Invadem o nosso espaço, ignoram os nossos limites, matam o bom senso. Sem constrangimento, sem pudor. Agem como se o mundo fosse palco para as suas vontades, e as suas exigências.
Gritam alto, gritam tolices, confundindo liberdade de falar com o exibicionismo.
O insulto e a mentira é a norma. A falta de respeito é a nova etiqueta. Insistem, persistem, assediam.
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Causam incómodo, constrangimento. Acham-se impunes. Sem vergonha.
Até um dia. Um dia destes. Há limites a impor, e respeito a exigir. Que falta de noção. Que prepotência. Que abuso. Que cinismo.
De quem se fala aqui? De tantos e de tantas, mas de Trump certamente.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.
Em junho, a Organização Meteorológica Mundial estimava que havia 80% de probabilidade de um ano do período entre 2024 e 2028 ultrapassar o limite de 1,5°C do Acordo de Paris, assinado em 2015. Seis meses depois, descobrimos que esse valor será ultrapassado já em 2024.
De acordo com o C3S – Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas, da União Europeia, com os dados do mês passado já disponíveis (novembro ficou 1,62 C acima da média do período pré-industrial), é certo que este ano ficará acima de 1,5°C. Os cientistas do C3S apontam para uma temperatura média global da atmosfera à superfície de 1,6°C, o que vaporiza o recorde estabelecido em 2023, de 1,48°C.
Podemos agora confirmar com quase toda a certeza que 2024 será o ano mais quente de que há registo
Samantha Burgess, subdiretora do C3S
“Com os dados do Copernicus relativos ao penúltimo mês do ano, podemos agora confirmar com quase toda a certeza que 2024 será o ano mais quente de que há registo e o primeiro ano civil acima de 1,5°C”, diz Samantha Burgess, subdiretora do C3S, em comunicado. “Isto não significa que o Acordo de Paris tenha sido violado, mas significa que uma ação climática ambiciosa é mais urgente do que nunca.” Só se considera que o limite ideal de Paris é ultrapassado quando a média de uma série de vários anos ficar acima de 1,5°C.
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Apesar disso, há uma óbvia carga simbólica no facto de um ano de calendário ultrapassar aquele valor (já antes tinha havido um período de 12 meses acima de 1,5°C, entre fevereiro de 2023 e janeiro de 2024). Mais do que nunca, a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris parece inalcançável. E quanto mais alta a temperatura média, maiores serão os impactos climáticos.
Foto: Luís Ribeiro
Das secas e ondas de calor no Alentejo ao derretimento dos glaciares na Gronelândia, o impacto do aquecimento global é… global. Foto: Luís Ribeiro
Para que ainda houvesse alguma hipótese de manter o aumento da temperatura em valores condizentes com o que ficou definido na Cimeira do Clima de 2015, as emissões de gases com efeito de estufa teriam de ser reduzidas em 43% até ao fim desta década. Ao invés, continuamos num percurso ascendente: em 2024, as emissões subiram 0,8%, face ao ano anterior. Desde que o Acordo de Paris foi assinado, as emissões aumentaram 8%.
Consequências dramáticas
O que foi acordado na Cimeira do Clima que decorreu em novembro no Azerbaijão pouco impacto terá para travar o aquecimento global (o foco foi no financiamento climático dos países mais pobres). Há, no entanto, algumas notícias encorajadoras. Um relatório do Global Carbon Budget, publicado no mês passado, mostra que 20 países conseguiram fazer crescer as suas economias ao mesmo tempo que diminuíam as emissões de gases com efeito de estufa, entre 2014 e 2023 – a dissociação entre crescimento económico e as emissões são o “santo graal” do combate às alterações climáticas. Um deles é Portugal. Mas estes países representam apenas 23% das emissões globais.
As consequências de uma temperatura média mais elevada são dramáticas. Uma análise do Carbon Brief a 600 estudos conclui que três em cada quatro fenómenos climáticos extremos nos últimos 20 tornaram-se mais prováveis ou graves devido às alterações climáticas. Em vários casos, os investigadores determinaram que a ocorrência desses fenómenos (ondas de calor, secas severas e grandes tempestades) teria sido “virtualmente impossível” sem o efeito das emissões antropogénicas de gases com efeito de estufa.
