Num célebre texto que inaugurou, na Rádio Comercial, a primeira série da Mixórdia de Temáticas, Ricardo Araújo Pereira, na pele de um munícipe de Moimenta, insurge-se contra os vizinhos e rivais de “Trabanca” e declara, no fim, que nunca teve qualquer problema “com a boa gente de Alcantarilha” que – muito obrigado!… – , se situa a 500 quilómetros de distância. Este mês de setembro de 2021 vai trazer-nos os 15 minutos de fama de terras menos focadas pela agenda mediática e, conforme se pode ver, com eloquência, nos cartazes ( como os reunidos nesta página de Facebook) , vamos também sentir pelo ar um certo cheirinho a país real, o que, não sendo mau, não é, necessariamente, bom.
O poder local democrático, que é hoje um esteio do desenvolvimento material e social das nossas populações, foi, durante anos, identificado como um paraíso de caciques e patos bravos, onde se desrespeitava as regras mais básicas do ordenamento do território e se satisfaziam clientelas e empreiteiros, entre suspeitas de corrupção, financiamento partidário ilícito, compadrio e total falta de gosto – o que também é grave… Essa “carga viral” associada às autarquias tinha entrado no imaginário coletivo, o que explica as resistências que, por exemplo, o referendo à regionalização (vitória do “não”) claramente trouxe à tona. Em especial, na orla costeira, o País foi maltratado, estragado, invadido de betão, com custos paisagísticos e ambientais de que vai recuperando aos poucos, fruto da ação de uma nova geração de autarcas – e de leis mais duras. A rotunda, o fontanário, o quartel de bombeiros, a piscina municipal (quase sempre às moscas), o “avançado” da construção civil tornaram-se ex-libris de gestão autárquica. Esse poder local eivado de boçalidade, que ainda transparece nalguns cartazes – mas nem toda a gente pode ter tão bom aspeto como os agentes da Remax que rivalizam, por essas rotundas fora, com os candidatosautárquicos… – está a mudar e tem de mudar. Este é o mês da campanha, onde se decidirá, também, o futuro político de líderes e de partidos. E estas são as perguntas fundamentais que iremos fazer, ao longo das próximas semanas, e cuja resposta teremos no próximo dia 26 de setembro, data das eleições autárquicas: