O que há de comum entre o antigo paraquedista Tiago Oliveira, atual secretário-gera da CGTP, e a história das greves gerais em Portugal? Um número. No regimento de paraquedistas de Tancos, onde foi militar, conseguiu dez saltos, para o currículo. “Dez” é o número de greves-gerais até hoje ocorridas, desde que o direito à greve foi consagrado, na Constituição portuguesa, em 1976. Mas esta greve, marcada para dia 11 de dezembro, não cai de paraquedas. E Tiago Oliveira, sem a notoriedade dos grandes líderes sindicais que se tornaram figuras nacionais, nos gloriosos tempos das greves gerais que paravam o País (Carvalho da Silva, Arménio Carlos), também não é nenhum paraquedista no sindicalismo: o sindicalismo, como veremos adiante, está-lhe nos genes.
Do outro lado, na UGT, uma figura também pouco conhecida dos portugueses, se comparada com o carismático Torres Couto ou o influente João Proença, líderes nos tais “tempos gloriosos”, juntou-se a Tiago Oliveira na entrega ao Governo do pré-aviso da greve geral – embora o tivesse feito em data diferente. Mário Mourão, antigo deputado do PS (o mandato da sua última legislatura coincidiu com o segundo governo de José Sócrates), reforça o pedigree da predominância do setor dos serviços na central sindical de influência socialista e social-democrata. Razões históricas ajudam a separar as águas entre as duas centrais. A CGTP tem uma génese operária e, entre os seus seis secretários-gerais, apenas um – uma –, Isabel Camarinha (ver caixa), não pertence à “classe operária”. A Interssindical Nacional, como era mais conhecida nos tempos da Revolução, forjou o seu ADN nas fábricas da (então) Cintura Industrial de Lisboa, com especial influência do operariado da Margem Sul, e também do Norte de Portugal, região de fábricas e fabriquetas. Aliás, três dos seus líderes (incluindo o atual) e o mais notável, Carvalho da Silva, vêm dessa região do País. E Tiago Oliveira foi mesmo o primeiro a permanecer na sua zona de conforto, em São Mamede de Infesta, em vez de se transferir, de armas e bagagens, para a sede da Rua Vítor Cordon, em Lisboa.