Isto com uma temperatura da atmosfera 1,3°C mais elevada do que na segunda metade do século XIX. Segundo o Climate Action Tracker, um projeto científico que analisa o progresso climático, com as políticas atuais (as contribuições nacionalmente determinadas, ou seja, as medidas implementadas pelos países), o planeta encaminha-se para um aumento de temperatura de mais do dobro – 2,7°C. Um aumento deste calibre acarretaria consequências catastróficas. Em Portugal, os impactos mais preocupantes são as ondas de calor, secas mais frequentes no Sul, risco acrescido de incêndio e tempestades mais intensas, além da subida do nível médio do mar. lribeiro@visao.pt
Um 2024… agitado
Alguns dos destaques climáticos do ano que passou
+1,6ºC
Pela primeira vez num ano completo, a temperatura média global da atmosfera será mais alta do que o limite máximo ideal do Acordo de Paris. Esse valor, de 1,5ºC, já havia sido atingido numa série de 12 meses, mas nunca num ano de calendário.
+1,62ºC
A diferença da temperatura média de novembro face à média do período pré-industrial. Dos últimos 17 meses, 16 bateram o recorde de temperatura.
€308 mil milhões
É o valor estimado das perdas económicas associadas a desastres meteorológicos, um aumento de 6% face a 2023 (o segundo ano mais quente) e de 25% relativamente à média dos últimos dez anos.
Top 10
Todos os anos dos últimos dez são mais quentes do que qualquer outro desde que há registos. 2005, o primeiro do século XXI a bater o recorde de temperatura média global, ultrapassando 1998, é agora apenas o 13.º ano mais quente.
Os equipamentos da Dyson topam-se a léguas – pela exuberância das cores usadas e pelo estilo quase industrial dos equipamentos. Depois de uma primeira tentativa inusitada no mundo do áudio, com os Dyson Zone (aqueles que pareciam uma máscara com purificador de ar), a marca tem uma nova aposta neste segmento – mais discreta (dentro do que é possível na Dyson), mas com muito melhores resultados. O que valem afinal os auscultadores sem fios Dyson OnTrac?
O aspeto é o primeiro elemento em evidência. Para a Dyson, ser discreto não parece ser uma opção. Os novos auscultadores têm uns cascos de grande dimensão, semelhantes a discos, e que podem ter diferentes acabamentos (o modelo que testámos era CNC cobreado). Isto combinado com um aro pronunciado com três apoios para a cabeça e um sistema de dobradiça bem visível. Portanto, se procura uns auscultadores também pelo estilo, esta deve ser claramente uma opção a considerar.
Mas como é habitual na Dyson, há muita engenharia à mistura. Por um lado, a escolha dos materiais garante uns auscultadores de elevada robustez e qualidade ao toque. Por outro, é possível remover as placas no exterior dos cascos para uma maior personalização, assim como substituir as almofadas (os preços das peças de substituição para Portugal não estão ainda disponíveis).
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Se a falta de discrição do design não for um entrave, saiba que a qualidade de som dos Dyson OnTrac é muito boa – o que surpreende para uma empresa mais conhecida pelos aspiradores, equipamentos para o cabelo e máquinas de limpeza. Para começar, tem uma das melhores reproduções de graves que já ouvimos nuns auscultadores sem fios: são suaves, têm um efeito subtil de propagação, mas conseguem chegar muito bem às frequências mais baixas do espectro sonoro. Conte ainda com uma boa reprodução de detalhes musicais e um bom equilíbrio no geral entre os diferentes sons reproduzidos. Apesar de ter também uma reprodução de agudos definida, gostávamos que estes sons tivessem mais presença nas músicas, com os headphones a privilegiarem uma reprodução mais contida e não tão expansiva de sons.
Dyson OnTrac: Almofadas macias e isolantes
A primeira vez que experimentámos os Dyson OnTrac foi no decorrer de uma apresentação à imprensa, com vários convidados, música, barulhos de fundo… E assim que colocamos os OnTrac, tudo desapareceu. Depois, ao longo de várias semanas, pudemos testar a eficácia deste modelo em abstrair o utilizador dos sons que o rodeiam. Grande parte da eficácia deve-se ao cancelamento passivo, isto é, à supressão de som provocada pelo próprio formato dos auriculares. Por um lado, as almofadas tapam toda a orelha, deixando-a ‘isolada’ para a projeção sonora, o que significa que basta colocá-los para sentirmos logo um efeito de oclusão. Depois, existe um efeito de boa fixação dos auscultadores, que tapa qualquer zona pela qual pudesse passar ruído. Por fim, existem oito microfones a trabalhar continuamente para o efeito de cancelamento de ruído ativo. Os dois combinados ajudam-nos a abstrair de praticamente tudo o que está a acontecer à nossa volta, pelo que se este é um elemento que valoriza bastante, os Dyson OnTrac não desiludem.
