Aquilo que sinto acerca do que se está a passar no Ginjal assemelha-se ao que sentiria perante a morte de alguém próximo, que estava há muito tempo em estado terminal, num processo de coma induzido. Não sei que atitude tomar, que não seja lamentar a perda e chorar.

Para quem se lembra quando no século passado, em 1994, decidimos no Centro de Arqueologia de Almada (CAA) que era importante iniciar um processo de inventário, registo e recolha de memórias acerca do Cais do Ginjal, a principal motivação veio do facto de que havia sido criado um consórcio entre a Câmara Municipal de Almada (CMA) e os principais e maiores proprietários do Ginjal. A saber: Grupo Grão-Pará; Sociedade Comercial Teotónio Pereira e Galp. Já então se previa que o Ginjal, tal como o conhecíamos, ia ser sujeito a uma grande operação de destruição.

O consórcio não teve mais desenvolvimentos porque as partes não se entenderam e a autarquia, não tendo lá qualquer propriedade, não conseguiu fazer valer os seus interesses. Uns anos mais tarde, no âmbito do programa internacional Europan (urbanismo e arquitetura), a CMA lançou um concurso de ideias para o sítio arqueológico da Quinta do Almaraz, integrando ainda o Ginjal dentro dos limites do território do concurso. O autor da proposta vencedora viria posteriormente a elaborar um estudo de enquadramento estratégico para o Ginjal, cujas linhas programáticas viriam a ser aprovadas em 2008. Tive oportunidade de estar presente em algumas das apresentações do esboço desse estudo, e confesso que fiquei agradado com a proposta, a qual previa a recuperação dos edifícios da frente ribeirinha, bem como a criação de espaços polivalentes e de circulação entre os tardozes e a base da arriba.

Contudo, nada aconteceu até que um único investidor (o grupo madeirense AFA) comprou a totalidade, ou quase, dos edifícios do Ginjal, dando início a um processo sistemático de desertificação forçada e entaipamento de vãos. Importa lembrar que até então alguns espaços estavam ocupados com oficinas, habitações, salas de espetáculo e outros usos consentidos pelos anteriores proprietários. Não esqueço a exposição produzida pelo CAA: “Ginjalma, as Memórias e o Espaço”, que esteve patente entre julho a dezembro de 2002 nos antigos armazéns de vinhos, graciosamente cedidos pela família Teotónio Pereira.

Quando o novo proprietário tomou posse do Ginjal, definiu como principal objetivo promover a destruição do edificado, através de uma estratégia que combinava vandalismo e abandono. Não terá sido ocasional o deflagrar, em 2018, de um incêndio exatamente no armazém onde se fez a exposição “Ginjalma”. Trata-se de uma estratégia clássica da “Cidade Neoliberal”, tão bem descrita por Ana Estevens no livro com o mesmo título, publicado em 2017. Estratégia que se resume à premissa de promover a degradação e a destruição, até ao ponto em que seja fácil justificar a necessidade de demolição total como única solução “viável”.

O proprietário terá então encomendado ao autor do plano inicial uma nova proposta que “rentabilizasse” o investimento, através de construção massiva de habitação em toda a encosta da arriba, embora o seu principal objetivo seja a construção de um hotel no espaço da antiga Fábrica de Óleo de Fígado de Bacalhau, visto que a hotelaria é uma das áreas de interesse do dito grupo. O conjunto edificado da fábrica, dada a sua originalidade funcional e importância histórica, deveria, na minha opinião, ter sido há muito classificado pelas instâncias nacionais que tutelam o património com um grau de proteção elevado. Recordo que, no âmbito da consulta pública, o CAA apresentou um parecer totalmente desfavorável à proposta deste Plano de Pormenor demolidor apresentado em 2018.

Importa igualmente salientar que a elaboração do plano em presença foi iniciada sob a gestão municipal da CDU, que àquela data apoiou e aplaudiu os seus especulativos Termos de Referência, embora agora na oposição esteja a fazer figura de “virgem ofendida”.

Perante o plano então apresentado, era já óbvio que estava previsto, embora não assumido, que se tratava da demolição de todos os edifícios na linha do Cais, seguida da construção de outros parecidos, configurando um “refazimento” ou falso histórico, prática hoje desaconselhada por todas as cartas de património emanadas pelas instâncias internacionais, designadamente o ICOMOS.

