A Google anunciou a ferramenta ‘Career Dreamer’ que analisa a experiência profissional, o currículo, capacidades e interesses dos utilizadores para os orientar na carreira. A solução usa Inteligência Artificial para ajudar a criar expressões de identidade que podem ser usadas para enriquecer os currículos ou mesmo para fornecer pontos de conversa que podem ser abordados em entrevistas de emprego. A ferramenta só está disponível, por agora, nos EUA, mas é possível aceder à mesma usando uma rede privada virtual (VPN).
O Career Dreamer mostra carreiras que se alinham com o passado e os interesses de cada pessoa, permitindo depois explorar esse conhecimento mais a fundo, oferecendo mais detalhes e explicações. A ferramenta está integrada com o Gemini da Google para permitir criar cartas de apresentação, currículos e explorar mais ideias. A funcionalidade não se destina a ajudar a encontrar anúncios de emprego propriamente, mas sim a explorar diferentes opções de carreira de forma mais eficiente.
“Durante o desenvolvimento, consultámos várias organizações que alcançam diferentes perfis de indivíduos, desde estudantes a chegar ao mercado, recém-licenciados à procura de emprego, adultos que procuram novas oportunidades, a comunidade militar, incluindo membros em transição, cônjuges de militares e veteranos. Se está pronto para uma mudança de carreira ou a questionar-se sobre o que existe no mercado, experimente o Career Dreamer”, explica o comunicado da Google.
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A gigante tecnológica cita um estudo do Fórum Económico Mundial que revela que uma pessoa tem, em média, 12 postos de trabalho ao longo da carreira e que a Gen Z deverá ter 18 empregos em seis carreiras diferentes.
Desde o ano 2000, os desastres climáticos provocaram 3,6 biliões (milhões de milhões) de prejuízos. Mas esta é só uma ínfima parte do que aí vem: com o agravamento das alterações climáticas, calcula-se que o PIB mundial caia cumulativamente de 16% a 22% até ao fim do século, devido aos eventos climáticos extremos.
A estimativa consta de um relatório da consultora BCG (Boston Consulting Group) e do Fórum Económico Mundial. O documento, intitulado “O custo da inação: um guia para os CEO navegarem no risco climático”, avisa que as medidas de ação climática em vigor são insuficientes para limitar o aumento da temperatura média global a 2º C face ao período pré-industrial e que os sinais de recuo em algumas políticas climáticas (a começar pela retirada dos EUA do Acordo de Paris) tornam o futuro ainda mais incerto.
As consequências para as empresas serão tremendas. “Os eventos climáticos extremos, como tempestades, inundações e incêndios florestais, danificam os ativos, interrompem as cadeias de abastecimento e reduzem a produtividade, especialmente nos serviços públicos, na agricultura, nas comunicações e noutros setores que dependem fortemente de infraestruturas físicas vulneráveis”, lê-se no relatório. “Os riscos relacionados com o clima expõem até 25% do EBITDA [lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização] a potenciais perdas nestes setores. Enfrentar estes desafios exige a adoção de medidas de resiliência robustas em todas as operações e cadeias de abastecimento.”
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O risco não é igual para todos os setores económicos nem para todas as regiões. Os setores da comunicação e das utilities (eletricidade, gás, água, etc) são os mais afetados, sobretudo em África, na Ásia e no Médio Oriente, que atingem o patamar máximo de perdas no EBITDA, na atual trajetória de aquecimento global. Na Europa, o potencial de perdas vai de 10% a 15% nestes dois setores e de 5% a 10% na construção e infraestruturas, materiais e alimentação e bebidas.
Além dos riscos associados a fenómentos extremos, as empresas têm ainda de contar com os custos da própria transição energética. Por exemplo, os impactos de uma transição rápida, que impliquem pesadas taxas de carbono até 2030, coloca em risco 50% do EBITDA no setor dos materiais e de 30% a 50% nos metais e mineração, indústria química e utilities, na Europa.
Em comunicado, Manuel Luiz, diretor e partner da BCG em Portugal, diz que os custos económicos das alterações climáticas dispararam nas últimas duas décadas e que os riscos continuam a crescer. “Para mitigar impactos e manter a competitividade, é essencial reduzir as emissões carbónicas e fortalecer a resiliência empresarial num mercado onde a sustentabilidade já não é uma escolha, mas uma exigência.”
