O mundo nunca foi simples, mas passa, hoje, por uma fase particularmente complexa, a nível nacional e internacional, com guerras e conflitos e as suas consequências humanas e repercussões económicas. Também localmente, existe um sem número de desafios.

Perante um mundo assim, em constante mudança o que é, ser líder em 2025?

Antes de mais, como sempre, é um posto de solidão. O líder deve saber rodear-se dos melhores recursos humanos e delegar algumas tarefas a vários escalões hierárquicos. Não há líder que possa ou deva fazer tudo sozinho. Mas, no fim de contas, a responsabilidade maior e a decisão final são do líder e é ele que, sozinho, deve escolher o melhor caminho para a organização e para as pessoas que dela dependem.

Essa solidão pode e deve ser mitigada através do contacto com outros líderes. Cada empresa tem a sua filosofia, forma de atuar e os seus desafios próprios, mas um líder pode aprender com os seus pares e procurar a sua opinião. Afinal, é diferente discutir uma questão com um par, mesmo que a discussão interna, com as várias pessoas da organização que lidera, seja recomendável e essencial.

O líder em 2025 também sabe que lhe cabe ter a última palavra e que, por vezes, a sua decisão pode ser errada, totalmente ou parcialmente. Só quem decide, erra e só quem erra, aprende. O líder deve manter a sua resiliência e confiança, sabendo que os erros fazem parte da vida das organizações, mesmo que os anos de experiência permitam reduzir os erros.

Por fim, o líder em 2025 sabe que o mundo muda depressa e sem aviso. Cabe-lhe estudar a sua área ao máximo, tentar antecipar tendências e ter sempre uma mentalidade de adaptação ao que vier, seja o que for.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

A TCL apresenta a coluna Z100 Dolby Atmos FlexConnect, que oferece múltiplas opções de sistemas de cinema em casa, sem necessidade de cabos ou caixas HDMI e compatível com a nova geração de televisões Mini LED da TCL (C6K, C7K, C8K, C9K e X11K). A funcionalidade Dolby Atmos FlexConnect permite colocar as colunas m qualquer lugar da divisão e obter uma experiência sonora ajustada automaticamente à disposição do espaço e configuração dos equipamentos.

Com uma ligação direta às televisões TCL, a Z100 ajusta de forma inteligente o som reproduzido e pode ser usada em configurações com duas, três ou quatro colunas ao mesmo tempo, garantindo uma experiência imersiva. Dispensando a utilização de fios, podem ser colocadas de forma assimétrica ou a diferentes alturas, oferecendo uma liberdade de instalação sem precedentes e sem comprometer a qualidade de áudio.

Cristian da Silva, Digital Marketing Manager Ibérica na TCL, conta que “com este produto inovador, estamos a iniciar uma nova era para as experiências de áudio em casa, graças à nossa estreita colaboração com a Dolby. As nossas televisões já integram Dolby Vision e Dolby Atmos, as nossas barras de som também contam com Dolby Atmos e agora damos mais um passo em frente com o Dolby Atmos FlexConnect”. Já John Couling, vice-presidente sénior de Entretenimento da Dolby Laboratories, realça que “com o Dolby Atmos FlexConnect, os consumidores ganham ainda mais liberdade e flexibilidade na conceção dos seus sistemas de entretenimento doméstico, sem preocupações com o posicionamento ideal das colunas para alcançar uma experiência Dolby Atmos extraordinária”.

Cada coluna Z100 oferece uma potência máxima de 170W (1.1.1) e integra quatro altifalantes de alta-fidelidade, incluindo um canal orientado verticalmente a 15º para uma reprodução otimizada do som em altura. Com a calibração automática inteligente do Dolby Atmos FlexConnect, a Z100 identifica automaticamente a sua posição e ajusta o campo sonoro de forma ideal, explica o comunicado de imprensa.

A estrutura compacta e sem fios elimina a desorganização visual, proporcionando uma acústica de nível profissional. O poderoso sistema de áudio integra dois altifalantes frontais, um altifalante vertical inclinado e um subwoofer, para som surround tridimensional.

A TCL Z100 chega a França no início de julho e deve chegar aos restantes mercados europeus, incluindo Portugal, até ao final do ano.