Historicamente o Ginjal, não teve uma vida muito longa, embora intensa, conforme relatado na monografia “Memórias do Ginjal”, publicada em 2000 pelo CAA. Os primeiros armazéns terão sido construídos durante o século XVII, e o cais foi sendo construído por iniciativa dos proprietários, na sua maioria ligados ao comércio vinícola, tirando partido da situação geográfica da frente ribeirinha virada a norte, apropriada à conservação dos vinhos armazenados, e da facilidade de acesso fluvial para cargas e descargas.

A situação atual é uma consequência natural do processo iniciado aquando a construção da Ponte sobre o Tejo. A partir do momento em que o cais perdeu a sua funcionalidade, em detrimento do transporte rodoviário, a conservação do cais deixou de ser rentável, pois todo o cais, bem como os edifícios, são privados.

Ao atual executivo da CMA, herdeiro deste embuste urbanístico, impotente perante a Administração do Porto de Lisboa, entidade responsável por 2% do PIB nacional, que se arroga com jurisdição sobre o cais, resta pressionar o proprietário, através de uma ordem do tribunal, fazendo-lhe a vontade. Isto é, terraplanar o Ginjal para a seguir construir o que entenderem, ou simplesmente limpar as ruínas que iriam sujar as vistas do futuro hotel.

O CAA, enquanto associação de defesa do património com cinquenta e dois anos de atividade, coligiu um enorme volume de documentação escrita, gráfica, fotográfica e documental em suporte vídeo e áudio, a qual constitui um acervo único sobre a memória do Cais do Ginjal, que sobreviverá às máquinas que afanosamente o destroem. É essa memória que tentaremos manter e divulgar, desde que para tal se encontrem os recursos necessários à sua preservação.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

O Watch 5 chega em versões de 42 mm e 46 mm, com diferentes cores à disposição, sendo que o preço começa nos €449. Tivemos oportunidade de analisar o modelo para homem em azul-púrpura e o bege para mulher. A principal diferença entre eles, além, claro, do tamanho, está no material utilizado na caixa. O azul recorre a titânio, enquanto o bege usa aço inoxidável 904L. Ambos muito bem conseguidos no plano estético. Pelo que nem estranhámos quando ouvimos em casa a pergunta: “Eles vão ter mesmo de recolher esse bege?”…

Construção

É, provavelmente, o ponto mais forte do Watch 5: a qualidade de construção imaculada garante-lhe uma inegável aura premium. Essencial para esse aspeto luxuoso é a caixa em titânio de grau aeroespacial, que consegue juntar robustez com uma leveza surpreendente. Prova disso é o facto deste Huawei ter sido o smartwatch mais confortável com que dormimos (uma prática que, admitimos, é rara devido ao desconforto sentido com outros modelos no passado).

Veja imagens abaixo:

O design aposta em arestas suaves e num mostrador polido redondo. O ecrã é tátil, mas também é possível navegar pelos diferentes menus através do recurso à coroa trapezoidal. A versão azul-púrpura tem ainda uma particularidade: foi produzida a partir de um processo de correspondência de cores, incorporando métodos que requerem o ajuste do parâmetro de oxidação e o desvio da tonalidade. Ou seja, ao contrário de um púrpura sólido e de elevada saturação, temos aqui um efeito opalino.

A Huawei também merece elogios pela forma como tem vindo a trabalhar os mostradores. O ‘Viajante Galáctico’ que vem pré-instalado no Watch 5 é elegante, encaixa perfeitamente com o design do relógio e até possui uma animação a correr no fundo. Peca, contudo, por ser pouco personalizável. Por exemplo, o mostrador ‘Fronteira Cósmica’ que vem no modelo bege dá mais liberdade para escolher quais os parâmetros que queremos ter em exibição (calorias gastas, passos, SpO2, ritmo cardíaco, meteorologia, etc.).

O ecrã OLED tem uma dimensão generosa e integra a nova tecnologia LTPO 2.0, que, sucintamente, ajusta dinamicamente a taxa de atualização para ajudar a uma gestão energética mais eficaz. As cores são vivas e o brilho máximo pode chegar aos 3000 nits. Um valor que permite ver sempre em condições o conteúdo do ecrã, mesmo em dias de céu limpo com uma exposição solar intensa.

A saúde está boa e recomenda-se?

O grande chamariz do Watch 5 é a inclusão da tecnologia multissensorial X-Tap. Na prática, isto repercute-se num sensor na lateral do relógio, situado entre a coroa e o botão de atalho, que permite recolher dados a partir da análise da estrutura vascular da superfície da pele mais fina que se encontra no dedo indicador.

