Já é um clássico na agenda cultural do Porto. Entre esta sexta, 30 de maio, e domingo, 1 de junho, são 50 horas de atividades non stop, o que permite aos organizadores do Serralves em Festa falar do “maior evento de expressão artística em Portugal e um dos mais relevantes a nível internacional”.

Entre música, dança/performance, circo/teatro de rua, visitas a exposições, oficinas e sessões de cinema, a programação desta 19ª edição vai juntar 500 artistas e perto de 100 propostas.

Todas as atividades são gratuitas e a ida à festa dá acesso ao Museu, à Ala Álvaro Siza, à Casa de Serralves, à Casa do Cinema Manoel de Oliveira e ao Parque.

O psicadelismo etéreo dos britânicos Spiritualized deve combinar muito bem com o Parque de Serralves. Foto: DR

Começando pela música, destaque-se o psicadelismo etéreo dos Spiritualized (sáb 23h, Prado). O concerto do grupo britânico andará à volta das canções do seu mais recente disco, Everything is Beautiful, de 2022. Destaque, também, para os Fidju Kitxora (dom 19h30, Ténis), o coletivo formado entre Cabo Verde e Lisboa que evoca a diáspora daquele arquipélago. A sua música é uma coreografia de percussão e sintetizadores, que vai do kuduro ao trance psicadélico, do dub afrofuturista ao techno.

Na dança, o nome mais sonante é Boris Charmatz. O coreógrafo e bailarino francês apresenta 20 Dancers for the XX Century nas galerias do museu (sáb 15h). Nesta criação, escreve-se na apresentação, os intérpretes recuperam gestos icónicos e outros momentos de algumas das peças mais “representativas daquilo que foi a dança no século passado”. Haverá também Edni, de Né Barros e João Martinho Moura (sex 21h30, Auditório), e [Hug], colaboração entre Cristina Planas Leitão e a Companhia Instável (dom 12h, Jardim da Capela).

O coreógrafo francês Boris Charmatz. Foto: DR

Em matéria de circo contemporâneo, as principais apostas são Esquive (sáb 22h, Parterre Lateral), um tributo ao trampolim pela escola Le Plus Petit Cirque du Monde, e Rima, em roda Cyr, da Erva Daninha (sáb, 31, 19h, jardim da Ala Álvaro Siza).

No sábado e no domingo, a Casa do Cinema Manoel de Oliveira estará a passar um conjunto de filmes do cineasta. Já no hall de entrada do Museu de Serralves, será possível juntar-se a uma das visitas orientadas às exposições patentes (de Avery Singer a Mounira Al Solh ou Zanele Muholi, passando pelas exposições da coleção de Serralves Canção Contemporânea e This is a Shot patentes na Ala Álvaro Siza). São três os horários: 12h30, 15h30 e 18h30.

Serralves em Festa > Fundação de Serralves, Porto > 30 mai-1 jun, sex-dom > grátis > programação completa aqui

Com a realização da final da Taça de Portugal, ganha, no domingo, pelo Sporting por 3-1 frente ao Benfica, que permitiu aos leões festejarem a conquista de uma dobradinha que não conseguiam há 23 anos, chegou ao fim a temporada 2024/2025 do futebol nacional. É hora de deixar de lado as rivalidades, de os vencedores saborearem as suas conquistas e de os derrotados se recomporem. E de se juntarem, todos, no apoio aos vários escalões das seleções nacionais que, por estes dias, vão disputar competições importantes. A equipa principal de Portugal está empenhada em voltar a conquistar a Liga das Nações, a seleção sub-17 disputa esta quinta-feira a meia-final do Europeu que está a decorrer na Albânia e a formação dos sub-21 começa, no próximo dia 11 de junho, a disputar também o Campeonato da Europa, numa prova que vai decorrer até dia 28 e que se realiza na Eslováquia. Finalmente, a partir de 2 de julho, entra em campo a Seleção Nacional Feminina, que disputará o Europeu que se realiza na Suíça. Está na altura, portanto, de deixarmos, por umas semanas que seja, de lado os cachecóis clubísticos e torcermos todos pelas cores nacionais.