Olhando para os dados do consumo de energia na Europa e nos EUA, podemos constatar que, neste milénio, temos tido um consumo relativamente estável, em que o grande desafio foi a chamada transição energética para fontes mais limpas. Se este desafio continua a ser grande, parece-nos que está a ficar ainda maior, porque tudo indica que estamos num ponto de mudança e, depois de 25 anos de níveis de consumo energético estável, os próximos anos devem trazer um aumento das necessidades energéticas, com este setor a atravessar uma das maiores transformações da sua história. A reindustrialização do Ocidente, a explosão da inteligência artificial, as tensões geopolíticas e a urgência climática estão a convergir num ponto crítico. A questão já não é se vamos mudar, mas como vamos mudar, crescer e com que rapidez. A resposta passa, inevitavelmente, por visão e investimento estratégico.

A reindustrialização exige energia, tão limpa quanto possível, abundante e fiável. A Europa e os Estados Unidos estão a tentar recuperar a sua capacidade industrial, apostando em tecnologias verdes e produção local, onde a própria energia atómica deverá ter um papel a desempenhar, como abordarei mais à frente. Mas esta ambição só será viável se for acompanhada por uma infraestrutura energética à altura. Eletrificar a indústria e os transportes, produzir baterias, hidrogénio verde ou semicondutores exige volumes colossais de eletricidade, e não qualquer eletricidade: tem de ser limpa, estável e acessível. Sem isso, a reindustrialização será apenas um desejo impossível de concretizar.

A Inteligência Artificial, IA, aparece como um novo motor da procura energética, estando a transformar tudo, da medicina à logística, mas também a consumir energia a um ritmo alarmante. Os centros de dados que alimentam a IA já rivalizam com cidades inteiras em consumo elétrico, existindo tecnológicas a investir parte substancial dos seus recursos em contratos de fornecimento de energia para os próximos anos. E este parece ainda ser apenas o início de uma longa caminhada.

Também a geopolítica aparece, especialmente nos anos mais recentes, como um fator decisivo

para estas alterações. A guerra na Ucrânia e as tensões no Médio Oriente mostraram que a energia é, acima de tudo, uma questão de soberania, tendo a Europa aprendido da pior forma o custo da dependência energética. Atualmente, a corrida por minerais críticos e por novas rotas de abastecimento está a redesenhar o mapa geopolítico, pois quem controlar a energia e os recursos que a tornam possível, controlará o futuro.

Depois de décadas a substituir meios mais poluentes por fontes mais limpas, parece ter chegado o momento de repensar o nuclear, numa fase em que não se trata apenas de substituir, mas de crescer. Numa altura em que à transição se junta maiores necessidades de produção, renováveis e nuclear podem ter que formar uma aliança e conviver por mais uns tempos, pois vamos provavelmente precisar de ambas. As renováveis são essenciais para descarbonizar, enquanto a nuclear oferece estabilidade e baixa emissão. Países como França, Japão e Canadá já perceberam isso e mais países europeus estão a analisar o tema com pragmatismo e ambição.

Para além do tema da produção, é igualmente essencial falar sobre as infraestruturas. A transição energética exige redes elétricas modernas, interconectadas e inteligentes. Há que levar em conta que grandes fontes de produção de energia, estão normalmente longe dos locais onde são consumidas e, outro exemplo, temos hoje nas grandes cidades que gerir milhares/milhões de pequenos produtores renováveis “contra” milhares/milhões de pequenos consumidores. No dia em que tivermos todos veículos elétricos, o que aconteceria à rede se todos resolvermos carregar ao mesmo tempo? Sem investimento em transporte e armazenamento de energia, bem como nas chamadas Smart Grid, mesmo as melhores fontes renováveis ficarão subaproveitadas, bem como podemos ter de forma mais recorrente episódios, de diferentes proporções, como o apagão que vivemos recentemente. A Europa precisa de corredores energéticos transnacionais, baterias de larga escala e digitalização da rede. É um investimento invisível, mas absolutamente vital.