Isto faz com que, trabalhando em conjunto com o sensor do pulso, seja possível encostar o dedo ao sensor e, em apenas um minuto, medir até sete indicadores de saúde e bem-estar: frequência cardíaca, saturação do oxigénio no sangue (SpO2), temperatura da pele, stress, ECG, deteção da rigidez arterial e saúde respiratória.

Além de rápido, o processo é muito simples. Ao encostarmos de forma contínua o dedo no sensor inicia-se uma contagem decrescente de 3 segundos. De seguida, são necessários 30 segundos para realizar o ECG, depois 15 segundos para aferir o nível de stress e, no final, 15 segundos para ver a saúde respiratória (vai ter de tossir para o microfone captar o som). Acabámos por recorrer a esta funcionalidade mais vezes do que antecipávamos precisamente pela sua natureza descomplicada.

No final, é gerado um relatório de Vista da Saúde e os resultados aparecem sintetizados logo no mostrador do smartwatch. Se quiser analisá-los com maior detalhe, pode recorrer à app Huawei Health. Apesar da constante ressalva que não estamos perante resultados médicos ‘oficiais’, são apresentados valores médios considerados saudáveis e gráficos com a evolução ou alterações nos últimos tempos.

Em suma, sem ter a pretensão de substituir exames médicos, é uma forma interessante de ir monitorizando diferentes aspetos da saúde e ir comparando a forma como vão evoluindo.

Fazer desporto com o Huawei Watch 5

Como é apanágio da Huawei, o Watch 5 permite monitorizar dezenas de atividades físicas. A fabricante aponta para mais de 100 modos de desporto, o que é um número impressionante, mas há que destacar que esse valor é atingido à custa de ‘modalidades’ como kendo, barras paralelas, dança na praça, hula hoop, papagaios de papel, baloiço ou curling, por exemplo.

Mas, dito isto, a verdade é que é possível recolher dados como tempo, ritmo cardíaco, calorias e efeito do treino de praticamente qualquer atividade que lhe vier à cabeça e onde se incluem os desportos aquáticos (natação em águas abertas inclusive) e de Inverno.

Os resultados que obtivemos em corridas e caminhadas pareceram-nos fiáveis e o Watch 5 está equipado com o sistema de localização Huawei Sunflower, que recorre a um algoritmo para rastrear continuamente o sinal de satélite e assim fornecer uma localização mais exata durante os treinos ao ar livre. Além disso, este smartwatch suporta mapas online a cores e mapas offline, sendo, nesta altura, importante realçar que o relógio tem Wi-Fi 6 e suporte para eSIM, pelo que conseguirá manter uma certa independência do smartphone se avançar para a aquisição deste serviço (aceita a utilização tanto do número original como o de um número separado).

Um aspeto a que temos vindo a prestar cada vez mais atenção é a qualidade do sono (sinal dos tempos, no fundo, porque a idade tem-nos trazido algumas insónias…). E o Watch 5 também faz um bom trabalho nesta área. Podemos discordar da hora identificada para adormecer e acordar, mas é feita uma monitorização do tempo que passamos nas diferentes fases do sono (leve, profundo e REM) e atribuída uma nota ao nosso descanso. Ao compararmos os resultados de diferentes noites, os valores pareceram-nos fazer sentido tendo em conta como sentimos o nosso corpo mais ou menos descansado. E há até conselhos para ajudar a ter um sono melhor.

Autonomia é suficiente?

A capacidade da bateria foi, desde sempre, um dos grandes destaques dos smartwatches da Huawei. O facto de apostar num sistema operativo mais leve, com menos apps, traz ganhos na autonomia e este princípio mantém-se no Watch 5. A Huawei aponta para uma autonomia de 4 a 5 dias para esta versão de 46 mm e conseguimos, de facto, chegar perto dos 4 dias utilizando o modo ecrã ‘sempre ligado’.

Saliente-se que é ainda possível alternar do modo standard para o modo autonomia prolongada. Aqui a bateria pode chegar a aguentar até 11 dias sem precisar de uma carga adicional, mas terá de estar disposto a abdicar de algumas funcionalidades (como as redes móveis e o Wi-Fi, por exemplo).Valorizamos bastante a presença de carregamento rápido. 90 minutos bastam para uma carga completa, mas na nossa utilização acabámos por sentir que nem precisávamos de tanto tempo para conseguir ter o Watch 5 novamente pronto para mais uns dias de utilização.

