Num momento de profunda instabilidade internacional, ser-se Presidente da República exige, acima de tudo, confiança e estabilidade. Num tempo de extremismo e populismo, precisamos de visão e moderação. Num tempo de rápidas mudanças, precisamos de experiência e ambição.
A violência verbal que hoje satura o espaço público é, historicamente, a antecâmara de episódios que não imaginamos, mas que os livros de História contam, e contra essa deriva precisamos de um Presidente que modere, defendendo a democracia pela ação e pela palavra.
Precisamos de alguém que mobilize o País sem ultrapassar as competências do Parlamento, que seja europeísta sem esquecer as fragilidades do quadro institucional europeu e que compreenda os anseios do povo sem cair na tentação do populismo.
Um Presidente deve ser institucionalista sem afastar-se do povo, indignando-se com as deficiências de um estado sem ser demagogo, defendendo o SNS e o estado social sem sucumbir à efemeridade das manchetes, ser exigente com o governo sem se tornar seu carrasco, promover boas relações institucionais sem ser para-raios do primeiro-ministro.
Acresce que o atual quadro político é marcado por uma direita que detém a liderança do Governo, as principais autarquias e as regiões autónomas, tornando-se necessário eleger uma figura que assegure o equilíbrio de poderes e a salvaguarda das instituições democráticas.
Perante este horizonte, o voto útil deixa de ser uma mera opção estratégica para passar a ser um imperativo de salvaguarda democrática. O risco de entregarmos o País a um líder de extrema-direita que quer minar a democracia por dentro como André Ventura, ou a um candidato umbilicalmente ligado ao Governo como Marques Mendes, ou até a visões radicais de desmantelamento do Estado Social como as de Cotrim Figueiredo e a figuras de convicções políticas enigmáticas como Gouveia e Melo, é demasiado elevado.
Mesmo não concordando com algumas afirmações ou posições políticas que no passado tomou, condicionado por tempos extraordinariamente difíceis, António José Seguro é, entre todos, quem me dá garantias de ter condições para exercer a magistratura com dignidade, não confundindo independência com neutralidade, sectarismo com visão, tornando-se um referencial de educação e sobriedade institucional que tanto precisamos. Os democratas, sejam eles de centro, centro-esquerda ou de esquerda, têm a oportunidade de votar em alguém que defendeu toda a vida o SNS, a escola pública, a dignidade das instituições e a integridade da democracia. Não desperdiçarei o voto, por isso votarei em António Seguro.
PS: O jornalismo independente é um dos mais importantes pilares da democracia. Os heroicos jornalistas da Revista Visão lançaram um crowdfunding para comprar o título, salvando-o do desaparecimento. Partilhe, contribua como for possível, não fechemos os olhos.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.