É um caminho que dá frutos económicos, adianta o relatório. ”As empresas que avaliam de forma abrangente a sua exposição ao risco reportaram que os seus investimentos atuais em adaptação e resiliência podem gerar retornos de 2 a 19 dólares por cada dólar investido.”
Mas a própria transição está também a criar um mundo de oportunidades de negócio, devido à crescente procura de soluções de adaptação para infraestruturas e cadeias de abastecimento. “Prevê-se que a economia verde salte de 5 biliões de dólares em 2024 para mais de 14 biliões de dólares até 2030. Os pioneiros em energia renovável, transportes sustentáveis e produtos de consumo ecológicos podem ganhar vantagens competitivas e regulamentares substanciais, posicionando-se como líderes em mercados em rápida expansão.”
Os setores que mais deverão beneficiar deste crescimento são as energias alternativas, os transportes sustentáveis e os bens de consumo sustentáveis. Os crescimentos anuais nestes segmentos vão de 10% a 20%.
É frequente ouvir dizer que “o tempo voa” e é um cliché, mas a realidade é que, de repente, já estamos no segundo mês de 2025. Lembra-se do momento em que definiu as resoluções de ano novo? Cuidar melhor do corpo e da mente? Desacelerar ou, para alguns, socializar mais? Cuidar do planeta? Usar transportes públicos, fazer escolhas conscientes e consumir menos? E a nossa comunidade?
Precisamente neste contexto, proponho que o voluntariado faça parte dessa lista de boas intenções. Afinal, ele contribui para todas essas dimensões: melhora a nossa saúde física e mental e fortalece a sociedade, tornando-a mais justa, equilibrada e solidária.
O voluntariado é a expressão máxima da cidadania ativa e uma ferramenta poderosa para enfrentar os desafios locais e globais, como as alterações climáticas e as desigualdades sociais e económicas. Embora seja difícil medir o impacto financeiro desta atividade, estimativas apresentadas pela Fundação Eugénio de Almeida relatam que, quando se convertem as horas de trabalho voluntário em valor monetário, o contributo anual pode representar entre 2% e 3% do PIB em nações com elevada taxa de participação, como é o caso dos países nórdicos.
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Segundo o Instituto Nacional de Estatística, apenas 6% dos portugueses participa em atividades de voluntariado, colocando Portugal em 26º lugar entre os 28 países da União Europeia. Esse número torna-se ainda mais alarmante quando comparado com o dos Países Baixos e Malta, onde quase metade da população participa ativamente em diversas iniciativas e causas, demonstrando uma cultura de participação cívica profundamente enraizada.
Questiono-me frequentemente sobre os motivos desta baixa taxa de envolvimento. A resposta será multifatorial: horários de trabalho rígidos, o desafio de equilibrar carreira e vida familiar, o desconhecimento sobre as ações e os reais impactos das organizações não governamentais e cívicas e, talvez, uma ideia enraizada de “fazer o bem sem olhar a quem”, dificultando a divulgação e inspiração necessárias para multiplicar esse movimento. Se ninguém sabe que somos voluntários, como podemos motivar e inspirar outros a seguir o mesmo caminho? Partilhar as nossas histórias e vivências de impacto real e positivo nas comunidades pode ser precisamente a inspiração que outros precisam para se juntar a este movimento, tornando-o um motor de mudança social.
Faço orgulhosamente parte de uma equipa de voluntários que trabalha um ano inteiro para construir um evento onde damos palco a ideias e projetos com a capacidade de mudar o mundo, o nosso país, a nossa comunidade e a nossa forma de pensar. E acredito que esta é uma extensão natural da minha responsabilidade na sociedade: trabalhar em prol do bem comum.
O papel cívico de cada um de nós pode ir muito além do importantíssimo ato de votar nas eleições. A verdadeira cidadania ativa requer um envolvimento contínuo em iniciativas que promovam a justiça social e contribuam para um futuro mais sustentável. Por este mesmo motivo, proponho que o voluntariado seja como as resoluções de ano novo: válidas em dezembro e janeiro, ou em qualquer um dos outros meses do ano. Afinal de contas, sermos melhores para nós próprios e para os outros é mesmo intemporal.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.
Para fazer esta verificação de faturas na plataforma e-Fatura é necessário ter uma senha de acesso ao Portal das Finanças para cada membro do agregado familiar – incluindo as crianças. Caso não tenha uma senha de acesso esta deve ser criada.
