Há cinco anos, começava uma longa saga. Para os mais cumpridores das recomendações das autoridades de saúde, ir ao supermercado era uma aventura. Até ir pôr o lixo à rua, na verdade.
Hoje dizemos com naturalidade “acho que tive Covid outra vez”, há cinco anos, a tarefa principal dos dias era garantir que não se corria esse risco.
Nesses primeiros dias, havia que tentar a mentalização de que aquilo era o novo normal. Não ultrapassar as linhas do conselho sem uma justificação das incluídas na lista das admissíveis; lidar com a irritação perante quem usava a máscara abaixo do nariz; fazer compras online; interromper o teletrabalho para ir buscar os rolos de papel higiénico e tupperwares que os professores das aulas virtuais na televisão pediam; ajudar com as aulas da escola através do computador; a desinfeção; o distanciamento; as perdas; mais tarde, os boletins diários com o número de casos e mortes; passar do acreditar que seriam só duas semanas para perceber que a vida seria assim nos tempos seguintes.
Entre a desconfiança, o medo (alguns), a dúvida (outros), as rotinas novas, o pão, os arco-íris. Outra vida.
Sejamos francos: o segundo telefonema correu «muito bem» para Trump, segundo o próprio, mas a reação de Zelensky pareceu menos eufórica. Pois, já adivinhávamos. O invadido não conta nas negociações, o que não deixa de ser uma total bizarria. Ou há conversas diretas, olhos nos olhos, com mediação, ou as coisas não correrão bem.
Aliás, Zelensky é o primeiro a afirmar que Putin nunca cumpriu o que assinou no passado com a Ucrânia, e essa desconfiança tem fundamento. Um cessar-fogo parcial, extremamente limitado, não terá um impacto visível na guerra, nem na troca de mísseis, antimísseis e drones. Daí o desalento.
Há, contudo, uma grande novidade neste segundo telefonema, algo que faz parte da índole de Trump, no seu modo de feirante: sugeriu, pediu, e praticamente impôs a ideia de que os Estados Unidos deveriam ficar responsáveis pela gestão de todas as centrais nucleares e infraestruturas energéticas da Ucrânia. Para Trump, a paz vale muito dinheiro. Não há borlas nem gestos de boa vontade. Isso era dantes.
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Zelensky não foi muito explícito na descrição da conversa, que dificilmente poderia ter sido tão favorável como a de Putin, que ficou com os foguetes e com as canas. Ainda assim, desempenhou bem o seu papel ao aceitar os primeiros passos, sem nunca abrandar o ritmo dos combates e das batalhas de drones, que já chegam a Moscovo.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.
ChatGPT
Foi a primeira aplicação a ser usada de forma gratuita e, assim que ganhou reputação internacional, muitas das empresas tecnológicas quiseram criar soluções semelhantes. Lançado em novembro de 2022 pela OpenAI, o ChatGPT consegue realizar inúmeras tarefas, como conversação ou resolver complicados problemas matemáticos.
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No final do ano passado, já contava com mais de 200 milhões de utilizadores. Em janeiro deste ano, a aplicação criou o Operators, uma função que permite fazer compras online, marcar hotéis ou encomendar comida. No entanto, esta função apenas está disponível para os utilizadores Pro, ou seja, mediante uma mensalidade de 190 euros.
DeepSeek
Em apenas um mês, conseguiu mais de 40 milhões de novos utilizadores, tornando-a a aplicação de Inteligência Artificial com maior crescimento de sempre.
Além de ter a sua informação limitada até julho de 2024, a aplicação tem sido algo controversa. Primeiro, pelo algoritmo de autocensura que pode desvirtuar a conversação em temas como, por exemplo, a política chinesa.
Numa segunda fase, esteve envolvida em suspeitas sobre a forma como utilizava os dados pessoais dos seus subscritores, o que levou alguns países, como a Coreia do Sul, Austrália e Taiwan, a suspender o download da aplicação enquanto analisavam a forma como os dados eram processados.
Gemini
A aplicação de Inteligência Artificial generativa da Google é considerada uma das melhores para apoio escolar. Por exemplo, em testes feitos com várias destas aplicações, foi pedido para serem criados exercícios com equações. Todas as aplicações deram exemplos, alguns apenas básicos, outros já com as respostas incluídas.
O Gemini não só mostrou o que era pedido como criou perguntas com vários níveis e ainda deu dicas sobre quais as melhores formas para colocar os problemas aos alunos, tornando-se uma ferramenta de muita utilidade para professores.
O Gemini está disponível de forma gratuita ou através de uma subscrição de 19,90 euros, por mês, no caso do Gemini Advance, que disponibiliza funcionalidades mais complexas.
Copilot
Em fevereiro de 2023, a Microsoft revelou uma grande transformação no motor de busca Bing com a introdução de Inteligência Artificial. Em outubro, volta a fazer melhorias tornando a interação entre homem e computador mais simples, nomeadamente a capacidade de conversação, e dá-lhe o nome de Copilot. O sistema utiliza a tecnologia GPT-4 Turbo, ou seja, a similar à do ChatGPT, que funciona com GPT-4o.
