O VOLT Live é um programa/podcast semanal sobre mobilidade elétrica feito em parceria com a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE).

Neste VOLT Live, episódio 98, conversámos com Bruno Florêncio, Network & Property Developer da Ionity, que nos explicou os planos desta rede de carregamento ultrarrápido para Portugal. Uma estratégia que passa por abrir novos hubs de carregamento, com o anúncio de uma estação já para Albufeira, aumentar a capacidade de alguns hubs, com destaque para a estação de Leiria (A1) e oferecer novos serviços (Passport e Fleet).

Em Polo Positivo e Polo Negativo comentamos a nova tecnologia de carregamento rápido da BYD e os despedimentos na Siemens.

O Produto em Destaque é o Leapmotor C10 e, em eDica, explicamos como pode poupar dinheiro nos carregamentos na rede pública usando comparadores de preços.

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Está visto que Benjamin Netanyahu não tem quaisquer pruridos em esbracejar pela sua sobrevivência política recorrendo a uma guerra sem fim. Ou, literalmente, à bomba. Mais do que surpreendida, a sociedade israelita ficou em choque com a ordem do primeiro-ministro, na terça-feira, 18, de estilhaçar o cessar-fogo que vigorava desde janeiro – e que permitiu, numa primeira fase, a libertação de 38 reféns na posse do Hamas e o regresso a casa de cerca de dois mil prisioneiros palestinianos -, retomando os bombardeamentos aéreos e os ataques terrestres contra Gaza. A primeira investida causou logo mais de 400 mortos, marcando um dos dias mais sangrentos desde o início da guerra, para não falar do bloqueio total da ajuda humanitária que deveria entrar na Faixa de Gaza. 
Benjamin Netanyahu afirmou que, a partir de agora, as negociações com o Hamas vão ser levadas a cabo “sob fogo”, justificando o retomar da guerra com a “recusa repetida” do movimento islamita palestiniano em libertar 59 reféns que permanecem em cativeiro desde os atentados de 7 de outubro de 2023. Por sinal, naquela terça-feira estava previsto que Netanyahu comparecesse no tribunal que se encontra a julgá-lo por três casos de corrupção, para fazer o seu depoimento final, o que foi cancelado devido ao início da nova ofensiva de Israel em Gaza. Muito conveniente, dir-se-ia. 

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‘A atividade económica anda por si, independentemente daquilo que são os fenómenos naturais em democracia.” A frase é de Marcelo Rebelo de Sousa à CNN Portugal e vem ao arrepio da ideia de que Portugal ficará paralisado pela crise política. Marcelo fez, aliás, questão de lembrar que a última crise não fez sequer cair o rating da República, como também explicou que Governo em gestão pode executar PRR “como se fosse pleno de poderes”.

Luís Montenegro também disse o mesmo quando garantiu que “o PRR não está em causa” por causa da queda do Governo. O que pode fazer com que Portugal não receba todos os fundos é a baixa taxa de execução do programa.

Se o PRR não cai nem é previsível que a economia desacelere por causa das eleições antecipadas, há forçosamente decisões que terão de esperar por um governo legitimado pelos votos. É o caso da privatização da TAP, do contrato com a ANA para a construção do Novo Aeroporto de Lisboa ou da reestruturação do INEM anunciada pelo Governo. Outros anúncios que foram feitos também podem nunca ver a luz do dia, até por falta de tempo para os ver concretizados. É o caso das novas PPP na Saúde, nomeadamente no que toca à entrega a privados de 174 centros de saúde. Um anúncio que nunca poderá ser concretizado antes de uma negociação com os privados, que, neste momento, nem se mostram muito entusiasmados com o negócio, com o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Óscar Gaspar, a dizer ao Expresso que a experiência no passado foi “traumatizante” e há pouco entusiasmo para a repetir. Também deve ficar na gaveta a reestruturação dos serviços do Governo, que estava a ser preparada pelo novo secretário-geral Carlos Costa Neves.

O que é certo é que com as eleições a 18 de maio, o Orçamento do Estado para 2025 está em vigor e o novo governo que vier a tomar posse terá tempo de apresentar o seu Orçamento para 2026 nos prazos normais, entre o final de setembro e o início de outubro. Resta saber se terá maioria para o fazer aprovar. Mas isso já dependerá de como votarem os portugueses.