Em seguida, na página inicial do e-fatura, os contribuintes devem selecionar a opção “Despesas dedutíveis em IRS” e depois em “Adquirente”. Será então necessário indicar o Número de Identificação Fiscal (NIF) e senha de acesso para o portal.
Após ser feito o acesso à plataforma, encontram-se as deduções provisórias em IRS por cada categoria de despesas, por exemplo, “Despesas Gerais Familiares”, “Educação” ou “Saúde”. As faturas devem estar associadas à categoria correta para garantir os valores corretos são contabilizados nas deduções fiscais de IRS.
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O portal assinala imediatamente quantas faturas tem pendentes e que devem ser validadas uma a uma, através do botão “Complementar Informação Faturas”. As faturas pendentes são o resultado de duas situações: o sistema não reconheceu em que categoria deve colocar a despesa ou o contribuinte é trabalhador independente e necessita de indicar se a despesa foi feita a título profissional.
Já para validar faturas que necessitam de receita médica para poder beneficiar da respetiva dedução, basta clicar em “Associar Receita” e indicar o valor que é relativo à despesa com receita médica.
A Niantic chegou a ter uma valorização de nove mil milhões de dólares, em 2021, mas está agora a considerar vender a divisão de jogos que criou, entre outros títulos, Pokémon Go. Apesar de a aplicação ainda ter muitos jogadores ativos, longe vão os tempos do pico da pandemia, quando mais de 230 milhões de pessoas andavam a caçar Pokémon em realidade aumentada. Agora, os números mostram cerca de 80 milhões de utilizadores mensais. A receita também caiu desde esses tempos, quando chegou a quase mil milhões de dólares por ano, para metade.
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a venda da divisão de jogos da Niantic pode realizar-se por 3,5 mil milhões de dólares.
A Niantic tentou replicar o sucesso de Pokémon Go com outras aventuras em realidade aumentada, mas Harry Potter: Wizards United, NBA All Word, Pikmin Bloom e Monster Hunter Now não conseguiram alcançar os mesmos níveis de sucesso.
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A empresa despediu 8% da força de trabalho e cancelou quatro projetos em 2022, tendo depois terminado contrato com mais 230 trabalhadores no ano seguinte. Entre os compradores interessados na divisão de jogos está a Scopely, detida pelo Savvy Games Group, ligado ao fundo de investimento público da Arábia Saudita e que já detém participações na EA, Activision, Nintendo e outras.
“Após consulta e exame dos autos, entendemos que o processo deverá transitar para a fase de julgamento, não requerendo, portanto, a instrução”, disse esta quinta-feira à agência Lusa o advogado Ricardo Serrano Vieira, que defende o polícia acusado do crime de homicídio.
A instrução é uma fase facultativa que visa decidir se o processo segue para julgamento e em que moldes.
Como os factos ocorreram na Comarca de Lisboa Oeste, o julgamento deverá decorrer no Tribunal de Sintra.
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Em final de janeiro, o Ministério Público acusou do crime de homicídio, punível com pena de prisão de oito a 16 anos, o agente da PSP que, na madrugada de 21 de outubro de 2024, baleou Odair Moniz no bairro da Cova da Moura, no concelho da Amadora, desencadeando tumultos em várias comunidades da área metropolitana de Lisboa.
Segundo a acusação, a que a Lusa teve acesso, Odair Moniz – cidadão cabo-verdiano de 43 anos residente no vizinho Bairro do Zambujal – tentou fugir da PSP e resistir à detenção, mas não se verificou qualquer ameaça com recurso a arma branca, contrariando o comunicado oficial divulgado pela Direção Nacional da PSP, segundo o qual o homem teria “resistido à detenção” e tentado agredir os agentes “com recurso a arma branca”.
O MP pediu também a extração de certidão para investigação autónoma da alegada falsificação do auto de notícia da PSP, considerando que o mesmo “padece de incongruências e de inexatidões” relativamente à sua autoria e às horas a que foi elaborado.
Na acusação, o MP pediu ainda a suspensão do agente como medida de coação e também que seja aplicada uma pena acessória, já em fase de condenação, de proibição de exercício de função. Neste momento, o agente da PSP está de baixa e sem data para regressar ao trabalho, tendo sido transferido da esquadra onde estava no momento do crime.
A maioria dos portugueses com doenças crónicas – três em cada quatro que participaram no maior inquérito internacional sobre o uso dos serviços de saúde – avalia positivamente a sua saúde mental, mas o resultado deixa o País, ainda assim, como o pior da OCDE neste campo.