Atualmente, a Microsoft está a integrar a Inteligência Artificial em todos os sistemas em que opera. Por exemplo, há alguns meses, lançou um novo plugin para smartphones na versão web do Copilot, o que permite aceder a conteúdos Android. Agora, prepara-se para introduzir o Copilot na consola de jogos Xbox, que irá dar conselhos durante os jogos ou gerir outras tarefas quando se termina ou começa um jogo.
Meta AI
“Este será o ano em que um assistente de IA, altamente inteligente e personalizado, alcançará mais de mil milhões de pessoas, e espero que a Meta AI seja esse assistente líder”, disse Mark Zuckerberg em janeiro, durante a teleconferência para apresentação de resultados do quarto trimestre da empresa.
Atualmente, o Meta AI, ao contrário das ferramentas concorrentes de Inteligência Artificial generativa, está apenas disponível como um serviço opcional dos principais produtos da Meta, como o FaceBook, Whatsapp e Instagram, o que traz sérias limitações ao seu funcionamento.
A ideia da Meta é criar agora uma aplicação própria para Inteligência Artificial que funcionará como empresa separada. O lançamento deverá acontecer já no segundo trimestre deste ano e Zuckerberg está apostado em tornar-se líder mundial desta tecnologia até ao final de 2025.
Quark
Pertence ao gigante chinês Alibaba e lançou recentemente uma nova versão da App que a torna um assistente de Inteligência Artificial completo, pois permite a função de Chatbot e a realização de pesquisas e pensamentos complexos, conseguindo realizar tarefas que vão desde pesquisa académica até à elaboração de documentos, geração de imagens, apresentações, diagnósticos médicos, planeamento de viagens e resolução de problemas.
“Este upgraded do Quark é só o começo. À medida que as capacidades do nosso modelo forem evoluindo, nós iremos ter uma aplicação que será uma porta de entrada para possibilidades inimagináveis, através da qual as pessoas poderão explorar praticamente tudo”, disse Wu Jia, CEO da Quark e vice-presidente do Grupo Alibaba.
Perplexity
É uma das aplicações mais usadas por estudantes ou profissionais de setores que necessitam saber de onde a informação foi obtida ou ter a certeza da sua veracidade. O sistema pesquisa a informação na internet em tempo real e utiliza posteriormente o seu modelo de Inteligência Artificial para converter os resultados num relatório fundamentado. Além disso, cita todas as fontes que usa na pesquisa. Como resultado, a aplicação fornece um documento extenso, que pode ter dezenas de páginas com tópicos elaborados, resumo e conclusão.
Esta forma de operar torna a aplicação mais lenta que alguns dos seus concorrentes. O Perplexity está disponível em versão gratuita, que é limitada a um determinado número de pesquisas diárias. Já a versão paga permite uma utilização ilimitada.
Claude
Lançou a sua mais recente atualização, no final do ano passado, com a funcionalidade de “uso de computador” através do qual o assistente cumpre instruções complexas, sendo inclusive capaz de interagir diretamente com as aplicações do computador, como “olhar para o ecrã, mover o cursor, clicar em botões e escrever texto”.
Criada pela empresa Antrophic, a Claude destacou-se pela sua capacidade de visão e de linguagem que permitem analisar ao detalhe todos os elementos de uma imagem, dando-lhe a possibilidade de, por exemplo, transcrever ao pormenor uma foto ou um gráfico.
Está disponível na versão gratuita, e nas pagas Pro e Team. A primeira é focada no uso de clientes individuais, enquanto a segunda visa o mercado empresarial.
Tulu 3
Lançado pela Ai2, o Tulu 3 tem vindo a ganhar peso dentro do mercado da Inteligência Artificial generativa. Com uma abordagem inovadora para o desenvolvimento de IA, o Tulu 3 adota um design de código aberto que permite uma maior colaboração e escrutínio das fontes que utiliza para dar as suas respostas, tornando-o num sistema mais inclusivo e eficaz para um público em geral.
Com base nesta abordagem, a aplicação consegue explicar aos utilizadores como tomou a decisão para chegar a uma determinada resposta. Segundo a Ai2, esta interação permite uma maior clareza e ajuda a ganhar confiança por parte do utilizador, tornando-o um sistema mais justo, inclusivo, prático, ético e confiável.
Ernie X1
Lançada no passado domingo, 16, é talvez a mais jovem aplicação para Inteligência Artificial disponível no mercado. Pertence à empresa chinesa Baidu, a líder de pesquisas na internet naquele país, e funciona de forma semelhante ao DeepSeek.
O seu modelo de raciocínio suporta várias ferramentas, incluindo pesquisa avançada, perguntas e respostas sobre documentos, entendimento da imagem, geração de imagens da IA, interpretação de código, leitura da página da web, entre outros. A Baidu pretende, a partir de 30 de junho, tornar a sua tecnologia Ernie em código aberto, o que poderá permitir a sua integração em outros serviços.
