecimento de energia não está longe, do ponto de vista das reações humanas e das carências geradas, do que sucede em situação de catástrofe natural ou de ataque externo. Não é, assim, por acaso que, logo após o restabelecimento da energia elétrica na Península Ibérica, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, imediatamente dirigiu um agradecimento às polícias, bombeiros e controladores de tráfego de Portugal e Espanha. E isto porque as situações de alta excecionalidade, em regra, são geradoras de instabilidade social, agitação e até de alguma irracionalidade que impele as pessoas para um autocentrado “modo de sobrevivência” descrito, no seu registo mais extremo, por José Saramago no seu Ensaio sobre a Cegueira.

É justamente em casos de descontrolo que, em regra, os fundamentos jurídicos de uma comunidade são postos à prova. A instabilidade social e o foco colocado primordialmente nas necessidades individuais constitui terreno fértil para aproveitamentos de natureza vária, desde a proliferação de fake news, a cenários de desordem e caos social, ao aumento da criminalidade, incluindo pilhagens ou outros atos de violência ou vandalismo. No caso, a falta de energia elétrica, numa sociedade dependente da mesma para o seu funcionamento integral, imediatamente impede, por exemplo, a operância de câmaras de videovigilância, dos sistemas de iluminação pública, dos semáforos reguladores do trânsito, dos alarmes de segurança e dos computadores de apoio às entidades incumbidas de garantir o salvamento, o socorro, a ordem pública ou a prevenção criminal.

Nas sociedades atuais, uma quebra como a ocorrida nesta semana coloca em causa a integridade de infraestruturas críticas, sobretudo aquelas que asseguram a vida e a segurança dos cidadãos, designadamente hospitais, estabelecimentos prisionais, serviços de emergência e segurança pública, estruturas de fornecimento de água e telecomunicações e os próprios tribunais. No que a estes diz respeito, um apagão elétrico importa uma redução de atividade a níveis próximos do zero. Com efeito, os tribunais, alocados que estão, em muitos casos, a instalações com graves problemas logísticos e estruturais, não estão, obviamente, dotados de sistemas de alimentação de reserva, pelo que uma falha elétrica é sinónimo automático da impossibilidade de realização de julgamentos, onde os computadores, o sistema informático de apoio e a gravação de depoimentos não está assegurada. Do mesmo modo, a falta de acesso às redes ou a sua instabilidade importa a impossibilidade de prática de atos como emissão de mandados de detenção ou de libertação, apresentação de peças processuais pelas partes, recebimento de queixas dos cidadãos ou cumprimento de despachos judiciais. No caso dos arguidos detidos, poderá estar em causa o cumprimento integral das formalidades legais, importando a elaboração manuscrita de atas, despachos ou declarações e, no limite, a sua libertação caso não seja possível, por força de tais vicissitudes, efetuar uma apresentação atempada (no prazo de 48 horas) ao juiz de instrução.

No caso da Justiça, o problema é, na verdade, profundo e sistémico, tendo o “apagão” colocado a descoberto uma vulnerabilidade do sistema perante casos de crise que, como experienciámos, podem mesmo acontecer. Um sistema de backup que garanta a integridade da informação que está a ser gerada (designadamente despachos, sentenças, notificações, mandados, etc.) afigura-se fundamental, levantando-se agora, uma vez mais, o fantasma do receio de uma futura perda de informação de grandes dimensões, geradora de uma implosão de consequências imprevisíveis, sobretudo quando as ferramentas e sistemas de armazenamento em causa não estão na alçada dos próprios tribunais, mas antes do poder executivo. Em todo o caso, a lei tem sempre o condão de superar as ferramentas de operacionalidade quando estas claudicam.