Segundo os dados do estudo Patient Reported Indicators Surveys (PaRIS), hoje apresentado em Lisboa e que em Portugal envolveu mais de 12.000 pessoas com doenças crónicas e 91 centros de saúde, 67% dos utentes avaliaram positivamente a sua saúde mental.
Apesar dos valores abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) em indicadores como a saúde mental e a confiança no sistema, por exemplo, o sub-diretor-geral da Saúde para a área da Saúde Pública, André Peralta, em declarações à Lusa, destaca “alguns valores absolutos relativamente bons”.
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“Por exemplo, quase 60% das pessoas com doenças crónicas em Portugal dizem ter uma boa saúde física, se tivermos em consideração a mobilidade, a presença de dor e a fadiga”, diz o responsável, apesar de reconhecer que o valor está, ainda assim, abaixo da média da OCDE (70%).
Em Portugal, 61% dos inquiridos reportaram um bem-estar positivo (71% na OCDE) e menos de metade (42%) consideraram a sua saúde geral boa, abaixo dos 66% da média dos países da OCDE que participaram no PaRIS.
Apesar de alguns valores negativos, o estudo aponta vários dados positivos em comparação com os restantes países. Por exemplo, 97% dos utentes portugueses com duas ou mais doenças crónicas tiveram uma “abordagem multidisciplinar”, ou seja, não exclusivamente médica (83% na OCDE).
A este respeito, André Peralta destaca a tradição de Portugal relativamente aos cuidados de saúde primários, sublinhando: “as pessoas não têm só um médico, têm um médico, um enfermeiro de família, um assistente técnico que ajuda na marcação das consultas e é esta equipa que gere a saúde da pessoa”. “Isso não é assim em todos os países da OCDE e acho que devemos ver isso como um aspeto positivo”, acrescenta.
Outro dado positivo indica que, em Portugal, 71% dos utentes com três ou mais doenças crónicas tiveram a sua medicação revista nos últimos 12 meses (75% na OCDE).
A Apple anunciou o iPhone 16e, o mais recente membro da família iPhone 16. O dispositivo promete velocidade, eficiência energética e recursos inovadores, incluindo o novo chip A18, numa versão com quatro núcleos, o modem celular Apple C1 e o sistema de inteligência artificial Apple Intelligence. O ecrã é de 6,1 polegadas, o mesmo que já era usado no iPhone 16 de entrada.
“O iPhone 16e inclui os recursos que os utilizadores adoram na linha iPhone 16, como bateria de longa duração, desempenho rápido com o chip A18 de última geração, um sistema de câmara 2 em 1 inovador e o Apple Intelligence”, referiu Kaiann Drance, vice-presidente de marketing mundial de produtos iPhone da Apple. “Estamos muito entusiasmados com o facto de o iPhone 16e completar a linha como uma opção poderosa e mais acessível para levar a experiência do iPhone a ainda mais pessoas”.
O iPhone 16e estará disponível em duas cores mate, preto e branco, com a opção de capas coloridas para personalização. As pré-encomendas começam esta sexta-feira, dia 21 de fevereiro, com disponibilidade geral a partir de sexta-feira, 28 de fevereiro.
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IA privada, garante a Apple
A Apple destaca o Apple Intelligence como um avanço na privacidade em Inteligência Artificial. O sistema foi concebido para proteger os dados dos utilizadores, com processamento no dispositivo e Private Cloud Compute para tarefas mais complexas. Segundo a Apple, “muitos dos modelos que alimentam o Apple Intelligence são executados inteiramente no dispositivo”. Para solicitações que exigem maior poder de processamento, o Private Cloud Compute garante que os dados dos utilizadores “nunca são armazenados ou compartilhados com a Apple; são usados apenas para atender à sua solicitação”.
O iPhone 16e apresenta o novo Botão de Ação, permitindo personalizar atalhos para diversas funções, como ativar a câmara, lanterna, Shazam, notas de voz e recursos de acessibilidade. O Botão de Ação também desbloqueia a inteligência visual, que permite aos utilizadores obter informações sobre objetos, traduzir texto, identificar elementos em imagens e realizar pesquisas na web.
Alguns dos efeitos permitidos pela IA
Câmara “2 em 1”
O iPhone 16e inclui uma câmara principal de 48 megapíxeis com zoom de 2x integrado, prometendo fotos com grande detalhe. O dispositivo também oferece recursos de gravação de vídeo 4K com Dolby Vision e áudio espacial.