Jasper
Mais do que um chatbot de Inteligência Artificial, o Jasper é considerado uma das melhores ferramentas de escrita atualmente existentes. Utiliza processamento de linguagem natural e vai aprendendo à medida que interage com o utilizador. Para muitos profissionais, esta é a aplicação perfeita para pessoas que lidam com a criação de conteúdos, como técnicos de marketing, bloggers, entre outros.
Segundo os especialistas, os textos produzidos pelo Jasper são originais e exclusivos, sem qualquer tipo de plágio das fontes de informação a que recorre para a sua pesquisa profunda. A aplicação integra-se perfeitamente no Chrome ou no Edge, permitindo que as ferramentas de IA sejam utilizadas diretamente nos seus fluxos de trabalho.
Chatsonic
Surgiu em 2023 e prometia, na altura, ser um dos principais concorrentes do ChatGTP. A empresa descreve-o como “o seu tudo-em-um chatbot de Inteligência Artificial, que combina outros modelos líderes (ChatGPT, Claude e Gemini) com soluções de marketing, como a Ahrefs ou a WordPress, para uma melhor produtividade. Pesquisa, criação e publicação de conteúdos serão mais fáceis com o Chatsonic, que é mais do que uma simples alternativa ao ChatGPT”.
Atualmente, é mais utilizado pelos profissionais de marketing, devido às suas capacidades de eliminar tarefas corriqueiras, que acabam por consumir muitas horas aos trabalhadores deste setor.
Idade: 40 Empresa: Meta Ano da fundação: 2004 Valor: €2,19 biliões Produtos: Redes sociais Gere três das maiores empresas tecnológicas do planeta – Facebook, WhatsApp e Instagram – e está a desenvolver diversas formas de Inteligência Artificial.
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Elon Musk
Idade: 53 Empresa: Space X Ano da fundação: 2002 Valor: €350 mil milhões Produtos: Tecnologia espacial Além da Space X, a maior empresa privada aeroespacial, Musk tem ainda interesses na Tesla e na Open AI, empresa responsável pelo ChatGPT.
Jeff Bezos Idade: 61 Empresa: Amazon Ano da fundação: 1994 Valor: €2,07 biliões Produtos: Comércio eletrónico O fundador de uma das maiores empresas de comércio eletrónico dedica cada vez mais o seu tempo à empresa aeroespacial Blue Origin.
Satya Nadella Idade: 57 Empresa: Microsoft Ano da fundação: 1975 Valor: €2,89 biliões Produtos: Software Lidera a Microsoft, fundada por Bill Gates, uma das empresas mais ativas no desenvolvimento de IA, nomeadamente com o Microsoft Copilot.
Jensen Huang Idade: 62 Empresa: Nvidia Ano da fundação: 1983 Valor: €2,93 biliões Produtos: Semicondutores Cofundador da Nvidia, empresa que produz os melhores semicondutores. para IA
Tim Cook Idade: 64 Empresa: Apple Ano da fundação: 1976 Valor: €3,22 biliões Produtos: Eletrónica Gere a empresa tecnológica mais valiosa do mundo. Homem da casa, escolhido por Steve Jobs, assumiu a liderança em 2011, pouco antes da morte de Jobs.
Sundar Pichai Idade: 52 Empresa: Alphabet Ano da fundação: 1998 Valor: €2,02 biliões Produtos: Motor de busca Controla um conglomerado de grandes empresas tecnológicas, que incluem a Google, Android, YouTube, entre outras.
Liang Wenfeng Idade: 40 Empresa: DeepSeek Ano da fundação: 2023 Valor: – Produtos: Inteligência Artificial O criador da DeepSeek começou a sua carreira nas apps financeiras. Em 2019, lançou a High-Flyer AI que chegou a gerir mais de 10 mil milhões de euros.
Zhang Yiming dade: 42 Empresa: ByteDance Ano da fundação: 2012 Valor: €400 mil milhões Fundou a ByteDance em 2012 e, mais tarde, foi responsável pelo desenvolvimento da rede social TikTok, o que fez dele o homem mais rico da China.
Wang Xingxing Idade: 35 Empresa: Unitree Ano da fundação: 2016 Valor: €1,1 mil milhões Produtos: Robots Humanoides Na adolescência, tinha como hobby construir modelos de aviões. Mais tarde, passou para os foguetes e, atualmente, gere uma das maiores empresas de robótica do mundo.
Wang Tao Idade: 45 Empresa: DJI Ano da fundação: 2006 Valor: €11 mil milhões Produtos: Drones Mais conhecido por Frank Wang, este engenheiro aeroespacial controla cerca de 90% do mercado mundial de drones equipados com sistemas de fotografia e vídeo, usados em várias atividades.
Jack Ma Idade: 60 Empresa: Alibaba Ano da fundação: 1999 Valor: €329 mil milhões Produtos: Comércio online Apesar dos seus atritos com o executivo chinês, Jack Ma foi agora chamado pelo governo para assumir um papel ativo na “guerra fria” da IA.
