Hoje chama-se economia circular, mas no fundo é fazer o que faziam as nossas avós: desperdiçar o mínimo possível, e não apenas por razões ambientais. “A Padaria Portuguesa faz 12 anos em novembro, e desde o primeiro dia que doamos a paróquias, instituições e associações os produtos que não foram vendidos, para que sejam entregues a quem mais necessita”, explica Rita Neto, diretora de Marketing de A Padaria Portuguesa, na Conversa Verde.
Mais recentemente, no entanto, a empresa tem tentado encontrar outras soluções para reduzir o desperdício, a partir da velha máxima “Nada se perde, tudo se transforma”. Foi assim que se passou a aproveitar as borras do café e as cascas das laranjas espremidas para fazer sumo.
“Arranjámos parceiros que nos conseguem reutilizar estes dois desperdícios. Temos uma parceria com a Nãm Mushroom, em que entregamos as borras de café, que eles usam para produzir cogumelos-ostra, que depois compramos para integrar na nossa oferta de almoço em sanduíches e saladas. Entregamos também as borras à Quinta das Mélias, para servir de fertilizante dos solos e ajudar a produzir meloas e melões, que depois pomos à venda nas lojas, em copos de fruta. Com as cascas de laranja produzimos internamente uma compota de laranja. Estamos à procura de um parceiro para nos fazer fruta cristalizada com estas cascas, para usar nos bolos-reis, mas não tem sido fácil. E temos também uma kombucha feita com cascas de laranja e borras de café.”
O público, garante, adere a estes produtos de economia circular. “A aceitação é enorme. As pessoas gostam de saber que temos estas iniciativas. É uma preocupação crescente em todas as pessoas, principalmente as mais novas. É bom para a marca, mas a nossa preocupação central não era comunicar as iniciativas, era fazê-las, torná-las reais. Claro que hoje comunicamos, porque os consumidores estão cada vez mais interessados.”
Estes exemplos não são o fim da linha, mas sim parte de um trabalho permanente. Rita Neto diz que há repetidas reuniões dentro da empresa para ouvir novas ideias. Muitas passam por uma espécie de regresso às origens, a um passado mais simples. “Todos queremos fazer o pão como antigamente, usar menos fertilizantes, produtos locais, as nossas próprias hortas… Está tudo um bocadinho cansado e farto dos efeitos da globalização e da massificação.”
Outra aposta d’A Padaria Portuguesa passa por reduzir as cadeias de abastecimento e pelos produtos da época. “Procuramos fornecedores locais, para reduzir a nossa pegada ecológica, mesmo que nos deem quantidades pequenas. Fazemos edições especiais, produtos exclusivos de um certo período. Queremos que o cliente perceba que ‘aquele’ tomate é especial , foi produzido daquela forma, mas que só há naquele período. Escolher o fornecedor certo é uma vantagem.”
A representante da empresa diz ainda que as empresas têm a responsabilidade social de serem o mais sustentáveis possível. “Se pudermos ter um papel positivo, inovador, que traga mais-valias para a sociedade, temos de o fazer.”
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