O conforto é outra característica em destaque pela positiva. Quando usamos os Dyson sentados em frente ao computador, por exemplo, conseguimos usá-los durante longos períodos de tempo, sem efeitos de pressão no topo da cabeça e com destaque para as almofadas super macias dos auscultadores. Há, sim, um efeito ligeiro de aquecimento das orelhas, que pode ser crucial para algumas pessoas. No entanto, é justo dizer que estes não são uns auscultadores leves. E sentimos isso, bastante, sempre que tentamos fazer algo com os Dyson enquanto andamos pela casa ou no escritório. Aí, o peso muito acima do habitual (são quase 500 gramas…) tem logo tendência para fazê-los tombar, o que obriga o utilizador a ter que fazer força no pescoço e cabeça para contrabalançar o peso.
Uma área que não convenceu foi a dos painéis sensíveis ao toque, com os quais tivemos muita dificuldade em acertar a utilização. E também o botão físico para o controlo do volume (uma espécie de joystick) precisa de ser repensado numa futura versão – funciona, mas dá-nos pouca sensibilidade na forma como ajustamos o nível de som.
A autonomia destes auscultadores é soberba. Depois de os carregarmos uma vez por completo, durou-nos várias semanas (a usar entre uma a duas horas por dia), pelo que nunca tivemos que nos preocupar com a autonomia. Suspeitamos que as mais de 50 horas de utilização que garantem estão, de alguma forma, relacionadas com a eficácia do cancelamento de ruído passivo (o que exige menos ANC, o que ajuda a poupar no processamento e autonomia).
Já a aplicação é simples e prática, dando acesso a diferentes níveis de supressão de ruído, a perfis de equalização de som pré-definidos e um manual, e também a um sistema que analisa o som à nossa volta, ‘alertando-nos’ para quando atinge níveis demasiado elevados (esta análise também é feita para o próprio volume emitido pelos auscultadores). Sobre a app, dizer ainda que está apinhada de recomendações de outros produtos da Dyson, o que torna a experiência… invasiva. Por fim, não podemos deixar de ‘desancar’ a Dyson por colocar no mercado uns auscultadores deste nível de preço, mas sem suporte para codecs de áudio de alta resolução ou suporte para áudio espacial.
Qualidade de som Muito bom Cancelamento de ruído Excelente Qualidade em chamadas Muito bom Autonomia Excelente
Características Frequências: 6 Hz – 21.000 Hz • Driver 40 mm de neodímio • 9 microfones • Cancelamento Ativo de Ruído (ANC) • Autonomia anunciada: 55 h reprodução (ANC) • Bluetooth 5.0, USB-C • 261×201 mm • 451 g
O Meteored Portugal, que nos acompanhou ao longo deste ano com as suas previsões meteorológicas, escolheu os três acontecimentos mais extremos ocorridos em território nacional em 2024.
Através de comunicado, o geógrafo Alfredo Graça, redator-chefe da plataforma, anunciou que os grandes acontecimentos do ano nesta matéria foram o tornado em Lisboa, o furacão Kirk que já chegou a Portugal como ciclone extratropical e os incêndios registados na última semana de verão.
Considerado “um fenómeno meteorológico bastante raro em Portugal”, o tornado surgiu perante “os condutores que circulavam pela Ponte Vasco da Gama, em Lisboa”, ao início da tarde do dia 28 de março, quando o País se encontrava afetado pela Depressão Nelson, tendo chegado “a provocar alguns estragos em infraestruturas na Margem Sul” do Tejo.
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Nos dias 8 e 9 de outubro, “um poderoso temporal de chuva, trovoada, vento forte e agitação marítima” foi resultado da passagem do ciclone extratropical Kirk, um furacão formado junto a Cabo Verde que passou pelas Caraíbas e chegou a Portugal já a perder força mas ainda com maior intensidade do que é habitual.
Sem vítimas a lamentar, a tempestade provocou mais de 2500 ocorrências em Portugal, sobretudo no Norte, como “quedas de árvores, derrocadas, inundações, cortes de estradas e destruição de várias culturas agrícolas”, além de “mais de 300 mil pessoas” terem ficado “temporariamente sem eletricidade”.
No último lugar do pódio do Meteored Portugal surgem dos incêndios entre os dias 15 e 21 e setembro, que custaram a vida a nove pessoas, com os distritos de Porto, Aveiro, Vila Real e Viseu a serem “os mais afetados”. “O Norte e o Centro de Portugal continental estiveram expostos ao tempo quente e extremamente seco, possivelmente combinado com mão criminosa, o que se traduziu em mais de uma centena de incêndios”, resume a plataforma.