A guerra pelo domínio da Inteligência Artificial (IA) está ao rubro e as grandes potências investem vastos recursos para não perder a corrida. Até agora, esta era uma tecnologia dominada pelos norte-americanos. A começar pelo lançamento do ChatGPT, o primeiro chatbot de IA, criado pela OpenAI, que se tornou um elemento quase indispensável para quem queria aceder a este novo e fascinante recurso tecnológico.
Mas não só. Os EUA tinham consigo o fabrico de semicondutores avançados, indispensáveis para a IA, nomeadamente da Nvidia, empresa que se tornou uma das mais valiosas do mundo devido à capacidade dos seus chips. E, por outro lado, tinha as poderosas Big Tech, como a Google, Apple, Meta e Amazon, que começaram a desenvolver os seus modelos de IA. E para reforçar ainda mais a força destes empresários, surgiu um novo Presidente norte-americano, Donald Trump que depressa se tornou um forte aliado das ambições dos líderes das grandes tecnológicas.
Foto: Simon Lehmann/Dreamstime.com
Bastou olhar para a cerimónia da sua tomada de posse, na qual o novo Presidente se fez rodear de nomes como Mark Zuckerberg, dono da Meta, Jeff Bezos, fundador da Amazon, Sundar Pichai, CEO da Google, e o seu aliado Elon Musk, o homem mais rico do mundo, dono da Space X e um dos fundadores da OpenAI.
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Com todo este poderio financeiro, capacidade tecnológica e apoio do líder da maior potência do mundo, esta parecia uma guerra sem história.
Mas, em janeiro deste ano, tudo mudou. Uma simples notícia de que uma empresa chinesa, que até então poucos conheciam, conseguiu em apenas um mês conquistar mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo com o seu novo modelo de IA generativa, o DeepSeek-R1, superando em muitos aspetos as grandes inovações norte-americanas, causou uma verdadeira hecatombe na supremacia norte-americana da IA.
Mais surpreendente foi o facto desta nova aplicação ter sido feita por uma pequena e ágil startup sediada em Hangzhou, na China.
Fundada, em 2023, por Liang Wenfeng, a Hangzhou DeepSeek Artificial Intelligence Basic Technology Research existia há menos de dois anos antes de deixar a sua marca no cenário global. O que diferenciou o DeepSeek não foi apenas a sua habilidade técnica, mas a audácia com que chegou ao mercado com um produto que custou apenas uma fração do investimento feito pelos gigantes da tecnologia dos EUA para conseguirem chegar a um resultado semelhante.
Efeitos colaterais
Os efeitos de cascata não se fizeram esperar. O índice Nasdaq, que agrupa as maiores empresas tecnológicas dos EUA, perdeu mais de 3% em dois dias, e as ações da Nvidia baixaram quase 17%, o que representou uma quebra do valor da empresa de quase 600 mil milhões de dólares, a maior perda da história de uma empresa em bolsa.
A reação norte-americana foi imediata e Donald Trump assinou o projeto Stargate, um programa que servirá para acelerar esta nova tecnologia, com uma verba total de 500 mil milhões de dólares, quase duas vezes o PIB português.
O foco do Stargate será a construção de centros de dados avançados, necessários para o aperfeiçoamento de modelos de IA, e o desenvolvimento das soluções de energia que estes precisam para operar.
Numa nota revelada recentemente, a OpenAI diz que os investimentos em infraestrutura de IA nos EUA visam garantir que os modelos e aplicativos de IA norte-americanos ganhem vantagem sobre a tecnologia chinesa.
Trata-se de uma “estratégia fundamental” para garantir que os EUA sejam um destino atraente para investidores de IA de todo o mundo, afirma o documento. Há 175 mil milhões de dólares em fundos globais atualmente à espera de serem investidos em projetos de IA. “Se os EUA não atraírem esses fundos, eles fluirão para projetos administrados pela China ‒ fortalecendo a influência global do Partido Comunista da China”, escreve a OpenAI.
Donald Trump também já se comprometeu a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para criar novos centros de dados.
“Queremos que isso aconteça neste país e queremos torná-lo acessível”, disse o Presidente norte-americano, nomeando explicitamente a China como rival.
Mas, do outro lado do Pacífico, o mercado de Inteligência Artificial está a passar por um crescimento sem precedentes. Por um lado, devido à grande população do país e, por outro, pelo apoio que o governo tem dado para novos investimentos em avanços tecnológicos.
E este foco na investigação e desenvolvimento de IA, acabou por fazer da China o líder global em número de utilizadores.
Além disso, a combinação única de uma força de trabalho altamente qualificada e uma grande base de consumidores levou à implementação bem-sucedida de tecnologias de IA em vários setores, como na saúde, finanças e indústria.