Dois estudos separados, realizados com dados do ALMA (Atacama Large Milimiter/submilimiter Array), detetaram oxigénio na galáxia mais distante que foi encontrada, a JADES-GS-Z14-0. Esta galáxia está tão longe que a sua luz demora 12,4 mil milhões de anos a chegar à Terra, o que significa que a estamos a ver como quando o Universo tinha 300 milhões de anos, 2% da sua idade atual. Sander Schouws, do Observatório Leiden, explica que “é como encontrar um adolescente quando esperávamos ver bebés apenas”. A descoberta de oxigénio sugere que a galáxia é muito mais madura do que se esperava.

Segundo a publicação no The Astrophysical Journey, “os resultados mostram que a galáxia se formou mais rapidamente do que o esperado e está a maturar mais rapidamente, acrescentando às evidências de que a formação de galáxias acontece muito mais rápido do que o esperado”.

Numa fase inicial, as galáxias são compostas de elementos leves como hidrogénio e hélio e, à medida que as estrelas evoluem, criam elementos mais pesados como oxigénio que se dispersa através das galáxias quando a estrela-anfitriã morre. Aos 300 milhões de anos de idade, os astrónomos estimavam que o Universo ainda seria demasiado novo para ter oxigénio, crença agora contrariada. A JADES tem 10 vezes mais elementos pesados do que o esperado, lemos na publicação do European Southern Observatory (ESO).

A deteção de oxigénio permitiu aos astrónomos realizarem medições de distâncias de uma forma muito mas precisa: “A deteção do ALMA oferece medições extraordinariamente precisas da distância da galáxia com uma incerteza de apenas 0,005%. Este nível de precisão – análogo a cinco centímetros a uma distância de um quilómetro – ajuda a refinar o nosso conhecimento sobre propriedades de galáxias distantes”, contra Eleaona Parlanti, estudante na Scuola Normale Superiore de Pisa e autora do estudo publicado no Astronomy & Astrophysics.

A galáxia foi descoberta com recurso ao telescópio espacial James Webb e a revelação de oxigénio surge com a análise de dados do ALMA, o que evidencia uma sinergia entre os dois sistemas, essencial para revelar a formação e evolução das primeiras galáxias.

Um novo relatório, não confirmado oficialmente, revela que a Apple está a perder mais de um milhão de dólares por ano com o serviço Apple TV+. Os dados avançados pelo The Information foram confirmados por duas fontes anónimas e mostram que a Apple investiu mais de cinco mil milhões de dólares em conteúdos para Apple TV+ por ano desde 2019, mas reduziu esse investimento para 500 milhões no último ano.

Os últimos cinco anos têm sido de mudança neste setor de atividade, com várias empresas de media a registarem perdas avultadas. A Apple, com um músculo financeiro de 391 mil milhões de dólares em receitas no ano fiscal de 2024, está em melhor posição para suportar estas perdas.

No caso da Apple TV+, há alguns casos de sucessos conseguidos com exclusivos como The Morning Show, Ted Lasso, Shrinking e, mais recentemente, Severance. Esta última foi responsável por trazer mais dois milhões de subscritores à plataforma em fevereiro.

Apesar de o CEO Tim Cook elogiar publicamente o desempenho do Apple TV+ nas suas revisões com os analistas, é difícil perceber a segmentação de dados, com os números da plataforma a estarem incluídos na alínea Serviços, onde encontramos também outros serviços de subscrição como Apple Music, Apple Arcade, Apple Fitness, Apple News+, Apple Books, App Store, iCloud, Apple Care, Apple Pay e outros. Neste capítulo, foram registadas receitas de 96 mil milhões de dólares para o ano fiscal de 2024.

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A Google revelou que vai começar a disponibilizar uma funcionalidade de ‘mais relevantes’ nas pesquisas feitas pelo utilizador nas suas caixas de correio eletrónico Gmail. A novidade é alimentada por Inteligência Artificial para assistir nas buscas feitas por emails recentes, contactos frequentes e emails onde se clicou mais. Numa primeira fase, a ‘mais relevantes’ vai chegar globalmente aos utilizadores individuais e, em data ainda a anunciar, chegará depois às contas empresariais.

A novidade é opcional e, quando a conta estiver com a ‘mais relevantes’ disponível, o utilizador vai poder desligar e passar a ter a vista de ‘mais recentes’ que irá mostrar os emails por ordem cronológica reversa, como habitual, noticia o Engadget.

Esta não é uma iniciativa limitada, com a Google a trazer cada vez mais soluções assentes em Inteligência Artificial a serviços e produtos como as Pesquisas ou os portais de compras.