Imagens captadas pela sonda Mars Express da Agência Espacial Europeia (ESA) mostram a região de Australe Scopuli, em Marte, coberta em gelo de dióxido de carbono e poeiras, no polo sul do planeta.
O inverno marciano regista temperaturas que podem ir até aos 123 graus centígrados negativos, o que não permite a formação de muito mais do que alguns centímetros de neve. No entanto, ali alguma neve é composta por água e outra por dióxido de carbono, ou gelo seco. A neve de gelo de água transforma-se em gás antes de chegar à superfície devido à fina atmosfera de Marte e a neve de dióxido de carbono é a única que chega e assenta à superfície.
Região de Australe Scopuli captada pela sonda Mars ExpressESA/DLR/FU Berlin
Topografia da região de Australe Scopuli em MarteESA/DLR/FU Berlin
Região de Australe Scopuli captada pela sonda Mars ExpressESA/DLR/FU Berlin
Região de Australe Scopuli captada pela sonda Mars ExpressESA/DLR/FU Berlin
A ESA revela que as imagens foram captadas em junho de 2022, altura em que era quase verão em Marte e vê-se o efeito causado pelos quentes raios de Sol, que fazem com que as camadas de gelo estejam em retração. A parte superior do gelo, ao derreter, faz com que na camada inferior se registe sublimação, ou seja, passagem do estado sólido para gasoso, criando bolsas de gás enclausurado. Ao aumentar a pressão até às camadas superiores, registam-se erupções de gases pela superfície, com poeiras escuras trazidas de baixo. As poeiras também acabam por assentar, formando padrões ao sabor das correntes de vento.
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As imagens foram captadas pela High Resolution Stereo Camera da AMrs Express e oferecem uma vista próxima de padrão em forma de ventoinha causado pelos ventos e criando fronteiras entre as diferentes camadas de depósito.
A sonda Mars Express foi lançada em 2003 e tem estado a providenciar imagens inéditas que evidenciam a composição química da atmosfera de Marte, além de efeitos visuais espetaculares.
Todos os movimentos de luta pelos direitos humanos precisam dos seus símbolos, dos seus momentos de coragem radical e das suas heroínas. O movimento pelos direitos civis das pessoas negras, nos EUA, teve Rosa Parks e a sua radical recusa em levantar-se do seu lugar na frente do autocarro e ir ocupar um lugar nas traseiras. O feminismo, e a sua luta pelo fim da cultura de violação, têm Gisèle Pélicot e o momento radical em que esta recusou que o julgamento dos crimes de que foi vítima fosse realizado à porta fechada, declarando que “La honte doit changer de camp!” (“A vergonha tem de mudar de lado!”).
Ao fazê-lo, Gisèle Pélicot tornou-nos testemunhas de tudo o que se passou naquela sala de audiências de Avinhão. E levantou o milenar manto de vergonha com que o patriarcado cobre as mulheres vítimas de violência sexual. Gisèle Pélicot quis que ouvíssemos e testemunhássemos todas as aleivosias que lhe fizeram e lhe disseram. E foram tantas.
É já consabido que, durante quase uma década, o seu (agora ex-)marido, Dominique Pélicot, a drogou e recrutou online dezenas de homens comuns que, numa pacata vila francesa, Mazan, a violaram enquanto dormia sob influência de sedativos, na sua própria casa, filmando e fotografando os ataques. Os violadores eram jornalistas, bombeiros, enfermeiros, DJs, trabalhadores da construção civil, brancos, negros, jovens, idosos, gordos, magros, solteiros, pais de família. A imprensa francesa chamou-lhes Monsieur Tout le Monde (Sr. Toda a Gente). E é isso mesmo que eles eram: o patriarcado, o sistema de poder que permite aos homens, desde que o mundo é mundo, oprimirem e objetificarem as mulheres pelo simples facto de eles serem homens e nós mulheres.
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Durante 9 longos anos, não houve um único homem que, tendo visto o hediondo anúncio online, tenha feito uma denúncia, mesmo anónima, do absoluto horror que ali se passava. Uma simples denúncia anónima teria permitido poupar a Gisèle Pélicot anos de grande sofrimento físico e confusão mental, bem como as inúmeras doenças sexualmente transmissíveis que contraiu, pois que nem sequer a clemência de usar proteção os violadores tiveram para com aquela mulher indefesa.