Em jeito de conclusão, diria que o investimento no setor energético é fundamental e tem mesmo que acontecer, sob pena de nos tornarmos cada vez menos competitivos. Vão certamente existir investimentos em produção, mas também na construção das redes e na digitalização dessa rede, pelo que existem oportunidades em que devemos apostar agora para colher os seus dividendos no futuro.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Na era de todas as tecnologias, da velocidade e das informações bombardeadas (pun intended) a cada segundo, não sabemos muito do que se passa verdadeiramente, no terreno, em mais uma guerra. Os jornalistas de guerra, enviados especiais aos lugares de conflito que, com a liberdade possível, comunicam ao mundo o que conseguem testemunhar parecem ser uma figura do passado, de um tempo em que, tecnicamente, a comunicação global era muito mais difícil. Somos informados por comunicados oficiais, propaganda mal disfarçada e um batalhão de comentadores e “especialistas”.

Não sabemos exatamente o que se passa nas ruas e bunkers de Teerão nem nas ruas e bunkers de Tel Aviv e Jerusalém. Mas sabemos que uma guerra há muito anunciada está mesmo a acontecer. E começa a fazer-nos lembrar a invasão do Iraque em 2003, por forças militares lideradas pelos EUA, e consequente queda do regime de Saddam Hussein, que muito contribuiu para a desestabilização do Médio Oriente.

Mas desta vez, com Donald Trump no poder nos EUA, tudo é muito mais nebuloso e incerto.

Este artigo é exclusivo para assinantes. Clique aqui para continuar a ler

A filha mais velha dos príncipes de Hoenzhollern-Sigmaringen nasceu na casa de campo de Krauchenwies, a 15 de Julho de 1837, e teve como padrinhos o rei da Prússia e a sua avó, Stephanie Napoleão von Baden, de quem herdou o nome. Dois meses mais velha do que o seu futuro marido, é uma escolha da rainha Vitória e do príncipe Alberto que veem na princesa a mulher ideal para o brilhante e melancólico sobrinho de quem tanto gostam.

Esta série em vídeo e podcast, feita em parceria com a VISÃO, é também um incentivo a que faça as malas e vá conhecer estes lugares com os seus próprios olhos.

Palácio de Mannheim

A imponência e riqueza do palácio de Mannheim ajuda-nos a perceber o mundo que Estefânia habitava antes de, em maio de 1858, chegar a Lisboa, já casada por procuração, já rainha de Portugal. Esta é a residência da sua poderosa e determinada avó e madrinha de batismo, Stephanie Beauharnais “Bonaparte”, Grã-duquesa de Baden, filha “adotiva” de Napoleão, que marcou indelevelmente a neta de quem era muito próxima. Estefânia passava aqui largas temporadas, numa corte apaixonada pela música e pela arte, mas também pela política, em “salões” onde os direitos das mulheres eram um tema muito presente. A construção do Schloss Mannheim foi iniciada em 1720, acolhendo os príncipes-eleitores do Palatinado, sendo-lhe acrescentado mais tarde um Teatro de Ópera, assim como uma ala destinada às artes e à ciência. Passou a propriedade do ducado de Baden em 1802 e a residência da avó de Estefânia entre 1819 e 1860. Muito danificado durante a II Guerra Mundial foi reconstruído respeitando exatamente o estilo Império com que a duquesa o decorou, o que nos permite reviver o tempo em que esta nossa rainha o habitou — marca a sua proximidade o seu retrato na sala privada da duquesa, que morreu um ano depois da sua querida neta.

Este é, claramente, o robô de limpeza mais impressionante e eficiente que já testámos. Um aparelho que vem demonstrar por que a Roborock se tornou, para muita gente, a nova referência do mercado dos aspiradores robóticos. As funcionalidades de opções são tantas, que até podem pecar por excesso para utilizadores que procuram maior simplicidade. Mas já lá vamos.

Comecemos pela instalação: tudo correu de forma impecável. Como os restantes, as instruções ilustradas com passos simples permitiram-nos instalar o aparelho em apenas alguns minutos. Após registo de conta na app, o Saros 10R foi reconhecido, sem que tivéssemos de executar qualquer passo, e ficou disponível para o mapeamento. Que decorreu rapidamente e de modo preciso. Talvez um tudo ou nada mais lento que o Roomba 505 neste capítulo, mas com maior eficiência.