Na próxima semana, a Seleção Nacional principal vai participar na final a quatro que decidirá o vencedor da Liga das Nações. Dificilmente Portugal poderia ter adversários mais complicados. Para voltar a vencer a competição que já ganhou na temporada de 2018/2019, a equipa das quinas terá de derrotar, primeiro, a Alemanha e, depois, França ou Espanha. Certo é que, entre os próximos dias 4 e 8 de junho, a equipa nacional vai ter dois jogos de alta exigência, nos quais estarão à prova as capacidades de um lote de grandes jogadores que não têm conseguido os resultados que deles se esperam. Na próxima quarta-feira, a nossa seleção vai tentar marcar lugar na final, disputando a anfitriã da competição, a Alemanha, no Allianz Arena de Munique. Se vencer, seguir-se-á o jogo decisivo, no mesmo estádio, às 20h de domingo, 8, frente ao vencedor da outra meia-final, entre Espanha e França. Se perder, jogará às 16h do mesmo dia, mas no Mercedes-Benz Arena, em Estugarda, na partida que apurará o terceiro classificado.

O selecionador Roberto Martínez pareceu não estar muito preocupado com o resultado final desta competição quando afirmou, no dia em que anunciou os convocados, que “o foco é o Mundial de 2026”. Admitindo que Portugal vai defrontar “as melhores seleções da Europa”, o treinador espanhol prefere apontar ao futuro, garantindo que o “objetivo é ganhar”, mas explicando que não sente o seu lugar em risco no caso de sofrer um ou dois desaires. E recorda que, depois da Liga das Nações, Portugal vai ter de disputar a fase de apuramento para o Campeonato do Mundo dos EUA, México e Canadá, que, enfatiza, “será a mais curta de sempre, de apenas três meses”.

Brava juventude!

No mesmo dia em que, na Alemanha, a seleção nacional dos mais velhos irá decidir o seu destino final na Liga das Nações, na Albânia espera-se que o mesmo esteja a acontecer com a equipa de sub-17, que nesta quinta-feira disputará, com Itália, um dos lugares da final do Campeonato da Europa daquele escalão, na qual poderá defrontar França ou a Bélgica. Independentemente do que venha a acontecer na meia-final desta noite, é importante realçar o bom trajeto que permitiu aos comandados de Bino, um lote de jovens jogadores maioritariamente oriundos das escolas de formação de Benfica e FC Porto, garantir o segundo lugar do seu grupo, tendo, para isso, batido a Alemanha por 2-1, a Albânia por 4-0 e empatado a zero com França.

Não tão jovens quanto estes, mas ainda sem idade nem espaço para alinhar no escalão principal da Equipa das Quinas, os escolhidos pelo selecionador Rui Jorge vão partir para a Eslováquia com a missão de conquistar, enfim, um título internacional para o único escalão do futebol masculino português que ainda não venceu nem um Europeu nem um Mundial. Enquadrado num grupo em que terá como adversários França, logo no dia 11 de junho, a Polónia (14) e a Geórgia (17), Portugal tem, teoricamente, todas as condições para sonhar com uma presença nos quartos de final deste Campeonato da Europa Sub-21, que se disputam sábado, 21, ou domingo, 22. As meias-finais jogam-se, ambas, na quarta-feira, 25, e a final disputar-se-á no domingo, 28.

Com a chegada de julho, chega também a vez de as Navegadoras entrarem em campo. A Seleção Nacional Feminina vai participar, pela terceira vez, num Campeonato da Europa. Na competição que decorrerá na Suíça, entre 2 e 27 de julho, Portugal vai defrontar a difícil tarefa de tentar a qualificação para os oitavos de final, num grupo em que terá pela frente Itália, Espanha e Bélgica. Antes disso, porém, as nossas craques terão ainda oportunidade de tentar a qualificação para a final a quatro da Liga das Nações, defrontando nesta sexta-feira, 30, Inglaterra, em Wembley, Londres, e na terça-feira, 3, a Bélgica, no Funchal.

Loucura da FIFA

Tudo isto numa altura em que Benfica e FC Porto já andarão por terras do Tio Sam a disputar a primeira edição do renovado Mundial de Clubes, que começa a 15 de junho e só termina a 13 de julho. Um verão quente, que vai obrigar os plantéis destes dois clubes portugueses a cortar (e muito!) nas férias. Garantida, águias e dragões têm uma presença em competição que se vai prolongar até dia 24 de junho, data do terceiro jogo no respetivo grupo de apuramento. Caso consigam a qualificação, poderão ter pela frente oitavos, quartos, meias-finais e final. Admitindo que, no máximo, qualquer um deles pode chegar à primeira ronda a eliminar, o regresso a Portugal nunca acontecerá antes do final do mês (os oitavos de final decorrem entre 28 de junho e 1 de julho). O que significa que os jogadores do Benfica e do FC Porto que disputarem o Mundial de Clubes poderão não ter mais do que duas semanas de férias, uma vez que o arranque da temporada 2025/2026 está marcado para o primeiro fim de semana de agosto e as equipas precisam de fazer uma pré-temporada de, no mínimo, duas semanas. No caso do Benfica, o cenário é mais grave dado o previsível aperto do calendário em agosto, que, além da Final da Supertaça frente ao Sporting (2 ou 3 de agosto), poderá obrigar a mais oito jogos, incluindo as quatro primeiras jornadas da Liga e duas eliminatórias a duas mãos de acesso à Liga dos Campeões.