A Europa já foi sinónimo de inovação, revoluções industriais e descobertas que mudaram o mundo. Hoje, tornou-se um continente dominado pela burocracia, regulamentação excessiva e medo de arriscar. Enquanto os EUA e outras potências mundiais avançam a passos largos, a Europa parece estar presa num ciclo de normas e restrições que travam o progresso.

Nos Estados Unidos, empresas e empreendedores movem-se rapidamente. Testam, falham, ajustam e voltam a tentar. A mentalidade é clara: o risco é parte do caminho para a inovação. Já na Europa, as boas ideias muitas vezes morrem antes mesmo de serem lançadas, afogadas em impostos, inúmeras normas Europeias e processos burocráticos intermináveis.

O que é que a Europa faz? Regula. A Europa é obcecada em legislar o que nem consegue criar.

Desde as restrições no setor tecnológico até às regras que dificultam a competitividade das startups, a Europa tornou-se um continente de observadores e fiscalizadores. Em vez de criar as próximas grandes empresas globais, passamos o tempo a impor normas sobre como devem operar.

Vejamos um exemplo concreto. Enquanto nos EUA a Inteligência Artificial cresce exponencialmente, impulsionada por gigantes como OpenAI e Google, na Europa a prioridade é outra: criar regulações para “controlar” a IA antes mesmo de termos um ecossistema competitivo no setor.

E não é apenas na tecnologia. Empresas europeias estão presas numa teia de leis, impostos e burocracias impostas pela União Europeia, enquanto competem com empresas internacionais que não precisam de justificar cada passo que dão.

A Europa precisa de parar com normas e incentivar a ação. Regular em vez de promover a inovação é um suicídio económico e tecnológico.

Está na hora de voltar a assumir riscos, incentivar empreendedores e criar um ambiente onde as ideias avancem, em vez de ficarem presas a normas e papelada sem fim.

O mundo não espera. Ou inovamos, ou ficamos a assistir.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Lembram-se de quando uma canção era uma canção? De quando um desenho era um desenho? De quando uma escultura não era um panfleto? Não foi assim há tanto tempo e até Bob Dylan dizia: “I’m not sleepy and there is no place I’m going to.” Mas isso é hoje uma convenção ultrapassadíssima, como um fósforo queimado.

No PREC, os cantores de intervenção, embriagados de marxismo-leninismo, tinham, pelo menos, a desculpa de não terem visto o muro cair. Os de hoje sabem-no. E cantam na mesma.

O artista já não contempla, já não se perde, já não mergulha no abismo. Até Ivan Karamázov se deixaria queimar por uma faúlha de transcendência. Mas o artista já não desce — desfila, e Dostoiévski sabia que sem abismo, não há grandeza. Hoje, o artista age — é movimento puro. Hoje, fala. Alto.

Transformou-se num daqueles sistemas de som de feira popular, num oráculo de banalidades de que ninguém duvida. Falam todos, falam sempre, falam muito. Uma gritaria perpétua de indignação e activismos absolutos. Um só minuto de silêncio seria verdadeiramente revolucionário. Um leve fragmento de discrição já conteria todo o esplendor e a fúria de 1917.

A tragédia contemporânea não é a corrupção, nem é a miséria, nem a ignorância — isso são tragédias velhas, bolorentas, lugares-comuns do pessimismo. A tragédia moderna, caro leitor, é este barulho. Esta bruta flor da indignação. Esta borboleta da hiperactividade.

Nunca tanta gente disse tanto, tão depressa, com tão pouca substância. Um formigueiro de consciências atarefadas. O activista não dorme, não descansa, não respira. Luta contra tudo — contra o estado do mundo, das mentalidades, do tempo — sim, até o tempo é reaccionário.

Mas contra o Estado? Para quê? Quem manda, tributa e regula já faz o que é preciso. Está tudo errado, menos o que vem no Diário da República.

Eis porquê: existe uma solidariedade entre ambos e essa cumplicidade tem um nome – loucura reguladora. Quem outrora bradava golpes e tumultos, hoje sonha com manuais de instruções. Já não quer mudar o mundo – quer geri-lo, processá-lo, catalogá-lo em regulamentos. O artista tornou-se o cepo que decide ser árbitro e arruína a tarde aos amigos com o apito.

E quer que se regule o quê? Tudo. As bocas foleiras, as comunidades virtuais, o estacionamento, os dejectos da bicharada. Tudo, menos o pânico em que se alimenta. A iminência do apocalipse justifica as mais complexas burocracias.