Veja imagens do Roborock Saros 10R abaixo:

Eu sei onde estão

A maior precisão dos sistemas de LiDAR, um género de radar de luz, que usa lasers para criar mapas 3D precisos, é um dado adquirido. E é uma tecnologia presente nos restantes robôs deste grupo. O que nos pode levar a estranhar o facto de o Saros 10R, o topo de gama da Roborock, não incluir LiDAR. Mas não pense que esta ausência significa que este aparelho perde para os concorrentes em navegação. Pelo contrário, foi claramente o melhor a navegar pela casa. Quer seja na capacidade de detetar objetos que podem, potencialmente, fazer parar o robô, como cabos USB ou meias; quer seja na forma inteligente como procura o melhor caminho.

Por exemplo, num dos testes, colocámos, após os mapeamentos e algumas limpezas, duas caixas de cartão no hall da casa, que dá acesso a várias divisões. O objetivo era obrigar os robôs e encontrar novos caminhos para chegar às divisões a limpar. Todos os robôs conseguiram contornar estas caixas e encontrar um novo percurso. Mas todos, à exceção, deste Roborock, perderam vários segundos a andar para trás e para a frente para conseguirem encontrar o caminho. O Saros 10R passou, sem hesitações, entre as caixas, como se já conhecesse o caminho, demonstrando que tem uma melhor visão global do ambiente.

Esta capacidade avançada de mapeamento 3D sem recurso a LiDAR deve-se não só aos algoritmos de IA associados à imagem captada pela câmara, mas também a um sistema alternativo ao LiDAR: o Time-Of-Flight (TOF), que usa infravermelhos para criar um mapa 3D. Ou seja, tem um processo de funcionamento similar ao LiDAR. Independentemente dos prós e contras desta tecnologia, uma coisa é certa: os dois sistemas combinados, visão com IA e TOF, resultam muito bem.

O sistema é, até, capaz de identificar o tipo de piso e os móveis, que passam a aparecer no mapa – podemos, naturalmente, editar também os móveis para uma maior precisão. O que também permite criar programas automáticos, tipo “aspirar a zona da mesa da cozinha após as refeições”.

A grande vantagem da ausência de LiDAR significa que o robô pode ser mais baixo e chegar a sítios onde outros não chegam. Na casa usada para testes, só este aparelho foi capaz de aspirar por baixo de um dos móveis da sala.

É uma limpeza

A capacidade de aspiração impressiona. Pela elevada potência, que até permite ‘puxar’ pó e outros pequenos resíduos que não estão diretamente por baixo do robô. Mas, sobretudo, pela capacidade de adaptação. Este é o robô que mais muda a potência e a forma de aspirar em função do lixo encontrado. Passou, por exemplo, o teste da peça de lego pequena deixada no chão – contornou com todo o cuidado sem a engolir.

Outra característica única entre os robôs testados nestas páginas: a capacidade, automática, de deixar as mopas na base e reinstalá-las quando necessário. Isto significa que quando programamos ou ordenamos uma aspiração (sem lavagem), as mopas ficam na base, uma vantagem para quem tem tapetes altos e claros, já que evita que a sujidade e humidade das mopas acabe por afetar os tapetes.

É interessante ver o robô a levar as mopas para divisões com piso sólido e deixá-las na base quando se desloca para áreas alcatifadas ou cobertas por tapetes. Ainda sobre tapetes, este robô faz tudo o que pode para evitá-los. Na casa testada há um tapete no hall de entrada que cobre quase toda a área, deixando apenas uma margem em redor de uns 20 centímetros. O Saros 10R contornou o tapete, sempre encostado à parede, quando transportava as mopas para lavar outras divisões. Isto apesar de as mopas estarem levantadas de modo a evitar a passagem de sujidade para os tapetes.

Outra grande vantagem é o reservatório para detergente, que permite melhorar substancialmente a lavagem.