Tome Nota
Huawei Watch 5 (46 mm, azul-púrpura) – €549
Site: consumer.huawei.com/pt

Ecrã Excelente
Construção Excelente
Aplicações Bom
Autonomia Excelente

Características Caixa em titânio de qualidade aeroespacial, vidro esférico de safira ○ Ecrã LTPO 2.0 com brilho máximo até 3000 nits ○ Sensor X-Tap ○ Monitorização de mais de 100 modos de desporto ○ Compatível com Android e iOS ○ eSIM, Wi-Fi 6, GPS ○ Autonomia anunciada: modo standard – até 4,5 dias; modo autonomia prolongada – até 11 dias

Desempenho: 4,5
Características: 4,5
Qualidade/preço: 3

Global: 4

Habituados a existir num mundo antropocêntrico que, há séculos, nos ensina a definir-nos enquanto seres humanos antes de nos definirmos enquanto seres vivos, temos vindo a subtrair-nos de tal forma da grande ordem natural das coisas, que nos tornámos incapazes de entender a nossa morte como aquilo que ela realmente é: início de vida.

Não a nossa, certo, a de centenas de outros seres não humanos, mas vivos, como larvas, bactérias ou mesmo árvores e plantas.

De facto, bastar-nos-ão apenas alguns minutos dedicados à observação da Natureza, para chegarmos à conclusão que a associação do conceito de “morte” exclusivamente ao de “fim da vida” é uma construção profundamente humana.

A desconstruí-la, prestando tributo às sucessivas mortes responsáveis, na Natureza, pela renovação diária da vida, surge a aclamada Sagração da Primavera da companhia italiana de dança e artes performativas Dewey Dell, que chega ao Teatro Variedades, de 22 a 24 de maio, pela mão do Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas – FIMFA.

O espetáculo de dança e formas em movimento vencedor de prémio DANZA&DANZA 2023 como melhor produção italiana, apresenta uma interpretação da obra revolucionária de Igor Stravinsky, substituindo as personagens humanas por larvas, flores, folhas, cogumelos, fungos e insetos, os quais, por oferecerem com as suas mortes a possibilidade, uns ao outros, de nascerem, tomam o lugar da virgem que, na versão de Stravinsky, é escolhida para ser sacrificada num ritual de Primavera.

O drama que se desenrola na narrativa original é replicado na nossa interpretação a um nível microscópico

Teodora Castelluci – coreógrafa e bailarina

“O drama que se desenrola na narrativa original é replicado na nossa interpretação a um nível microscópico”, explica a coreógrafa e uma das bailarinas do espetáculo Teodora Castelluci, sublinhado precisamente que, em vez de uma eleita para ser sacrificada, “há vários eleitos, como a papoila que surge na primeira parte do espetáculo, ou os fungos do segundo ato que, quando libertam as suas esporas, esvaziam-se, perecendo”.

FOTO: John Nguyen

Com o palco mergulhado na penumbra, as primeiras notas de Stravinsky enchem um cenário semelhante a uma gruta na qual se encontra um enorme ovo. Dele sai uma larva,“um animal que, de certa forma, une as esferas da vida e da morte”, sublinha Teodora, pois “se pensarmos bem, é o início da vida de muitos insetos, mas também o primeiro inseto que encontramos quando há uma morte”.

FOTO: Lorenza Daverio

À medida que a música progride, o solo da larva é substituído por uma coreografia ritmada de dois breakdancers semelhantes a aranhas, seguindo-se sequências coreográficas com inseto polinizadores, “relacionados com a fecundação das plantas e flores”, uma papoila, um grupo de folhas, uma enorme aranha, fungos e outros insetos.

Cada coreografia é enfatizada por figurinos que, por si só, poderiam ser um personagem. Formas sinuosas, longas faixas de tecido e andas transformam de tal forma os bailarinos e a forma como se movem em palco, que nos esquecemos de estar na presença de seres humanos.

FOTO: Andrea Macchia

“Procuramos assemelhar-nos aos insetos não tanto através de movimentos coreografados para conseguir esse efeito, mas mais através da criação de figurinos que nos obrigassem a mover na mesma forma que os insetos se movem”, revela Teodora Castelluci.