Chega a esta altura do ano e os sítios ao ar livre começam a apresentar-se. Aproveitemos então o bom tempo, que ele não dura para sempre. para podermos aproveitá-los com toda a propriedade. Este desabafo meteorológico surge a propósito da recente reabertura do IDB Lisbon, que pelo quarto ano traz um rooftop diferente a uma zona algo marginalizada, quando surge a pergunta “onde vamos beber um copo?”.

Vista aérea do que é atualmente este enorme terraço no cimo de um prédio de escritórios

É nos Olivais, ali paredes-meias com Moscavide, no quinto andar do antigo Entreposto, que se descobre – para quem nunca lá foi – o estacionamento agora transformado num terraço de grandes dimensões. Este ano, comece-se por aqui, os três mil metros quadrados passaram a metade. Mas o mural artístico de 40 metros, da dupla Los Pepes, não saiu do sítio e continua a ser a imagem de marca do IDB Lisbon e o lugar preferido para as poses fotográficas.

Entretanto, a área de comes e bebes cresceu e diversificou-se, com a curadoria do Mirari, aquele projeto em Alcântara que deu vida às ruínas de uma antiga fábrica e que por ora está fechado. Marina Mendes, uma das suas criadoras, mostra-nos que no IDB, além do chefe residente Dedé, que já nos habituou aos petiscos saídos da sua rulote (este ano especializou-se em smash burguers), o palco será partilhado agora com o Gyra Sol (serve kebabs em pão pita caseiro), a Madam Bo, em colaboração com a Ballzy (dumplings asiáticos e mochis) e com o Irmão, conhecido pelas pizzas em forno de lenha. “A ideia foi escolher comida para todos os gostos”, justifica a curadora. Sim, isso foi conseguido – e com qualidade, garantimos depois de provar de todas as áreas de street food aqui presentes.

A street food é um dos atrativos do IDB Lisbon, que este ano alargou a oferta gastronómica. O chefe Dedé continua lá, na sua carrinha, a vender smash burguers

As mudanças não se ficam pela oferta gastronómica. Marina aponta o dedo à programação musical, pois esse será outro destaque da temporada 2025: haverá sessões de jazz ao pôr do sol, às quintas, DJ sets às sextas e sábados à noite, e roda de samba ao domingo.

A arte fez sempre parte deste projeto. E este ano não será diferente, ao contar com novas propostas: pequenas esculturas de metal (tem de descobri-las!) do italiano Fulvio Capurso, conhecido como Fulvietl, uma peça em tecido da artista portuguesa Krus, uma experiência imersiva e interativa às portas do terraço, desenvolvida pelo artista digital francês MAOTIK, e uma exposição de arte do francês Dan Ghenacia, que irá fazer aterrar no topo do edifício o cockpit de um antigo avião ATR 42-600.

Para esta época, também estão agendados alguns mercados de criadores – o próximo é já neste sábado, 31 de maio. No The Creative Lab Market, um conceito de mercado pop-up desenvolvido em Amesterdão, há espaço para marcas e artistas locais poderem dar a conhecer o seu trabalho à comunidade local.

O desporto desapareceu da vista, mas não do coração. Já não há skate parque, pista de atletismo ou cestos de básquete (continuam a ser oferecidas aulas de skate e patinagem para crianças e adultos noutra área do edifício), mas passarão a fazer parte da agenda aulas ao ar livre de cycling, ioga ou o que mais a imaginação ditar. Não há como prever (só espreitando as redes sociais do IDB Lisbon), já que este ano a palavra de ordem é inovação, com vista a transformar este organismo vivo e mutante num equipamento mais permanente.