Só que Gisèle Pélicot recusou a condição de vítima indefesa e reclamou agência sobre o que lhe aconteceu. Ao fazê-lo, pode bem ter-nos salvado a todas, porque mudou o discurso sobre crimes sexuais. É que Gisèle Pélicot é também a sobrevivente perfeita de um crime sexual: trata-se de uma senhora idosa que, adormecida e na suposta segurança do seu lar, foi violada repetidamente por dezenas de homens comuns, com a conivência e o encorajamento do homem que, segundo o contrato social que firmamos com o patriarcado ao casar-nos, a deveria proteger – o seu marido. Não lhe podem dizer que a saia que usava era demasiado curta, que bebeu demais, que estava num local perigoso a uma hora pouco recomendável, que foi imprudente, que estava a pedi-las. Não. Gisèle Pélicot é a própria negação de todo este caldo cultural tóxico. A vítima perfeita. E a cliente com que sonham todas as advogadas de direitos humanos: sempre calma, ponderada, digna, de queixo levantado mas sem ser demasiado virulenta nas suas declarações à imprensa. Inatacável.
Mas oh, se tentaram atacá-la! Gisèle Pélicot fez de nós testemunhas das perguntas que alguns membros do coletivo de juízes entenderam colocar-lhe sobre os seus hábitos sexuais, a sua vida sentimental, até sobre o método contracetivo que esta mulher sénior utilizava (!). Fez de nós testemunhas das alegacões orais em que os advogados dos seus violadores vociferaram contra a histeria das feministas e da imprensa, tecendo vis considerações sobre o perfil psicológico de Gisèle Pélicot como suposta cúmplice de um narcisista. Culpada do seu próprio infortúnio, no fundo.
O que, em 19 de dezembro de 2024, o Tribunal de Avinhão nos veio dizer com o seu veredito foi que, apesar de tudo, isso já não passa, e que o tempo da impunidade e da culpabilização da vítima acabou. Dominique Pélicot foi condenado a 20 anos de prisão por violação agravada, a pena máxima prevista na lei francesa para este crime. Os restantes 50 violadores de Gisèle Pélicot foram condenados a penas entre os 3 e os 15 anos. Não houve absolvições. É verdade que o Tribunal não condenou os 50 outros violadores nas penas pedidas pelo Ministério Público, mas quase nunca há vitórias totais em tribunal. A de Gisèle Pélicot andou muito perto disso. Justiça!
Aqui deixo os nomes dos 51 violadores de Gisèle Pélicot. Porque, hoje, a vergonha mudou mesmo de lado! Parabéns e obrigada, Gisèle Pélicot! Mil vezes, obrigada!
Dominique Pélicot
Jean-Pierre Marechal
Joseph Cocco
Didier Sambuchi
Patrick Aron
Jacques Cubeau
Hugues Malago
Andy Rodriguez
Jean-Marc Leloup
Saifeddine Ghabi
Simone Mekenesse
Philippe Leleu
Paul Grovogui
Ludovick Blemeur
Mathieu Dartus
Quentin Hennebert
Patrice Nicolle
Husamettin Dogan
Cyrille Delville
Nizar Hamilda
Redouane El Fahiri
Boris Moulin
Cyril Baubis
Thierry Postat
Omar Douiri
Jean Tirano
Mahdi Daoudi
Ahmed Tbarik
Redouane Azougagh
Lionel Rodriguez
Florian Rocca
Grégory Serviol
Abdelali Dallal
Adrien Longeron
Cyprien Culieras
Karim Sebaoui
Jean-Luc La
Christian Lescole
Thierry Parisis
Nicolas Francois
Cendric Venzin
Joan Kawai
Vincent Coullet
Fabien Sotton
Hassan Oamou
Charly Arbo
Cédric Grassot
Jérôme Vilela
Dominique Davis
Mohamed Rafaa
Romain Vandevelde
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.
O ano de 2025 deverá começar com uma subida generalizada dos preços. Apesar das descidas das taxas de inflação, diversos bens e serviços vão passar a custar mais aos portugueses, incluindo as telecomunicações, portagens, rendas e até o pão.
As rendas, por exemplo, podem vir a custar mais 2,16% aos portugueses no próximo ano, de acordo com o aviso do coeficiente de atualização de rendas, publicado esta quinta-feira, 26, pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Um aumento que equivale a uma subida de 2,16 euros por cada 100 euros de renda, ou seja, uma renda que custe 750 euros poderá vir a aumentar cerca de 16,20 euros em 2025.
Esta subida poderá vir ser mais acentuada para alguns inquilinos, uma vez que os senhorios que não atualizaram a renda nos últimos dois anos têm agora a possibilidade de somar os coeficientes de 2023 e de 2024 aos 2,16% de 2025, num total de 11,1% de aumento. Contudo, esta atualização não é obrigatória e os senhorios podem optar por não aumentar os preços das rendas.
