O combate estava agendado, durou duas horas e nenhum dos lados admite ter levado uma sova das antigas. A vantagem estava do lado dos Estados Unidos: o ringue era a Casa Branca e o chefe das apostas já tinha avisado que não aceitava nada menos do que a anexação da Gronelândia.
Os adversários, dinamarquês e gronelandês, também eram fortes, mas encontravam-se em clara desvantagem. Desde logo pela localização, acrescida da intimidação protocolar. Uma coisa seria falar apenas com Marco Rubio e a sua equipa; outra, bem diferente, era lidar com JD Vance e a sua histeria política. Parecendo que não, foi enviado para morder. Como mordeu Zelensky, na Sala Oval.
Os pormenores do confronto conhecer-se-ão, mais dia menos dia, mas o pior ainda estará para vir, como disse a primeira-ministra da Dinamarca na conferência da Impresa, em Copenhaga, ao lado do seu homólogo da Gronelândia — que Trump não sabe quem é nem ao que vem. «Quem era aquele miúdo mal vestido?», terá perguntado a Susan Wiles.
A ameaça de Trump é para “levar a sério”, avisou o senhor Macron. Tarde e a más horas. O combate já tinha começado. A confusão é tamanha na cabeça do presidente americano que já convém elencá-la, para não se perder de vista: agora é a Gronelândia e o Irão, mais o governo de transição de Gaza; sem esquecer a Venezuela em terra de ninguém; e depois vêm Cuba, a Colômbia e o México. E ainda estamos a meio de Janeiro de 2026 e já quer meter-se com 31 Estados membros da NATO.
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