O estampado solidarity is not a crime da t-shirt preta que Miguel escolheu para o dia da nossa entrevista evidencia algum desgaste, ao fim de quatro anos de muito uso. Os mesmos quatro anos em que este ativista político, como gosta de se apresentar, esteve em terra, embora nunca parado ou desligado daquilo que se passa nas águas mornas do Mediterrâneo. Nunca desgastado, ao contrário das letras da sua camisola. A mensagem é que conta – e a verdade desta, em particular, não há passagem do tempo ou processo legal que atenue.
Esperámos que Miguel Duarte, 28 anos, acabasse a sua quarentena num navio ao largo da Sicília e regressasse a Portugal, para marcarmos um encontro. As emoções do retorno ao resgate civil, após um longo interregno causado pelo imbróglio legal em que se viu emaranhado, estão ainda ao rubro e isso sente-se no desalento da sua voz quando relata os momentos mais difíceis desta última missão – a primeira desde 2017, ano em que o navio Iuventa, no qual embarcou por quatro vezes, foi arrestado.