Foto cedida pela Apple para exemplificar as capacidades fotográficas do iPhone 16e
O iPhone 16e inclui funcionalidades de conectividade via satélite, permitindo comunicação em situações de emergência ou fora da cobertura de rede móvel.
A Apple reforça ainda o compromisso com a sustentabilidade, com o iPhone 16e a ser fabricado com mais de 30% de materiais reciclados. O dispositivo faz parte da iniciativa “Apple 2030”, que visa tornar a empresa neutra em carbono até ao final da década.
Em Portugal, no site da Apple, o preço começa nos €739, um valor muito acima dos cerca de 599 dólares (sem impostos) anunciados nos Estados Unidos. O valor base dá aceso à versão com 128 GB de capacidade. As versões de 256 e 512 GB custam, respetivamente, €869 e €1119.
Para quem ia acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas, segundo promessa eleitoral, Donald Trump parece estar a sentir-se bastante impotente ao fim de um mês na Casa Branca. Bem ao seu estilo, como qualquer criança birrenta quando não consegue o que quer, esperneia, choraminga e provoca quem não lhe faz as vontades, tocando em pontos sensíveis, à procura de atenção. Sendo ele o homem mais poderoso do planeta, por inerência do cargo que ocupa desde 20 de janeiro, não haverá ninguém no mundo que o faça melhor do que ele, honra lhe seja feita.
Com a Rússia invasora, as negociações até seguem a bom ritmo, na perspetiva do presidente dos EUA, alicerçada nas conversas telefónicas que tem mantido com Vladimir Putin e no encontro recente dos responsáveis dos Negócios Estrangeiros de ambos os países, Mark Rubio e Serguei Lavrov, na Arábia Saudita.
Ilhas de lixo, praias interditas, rios contaminados. Ninguém gosta de imaginar cenários como estes – e muitos mais poderiam ser mencionados. Mas a preocupação com a redução da poluição e da contaminação da água, do ar e dos solos tem vindo a crescer tanto entre a sociedade como entre as entidades administrativas.
Foi neste contexto que nasceu a Azulfy, uma empresa portuguesa fundada em fevereiro de 2023 com o objetivo de fornecer soluções às Câmaras Municipais para monitorizar o mar, rios e barragens. Tudo começou em 2022, quando Fernando Bebiano Correia, diretor executivo (CEO) da empresa, participou numa maratona de programação (hackathon) organizada pelo Cassini, um fundo de investimento europeu dedicado ao setor espacial. Este evento, com a duração de 72 horas, reuniu programadores, designers e especialistas em negócios, desafiando-os a desenvolver e apresentar um projeto inovador num curto espaço de tempo.
Fernando Bebiano Correia é o diretor executivo (CEO) da Azulfy
Foi durante esta hackathon que Fernando Bebiano Correia conheceu Gustavo Dalmarco (diretor de tecnologia) e Jonatan Arboleda (diretor de operações). O trio, que o destino quis juntar, trabalhou em conjunto ao longo de três dias no projeto denominado “Green Travel Spots” e acabou por vencer a versão portuguesa do evento. Posteriormente, foram selecionados, para na semana seguinte, representar Portugal numa hackathon europeia, na qual a ideia da Azulfy começou a ganhar forma.
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Durante a competição, apresentaram o projeto e conquistaram o reconhecimento dos júris, terminando em segundo lugar. Em entrevista à Exame Informática, Fernando Bebiano Correia recorda: “Ao longo do evento, recebemos feedback positivo de várias pessoas, incluindo dos próprios júris, que nos questionaram se seria mesmo possível monitorizar e identificar a poluição utilizando satélites no Espaço”. A atribuição do segundo lugar trouxe não só um prémio monetário, condicionado à criação de uma empresa para que pudesse ser atribuído, mas também cinco meses de mentoria, fundamentais para desenvolver e consolidar o projeto.
Como monitorizar a qualidade da água?
Atualmente, a medição da poluição da água baseia-se, na maioria dos casos, na recolha de amostras locais, conhecidas como amostras in situ, assumindo-se que estas representam toda a área circundante. No entanto, esta metodologia tem limitações e pode não refletir a realidade de forma precisa. “Isto é o que se faz na qualidade das águas balneares, na medição da concentração de dióxido carbono através de sensores ou na deteção de gases em áreas industriais. No entanto, sabemos, graças à tecnologia, que esta premissa nem sempre se verifica,” explica Fernando Bebiano Correia.