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Também a fatura das telecomunicações pode vir a aumentar para algumas pessoas, uma vez que os preços das comunicações da Altice Portugal – detentora da Meo – vão sofrer uma atualização em 2025, conforme o contratualmente previsto. Os seus serviços Uzo (digital) e Moche (para jovens), no entanto, vão manter os valores atualmente praticados. Já a NOS, tal como anunciado em novembro desde ano, não vai aumentar os preços dos seus serviços e tarifários. A Vodafone ainda não consegue antecipar informação sobre o tema.
Alguns produtos alimentares, como o leite e o pão, também vão ficar mais caros. O leite e outros produtos lácteos deverão manter a trajetória de preços crescente verificada nos últimos meses de 2024, provocada pela subida dos custos de produção (como gasóleo e eletricidade), e continuar a aumentar. O preço do pão também deve subir no próximo ano, influenciado pelos custos de produção e pelo salário mínimo nacional.
Já o preço das portagens deverá aumentar 2,21%, tendo por base o valor da inflação homóloga sem habitação de outubro, determinado pelo INE, ao que acresce 0,1% de compensação às concessionárias. Prevista no decreto-lei n.º 294/97, a fórmula que estabelece o aumento do preço das portagens de ano para ano tem como referência a taxa de inflação homóloga sem habitação verificada no último mês para o qual haja dados disponíveis antes de 15 de novembro (data-limite para os concessionários comunicarem ao Executivo as suas propostas de preços para o ano seguinte). Segundo os dados divulgados pelo INE esta quinta-feira, o referencial de inflação situou-se em 2,11%. A este valor acresce 0,1%, na sequência de um acordo celebrado com as concessionárias das autoestradas para as compensar pelo travão imposto a uma subida na ordem dos 10% em 2023.
Também o preço dos transportes públicos deverá aumentar cerca de 2,02% em 2025, segundo a taxa de atualização tarifária com base nos dados do INE sobre a inflação. Os passes Navegante e bilhetes ocasionais referentes à Carris Metropolitana vão, no entanto, manter os preços atuais.
Eletricidade é exceção
A eletricidade será a exceção à subida de preços de bens e serviços, estando prevista a diminuição das tarifas no mercado regulado e liberalizado no próximo ano. Devido à alteração legislativa, aprovada no parlamento, que aumenta o valor do consumo de energia sujeito à taxa reduzida de IVA (6%), os mercados regulados de eletricidade vão registar reduções entre 0,82 e 0,88 euros.
Já no mercado liberalizado, foram anunciadas pela EDP Comercial e Galp reduções de 6% na componente de eletricidade na fatura, motivadas pela melhoria das condições de mercado. De acordo com a EDP, as faturas dos seus consumidores deverão baixar, em média, 7%, a partir de 1 de janeiro de 2025.
A geração atual dos Ray-Ban Smart Glasses assenta em comandos de voz e gestos do utilizador para realizar todas as operações. Agora, a Meta reconhece que tal não será suficiente para rivalizar com o headset XR que a Samsung está a desenvolver no Projeto Moohan e tem um plano ambicioso para poder estar à altura. A nova geração dos seus óculos inteligentes vai ter um ecrã, de acordo com o Financial Times.
Os novos óculos da Meta devem chegar ao mercado na segunda metade de 2025 com este ecrã que irá mostrar notificações e respostas geradas pelo Meta AI. A Meta já mostrou um protótipo destes óculos há alguns meses, mas na altura referiu que a tecnologia ainda era demasiado cara para figurar num produto a ser lançado no mercado. Agora, o Project Orion pode mesmo chegar ao público, se bem que numa versão menos avançada do que a que foi demonstrada.
Este plano parece surgir como a resposta da Meta para a demonstração que a Google e a Samsung fizeram do Android XR e do primeiro headset com este novo sistema operativo. O aparelho de realidade mista da fabricante coreana deve surgir também na segunda metade do próximo ano, seguindo-se depois uma versão de óculos para realidade aumentada.
Um conjunto de investigadores do Korea Advanced Institue of Science and Technology KAIST desenvolveu um robô wearable leve que anda até ao paciente e se fixa no seu corpo, ajudando-o a andar. O conceito está na fase de protótipo e já ajudou Kim Seung-Hwan, paciente paraplégico, a andar a 3,2 km/h, subir um lance de escadas e deslizar de lado para se sentar numa bancada.
“Pode aproximar-se de mim onde eu estiver, até quando estou sentado na cadeira de rodas e posso usá-lo para me levantar, o que é uma das características mais distintas”, conta o Kim Seung-Hwan à Reuters.