Funcionalidades extra

Há mesmo muito para explorar na app. Se o Roborock Saros 10R fosse uma câmara fotográfica, seria um daqueles modelos profissionais de topo. Para quem não quer explorar todas as ferramentas e opções, o automático é muito bom. Mas para quem quer otimizar a limpeza, há mesmo muitas possibilidades, incluindo a definição do tipo de piso rígido (madeira ou ladrilhos), o tipo de progressão, a intensidade da rotação das mopas e da aspiração… Até dá para usar o robô como uma câmara controlada remotamente, situação em que, por razões de privacidade, o robô alerta que está a transmitir a imagem. Por falar na câmara, também podemos escolher a opção para receber fotos de objetos e zonas sobre as quais a IA tem dúvidas. Deste modo, podemos ‘dizer’ ao aparelho para avançar ou não com a limpeza da zona.

Veredicto

Este robô é de uma sofisticação impressionante, que resulta numa limpeza mais apurada e em menos necessidade de intervenção do utilizador. Os algoritmos de IA são os mais eficazes, tanto na navegação, como na identificação da sujidades e adaptação dos modos de limpeza. Mas o preço ‘de outro mundo’ é difícil de justificar.

Tome Nota
Roborock Saros 10R – €1499
Site: global.roborock.com

Aspiração Excelente
Lavagem Muito Bom
Navegação Muito bom
Aplicação Excelente

Desempenho: 4,5
Características: 4
Qualidade/preço: 3

Global: 4,2

Lembro-me de chegar a casa, era adolescente, e o meu pai estar com uns indivíduos estranhos. Fui mandado para o quarto e quando eles saíram foi-me dito que nos próximos dias, quando saísse de casa, seria na companhia de polícias. Depois de muitos porquês, lá me disseram que uma organização nos tinha exigido dinheiro. Era, percebi uns anos depois, o imposto revolucionário.

Nunca soubemos se a exigência vinha realmente das FP 25 ou se teriam sido apenas uns oportunistas, mas havia boas razões para o medo. A vaga de atentados e assaltos que esses terroristas praticavam exigia que se levasse a sério aquelas ameaças.

Não me recordo de discursos do tipo “temos de repudiar estes crimes venham da extrema-esquerda ou direita”. A razão era simples: não havia nenhuma ameaça vinda da extrema-direita.

O fenómeno não era local, bem entendido. Foi o tempo das Brigadas Vermelhas em Itália, do Baader-Meinhof na República Federal Alemã, da Ação Direta em França e mais uns quantos movimentos similares pela Europa fora. Todos revolucionários, anticapitalistas, anti-imperialistas e toda a retórica da extrema-esquerda.

Apesar de não terem ligações conhecidas ao bloco comunista nem, em muitos casos, aos partidos comunistas locais (no caso português, não havia mesmo qualquer proximidade, bem pelo contrário), o contexto internacional era o conhecido: meia Europa subjugada ao imperialismo totalitário da União Soviética. E se alguns destes terroristas não eram diretamente financiados pelos soviéticos e satélites, não faltavam organizações apoiadas por eles para minar as democracias.

Havia uma real ameaça vinda dessas ditaduras e dos movimentos terroristas de extrema-esquerda às democracias.

O fim é conhecido: as democracias venceram. O comunismo e as suas variantes são uma memória histórica e os terroristas foram extintos. Não existe hoje qualquer tipo de organização de extrema-esquerda ativa ou sequer adormecida e não há nenhum país que possa financiar esses movimentos.

Não me parece que seja necessário lembrar o que, mais de 35 anos passados, está a acontecer. Basta ter presente que a democracia de que em larga medida as outras dependiam está a caminhar a passos largos para uma autocracia, que nos principais países da Europa a extrema-direita é ou a segunda força política ou está prestes a chegar ao poder ou já lá está. Que os surtos de violência causados por forças nacionalistas, racistas e neonazis são o dia a dia em países como Alemanha, Reino Unido, Itália, Holanda, países nórdicos, só para citar os principais.

Em Portugal, temos como segunda força política um partido com uma narrativa racista, xenófoba, anti-imigração e claramente contra a Constituição e os seus principais valores.

Este discurso objetivamente contra a democracia deixou de ser feito à boca pequena ou de estar apenas nas redes sociais, sendo amplificado pelos média tradicionais, tolerado pelo presidente da Assembleia da República e gritado em todo o lado sem o mínimo de pudor.

