Não basta que as conversações entre a Ucrânia e os Estados Unidos, com o apoio dos europeus e de outros parceiros, estejam a correr bem e a registar grandes progressos, quando a palavra final reside no Kremlin. Na semana passada, Putin foi direto e repetitivo quanto ao que exige para fazer a paz: nada menos do que os pontos principais do primeiro documento que os americanos apresentaram, uma cópia das reivindicações russas.
Putin quer a soberania russa sobre os territórios ocupados de Luhansk e Donetsk, uma linha de contacto congelada em Zaporíjia e Kherson, a redução das forças armadas ucranianas, a não adesão, em nenhuma circunstância, à NATO, e a recusa de qualquer força europeia em território ucraniano. Sem isto por escrito, não há acordo de paz, disse.
A menos que Witkoff tenha uma carta escondida — o que é difícil, porque é o porta-voz das posições de Moscovo — e que possa ser jogada à última hora, não parece possível que esta seja a semana de um entendimento. Os russos estão a ganhar terreno na linha da frente, mais em novembro do que em outubro, e isso reforça as posições de Putin: ou aceitam, ou conquistamos militarmente o que falta.
A chegada de Trump à Casa Branca alterou profundamente o quadro estratégico e militar da guerra na Ucrânia. A Rússia sente-se mais forte e protegida, ganha tempo com estas idas e vindas diplomáticas e faz tudo para desgastar, interna e externamente, o poder legítimo ucraniano.
Os escândalos e as demissões no coração das instituições de poder em Kiev, até no gabinete presidencial, encaixam-se bem na guerra de desinformação orientada por Moscovo, o que fragiliza Zelensky. Trump, um dia destes, usará isso contra o Presidente ucraniano, nem que seja para tentar vergar Kiev às exigências de capitulação do plano russo-americano.
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