REUTERS/Sebin Choi
REUTERS/Sebin Choi
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Este fato, o WalkON Suit F1, é feito de alumínio e titânio, pesa cerca de 50 quilogramas e tem 12 motores eletrónicos para simular os movimentos das articulações humanas durante os movimentos. O exoesqueleto tem ainda sensores nas solas e na parte superior do corpo, que leem até mil sinais por segundo para manter o equilíbrio do paciente e até antecipar os movimentos desejados.
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Na parte frontal, há lentes que conferem ‘olhos’ ao robô, ajudando-o a analisar o ambiente envolvente, medir a altura dos degraus e detetar obstáculos.
A criação, assumidamente inspirada nos filmes Homem de Ferro, valeu o primeiro prémio na Cybathlon 2024, uma competição de robôs assistentes para pacientes com limitações físicas.
À vista de um leigo, a descarga da azeitona para os tegões tem o seu quê de encantatório se nos deitarmos à adivinhação sobre quais serão as variedades que dão origem ao Azeite de Moura DOP, “o primeiro com Denominação de Origem Protegida em Portugal, uma certificação obtida há 30 anos”, diz Hélder Transmontano, diretor-geral da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos.
Carregamento atrás de carregamento, este fruto, incluído na Dieta Mediterrânica, é trazido pelos olivicultores associados, cerca de 1300 num universo de 4000 sócios. E assim há de continuar a acontecer até ao final de janeiro, quando terminar a campanha iniciada em novembro.
O ritual repete-se há 70 anos, nesta que é a maior cooperativa olivícola do País, com 20 mil hectares de olival na sua área de abrangência, e o maior e mais moderno lagar. Este ano, “a produção estimada é de cerca de 40 mil toneladas de azeitona e de quase 6500 toneladas de azeite”, diz o presidente da instituição José Duarte.
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Apanha da azeitona em olival tradicional. Foto: DR
O Azeite de Moura DOP é feito exclusivamente com as variedades Cordovil de Serpa, Galega e Verdeal Alentejana, “um azeite maduro, com algum picante, um pontinho de verde folha, a fazer lembrar a planta de tomateiro, conjugada com um toque subtil de maçã e notas de amêndoa e frutos secos,” explica a cicerone da nossa prova de azeites, feita na loja da Cooperativa, um dos pontos de paragem da nova Rota do Azeite de Moura, lançada no final de novembro.
Pé no olival
Como se escreveu em cima, na loja da Cooperativa pode fazer-se a prova do azeite de Moura e ficar a conhecer um pouco da sua história. Mas bom, bom mesmo, é fazer o percurso pedestre de três quilómetros sugerido na nova rota lançada pela Câmara Municipal de Moura. Com grau de dificuldade fácil, a volta pede tempo, como tudo no Alentejo, aliás, e deve ser feita durante a campanha da apanha da azeitona, para se apanhar todo o ciclo produtivo.
O passeio começa numa extrema, num olival tradicional desta cidade, conhecida como terra mãe do azeite no Alentejo. O seu património olivícola inclui não só os olivais mas também o Lagar de Varas de Fojo, convertido em museu e testemunho do fabrico de azeite no século XIX, e o Jardim das Oliveiras. Localizado em frente ao lagar-museu, dá a conhecer as diferentes variedades desta árvore, incluindo uma oliveira albina, onde as azeitonas nascem verdes e, ao amadurecerem, vão ficando brancas.
As ruas floridas da cidade. Foto: Luís Barra
Com sete pontos de passagem, a Rota do Azeite de Moura, que também inclui locais ligados à produção, defesa, promoção e comercialização do azeite, é um passeio entre o campo e o coração da cidade que se pode fazer autonomamente, de mapa na mão, ou numa visita guiada, orientada pelos funcionários do Posto de Turismo (mediante marcação).
Aqui chegados, aproveite-se para percorrer as ruas de Moura. Sugerimos passar pela mouraria e pela zona das ruas floridas, descobrir a Igreja de São João Batista, Monumento Nacional, e subir ao castelo.
Vista do Castelo de Moura. Foto: Luís Barra
O roteiro gastronómico ficará para mais tarde, porque primeiro é preciso recuperar forças. O Hotel de Moura fica instalado no antigo convento da Ordem Hospitaleira de São João de Deus, fundado no século XVII e adaptado para Grande Hotel de Moura no ano de 1900. O nome de Amália Rodrigues faz parte da lista de hóspedes ilustres – da varanda do quarto 101, onde pernoitou, cantou aos mourenses que chamavam por ela da Praça Gago Coutinho, também conhecida por jardim dos mal-encarados.