Uma nova força
E a DeepSeek não está sozinha nesta guerra. Outras pequenas startups estão a dar cartas em matéria de IA ou em tecnologias associadas, como é o caso da Unitree, empresa que desenvolve robôs humanoides, ou a Manycore, que atua na área da inteligência espacial. Estas três estão todas sediadas em Hangzhou, uma espécie de Silicon Valley chinês, e fazem parte de uma geração de novas startups, os chamados “tigres da tecnologia”, que ganham peso em diversas tecnologias.
E o governo chinês não baixa os braços e parece disposto a tudo. Recentemente, o Presidente da China, Xi Jinping, chamou de novo o fundador da Alibaba, o magnata Jack Ma, para ter um papel ativo nesta luta tecnológica. Uma decisão que não terá sido fácil para o líder chinês, tendo em conta que Jack Ma teria, alegadamente, deixado o país, durante três anos, devido a críticas que fez à forma como a política era dirigida na China.
O encontro entre ambos ocorreu no dia 17 de fevereiro deste ano, no qual o Presidente chinês quis juntar, em Pequim, os principais empresários da área tecnológica. Além de Jack Ma, estiveram presentes o fundador da Huawei, Ren Zhengfei, o CEO da BYD, Wang Chuanfu, o CEO da CATL, Zeng Yuqun, e o CEO da Xiaomi, Lei Jun.
“Com a economia doméstica a desacelerar e as pressões geopolíticas a crescer, o governo está a deixar claro que valoriza e depende do setor privado para impulsionar a inovação e estimular o crescimento”, disse à CNN Angela Huyue Zhang, professora de Direito na Universidade do Sul da Califórnia que escreveu um livro sobre a regulamentação de empresas de tecnologia na China.
Apesar de o setor empresarial do Estado ser maior do que o privado, este último representa cerca de 60% da geração de riqueza e emprega mais de 75% da população ativa.
Segundo Fred Hu, presidente da empresa de investimentos Primavera Capital, o encontro de Xi Jinping com empreendedores privados “representa claramente uma grande correção de rumo” nas políticas da China em relação às empresas privadas.
Segundo alguns estudos, a repressão das autoridades chinesas à iniciativa privada eliminou mais de um bilião de euros de valor de mercado de muitas empresas chinesas poderosas, bem como contribuiu para a estagnação de alguns projetos de inovação tecnológica.
“O setor privado, que por muito tempo foi a espinha dorsal da economia chinesa e o motor mais importante do crescimento, tem sido prejudicado nos últimos anos pelas crescentes incertezas políticas e regulatórias, que têm gerado consequências graves para o desenvolvimento chinês”, afirmou Fred Hu, em declarações à Reuters.
O plano chinês
Apesar de estar agora mais à vista de todos, a corrida pela supremacia da Inteligência Artificial entre os EUA e a China começou já em 2017, quando a China aprovou o Plano de Desenvolvimento em Inteligência Artificial. que previa o domínio desta tecnologia em todo o mundo até 2030.
Aliás, foi nessa altura que surgiu o termo “Guerra Fria da IA”, referindo-se “à rivalidade tecnológica e estratégica entre grandes potências”, principalmente os EUA e a China no campo da Inteligência Artificial, traçando um paralelismo com a histórica Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética.
Ao contrário dos tempos da União Soviética, quando a competição entre sistemas ocorria principalmente no Espaço e no armamento nuclear, desta vez ambos os lados também reconheceram a importância da IA para a futura força económica, militar e política. Até mesmo o nome da iniciativa de infraestrutura de IA em Washington, Stargate, que lembra os filmes Star Wars, pretende sugerir a ideia da batalha do “bem contra o mal”.
O anúncio deste projeto foi feito pelo Presidente norte-americano, tendo a seu lado o CEO da Softbank, Masayoshi Son, o cofundador da Oracle, Larry Ellison, e do CEO da OpenAI, Sam Altman.
Antes disso, os EUA já tinham iniciado o boicote de fornecimento de chips avançados, sobretudo os da Nvidia, para tentar travar o avanço da China.
“O setor onde esta guerra teve mais repercussão foi nos semicondutores. Esta tecnologia de base define o poder computacional de todo o hardware, que por sua vez define o poder do software. Os EUA já levam este assunto muito a sério há algum tempo e colocaram fortes restrições nesta área a semicondutores oriundos da China, como foi o caso da Huawei no 5G”, diz Pedro Schuller, gestor da LPTlabs.
Na opinião deste especialista em Inteligência Artificial, os EUA ainda têm uma grande vantagem em matéria de semicondutores, no entanto, a China tem vindo a acelerar fortemente o desenvolvimento de chips mais avançados.
“Eles não só têm muita experiência em processos fabris como também têm uma cultura de desenvolver a tecnologia em open source, o que lhes permite acelerar os processos de desenvolvimento”, salienta Pedro Schuller.
Alguns analistas defendem que a proibição de exportar estes chips para a China acabou por ter consequências imprevistas, pois levou a que os chineses fossem forçados a desenvolver o seu próprio caminho nesta matéria.