Ao mesmo tempo, assistimos a grupos neonazis e doutras extremas-direitas que não só insultam e ameaçam imigrantes, minorias e quem defende valores diferentes dos deles, como partem para a mais bárbara violência, como no dia 10 de Junho em Lisboa, no dia 11, no Porto – foram agredidas mulheres que distribuíam comida a pessoas com fome –, no dia 15, em Guimarães.

De que raio, afinal, falam as pessoas que dizem condenar estes atos e palavras vindos da extrema-direita, mas que também se deve fazer o mesmo aos que vêm da extrema-esquerda? Há alguma ameaça ao regime vinda da extrema-esquerda? São o PCP ou o BE organizações que querem derrubar a democracia e mostram força para isso? Aliás, alguma vez nos últimos 40 anos (no caso do PCP) o foram? É mesmo preciso responder?

E que violência física e atentados têm sido perpetrados pela extrema-esquerda? Que discurso de ódio tem de lá vindo? Ouvi uns patuscos a falar dos perigosos ativistas climáticos, mas só pode ter sido humor involuntário. Ou então estamos perante a maior desonestidade do mundo quando se equiparam uns miúdos com tintas a gorilas com soqueiras.

Onde estão no Portugal de 2025 ameaças à democracia e aos seus valores vindas da extrema-esquerda? Aonde anda a violência física vinda da extrema-esquerda?

De lado nenhum, claro. E as pessoas que o dizem e entram no mais desonesto whataboutismo não o desconhecem. Sim, Carlos Moedas, Leitão Amaro e outros sabem-no perfeitamente.

Aceitam uma mentira absurda e reagem e atuam em função dela – infelizmente, não é só nisto.

A mentira de que também há uma ameaça vinda da extrema-esquerda serve apenas e só para relativizar e até justificar as ações da extrema-direita como legítimas.

Esta gente faz isto porque pensa (e com alguma razão) que há quem no seu quadrante político esteja convencido desse disparate.

Já era suficientemente grave pessoas com a responsabilidade de Moedas, Leitão Amaro e outros participarem e amplificarem mentiras, mas é pior do que isso: comportam-se como autênticos colaboracionistas com a extrema-direita.

Ao entrarem neste jogo de inventar uma ameaça que não existe não tiram apoiantes à extrema-direita, pelo contrário, adubam-lhe mais o terreno, minimizam as atitudes violentas porque as colocam como se também as houvesse do outro lado.

É tempo de combater e derrotar a extrema-direita como se combateu e derrotou a extrema-esquerda e deixar de entrar em paralelos que só servem para reforçar as forças antidemocráticas.

OUTROS ARTIGOS DESTE AUTOR

+ As redes sociais fazem a verdade, e agora?

+ O Orwell e as reformas estruturais

+ A bolha

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Palavras-chave:

Para quem não foi à praia, aos arraiais de Santo António, ou não tinha dinheiro nem para uma coisa nem para outra, domingo, dia 15 de junho, foi pródigo em protestos. A indignação, à primeira vista, vai sendo gratuita, mas só nas aparências.

Houve uma caminhada de seis horas pela Palestina livre, saindo de Carcavelos e acabando no centro de Lisboa, frente à Embaixada de Israel. Houve a manifestação Não Queremos Viver no País do Medo, na sequência das agressões ao ator Adérito Lopes, do Teatro A Barraca, com protestos em Lisboa, Porto, Coimbra, Beja, Braga e Faro, entre outras cidades. As agressões, conotadas com elementos da extrema-direita, motivaram o protesto contra o racismo e a violência.

Foi pena não se terem encontrado ou coordenado com a “procissão” Lá Vai o Andor de Santo António Despejado, que andou pelos bairros lisboetas de Alfama e da Graça, um protesto inserido na rede SET – Sul da Europa contra a Turistificação, e que aconteceu em várias cidades europeias.