Se ao menos ocupasse o seu talento naquilo que faz bem. Mas já não cria, não compõe, já não pinta e já não escreve. Doutrina, palestra, denuncia e adverte: “Porque tudo é político!” – gritam. E eis que o palco se transforma em assembleia-geral, a tela em cartaz, o livro em manifesto. Para que a música eduque, o cinema alerte, o teatro sensibilize.

Já não há sequer direito ao cansaço. Diante da barulheira, um tipo, exausto, poderia desejar um pouco de recolhimento, um instante de paz. Mas exige-se tomada de posição, acção directa, uma assinatura. E se hesitamos, se vacilamos, somos acusados das mais sinistras cumplicidades.

O artista de hoje não se contenta em boicotar a sua própria obra. Se um escritor ousa ser um escritor, se um músico teima em tocar o seu piano, eis que aparece alguém a exigir “relevância”, “consciência”, “compromisso”. E assim morre o sublime prazer do inútil. A arte, para ser arte, precisa de não servir para nada.

A grande tradição do cristianismo, tão generosa em inspirar as mais delirantes práticas neo-pagãs, ainda tem um último presente para oferecer: o silêncio. Depois do jejum intermitente, da peregrinação a festivais, da confissão pública, bastaria reciclá-lo. E, quais trapistas do ayahuasca, os nossos melhores purificar-se-iam pela mudez, passando longos períodos sem dizer absolutamente nada. Era só um desses gurus da auto-ajuda publicar um folheto com a ideia.

O artista de hoje não deixa nada por fazer. Ele age por todos nós. E, assim, a única resistência possível é a quietude.

Todo o problema se resolve pelo seu imediato contrário. Contra a acção, a inércia. Contra o barulho, o silêncio. Contra a histeria da relevância, a beleza de não fazer nada.

Manuel Fúria é músico e vive em Lisboa.
Manuel Barbosa de Matos é o seu verdadeiro nome.

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+ Uma vida de almoço

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

No início da semana, o senador Bernie Sanders ligou o telefone e gravou um apelo desesperado, no seu gabinete. Tinha acabado de votar contra uma lei que dá mais poder à Casa Branca na gestão de fundos federais. “Esta lei empurra o nosso país para o autoritarismo”, diz Sanders, explicando que a nova legislação “faz cortes massivos a programas de apoio à habitação, cuidados de saúde e alimentação, põe em risco o funcionamento da administração da Segurança Social e continua o ataque da Administração Trump contra os veteranos; esta lei fará os ricos mais ricos e os pobres mais pobres”.

Para que esta lei passasse, os republicanos precisavam de ter sete votos de democratas no Senado. Tiveram dez. “A crise económica e política não será resolvida aqui em Washington DC. O sistema é demasiado corrupto”, afirma Sanders, explicando como se compram os votos e se distorce a democracia.

O vídeo que me apareceu no Instagram tem um tom alarmista. Talvez a alguns soe conspirativo. Mas estava a escrever este texto quando me deparei com uma notícia do The New York Times que revela como Elon Musk está a financiar nos limites máximos permitidos por lei os congressistas que apoiem o impeachment de juízes que se oponham a decisões do Presidente.

Continuo a olhar para o telefone e aparece-me o vídeo que regista o momento exato em que é detido um preso político nos Estados Unidos. A expressão é forte, mas talvez pareça adequada quando vemos a audição do embaixador indicado por Trump para o Canadá. Ao ser confrontado com uma pergunta do senador Jeff Merkley sobre se um cidadão americano deve poder expressar uma opinião contrária à do primeiro-ministro canadiano sobre política externa, sem perceber onde se está a meter, responde que “sim, esse é um valor americano”. Quando Merkley o confronta com a situação de Mahamoud Khalil, a contradição é já demasiado flagrante.

Mahmoud Khalil voltava de um jantar com a mulher, grávida de oito meses. À sua espera estavam quatro homens com roupas à civil. Apesar de não mostrar quaisquer sinais de resistência, foi algemado com as mãos atrás das costas. A mulher, que filmou tudo, telefonou para a advogada, que lhe foi transmitindo as perguntas que devia fazer. Quem eram aqueles homens? Para que agência trabalhavam? Para onde iam levar o seu marido? Os homens limitam-se a dar uma morada. Não respondem a mais nada e, a certa altura, começam a correr pela rua até se enfiarem num carro. Parece um rapto. Mas não é: Mahmoud Khalil foi levado para uma prisão no Louisiana, a cerca de quatro horas de voo de distância da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde foi detido. O crime deste estudante é ter participado em protestos pró-Palestina.