IDB Rooftop > Pç. José Queirós, 1, Lisboa > qui-sáb 12h-01h, dom 12h-23h

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A sonda Tianwen-2 foi lançada para o espaço com sucesso ontem. A agência espacial chinesa CASC confirmou o sucesso uma hora após o lançamento e explica que “os painéis solares foram desfraldados com sucesso”, com a sonda a colocar-se a caminho do asteroide 469219 Kamo’oalewa (2016 HO3). Depois da aproximação, recolha de amostras e o envio para a Terra, a sonda vai colocar-se na direção do cometa 311P/PANSTARRS, com chegada prevista para 2035.

A chegada ao asteroide deve acontecer em meados de 2026 e o envio das amostras recolhidas para a Terra deve ocorrer em 2027. Este cometa foi descoberto em 2016, mede 40 a 100 metros de diâmetro e acredita-se que se trata de um fragmento da Lua. A análise próxima da estrutura e do conteúdo mineral deve permitir confirmar ou desmentir esta hipótese.

A missão vai depois utilizar a gravidade da Terra para se posicionar em direção do cometa 311P, que orbita entre Marte e Júpiter, com um comportamento semelhante a um asteroide, tornando-se ideal para estudar objetos transitivos no sistema solar, explica o InTeresting Engineering.

Franco Perez-Lissi, engenheiro da Agência Espacial Europeia, conta que as missões em torno de pequenos corpos celestes são particularmente difíceis: “estes corpos têm campos gravitacionais extremamente fracos e irregulares. Por isso não podemos confiar em órbitas tradicionais, como fazemos em torno de planetas”. A missão espacial terá de replicar de forma bastante próxima a rotação e velocidade do asteroide para conseguir então recolher amostras com sucesso. O especialista detalha que a manobra necessária é semelhante a tentar “ancorar um barco a uma montanha a flutuar no espaço e a girar de forma imprevisível, quase sem gravidade”.

A bordo da Tianwen-2 vão 11 cargas científicas, incluindo aparelhos como espectrómetros, câmaras de elevada resolução, radares e detetores de partículas, destinados a estudar a composição, características geológicas, campos magnéticos e interações com ventos solares do asteroide e do cometa.

Esta missão faz parte de planos ambiciosos da China para enviar sondas para recolha de amostras em Marte e explorar Júpiter, bem como construir uma estação espacial na Lua.

Os utilizadores de Android vão começar a ver, a partir do próximo mês, duas funcionalidades de Inteligência Artificial no Google Photos que até agora estavam reservadas para os donos de telefones Pixel. O alargamento do acesso é a forma de a Google celebrar o décimo aniversário da aplicação Photos.

A primeira nova funcionalidade é o Auto Frame que sugere um corte para as fotografias para melhorar o enquadramento e, quando necessário, pode ver a Inteligência Artificial a gerar novos conteúdos para ‘preenchimento’ de espaço vazios. Em segundo lugar, vai aparecer o Reimagine que consegue adicionar elementos como folhas, relva ou nuvens de forma artificial. Os resultados desta introdução são tão convincentes que a Google teve de passar a colocar uma marca d’água para assinalar que são geradas por Inteligência Artificial.

Como parte da atualização da Google Photos, a empresa vai trazer também uma nova funcionalidade baseada em melhorias com IA (AI Enhance) que produz três edições para cada fotografia, geradas pelo algoritmo, deixando o utilizador escolher qual o resultado final que prefere.

Para agilizar a partilha de álbuns, os utilizadores vão poder gerar um código QR que aponta para o álbum desejado e deixa os recipientes aceder e imprimir.

Nesta fase, as atualizações vão chegar à versão Android durante o mês de junho, com a Google a prometer uma melhoria para iOS para mais tarde, ainda este ano.

O Dia Nacional da Energia, celebrado a 29 de maio, é a oportunidade ideal para refletirmos com seriedade sobre a forma como produzimos, consumimos e encaramos a energia em Portugal. Mas estará o nosso país preparado para a transição energética, ou continua a optar por soluções pouco ambiciosas?

Sejamos francos: nenhum governo consegue mostrar o que vale num só ano – e este até conseguiu mostrar-se bem ativo durante o seu curto mandato.

Pois vejamos: no que diz respeito ao setor energético, especificamente, várias foram as medidas positivas, que se refletem, inclusive, no Orçamento de Estado em vigor, como o reforço do investimento no Ministério do Ambiente – com um aumento de 14,3% em relação a 2024 –, a revisão do Roteiro para a Neutralidade Carbónica e o aumento da meta de energias renováveis para 51% até 2030.