“O controlo das exportações dos EUA para a China, incluindo os chips de IA da Nvidia, aparentemente não funcionou como se pretendia. Ao contrário do enfraquecimento das capacidades de IA da China, as sanções parecem levar startups como a DeepSeek a encontrar maneiras inovadoras que priorizem a eficiência, a agrupar recursos e a colaborar mais entre si”, escreveu a MIT Technology Review.
Outro dos campos fundamentais para esta batalha é o controlo de terras raras, essenciais para o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais avançadas. E, nesta matéria, a China é o maior produtor mundial destes componentes. Os EUA necessitam de terras raras e não podem estar dependentes da China como fornecedor, o que explica a razão que levou Trump a tentar negociar estes minérios com a Ucrânia, em troca de apoio militar, para se defenderem dos ataques russos. Um braço de ferro que ainda não terminou e que o Presidente norte-americano faz questão de levar até ao fim.
Também as conversas com as anexações do Canadá ou da Gronelândia estão, segundo os analistas, relacionadas com esta matéria. Ambos têm algumas das maiores reservas mundiais de terras raras e, além disso, o Canadá é o maior fornecedor de energia dos EUA, um bem necessário para que os novos centros de dados que Trump quer construir possam funcionar sem problemas.
Guerra de poder
Apesar de a “Guerra Fria da IA” estar a vários níveis no processo da sua criação, desde os semicondutores até aos centros de dados, é na IA generativa que a grande maioria das tecnológicas coloca um grande investimento, para ganhar supremacia do mercado. E a explicação é simples. “A tecnologia é cada vez mais um vetor de poder político. A IA generativa é aquela que assume a forma mais humana, porque fala connosco, que mostra imagens, traduz linguagem etc., e tem maior impacto para poder alterar a perceção dos eventos a nível global. Foi notório, quando saiu o DeepSeek, que o modelo tinha um óbvio pré-condicionamento por motivos políticos”, explica Pedro Schuller.
Mas este pré-condicionamento não é exclusivo dos chineses. O próprio ChatGPT, após a eleição de Donald Trump, fez algumas alterações, tornando-se, segundo alguns especialistas, mais “propagandista”. E tal como acontece hoje nas redes sociais, as empresas que dominem estas tecnologias terão vantagens claras sobre os seus utilizadores. A IA é uma ferramenta poderosa de influência a todos os níveis e, para as grandes corporações, esse poder representa muito dinheiro.
Europa a reboque
À semelhança dos planos criados nos EUA e na China, a União Europeia veio recentemente anunciar a criação de um pacote de 200 mil milhões de euros para investimento em Inteligência Artificial.
Cerca de 10% deste bolo será destinado às chamadas “gigafábricas” de IA, o que, segundo a Comissão Europeia, são necessárias para permitir o “desenvolvimento colaborativo” dos modelos de IA mais complexos.
“Vamos fazer este investimento através da nossa própria abordagem europeia – baseada na abertura, na cooperação e em excelentes talentos. Mas a nossa abordagem ainda precisa de ser reforçada. É por isso que, juntamente com os nossos Estados-membros e com os nossos parceiros, mobilizaremos capital sem precedentes através da InvestAI para gigafábricas europeias de IA”, disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
O caminho pode ter começado a ser feito tardiamente, mas a União Europeia necessita de criar o seu lugar nesta nova tecnologia.
O primeiro passo está a ser feito com a criação de um quadro regulatório simplificado para esta tecnologia com o objetivo de “desbloquear todo o potencial da Europa no domínio da IA”.
Uma medida essencial para a Europa não perder definitivamente um lugar nesta corrida que, quer queiramos quer não, irá representar uma mudança radical na sociedade, na política e na economia.
E o poder de modelar a sociedade é uma arma tão poderosa que nenhuma das grandes potências se pode dar ao luxo de a perder.
A grande corrida das Big Tech
O mercado da Inteligência Artificial está a conhecer um crescimento exponencial, com uma valorização de mais de 35% ao ano. Um potencial de negócio tão elevado, que ninguém quer ficar de fora. Vários países estão a criar programas de incentivo para que as suas empresas tecnológicas possam entrar com mais força nesta verdadeira guerra comercial. Estima-se que, dentro de uma década, esta tecnologia possa atingir um valor acima dos 3,5 biliões de euros.
Amal.IA em pausa?
O primeiro Chatbot português com Inteligência Artificial, que deveria estar operacional já em 2026, poderá ser adiado
Anunciado durante a cerimónia de abertura da Web Summit, no dia 11 de novembro de 2024, por Luís Montenegro, o primeiro sistema de conversação através de Inteligência Artificial, denominado Amália – ou Amal.IA –, poderá agora estar em causa devido a atrasos nas contratações de todos os intervenientes no projeto.
“Estou a falar português para vos poder dizer, aqui e agora, em primeira mão, que no primeiro trimestre de 2025 vamos lançar um LLM [Large Language Model] português para inovarmos em português, preservando o nosso idioma e utilizando a nossa cultura ao serviço da inovação”, disse Luís Montenegro na altura.