Porque o racismo, a violência, a ascensão da extrema-direita e do ódio antissistema, esta revolta contra uma democracia sem respostas ou soluções, encontram o maior dos rastilhos nas condições de vida. E na sensação (real) de estarmos cada vez mais a escorregar para longe dos centros – sejam estes das cidades ou de tomadas de decisão, onde se manejam os fios do nosso futuro sem que tenhamos uma palavra a dizer sobre o assunto.

O sociólogo e geógrafo holandês Hein de Haas, um dos grandes especialistas mundiais sobre as migrações, disse há um ano numa entrevista à VISÃO: “Não são só as empresas que beneficiam com a imigração, também a sociedade, nomeadamente a classe média e a alta. Basta pensar em serviços como a entrega de comida ao domicílio, os restaurantes, os serviços de limpeza e de cuidado dos idosos… Só os mais pobres é que têm razões para se questionar: em que é que eu beneficio da imigração? E também são eles que vivem com as consequências sociais das políticas que segregam os imigrantes porque habitam os mesmos espaços.”

A relação é simples de fazer. Os portugueses mais pobres e com menos habilitações literárias são os que engrossam as periferias, agora que os centros das cidades lhes foram vedados. São os segregados dos centros a habitar os espaços dos segregados da sociedade, os imigrantes, num caldeirão de pobreza, invisibilidade, exploração e esquecimento. O resultado está à vista.

Porque o fascismo funciona na lógica do “nós” e “eles”. E a esquerda não tem funcionado assim, dividida como sempre?

Noticia o jornal Público de segunda-feira: “O Governo posiciona-se, de forma clara, contra algumas das soluções sugeridas por Bruxelas para responder à crise habitacional, como o reforço da regulação do arrendamento ou do alojamento local.” A Comissão Europeia defendeu recentemente que Portugal deve apostar em “medidas de longo prazo para controlar o rápido aumento dos preços das rendas”. Para o Executivo de Luís Montenegro, a imposição de limites legais às rendas representaria um “castigo generalizado dos proprietários”, preferindo deixar as rendas nos níveis atuais ou naqueles que o mercado quiser, e optando por subsidiar alguns inquilinos e prometer mais casas no mercado.

São medidas que não funcionam, insiste Bruxelas, como não funcionaram as dos sucessivos governos de esquerda. Onde falta a coragem fica o terreno baldio para ser ocupado por quem tem mais sentido de oportunidade política. Haverá manifestações que nos valham?

OUTROS ARTIGOS DESTE AUTOR

+ Ainda estamos aqui

+ O que se passa com os rapazes?

+ Mulas de carga e bodes expiatórios

Palavras-chave:

A contestação ao pároco de Valsosende (terras do Bouro), padre António Figueiredo, devido a algumas atitudes tomadas em especial desde 1968, e que a população considerou abusivas, esteve no início da “guerra” que meteu à bulha a GNR, com “desordens, escândalos e diversos aborrecimentos” no final da missa e acusações de violência.

Entretanto, o padre acentuou ainda mais a contestação geral ao querer mudar a igreja matriz e o cemitério para uma aldeia vizinha (Chamadouro). Os homens que representavam as famílias procuraram reverter a mudança, tentando reunir com o arcebispo de Braga, mas por treze vezes a audiência foi recusada, o que os levou a endurecer a luta até que as missas foram suspensas na terra.

Diz a reportagem: “A história já se alonga, e está longe do fim, uma história que parece ser de religião – e não é. É de uma revolução. Revolução que resulta numa mudança de religião: em fevereiro de 1971, os habitantes de Assento [de Valdosende] – três homens, três anciãos— contactam uma igreja de Braga, a Igreja Evangélica Metodista, são protestantes e não católicos, pedindo-lhes “assistência espiritual”. Tiveram-na e continuam a ter.” Hoje, a Igreja Metodista de Valdosende lá permanece, dirigida por um pastor brasileiro de São Paulo.

