Desde a data histórica de 27 de Dezembro de 1582 (tratada na crónica anetrior) que uma multidão de relógios de toda a espécie invadiu a China, tal era a procura e as portas que esses mecanismos abriam.
Primeiramente pagos por um preço excessivo pelos mandarins, depois aceites apenas como presentes especiais, os relógios começaram a ser para os próprios mandarins de Cantão arma de influência junto da corte, abrindo-lhes caminho para as boas graças a norte, até Beijing.
Para além de interesses comerciais, com Portugal e o seu posto avançado de Macau à frente, o Ocidente queria evangelizar o imenso território continental – os jesuítas, através do Padroado Português, agiam em monopólio, e usavam também os relógios e outros presentes mecânicos para abrir as portas do Celeste Império.
Ganhar as graças do vice-rei de Cantão, era uma coisa. Mas chegar a Beijing era outra. Os fundadores da Missão católica na China, os italianos Michele Ruggieri e Matteo Ricci, acompanhados de outros jesuítas, como os portugueses António de Almeida e Duarte de Sande, conseguiram atingir, depois de longa e complicada viagem, a corte imperial – estava-se a 24 de Janeiro de 1601.
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