Bendito azeite que chegas ao prato
Há coisa melhor do que começar uma refeição a molhar o pão num bom azeite? É assim em vários restaurantes da cidade, incluindo na Taberna O Barranquenho, que casa as tradições alentejanas com o vinho e os petiscos. Há três anos, o jovem Luís Rico deu nova vida a esta antiga tasca e transformou-a num lugar diferente dos que havia em Moura, evocando a tradição tauromáquica e o artesanato tradicional, na decoração, e o cante alentejano, todas as quintas-feiras com atuações de vários grupos e artistas. A carta, inspirada no receituário familiar, apresenta sugestões como os ovos com batatas e lascas de presunto, o frango frito da Avó Bia, bem temperado e crocante, e os saborosos calamares do Tio Estêvão.
Entradas e cozido de grão do restaurante O Molho. Fotos: DR
Em Moura, há bons sítios para comer, como o Andre’s, junto ao jardim dos mal-encarados. O negócio familiar, com André na sala e a mulher, Laura, na cozinha, é uma boa opção para os amantes de carne, seja uma posta do acém ou um t-bone de mertolenga, bem grelhado e suculento. Também servem um bom choco frito, no prato ou na versão sanduíche em bolo do caco, e um prego da alcatra, também em bolo do caco, e pratos do dia.
De portas abertas há mais de meio século, O Molho é uma referência da cozinha tradicional alentejana e mourense. A esta casa singela vai-se pelo sabor do cozido de grão com carne e chouriço, pelas costeletas de borrego bem fritinhas, pelo caldo de espinafres com bacalhau, ovo e queijo fresco, pelas migas de espargos com carne de porco preto. Os grelhados – lagartos, abanicos, plumas de porco preto – também são de levar em conta e chegam à mesa com gulosas batatas fritas caseiras.
Avios na mercearia
Com azeite, essencial na gastronomia portuguesa, e mais ainda na alentejana, faz-se o tradicional Bolo Podre e os biscoitos de azeite, uma bela açorda alentejana e migas gatas, conservam-se as azeitonas, para que se possam consumir durante todo o ano, e confeciona-se um gaspacho, que tão bem sabe no verão. Muitos destes pratos e doces provam-se nos restaurantes. mas também se levam para casa.
Azeite da Cooperativa Agrícola Moura e Barrancos. Foto: DR
Na centenária Casa Cavalheiro, do casal Manuel Luís e Gina, destacam-se os enchidos artesanais produzidos na casa e a variedade de artigos de artesanato, dos cestos de vime aos taleigos alentejanos. Já a mercearia catita de D. Amália e do Sr. Herberto Telo (na mesma praça do restaurante Andre’s) está recheada de produtos locais, dos bolos, enchidos e queijos aos vinhos e pão fresco. Trazer uma destas iguarias é uma boa forma de recordar esta viagem, cheia de aromas e sabores.
Entre o olival e a cidade: Pontos de paragem para explorar
Rota do Azeite
Olival tradicional > Estrada dos Escoteiros
Olival moderno > R. de São Sebastião
CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo > Pç. Gago Coutinho, 2
Jardim das Oliveiras > R. S. João de Deus, 17 > seg-dom 9h-12h30, 14h-17h30
Lagar de Varas do Fojo > R. S. João de Deus, 20 > T. 285 253 978 > seg-dom 9h-12h30, 14h-17h30 > grátis
Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos > R. Forças Armadas, 9 > T. 285 250 720
Loja da Herdade dos Coteis > R. de S. Lourenço, 4 > T. 285 253 363
Fora da rota
Andre’s > Pç. Gago Coutinho, 6A > T. 96 637 2119 > qui-seg 12h-15h, 19h-22h, qua 19h-22h
O Molho > R. Nova do Carmo, 11 > T. 285 252 895 > ter-dom 12h-16h
Taberna O Barranquenho > R. de S. Lourenço, 2 A > T. 96 146 3813 > qua-sex 11h-15h, 17h-1h, sáb-dom 11h-1h
Hotel de Moura > Pç. Gago Coutinho, 1 > T. 285 251 090 > a partir de €40
Loja da Esquina > Pç. Gago Coutinho, 14 > T. 92 512 4193 > seg-sex 7h30-13h, 15h-19h, sáb 7h30–13h
Casa Cavalheiro > Lg. da Latôa, 21 > T. 96 582 4974 > seg-sex 9h-13h, 15h-19h, sáb 9h-19h