O primeiro-ministro admitiu ainda que o projeto teria uma versão beta já em 2025 e entraria em funcionamento completo em 2026, mas, segundo o Público, o Ministério da Juventude e Modernização terá revelado, na semana passada, que “o procedimento de contratação ainda está a ser preparado” pelo que “não existe envolvimento de quaisquer entidades privadas, como é o caso da Unbabel”.
No projeto-base, a ideia era que o sistema fosse desenvolvido por um consórcio colaborativo de centros de investigação ligados a universidades de Lisboa (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova e Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa), em articulação com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o Centro para a IA Responsável e a Unbabel, sendo a Agência para a Modernização Administrativa a principal responsável pela execução operacional do projeto.
O desenvolvimento do Amália envolve um custo total de 10 a 20 milhões de euros e terá um financiamento de 5,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Nestes tempos de perceções aceleradas e de substituição permanente de emoções – ao correr do feed de publicações constantemente atualizadas numa qualquer rede social –, deixámos de valorizar a importância da memória e, tantas vezes até, daquilo que vivemos. Presos ao algoritmo e à ditadura que nos obriga a estar a par de tudo o que ocorre em todo o lado ao mesmo tempo, esquecemo-nos depressa daquilo que considerámos importante e deixamo-nos arrastar pela corrente das indignações do momento, sem pararmos para pensar ou refletir no que diferencia o importante do supérfluo.
Só isso explica que a catadupa de emoções que vivemos, coletivamente, há cinco anos, no início dos confinamentos durante a pandemia de Covid-19, estejam hoje quase perdidas no fundo da memória. Com os resultados que se veem todos os dias. Ao contrário do que se prometia nesses tempos, a solidariedade voltou a ser engolida pelo primado do individualismo, e os discursos sobre a importância de se terem bons serviços públicos, nomeadamente na Saúde, foram substituídos, mais uma vez, pelo princípio da “eficiência” – fria e desligada da realidade de quem fica perdido nas listas de espera dos hospitais.
No meio disto tudo, o imenso exército dos trabalhadores dos chamados serviços essenciais voltou ao anonimato de sempre – embora todos eles continuem a ser fundamentais para garantir o abastecimento regular de bens alimentares, as ruas limpas e seguras, os transportes públicos, o funcionamento dos serviços de eletricidade, de água e de saneamento básico, o transporte de mercadorias e até o apoio a idosos ou a outros grupos desfavorecidos.
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Quando olhamos para estes cinco anos pós-pandemia é fácil perceber como tanta coisa mudou, nalguns casos até de uma forma que, nos primeiros dias de isolamento, repletos de apelos à esperança e de gritos por mais solidariedade, jamais pensaríamos ser possível. Vivemos hoje em sociedades mais crispadas, onde se multiplicam os exemplos de intolerância, crescem os sinais de extremismo e em que são cada vez mais visíveis as fraturas no sentimento de comunidade. Vivemos também num mundo mais volúvel e perigoso, dominado outra vez pela lei do mais forte, em que a democracia está em retrocesso e em que assistimos ao pior ataque, em muitas décadas, à liberdade, ao pensamento crítico e até à ciência.
Cinco anos depois do início da pandemia, percebemos que o otimismo solidário, gerado nos primeiros dias, foi copiosamente derrotado. Mas também sabemos hoje quem ganhou claramente: os gigantes tecnológicos, que passaram a dominar o fluxo de informação e viram as suas fortunas crescer para níveis estratosféricos. E os maiores perdedores foram… os do costume: os trabalhadores dos serviços essenciais, que continuaram anónimos e ignorados, com os baixos salários de sempre e a ausência de reconhecimento social.
Ainda antes de assumir formalmente o cargo de chanceler, Friedrich Merz já começou a mudar a Alemanha e, porventura, a Europa. E, mais importante ainda, tem dado os sinais certos em relação àquilo que é preciso fazer. Mais do que anunciar reformas estruturais para as calendas ou grandes projetos de duvidosa concretização, ele tem sabido reunir as condições que permitam a mudança: acordos políticos com os partidos do centro democrático e com os Verdes, uma postura resoluta e decisiva em relação à necessidade de a Europa se libertar do escudo militar dos EUA e da dependência energética da Rússia e, pelo caminho, reforçar a fé na defesa do sistema democrático através de medidas que possam implicar diretamente com a vida das populações.
A forma como acabou com o “tabu” do travão do défice orçamental – permitindo que o país se endivide para reforçar a sua capacidade militar, mas também para melhorar as suas infraestruturas e continuar a apostar na transição energética – é o exemplo de que a Europa necessita: a criação de consensos alargados entre os partidos democráticos. Ou seja, criar os mecanismos que permitam encontrar uma forma de salvar a casa, quando tudo à volta está a arder. É disso que a Europa precisa neste momento: a união dos democratas contra o fogo do extremismo e do autoritarismo.
Através de uma publicação na rede social Truth Social, o líder da Casa Branca descreveu como “muito boa” a conversa que manteve hoje com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. “Estamos muito no bom caminho”, escreveu Donald Trump, referindo ainda que os Estados Unidos estão a “alinhar as exigências e necessidades da Rússia e da Ucrânia” sobre um cessar-fogo no conflito.