Contudo, estas ações permanecem conservadoras, além de não estarem a ser implementadas com a urgência necessária. Agora que vamos ter novo governo, é tempo de tirar mais ideias do papel, de ir mais além, de promover a coesão política, também na área da Energia.

O apagão nacional de 28 de abril demonstrou, de forma crua, a vulnerabilidade do nosso sistema energético. Um país moderno não pode depender de infraestruturas desatualizadas nem da ausência de mecanismos de monitorização preventiva. A fragilidade da nossa rede é um risco real — não apenas técnico, mas também económico e social. Portugal precisa de uma rede verdadeiramente inteligente, capaz de antecipar falhas, integrar dados em tempo real e reagir com autonomia.

Para isso, é essencial acelerar a digitalização do setor energético. A aposta em smart grids, modelos preditivos baseados em dados e inteligência artificial é inadiável. Estes sistemas permitem equilibrar melhor a oferta e a procura, reduzir desperdício e aumentar a resiliência em cenários extremos. Sem essa camada de inteligência, a transição energética fica incompleta.

A digitalização é uma tendência em qualquer área e, no caso da Energia, não é diferente. A inovação tecnológica deve ser o centro das políticas públicas, também ao nível dos edifícios, pois, para a redução do seu consumo energético, podem ser utilizadas ferramentas de Inteligência Artificial. Neste contexto, a reabilitação do parque edificado português é essencial.

O Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis, por exemplo, foi um bom primeiro passo para combater a pobreza energética, mas acabou por não ter a abrangência desejada, pelo que incentivos mais robustos e uma estrutura que permita ações rápidas, principalmente nas zonas mais vulneráveis, podem ser uma boa solução.

No entanto, a implementação desta medida por toda a população exige que uma outra seja aplicada – a aposta em literacia energética moderna e acessível, que capacite os cidadãos a compreender o impacto do seu consumo no ambiente, de forma a sensibilizar para escolhas mais conscientes e para um maior envolvimento com a temática da transição energética.

Por outro lado, a descentralização da produção de energia deve fazer parte do leque de estratégias a implementar, para facilitar não apenas o autoconsumo, mas também a criação de comunidades energéticas com capacidade de gestão e sistemas de armazenamento local. Estes modelos aproximam os cidadãos da produção energética, aumentam a resiliência das redes e promovem a justiça social.

Perante a preocupação crescente com as alterações climáticas e a finitude de recursos, é fundamental investir mais nas áreas do ambiente e energia. Por isso, mais do que nunca, o governo deve olhar para esta reeleição como uma nova oportunidade para fazer mais e melhor neste campo, quando existe um novo sentido de urgência no País. O tempo da transição energética é agora.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Todos os produtos da Apple, desde iPhone a Mac, passando pelos iPad e Apple Watch, devem ver o sistema operativo ser rebatizado. Os últimos rumores apontam que a Apple pretende largar a convenção atual e passar a nomear os sistemas operativos com base no ano seguinte ao que são lançados. Assim, o próximo iOS deve ser o 26 e não o esperado 19. Em vez de macOS 16, devemos esperar o macOS 26, em vez do iPadOS 19, o iPadOS 26 e, nos Apple Vision Pro, um salto do visionOS 2 para o visionOS 26.

A informação foi avançada pelo jornalista da Bloomberg Mark Gurman, ainda não foi confirmada oficialmente e esperam-se mais explicações da Apple durante a WorldWide Developers Conference, marcada para 9 de junho.

Gurman adianta que os novos sistemas operativos vão ter mais elementos de interface como bolhas circulares para diferentes aplicações e ambientes de trabalho e que a estratégia passa por uniformizar e criar uma experiência de utilização semelhante em diferentes plataformas.

Recorde-se que em 2020 a Samsung tomou uma decisão semelhante e que por isso temos o Galaxy S25 este ano e vamos assistir ao lançamento do Galaxy S26 mais para o final do ano. A decisão de optar sempre pelo ano atual de lançamento mais um é comum, por exemplo, na indústria automóvel. Uma das razões para as tecnológicas também o adaptarem pode passar pela sugestão de que a atualização completa do sistema operativo só chega a todos os utilizadores passados seis meses do lançamento. No caso da Apple que lança sistemas operativos novos tipicamente em setembro, isso significa que a atualização lançada em setembro de 2025 só chega a todos algures no primeiro trimestre de 2026.

