Por achar que “as mulheres não sabem guardar segredos”, Salazar nunca lhes permitiu o acesso à carreira diplomática. E o seu sucessor na ditadura do Estado Novo, Marcelo Caetano, manteve a tacanha barreira, que apenas caiu após o golpe militar de 25 de Abril de 1974. Como ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Provisório, uma das primeiras medidas que Mário Soares tomou foi a de abrir a carreira diplomática às mulheres.
“Recebemos indicações para sermos duros a avaliar”. Cavaco Silva em depoimento exclusivo à VISÃO

Isso materializou-se, faz agora 50 anos, com o primeiro concurso após a Revolução de admissão de diplomatas no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), de que saíram 43 candidatos aprovados, 11 dos quais mulheres, que tomaram posse, como “adidos de embaixada”, a 13 de agosto de 1975, no auge do “Verão Quente”. Veja-se: ainda foi Mário Soares, como ministro, quem aprovou o regulamento do concurso, mas as provas já decorreram com Melo Antunes como MNE do penúltimo Governo Provisório de Vasco Gonçalves, e os candidatos aprovados acabaram por tomar posse com Mário Ruivo como titular da pasta, no último executivo do general próximo do PCP, que durou cinco semanas.