É precisamente devido às particularidades destes figurinos “capazes de esconder de tal forma o ser humano ao ponto de levá-lo a parecer toda uma outra coisa”, que a coreógrafa considera que o espetáculo, ainda que seja inteiramente interpretado por pessoas, sem a utilização de marionetas, se enquadra num festival como o FIMFA.

A Huawei tem vindo a afirmar-se como a rainha do segmento dos smartwatches e o novo HUAWEI Watch 5 é mais uma garantia de que o trono não vai mudar de mãos. Andámos com o relógio no pulso uma semana inteira seguida – nem de noite o largámos – e explicamos porque não queríamos que este teste chegasse ao fim.


O PODER DO TITÂNIO
Ponto prévio: este é um smartwatch ‘agnóstico’, ou seja, pode ser emparelhado tanto com iPhones como com smartphones Android. E suporta eSIM, o que significa que nem precisa de ter o telemóvel por perto para conseguir efetuar chamadas ou enviar/receber mensagens.
Recebemos o modelo azul-púrpura para análise e foi um caso de amor à primeira vista!
A qualidade de construção é imaculada, sendo que esta versão do HUAWEI Watch 5 possui uma caixa em titânio de grau aeroespacial.
Este material não o torna apenas um colírio para os olhos e um mimo ao toque, é essencial para apresentar uma leveza surpreendente e que o torna muito confortável de usar. O ecrã tem uma dimensão generosa e recorre à nova tecnologia LTPO 2.0, que ajuda a uma melhor gestão da eficiência energética.
E confessamos que ficámos impressionados com o brilho máximo de 3000 nits, já que mesmo em dias de sol intenso na praia conseguimos ver as imagens do mostrador sem quaisquer problemas.

TANTA INFORMAÇÃO EM TÃO POUCO TEMPO
O grande fator diferenciador do HUAWEI Watch 5 é a estreia da tecnologia multissensorial X-TAP. Localizado na lateral do relógio, abaixo da coroa rotativa, este novo sensor combina a medição através do pulso com a medição através da ponta do dedo indicador para medir até sete indicadores de saúde e bem-estar em apenas um minuto. Numa palavra: impressionante!
Confessamos que o facto de apenas precisarmos de encostar o dedo ao sensor para iniciar um processo que leva só 60 segundos nos fez monitorizar amiúde a frequência cardíaca, a saturação do oxigénio no sangue
(SpO2), a temperatura da pele, o stress, o ECG, a deteção da rigidez arterial e a saúde respiratória. No final, os resultados podem ser consultados no mostrador do relógio ou, com um pouco mais de detalhe, na app Huawei Health no smartphone.


DORMIR BEM, TREINAR MELHOR
Como é apanágio da Huawei, é possível monitorizar mais de 100 modos de desporto, com dados como tempo, ritmo cardíaco, calorias ou efeito do treino. De futebol a ténis, passando por corridas, caminhadas, natação, ciclismo, desportos de combate ou golfe, todas as hipóteses estão garantidas!
Para ter uma vida saudável, tão importante como o treino é o descanso. É aqui que a aferição da qualidade do sono pode fazer a diferença. O Huawei Watch 5 é capaz de controlar o tempo que passa nas diferentes fases do sono (leve, profundo e REM) e atribui uma nota ao seu descanso noturno, oferecendo ainda conselhos para melhorar.

ENERGIA INFINITA
Não falha! Estamos habituados à autonomia acima da média dos wearables da Huawei e este novo smartwatch mantém a bitola elevada. Conseguimos uma autonomia de 4 a 5 dias a fazer uma utilização sem concessões, mas podemos até alterar para o modo autonomia prolongada e aí o valor pode chegar a uns invencíveis 11 dias. E valorizamos bastante a disponibilização de carregamento rápido. Num mundo onde o tempo rareia para tarefas secundárias, é possível atingir uma carga completa do HUAWEI Watch 5 nuns escassos 90 minutos.

Com o código AINFORM50 os leitores da Exame Informática têm um desconto de €50 em qualquer modelo da série HUAWEI Watch 5. Válido até 29 de junho.

FICHA TÉCNICA

Compatibilidade com Android e iOS
Suporte para cartão eSIM
Qualidade de construção luxuosa
Monitorização de saúde aprimorada com a tecnologia multissensorial X-TAP
Capacidade de fornecer dados sobre mais de 100 modos de desporto
Autonomia acima da média, modo duplo de bateria e carregamento rápido
Disponível na Huawei Store e nos retalhistas habituais
Desde €449 (versão HUAWEI Watch 5 46 mm azul-púrpura testada: €549)

Palavras-chave:

Não há nada a desvendar, é o fim. O título da peça – Final do Amor – já diz tudo. Trata-se da história de uma separação entre um homem e uma mulher. A primeira frase chega abruptamente: “Queria ver-te para dizer que acabou, não vai continuar. Não vamos continuar. Acaba aqui.” Começa o combate.

Pedro (Pedro Caeiro) fala ininterruptamente, é cruel, ácido, desagradável. Inês (Inês Pereira) agacha-se, apoia-se nos joelhos de vez em quando, mas escuta em silêncio, quase nem chora. Depois, fala ela: “Acabaste? Disseste tudo?” Inês replica, é igualmente cruel, ácida e desagradável. Chama os três filhos para a discussão, acerta contas e, em determinado momento, desfere um golpe quase fatal. Tudo parece ser terapêutico.

Final de Amor, do dramaturgo francês Pascal Rambert, é um texto avassalador. Pelo tema, claro, mas sobretudo pelo ritmo acelerado, pelo duelo de emoções, pela brutalidade das palavras. Não é um diálogo. O espetáculo dura, sensivelmente, duas horas. Na primeira hora, fala ele; na segunda hora, fala ela.

Burocrático, aborrecido? Nada disso, no fundo é como se fossem dois longos monólogos, agressivos, dolorosos, impiedosos. Rambert já admitiu, em entrevista ao jornal Público, ser a linguagem “o verdadeiro tema da peça”. Um “fluxo ininterrupto, com falta de ar, numa maratona entre o medo e a libertação, entre a banalidade e o lirismo, entre a crueza e o subterfúgio, entre a trivialidade e a grandiosidade”, resume o encenador Nuno Gonçalves Rodrigues.

A peça estreou-se, em 2011, no Festival de Avignon, com interpretação de Audrey Bonnet e Stanislas Nordey, atores para quem originalmente Pascal Lambert escreveu o texto. Em Portugal, Final do Amor esteve em cena pela primeira vez na Culturgest, em 2016, numa encenação de Victor de Oliveira. Foi a partir dessa tradução que, agora, trabalharam os Artistas Unidos (que continuam em bolandas, sem casa própria e, por isso, apresentam Final do Amor no Teatro Meridional).

Aviso aos espectadores mais sensíveis: vale muito a pena, mas é preciso fôlego para aguentar este duelo de palavras.

Final do Amor > Teatro Meridional > R. do Açúcar, Beco da Mitra, 64, Lisboa > T. 91 999 1213 > até 25 mai, qua-sáb 21h, dom 17h > €7 a €13

Educação, saúde, Autoridade Tributária e Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) os setores que deverão sofrer mais o impacto da paralisação marcada para esta sexta-feira, à qual o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS) espera uma “adesão em massa”.

“A greve é nacional, para todos trabalhadores, independentemente do vínculo e da carreira”, sublinhou Mário Rui, salientando que na educação, por exemplo, estão abrangidos assistentes operacionais, técnicos auxiliares, assistentes técnicos e professores, enquanto na saúde poderão aderir à greve profissionais como médicos, enfermeiros, técnicos auxiliares de saúde e assistentes operacionais.

Segundo a Lusa, o dirigente sindical espera uma adesão maior do que a que se verificou em fevereiro, na última greve, apontando que já existe um maior interesse por parte dos trabalhadores, que tiram dúvidas e têm acesso a mais informação.

O STTS convocou esta greve para sexta-feira para os trabalhadores da administração pública, devido à degradação das condições de trabalho e falta de valorização.

Num comunicado, a estrutura sindical disse que os trabalhadores da administração pública estão “fartos de baixos salários, de desvalorização das carreiras, de promessas vazias e de uma gestão que não reconhece a importância dos serviços públicos para a sociedade”.

A greve dos trabalhadores abrangidos pelo âmbito estatutário do sindicato, “independentemente da natureza do vínculo, cargo, função ou setor de atividade, vinculados em regime de emprego público ou em regime laboral comum, integrados nas carreiras gerais, carreiras subsistentes, carreiras não revistas, incluindo a carreira de Polícia Municipal, e carreiras especiais”, decorre entre as 00h00 horas e as 24h00.

A Synchron anunciou uma parceria com a Apple que visa permitir a utilizadores com mobilidade reduzida a interação com os seus aparelhos através de uma interface cérebro-computador, ou BCI, da sigla inglesa. A empresa formada em 2016 é especializada em soluções que permitem ligar aparelhos eletrónicos ao cérebro humano.

A parceria com a Apple foi anunciada pela Synchron em comunicado de imprensa. A Synchron conta com o apoio de Bill Gates e Jeff Bezos e detém um hardware proprietário que deteta sinais cerebrais sem que seja necessária uma intervenção cirúrgica de cérebro aberto para a instalação.

A solução para a Apple passa pelo Stentrode, um sistema com uma rede tubular com sensores que é ‘costurada’ através das veias para chegar ao cérebro. Quando instalada, começa a monitorizar os sinais e, assim que deteta um sinal motor, envia essa informação para a outra extremidade do sistema. Esse transmissor envia os sinais para um processador sem fios, do tamanho de um smartphone, que os interpreta e envia como comandos em tempo real para o dispositivo a controlar, como um iPhone, explica o New Atlas.

Já foram efetuados testes com um paciente que conseguiu controlar um Apple Vision Pro AR, jogando um jogo de cartas, enviando mensagens e abrindo um stream de vídeo, em julho do ano passado. Este comunicado de imprensa agora parece oficializar que os testes foram bem sucedidos e que a Apple vai passar a considerar a BCI como um método de entrada acessível, equiparado ao toque, à voz e à escrita.

“Com a BCI reconhecida como método de entrada nativo para dispositivos Apple, há novas possibilidades para pessoas a viver com paralisia e mais”, congratula-se Tom Oxley, o fundador da empresa.

A Synchron planeia estender os testes clínicos a mais pacientes, com debilidades profundas, ainda este ano. As estimativas da empresa apontam que existam mais de cem milhões de pessoas em todo o mundo com deficiências como diferentes paralisias e que as impedem de utilizar dispositivos digitais, para quem esta interface pode abrir novos caminhos.

A Netflix estreou em 2022 uma modalidade que tem uma mensalidade mais baixa e, em troca, os utilizadores aceitam ver anúncios publicitários durante as transmissões. Nesta fase, estes planos estão disponíveis apenas em mercados selecionados, mas a base de utilizadores está em franco crescimento: 40 milhões em maio de 2024, 70 milhões em novembro e agora nos 94 milhões de utilizadores.

O sucesso destas modalidades explica que a Netflix esteja interessada em explorar mais hipóteses. Até 2026, o mercado deve assistir à introdução de anúncios durante as pausas (que já foram testados no ano passado) ou mesmo anúncios interativos que aparecem durante a transmissão de conteúdos, explica o The Verge.

A Netflix tem uma plataforma interna onde coloca estes novos formatos e revela que pretende trazê-la para os 12 mercados onde já é possível fazer subscrições de modalidades com anúncios. Amy Reinhard, a presidente da Netflix para este domínio, conta que “as fundações para o negócio dos anúncios está aí. Daqui para a frente, o ritmo do progresso será ainda mais rápido”.

Ontem à tarde, não terei sido a única a ficar boquiaberta com o anúncio da candidatura do ex-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Henrique Gouveia e Melo, 64 anos, à presidência da República. Não pela notícia em si – já estou como Paulo Raimundo: notícia seria se ele tivesse anunciado que não se candidatava

Mas o timing, já todos o referiram entretanto, foi do mais desajustado que existe. Mau começo, diz-se da esquerda à direita, num consenso pouco usual.

Tanto tempo a arrastar este pseudo-segredo, cultivando uma espécie de tabu, negando as evidências a todo o momento e até prometendo em abril – no mês passado!não querer desviar as atenções das legislativas para as presidenciais, apesar de ter dito, nessa altura, que já tinha tomado uma decisão.

Mesmo sendo ainda um político em formação, não se coíbe de dizer uma coisa em público e fazer uma outra… em público.

Mantém-se inexplicável a razão para ter afirmado à Renascença: “Não há dúvidas. Vou ser mesmo candidato”. Para depois tentar justificar que a sua decisão se precipitou por causa do agravamento da guerra na Ucrânia, da tensão na Europa e com a eleição de Trump, pondo ainda a culpa em “alguma instabilidade interna que se tem prolongado”.

As desculpas continuam com a aproximação da data do anúncio oficial, marcada para dia 29 em Lisboa e 31 no Porto, já muita gente sabia dela e o segredo podia deixar de o ser a qualquer momento. Na mesma entrevista à Renascença, o almirante, como é tratado na gíria política, fala ainda do envio de convites poder ficar comprometido se só seguissem depois de domingo, dia 18. Então porque não afastar mais as cerimónias da data das eleições, para que não houvesse problemas nos correios?