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Estamos fartos de saber que o mundo anda perigoso. E, não, não vamos dar aqui mais tempo de antena ao novo e auto-proclamado messias nacional, o tal que promete “mudar a alma dos portugueses”. A ideia é deixar umas breves notas sobre algo bem diferente e sublinhar que hoje, amanhã, para a semana, ou daqui a um mês, podemos assistir ao que Stefan Zweig chamou Momentos Decisivos da HumanidadeQuando Trump diz que Putin o desiludiu imenso e está “completamente louco” e o Presidente russo acusa o seu homólogo americano de viver agora sob uma enorme “sobrecarga emocional” podemos temer o pior? Talvez a resposta seja afirmativa, com o inquilino da Casa Branca a falar agora em sanções a Moscovo e a aconselhar o Kremlin a não brincar com o fogo. Então e a disponibilidade de ambos para se encontrarem pessoalmente, em Istambul, a 2 de junho? A confirmar-se esse eventual frente a frente na antiga Constantinopla, no qual pretende estar presente Volodymyr Zelensky, será possível pôr termo à “operação militar especial”, iniciada a 24 de fevereiro de 2022, que já fez centenas de milhar demortos e feridos na Ucrânia? É difícil. Não se resolve em meia dúzia de horas um conflito que está a redesenhar toda a arquitectura de segurança na Europa, com brutais implicações globais.  
Depois, é ainda importante destacar o papel de outros atores secundários. O londrino Times noticiou anteontem que o Irão celebrou acordos com diversos grupos mafiosos e de narcotraficantes para que estes levem a cabo um programa de assassínios seletivos na Europa, como ficou supostamente demonstrado, em novembro de 2023, em Madrid, com o ataque a Alejo Vidal Quadras, um físico e político catalão que militou no Partido Popular e foi vice-presidente do parlamento Europeu, antes de fundar o Vox com Santiago Abascal. Qual o interesse da República Islâmica? Provocar Israel, como acreditam vários serviços secretos do Velho Continente e o FBI, e avançar com o seu programa de armas atómicas?

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A Iniciativa liberal cresceu um deputado, mas continuou a ser irrelevante para uma maioria de Governo. Vai daí, o seu presidente, do nada – e antecipando-se ao, por uma vez, distraído dr. Ventura, que ainda devia estar a comemorar os resultados eleitorais… – olhou para o lado, viu uma maioria de direita de dois terços e, salivando, qual “cão de Pavlov”, desencantou a ideia de uma revisão constitucional, de que, na campanha, nunca tinha falado. A relevância da IL foi imediata, mesmo que o concorrente dr. Ventura se tenha apropriado, nas horas seguintes, da ideia do vizinho, monopolizando, como é hábito, a atenção de algumas televisões igualmente pavlovianas. Da recuperação da pena de prisão perpétua à redução do número de deputados na AR – redução que a atual Constituição já prevê, senhor jurista André Ventura… –, logo ali quis fazer o teste do algodão ao empenho direitista da AD.

E o que move Rui Rocha e a Iniciativa Liberal? “Retirar o socialismo” da Constituição. Quem diria que um país que entrou de pleno direito no mercado comum da antiga CEE, depois União Europeia, e no euro, e que prosseguiu a sua vida dentro de uma economia de mercado, num sistema de organização capitalista é, afinal, uma espécie de Venezuela? O desatento (ou talvez não) líder liberal parece esquecer – ou faz-se esquecido – que o socialismo foi extirpado da Constituição na revisão de 1989, quando se acabou com a delimitação dos setores, se admitiram as privatizações e se liberalizou a economia. É verdade que, no Preâmbulo, se fala na vontade dos portugueses de “abrir caminho para uma sociedade socialista”. Mas o preâmbulo foi deixado ficar como uma “peça de museu”, em homenagem aos “pais fundadores”, que relata o ambiente em que foi aprovada a Constituição de 1976, em nada vinculando o articulado do texto, em termos jurídicos. Em 1976, aliás, havia vários socialismos, sendo que a maioria dos constituintes, com o PSD (então PPD) incluído, defendiam o “socialismo democrático”, equivalente à social-democracia – e não uma espécie de regime de Nicolás Maduro avant la lettre. Ainda assim, se for essa a questão, pode seguir-se a sugestão do constitucionalista Vital Moreira, que propôs uma nova redação, retirando o anacronismo do Preâmbulo, mas preservando o património histórico: “A Assembleia Constituinte afirmou [em vez de ‘afirma’] a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para [cortar esta parte entre aspas: ‘uma sociedade socialista no respeito da vontade do povo português, com vista a’] um país mais livre, mais justo e mais fraterno.” Mais à frente, em vez de “decreta e aprova a seguinte Constituição” escreva-se, no pretérito, “aprovou e decretou a Constituição”.