A conversa – que durou cerca de uma hora – decorreu um dia depois do telefonema entre Donald Trump com o Presidente russo, Vladimir Putin, em que ficaram acordadas “negociações técnicas” sobre a implementação de um cessar-fogo com vista à “paz permanente”.
De acordo com o presidente norte-americano, Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, e Michael Waltz, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, deverão divulgar mais detalhes sobre a conversa brevemente.
Cientistas e artistas têm estado a desenvolver vários conceitos de robôs revestidos de músculo, dando-lhes um aspeto mais humano do que os humanoides, por exemplo, desenvolvidos pela Boston Dynamics. Até agora, os músculos criados artificialmente só se conseguiam mover em duas direções. Agora, uma equipa de investigadores do MIT desenvolveu um novo método para criar músculos capaz de se dobrar e retorcer em múltiplas direções. Para suportar a descoberta, já criaram um robô com esqueleto e com músculo que se contrai e dilata.
A abordagem por robôs com músculo apresenta vantagens como maior flexibilidade, maior capacidade de se movimentarem em ambientes líquidos ou de se encaixarem em diferentes situações. Ritu Raman, professora do Departamento de Engenharia Mecânica do MIT, conta que “com o desenho iris [o robô], acreditamos que estamos a mostrar o primeiro robô com músculo que gera força em mais do qeu uma direção”. A PC Gamer explica que as direções em que um músculo se pode movimentar dependem da maneira como é formado.
No corpo humano, é necessário que cresçam com determinados formatos e formas para poderem ter um controlo preciso e passa-se o mesmo para os músculos criados em laboratório. A professora descreve que “uma das coisas mais impressionantes sobre tecido muscular natural é que não aponta só para uma direção. Por exemplo, a musculatura circular em torno da íris e da traqueia. Mesmo com os braços e pernas, as células musculares não apontam para a frente, mas em ângulo. Os músculos naturais têm múltiplas orientações no tecido, mas não conseguimos ainda replicar isso nos nossos modelos”.
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Um ‘carimbo’ desenhado com precisão em laboratório e depois utilizado com uma impressora 3D num hidrogel delicado revestido com uma proteína protetora é o primeiro passo deste método. Segue-se o cultivo no gel com células que crescem com determinada formatação e se desenvolvem em tecidos com o desenho desejado. As células são manipuladas geneticamente para responder a impulsos de luz de forma controlada e, depois de crescidas, permitem a capacidade de dilatação.
O robô criado pode dar origem a uma espécie de minhoca, composta por várias íris sobrepostas, e que pode ser usado, por exemplo, para exploração subaquática, transporte através de tubos ou em outras aplicações.
A Agência da União Europeia para o Programa Espacial (EUSPA) adjudicou ao grupo GMV um novo contrato-quatro para a evolução do Centro de Referência Galileo (GRC). A V2 vai proporcionar capacidades necessárias para monitorizar os serviços de GNSS em tempo real e monitorizar novos serviços já oferecidos ou previstos para os próximos tempos.
O GRC é uma instalação de serviços Galileo em Noordwijk, nos Países Baixos, e constitui um elemento-chave na implementação e evolução dos vários serviços que o sistema Galileo oferece aos utilizadores. Neste centro de referência multissistemas monitoriza-se o desempenho do Galileo e compara-se com o desempenho de sistemas equivalentes, como o GPS dos EUA, o Glonass da Rússia ou o BeiDou da China.
Com a segunda versão, vão ser possíveis várias novidas como:
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– Serviço de Autenticação de Sinais (SAS) – para aumentar a confiança dos utilizadores nos sinais transmitidos;
– Serviço de disseminação de tempo – para a sincronização altamente precisa dos relógios usados em infraestruturas críticas;
– Busca e Salvamento – para melhorar operações de resgate de pessoas em situações de emergência;
– Serviço de alerta de emergência por satélite – para enviar avisos à população em caso de catástrofes naturais ou outras emergências;
E ainda melhorias na capacidade de monitorização do sistema de navegação por satélite com dados de várias instituições; latência mínima com processamento em tempo real e aceleração do processo de emissão de alertas; atualizações mais eficientes que não afetam as operações em curso; finalmente, um reforço na cibersegurança, com funcionalidades avançadas a serem integradas como parte de um novo conceito de platform-as-a-service.
A implementação desta nova versão deve acontecer durante o ano de 2026, sem trazer qualquer impacto nas operações em curso.
Atualmente, o Galileo serve mais de quatro mil milhões de utilizadores em todo o mundo, com serviços de posicionamento, navegação e sincronização horária com elevada precisão. O sistema já foi usado em múltiplas ocasiões, como nos incêndios florestais em Portugal em 2017, no terramoto devastador da Turquia em 2020 ou em resgates rápidos no Mediterrâneo. O Galileo tem sido fundamental para garantir a autonomia da Europa em termos de segurança e defesa