Um novo estudo, realizado por investigadores finlandeses, concluiu que pessoas com mais compaixão têm menos problemas relacionados com o sono. Pelo contrário, são mais propensas a dormir noites seguidas, sem despertares.
“As nossas descobertas fornecem as primeiras evidências de que a compaixão pelos outros pode proteger-nos contra as dificuldades de sono”, escrevem os autores do estudo, publicado na revista Brain and Behavior,
Para realizarem o estudo, os investigadores serviram-se de dados do Young Finns Study, um estudo finlandês que começou em 1980 e durou mais de 37 anos, começando com 3596 finlandeses com idades entre os três e os 18 anos, nascidos entre 1962 e 1977.
No novo estudo, a equipa incluiu 1056 jovens adultos, acompanhados durante 11 anos desse grande estudo, em que se avaliou a relação entre o nível de compaixão dos participantes e a sua qualidade de sono.
Os participantes foram submetidos a avaliações que permitiam definir o seu nível de compaixão, tanto antes como no final da investigação, respondendo a um questionário desenvolvido pelo psiquiatra e geneticista Robert Cloninger, que pretende analisar hábitos e temperamentos para determinar o tipo de personalidade das pessoas.
Além disso, a equipa analisou três vezes os padrões de sono dos voluntários (em 2001, 2007 e 2012), utilizando a Escala de Sono de Jenkins e o Maastricht Vital Exhaustion Questionnaire, um questionário que avalia a gravidade dos problemas relacionados com o sono.
Os resultados mostraram, de acordo com a equipa, que ter altos níveis de compaixão leva a um sono de melhor qualidade e a menos distúrbios relacionados com o sono (a insónia é um exemplo). E embora este tipo de pessoas, que demonstram mais empatia com os problemas alheios, sejam mais propensas a ficar acordadas até tarde e a terem insónias, as descobertas demonstraram o contrário.
Contudo, não houve associação com a duração do sono, dizem os investigadores.
A equipa do estudo concluiu também que pessoas com a “consciência tranquila” dormem, de facto, melhor e que naquelas com depressão os efeitos positivos sentidos por indivíduos com altos níveis de compaixão foram atenuados.
Os investigadores escrevem que os resultados do estudo estão alinhados com investigaçõesanteriores, que sugerem que a compaixão pode levar a uma melhor regulação emocional, o que pode aumentar a qualidade do sono.