Ora, se o socialismo já foi retirado da Constituição, o que pretende, realmente, Rui Rocha, além de tempo de antena à borla? Tornar, agora sim, a Constituição mais ideológica, talvez retirando garantias como a de um serviço de saúde “tendencialmente gratuito”. Neste exemplo, o “tendencialmente” afasta suspeitas de “socialismo”, mas, com efeito, não o recusando, também não garante o liberalismo. Para Rui Rocha, talvez isto seja inaceitável…

Nunca houve, até hoje, uma maioria constitucional à esquerda, nem mesmo em 1976. A Constituição é o mínimo denominador comum em que todos podem rever-se. Ela resulta do consenso entre o centro-esquerda e o centro-direita, pontualmente alargado, nas sucessivas revisões, a um espectro mais amplo. Tem, portanto, as características que permitem a identificação dos portugueses com a sua Lei Fundamental. Uma maioria ideológica de direita pode alterá-la, sim, mas corre o risco de a transformar numa Constituição de facção. E uma Constituição de facção é uma Constituição mais fraca e mais suscetível à dissidência. Se não tínhamos uma questão constitucional em Portugal – por isso é que não foi tema de campanha… –, passaríamos a ter.

Claro que toda esta montanha só pode parir um rato: é que não bastam os dois terços para aprovar a revisão global da Constituição: cada uma das alterações também terá de ser aprovada por essa maioria qualificada. Ou seja, ao final do dia, o cão de Pavlov não terá qualquer osso para enterrar.

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Não sei em que lugar vai ficar “bolha” naquelas listas que se fazem no fim do ano com as palavras que se utilizaram mais, mas cheira-me que não ficará nada mal classificada.

Os políticos vivem numa bolha e por isso não percebem os problemas das pessoas, os jornalistas vivem numa bolha e depois não contam o que realmente se passa no País, os comentadores vivem numa bolha e depois ficam surpreendidos com os resultados eleitorais, os do litoral vivem numa, os do Sul noutra, e por aí fora.

O facto é que sempre vivemos em bolhas. Ao longo dos tempos fomo-nos agregando em grupos em função da nossa religião, origem geográfica ou pertença social, entre milhares de outras razões. A grande questão sempre foi e continua a ser a forma como coexistiam. E para coexistirem pacificamente (ou não), tem obrigatoriamente de haver um fenómeno: encontrarem-se.

Dá ideia de que é um erro de formulação, já que a coexistência parece exigir encontro, mas não é verdade. Podemos coexistir num espaço e não nos encontrarmos. Aliás, essa é exatamente aquela que penso poder ser a nova definição de bolha: num espaço predefinido, várias bolhas coexistem sem se encontrarem.

As redes sociais têm sido acusadas de muitas maldades e na maior parte das vezes justamente. Aquilo que pensamos poder servir para aumentar a liberdade, para apoiar movimentos pró-democracia, para unir pessoas, para melhorar o sentido de comunidade, teve exatamente o resultado oposto, e em todos estes aspetos.

Fiquemos pelo fator agregador, o tal unir as pessoas. Realmente, conseguiu construir grupos de pessoas em redor de causas. O problema é que a forma como se constroem é quase sempre contra qualquer coisa e utiliza-se uma linguagem e uma atitude que tornam impossível o diálogo com quem defende outra perspetiva.

Aliás, o discurso das novas forças antidemocráticas é uma réplica quase perfeita do das redes sociais. Os novos ditadores perceberam que seria muito mais eficaz atrair e agregar pelo insulto, pela ofensa, pela difamação, do que falar dos problemas das pessoas ou propor soluções. Basta ouvir um desses personagens e comparar a sua linguagem com a das redes sociais.

Mais, as redes sociais são ótimas para criar grupos que, no fundo, não o são. Esses grupos são de pessoas que não se encontram nem nunca se encontrariam porque o seu contacto com o mundo exterior praticamente se resume ao mundo virtual. A falta de contacto físico potencia o agregador de ressentimentos: cada um tem o seu e isso une, apesar de poderem ser díspares e algumas vezes antagónicos. Os sentimentos e a forma de os expressar fazem essa espécie de união.