A conta oficial da Casa Branca no Instagram parece agora a parede de uma taberna de um filme de cowboys, cheia de imagens de presos, com as caras sobre um fundo laranja e negro, onde se leem os crimes de que são acusados, o lugar e a data de detenção. Há também uma fotografia de uma mulher, Rasha Alawieh, uma médica especializada em transplantes, que foi deportada, apesar de estar legal nos Estados Unidos, depois de ter sido acusada de ter viajado para Beirute para assistir ao funeral de um membro do Hezbollah. “Bye-bye, Rasha”, lê-se na legenda do post ilustrado com uma imagem de Donald Trump a dizer adeus da janela do que parece ser um posto de atendimento drive-thru de uma cadeia de fast food.

Scroll para baixo. A mesma conta mostra prisioneiros tatuados, algemados com correntes, a serem encaminhados para um avião, numa pista de aeroporto, ao pôr do sol. A banda sonora é uma música pop rock que estava nos tops no final dos anos 90 e ajuda a adocicar as imagens. Mas a mensagem é sublinhada por uma parte da letra que a Casa Branca destacou em legenda. “Closing time, you don’t have to go home/But you can’t stay here”.

As imagens ilustram a notícia dos cerca de 200 homens latinos que foram detidos e deportados esta semana dos Estados Unidos para uma das mais violentas prisões do mundo, em El Salvador, onde, segundo o The Guardian, não há recreio ao ar livre e não são permitidas visitas, há relatos de tortura e cada preso tem o equivalente a 0,60 metros quadrados. Segundo o The New York Times, não há dados que permitam perceber quantos destes homens pertenciam efetivamente a gangues, como foi alegado pela Casa Branca, ou que tipo de ameaça representavam, uma vez que foi admitido pelas autoridades americanas que vários deles não tinham sequer sido alvo de qualquer condenação.

Há imagens que mostram estes homens de macacão, algemados, com agentes a raparem-lhes a cabeça antes de serem enviados para El Salvador, que vai receber milhões de dólares para os encarcerar. Mariyin Araujo, que tem uma filha com seis anos e outra com dois, diz que só percebeu que o marido já estava na prisão salvadorenha depois de ver uma fotografia nas redes sociais. Era um venezuelano, que tinha fugido depois de ter sido perseguido pelo regime de Nicolas Maduro, e, por ser treinador de futebol, tinha uma tatuagem com uma bola e uma coroa num braço, um sinal que foi visto pelas autoridades americanas como a prova da ligação a um gangue da Venezuela. Mariyin não consegue sequer confirmar se o marido está em El Salvador.

“Se alguma vez houve um momento em que pessoas comuns, na base da pirâmide, se têm de organizar e lutar, este é esse tempo. Este é o momento de reclamar a nossa democracia (…) Porque esta é a verdade: a vasta maioria dos norte-americanos, democratas, republicanos e independentes não querem ver o Congresso a aliviar os impostos dos bilionários e a cortar nos programas de que as famílias trabalhadoras e desfavorecidas precisam”, diz Bernie Sanders no seu vídeo, pedindo a cada americano que se envolva diretamente em ações políticas e se organize na sua comunidade.

O meu telefone está cheio de notícias sobre como as autoridades alemãs reprimem violentamente manifestações contra o genocídio em Gaza. Leio histórias sobre jovens ativistas presos no Reino Unido por se envolverem em protestos de ação direta não violenta pelos direitos climáticos ou a favor da Palestina, ao abrigo de leis antiterroristas que permitem fechá-los em prisões de alta segurança durante um ano antes de irem a julgamento. Um cientista francês foi expulso dos EUA por ter mensagens anti-Trump no telefone. E, em Londres, o trabalhista Keir Starmer anuncia um corte de 5 mil milhões de libras em programas sociais, incluindo de apoio a deficientes, deixando sem resposta o deputado do próprio partido que lhe pergunta por que não põe ele os ricos a pagar uma taxa sobre a sua fortuna.

“Nós somos a maioria, eles são o 1%”, diz Sanders. Enquanto assisto à queda dos princípios de igualdade perante a lei, justiça e liberdades individuais no prometido oásis das democracias ocidentais, a ideia de Sanders parece a única esperança possível. “Nós somos a maioria, eles são o 1%”.