De facto, numa mesma praia podem existir manchas de poluição intensas ao lado de zonas de água perfeitamente limpa. Assim, a exatidão da medição depende inteiramente do local onde é recolhida a amostra, o que pode resultar em erros com potenciais consequências graves. “Um falso negativo é perigoso porque coloca a saúde pública em risco, mas um falso positivo pode resultar no encerramento desnecessário de uma praia, afetando a economia local,” acrescenta o diretor executivo da Azulfy.
Por essa razão, a empresa aposta numa abordagem diferente e utiliza imagens de satélite disponibilizadas diretamente pela Agência Espacial Europeia (ESA no acrónimo em inglês), sobre as quais são aplicados algoritmos para identificar diferentes variáveis, como presença de plástico, transparência da água, matéria orgânica, petróleo, carbono orgânico dissolvido, clorofila e coloração da água.
O software desenvolvido pela empresa vai alertar os clientes quando detetar níveis excessivos de poluição na água
O produto desenvolvido pela Azulfy é um SaaS (Software como serviço), ou seja, trata-se de uma aplicação alojada na nuvem, acessível via internet, sem necessidade de instalação local. A tecnologia baseia-se nos dados recolhidos pela constelação Copernicus, da ESA, que inclui vários satélites equipados com câmaras hiperespectrais, capazes de captar imagens detalhadas da superfície terrestre. “Usamos essas fotografias e os algoritmos da Agência Espacial Europeia para identificar diferentes variáveis de poluição, sobretudo quando existem concentrações acima dos níveis de segurança,” acrescenta o diretor executivo da Azulfy.
Uma das grandes inovações da empresa reside na forma como disponibiliza esta tecnologia. Isto, porque no setor do Espaço, quando governos locais, administrações centrais ou grandes empresas necessitam de soluções de observação da Terra, estas costumam ser desenvolvidas à medida, resultando em projetos altamente personalizados, demorados e extremamente dispendiosos.
O projeto da Azulfy destaca-se por disponibilizar uma solução de fácil acesso. Para isso, foi essencial compreender especificamente as necessidades das Câmaras Municipais, que são o principal foco da empresa desde o início do projeto. Segundo Fernando Bebiano Correia, “começámos esta ideia com base no feedback do nosso mercado-alvo e mantivemos essa filosofia ao longo de todo o desenvolvimento, em colaboração com três Câmaras Municipais”, explica. No entanto, prefere não revelar quais os municípios envolvidos nos testes. A interface foi desenvolvida especificamente para responder às exigências das autarquias, garantindo uma ferramenta eficiente e adaptada à realidade da gestão ambiental.
O custo do serviço
Uma fotografia de satélite adquirida no mercado privado pode custar entre “3.000 e 3.500 euros”, de acordo com o líder da startup. Mas a Azulfy vai comercializar o serviço por 1.650 euros mensais (19.800 euros anuais), disponibilizando entre 15 a 30 imagens por mês, já processadas por algoritmos que identificam todas as variáveis de poluição.
“O nosso programa não entrega apenas as imagens, corremos os algoritmos e geramos alertas automáticos para as autarquias,” explica Fernando Bebiano Correia. A plataforma desenvolvida pela empresa centraliza toda a informação, permitindo que as Câmaras Municipais recebam notificações em tempo real sempre que há níveis de poluição acima do limite seguro. “As imagens demoram cerca de 12 horas a chegar à Terra, mas assim que entram na plataforma e se houver algo relevante, a autarquia recebe a informação em minutos”, acrescentou.
Ideias futuras
A empresa, que nesta fase conta apenas com os três sócios, quer expandir-se através de um marketplace (mercado digital, em tradução livre) de algoritmos, permitindo que investigadores desenvolvam soluções específicas para necessidades das autarquias. “Uma câmara pode contratar especialistas para criar algoritmos personalizados diretamente na nossa plataforma, adaptando a análise a variáveis específicas,” acrescenta o responsável de 43 anos, a pensar no futuro.
Com uma abordagem atualmente centrada nas Câmaras Municipais, a Azulfy pretende colocar o produto no mercado num futuro muito próximo e começar a atrair os primeiros clientes. O objetivo é disponibilizar ferramentas inovadoras que permitam monitorizar a poluição, contribuindo para um planeta mais sustentável. Só o futuro dirá se esta solução irá moldar o caminho para um mundo mais verde e saudável.