A falta de contacto físico, da conversa cara a cara, propaga todos os ressentimentos, toda a intolerância e inflama qualquer discussão. A minha cara leitora ou o meu caro leitor já com certeza teve discussões através do WhatsApp que jamais teria cara a cara e não diria as coisas que disse se tivesse de as dizer em frente duma ou de várias pessoas. É tão fácil ser terrorista de teclado. 

O trabalho, que é central na nossa vida, está também a contribuir para nos isolar. O trabalho remoto vai ter a curto prazo péssimas consequências na produtividade (ao contrário do que se esperava) porque destrói a consciência de equipa e a troca de experiências profissionais, mas contribuiu ainda mais para o isolamento geral.

Não nos encontramos no trabalho, nos cafés, nem nas associações recreativas, nem nos poucos jardins e até na rua, circulamos como ilhas com auriculares nos ouvidos ou como autómatos de olhos pregados no ecrã do telemóvel.

No entanto, as redes sociais estão longe de ser o único fenómeno a isolar-nos individualmente e aos grupos a que pertencemos. Esse isolamento vem de trás. Os grupos deixaram de se cruzar, a arte deixou de falar dos problemas do dia a dia, as histórias que jornalistas e escritores contam não são as do homem comum.

Lembro-me muitas vezes duma crónica do Pacheco Pereira, no tempo do bloqueio da Ponte 25 de Abril, onde ele descrevia a vida dum cidadão que vivia na zona de Almada e que trabalhava em Lisboa. Textos, livros ou peças de teatro em que se abordem as dificuldades das pessoas comuns em Portugal são pouquíssimos – e isso é particularmente notável depois de termos passado pela crise da Troika e pela pandemia. Há uma falta de empatia que deriva do isolamento e que tem um terrível potencial desagregador da comunidade. E sim, essa falta faz aumentar a revolta e o ressentimento.

Se a isso somarmos este novo mundo neoliberal em que quem é rico é porque merece e quem é pobre ou ganha pouco não passa dum falhado, temos uma bomba nuclear pronta a explodir nas nossas comunidades. 

Estávamos nas bolhas. As tais que não se ligam, chocam umas com as outras e se repelem. Os problemas da escola pública e da privatização acelerada da saúde são outros dos dois blindadores das ditas.

A divisão entre ricos e remediados na saúde privada e pobres na saúde pública (os ricos só lá vão quando o perigo é grande) faz crescer a sensação de nós e eles, e, lá está, isola-nos em alturas em que mais parecidos estamos com o nosso semelhante: nas doenças que não escolhem destinatário.

Entre o tipo que é tratado a uma gripe em meia hora e o que tem de estar seis horas numa urgência, cava-se um fosso de revolta. 

Quando eu andava na escola, havia gente de todas as origens sociais e económicas, de todas as cores. Não eram só amizades que se formavam, era também a consciencialização da diferença e das dificuldades das vidas das outras pessoas e famílias.

Hoje temos os mais pobres e os mais carenciados social e culturalmente na escola pública, enquanto as famílias que podem põem os filhos em escolas privadas. Isso cava um fosso social e de empatia desde a mais tenra idade.

Não vou agora refletir sobre o que levou a escola pública a este estado, sei apenas que as consequências da fuga das famílias para o privado estão muito para lá do ensino, têm profundas implicações no tecido social e na forma como nos relacionamos como comunidade. 

Que fique claro, continuo a pensar que o crescimento da adesão a movimentos antidemocráticos, racistas, xenófobos e que só exploram os ressentimentos e descontentamentos está longe de ter duas ou três explicações. Pior, estou convicto de que mensagens como o ódio aos imigrantes e o racismo têm muitos recetores em Portugal e sempre tiveram. Não tinham era protagonista.

Mas o mundo atual está votado em isolar-nos e, pior, em pôr-nos uns contra os outros. Esses movimentos aproveitam isso e apostam em dividir-nos cada vez mais. Não sei qual é a solução para travar quem quer destruir a democracia e concentrar ainda mais a riqueza nos mais ricos. Sei, porém, que quanto mais vivermos longe uns dos outros, quanto mais nos isolarmos nas redes sociais e em casa, quanto mais formos intolerantes, quanto mais deixarmos de investir na escola e na saúde públicas, quanto mais deixarmos crescer as bolhas, mais perto estamos de dar a vitória a esses novos ditadores.

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