Era um dos mais notáveis e premiados fotógrafos portugueses, com uma carreira de quase sete décadas, mas são as suas centenas de fotos da Revolução dos Cravos que o tornaram um ícone da fotografia portuguesa.
Nascido a 16 de fevereiro de 1935, em Sacavém, às portas de Lisboa, Eduardo Gageiro começou a trabalhar aos 12 anos na Fábrica da Loiça de Sacavém. Foi aí, pela convivência com artistas, como escultores e pintores – mas também com operários fabris -, que decidiu que queria ser fotojornalista. Começou em 1957, no Diário Ilustrado, a carreira que haveria de elevar o seu nome no mundo da fotografia. Passou por vários outros órgãos, incluindo Diário Ilustrado, O Século Ilustrado, Eva, Almanaque, Match Magazine, revista Sábado, Associated Press e a Presidência da República.

No 25 de Abril de 1974, Eduardo Gageiro captou algumas das imagens da Revolução que hoje fazem a nossa memória daquele dia, desde os militares no Terreiro do Paço ao assalto à sede da PIDE, passando pela foto do militar a retirar da parede um retrato de Salazar. Pode dizer-se que foi ele quem fotografou a alma do 25 de Abril.
Multipremiado, Gageiro destacou-se pela sensibilidade e olhar humanista. No ano passado, 170 das suas fotos do 25 de Abril constituíram a exposição “Factum”, na Cordoaria Nacional, para celebrar os 50 anos da Revolução. Durante os quase quatro meses que durou a exposição, o próprio Eduardo Gageiro ia, aos sábados à tarde, fazer visitas guiadas e contava ao público as histórias por detrás das imagens.
Morreu hoje, aos 90 anos, em Lisboa.