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A bitcoin faz este ano 16 anos. Nasceu envolta em promessas… A Europa, em 2023, parecia ainda continuar a acreditar no potencial das moedas virtuais. No regulamento relativo aos mercados de criptoativos, aprovado nesse ano, consta: “As ofertas de criptoativos poderão abrir caminho a uma forma inovadora e inclusiva de financiamento”, ou seja, uma nova fonte de financiamento para as empresas em alternativa às bolsas e aos bancos – os investidores financiariam empresas em troca de criptomoeda.

Também se avançava a possibilidade de as criptomoedas serem um concorrente da Visa nos pagamentos ou substituírem os bancos nas transferências bancárias, por terem preços mais competitivos, ao eliminarem intermediários. “Quando utilizados como meio de pagamento (…) podem proporcionar (…) pagamentos mais baratos, mais céleres e mais eficientes.”

A par das promessas, existiam riscos. O anonimato facilitaria o branqueamento de capitais, e o elevado custo energético das operações de transferências e da mineração, assim como a montagem da infraestrutura, teriam um custo ambiental acrescido.

Após 15 anos de vida, multiplicaram-se as moedas eletrónicas (existem hoje mais de 20 000 disponíveis), confirmaram-se os riscos, mas não se concretizaram as promessas. E, se na tecnologia o conhecimento dobra a cada 24 meses (Moore’s law), será realista continuar a acreditar?

Os efeitos negativos, já os conhecemos bem.

As criptomoedas são utilizadas por criminosos para branqueamento de capitais, existindo verdadeiras “empresas” que oferecem os seus serviços online. As moedas virtuais são utilizadas para “branquear” a origem de fundos de cibercrimes (como pagamento de resgates em ataques informáticos), mas também o tráfico de drogas e pessoas.  Estima-se que, em 2023, mais de 20 mil milhões de euros foram branqueados utilizando criptomoedas (Chainanalysis 2024 Cryptocrime Report).

As criptomoedas são também utilizadas em esquemas de burla. Só em 2024, as vítimas terão perdido mais de dez mil milhões de euros. No ano passado, um banco (Heartland Tri-State Bank of Elkhart) nos EUA faliu quando o seu administrador canalizou os recursos do banco, os seus próprios e os da igreja (da qual era tesoureiro) para criptomoedas, ludibriado por um esquema e acreditando estar a fazer um investimento altamente rentável.

O custo ambiental é igualmente elevado. O consumo anual de energia em transações de bitcoins é igual ao consumo de energia da Polónia, um país de 36 milhões de habitantes e um dos cinco mais industrializados da União Europeia. A tal, acresce o uso da água (para manter os sistemas refrigerados). De acordo com os cálculos divulgados pela Universidade de Amesterdão em 2023, uma única transação de bitcoin utiliza seis milhões de vezes mais água do que uma transação de pagamento com cartão de crédito.

A China, sempre pragmática, baniu em 2017 os criptoativos, declarando que o custo de supervisão destas operações era demasiado elevado, face aos sucessivos escândalos de burlas e branqueamento de capitais. Não menos relevante, na decisão do Partido, terá sido o facto de as criptomoedas estarem a ser utilizadas para evitar os controlos de capitais. Em 2017, nenhum cidadão chinês podia deter ativos no estrangeiro, incluindo depósitos, em montante superior a 50 000 dólares. Nos dez anos anteriores, este ativo foi um meio relativamente simples de transferir fundos para o estrangeiro, pondo em risco, na perspetiva das autoridades chinesas, a estabilidade financeira do país.

A União Europeia divulgou, em janeiro passado, o primeiro relatório do impacto do Regulamento dos Criptoativos. No mesmo, reconhece os efeitos negativos das moedas virtuais e que os eventuais benefícios ainda estão por concretizar. As criptomoedas permanecem um ativo que nada acrescenta à economia, a não ser custos, e cujo valor é meramente especulativo, baseado em expectativas sem qualquer fundamento na realidade.

Mantendo-se a possibilidade de investir em criptoativos, cabe-nos pensar se é este o melhor destino das nossas poupanças e, sobretudo, manter uma postura vigilante – quando o investimento parece demasiado bom… provavelmente não é.

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