Em 1952, John Cage surpreendeu o mundo com uma inusitada e revolucionária peça para piano intitulada 4’33’’. Durante quatro minutos e trinta e três segundos, o intérprete não tocava uma única nota, desfocando a atenção da escuta para os sons do ambiente, do público e do espaço, assim demonstrando que o silêncio absoluto não existe, persistindo, mesmo numa circunstância extrema, um lastro de som. Do mesmo modo, sem prejuízo dos perigos, tal como em Cage, mesmo que o sistema de justiça entre em falência e não possa momentaneamente “dizer o direito” por comprometimento da sua operacionalidade, a sociedade continua a reger-se por um lastro de regras comuns que, no meio da calamidade, vêm ao de cima. Isso é quanto basta para que nos relembremos que enquanto existir humanidade o direito não acaba e que a lei persiste mesmo quando a luz se apaga.

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Um estudo publicado no British Journal of Sociology, que analisou 16 países e que teve a participação do ISCTE, concluiu que a elite económica portuguesa é pouco rica e tem falta de mulheres.

“Há 12 homens por cada mulher no universo constituído pela chefia das grandes empresas privadas e públicas em Portugal, pelas fortunas nacionais e pelos cargos de regulação económica e política no País”, lê-se no estudo consultado pela agência Lusa. Esta elite é “muito profissionalizada, com uma pequena proporção de grandes fortunas à escala mundial, configurando uma estrutura de poder económico mais dependente do contexto institucional nacional do que de dinâmicas globais de capital”.

A investigação “Varieties of Economic Elites? Preliminary Results from de World Elite Database”, publicada recentemente na revista científica British Journal of Sociology, analisou 16 países que representam mais de metade do Produto Interno Bruto global e um terço da população mundial.

“As mulheres detentoras de empresas são herdeiras, ou seja, a propriedade resulta de mecanismos de reprodução social e económica”, afirmou a investigadora Maria do Carmo Botelho do Instituto Universitário de Lisboa – Iscte e uma das autoras do estudo, citada numa nota de imprensa.

Segundo a investigação, a “elite portuguesa não é particularmente rica, comparando com outras elites económicas nacionais, e tem pouca presença em grandes palcos mundiais como Davos, o grupo de Bilderberg ou o Fórum Económico Mundial”, constatou Nuno Nunes, investigador do Instituto Universitário de Lisboa e também um dos autores do estudo.

“Num meio dominado a nível mundial por homens de idade avançada, a elite portuguesa é a terceira mais nova, sendo que as poucas mulheres portuguesas são consideravelmente mais novas do que os homens”, acrescentou.

Portugal apresenta-se como o país dos 16 estudados em que menos indivíduos das elites económicas nasceram em meio rural (15%). Quase metade (44%) nasceu em Lisboa, 70% nasceu nos maiores centros urbanos do país e apenas 04% em meios urbanos secundários.

Também é dos países com menos membros das elites económicas nascidos no estrangeiro, apenas 09%. No Reino Unido, por exemplo, 45% da elite económica é estrangeira.

A elite económica portuguesa foi recolhida em 2020 e é constituída por 74 indivíduos. No capítulo das fortunas e da liderança de empresas, as três mulheres que o compõem — Fernanda Amorim, Paula Amorim e Cláudia Azevedo — representam 5,5% deste grupo.

Com poder de regulação, as quatro mulheres presentes – Gabriela Figueiredo Dias, Helena Alves Borges, Margarida Matos Rosa e Margarida Corrêa de Aguiar – pesam 27 por cento.

Nos cargos políticos, em quatro ministérios de âmbito económico – Finanças, Economia, Infraestruturas e Habitação e Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – na época (tal como no presente) apenas uma mulher tinha o cargo de ministra: Ana Mendes Godinho (substituída por Maria do Rosário Palma Ramalho).

Com um grande peso da formação executiva e de programas internacionais nos estudos da sua elite económica, Portugal fica a meio da tabela dos países analisados no que respeita aos doutoramentos, com 9 por cento.

Na Alemanha, a percentagem é de 36%, na China e na Polónia de 27% e 21% nos Estados Unidos da América.