Tudo começou quando os habitantes de Valdosende – a dois passos de S. Bento da Porta Aberta, um importante santuário católico – souberam que existiam outras igrejas cristãs além da tradicional, o que antes desconheciam. Francisco Abel Lopes era o pastor da Igreja Metodista de Braga à época, a quem os populares foram pedir apoio espiritual, e dispôs-se a visitar a aldeia. Para isso reuniu as pessoas e realizou um serviço religioso ao ar livre. A boa recepção motivou então o pastor metodista a iniciar um local de culto fixo em Valdosende, mas a sua chegada à região foi caracterizada por uma dinâmica intervenção social. Enquanto começava a construção de um templo, abriu de imediato uma creche de modo a atender às crianças subnutridas, substituindo as “sopas de cavalo cansado” por leite e queijo, graças ao apoio de igrejas europeias, produtos que nunca tinham visto.

Em Valdosende, souberam da fé protestante através dum conterrâneo emigrado nos EUA, todavia ela tinha chegado cá há mais de um século (1868). Salazar e Cerejeira não gostavam dos protestantes mas já estavam fora de cena.

Abel Lopes pastoreou aquela comunidade de 1971 a 1989. Os metodistas tinham chegado plenos de energia, até porque, logo em 1971 cerca de “cem pessoas fizeram a chamada profissão de fé protestante.” Eles “trouxeram alimentos, sobretudo para as crianças, criaram uma cooperativa agrícola, instalaram posto clínico, até dentista, uma creche, melhoraram habitações e estradas, investiram na alfabetização da população – muito deste último trabalho em resultado de campos de férias, no Verão, que reuniam jovens metodistas, vindos de vários cantos do mundo.”

As mulheres da terra foram as grandes catalisadoras da mudança, até por se sentirem mais relevantes nas igrejas protestantes do que na católica, e nunca tiveram medo dos “bufos” da PIDE que também existiam na aldeia. Foram elas que escreveram ao papa a tentar reverter o abandono da igreja católica em Valdosende. Perante a resposta negativa deram assim origem a um movimento popular nunca antes visto, uma espécie de revolução. “Em Valdosende não havia nada: electricidade – apesar de estar tão próxima a uma das maiorias barragens do país –, esgotos, rede de abastecimento de água. Havia pobreza, extrema, escondida, mas visível por exemplo na subnutrição das crianças, analfabetismo, alcoolismo – infantil também –, abandono e rejeição.”

Se este movimento religioso dividiu a população da região nessa altura, hoje dão-se todos bem, protestantes e católicos, devido ao espírito ecuménico. A filha do pastor Abel Lopes é hoje também pastora da igreja metodista em Portugal.

A missa voltou a Valdosende mais tarde mas quase não tem fiéis. O cónego Melo, Vigário Geral em Braga, ainda tentou assustar a população, ao alertar “o povo de Deus” para “o demónio, que astutamente, com subtileza e arte, quer triunfar na luta por ele aberta”. Mas “em 1972, ao Jornal de Notícias, o então presidente da Junta, Bernardino Ribeiro, explicava porque o povo já não regressou ao catolicismo: ‘Trataram-nos como parolos. Não souberam levar-nos a bem. Antes dominavam-nos. Mas agora os homens já foram à Lua.”

Este evento passou despercebido ao País por ter ocorrido no tempo da censura e por se ter desenrolado no Portugal profundo, durante o Estado Novo, numa aldeia muito pobre, isolada nos confins do Gerês, atrasada, com forte emigração, os mancebos na guerra colonial e uma vida quotidiana de muita abnegação. Mas a população era crente em Deus, e quando a igreja católica lhes voltou costas, em vez de desistirem da fé os habitantes optaram por mantê-la e ganharam com isso: não perderam a fé no mesmo Deus de católicos e protestantes, e viram muitas das suas necessidades básicas supridas.

Em 1971 e apesar da censura, a revista Vida Mundial aproveitou a “primavera marcelista” e referiu-se a um “enclave que constitui uma machadada no orgulho hierárquico e autocrático”. E criticou a igreja católica pela sua ortodoxia “mais jurídica e exterior que moral e interior; mais colete-de-forças que dinamismo de consciência; mais pompa que verdade; mais triunfalismo que serviço, mais monumentalismo que espírito”.

Quanto ao padre que estava na raiz do conflito, mais tarde pediu para deixar a aldeia e foi para o Porto. Abandonou o sacerdócio e casou. “A população de Valdosende há muito lhe sabia da relação amorosa com uma professora da escola primária daquela freguesia.” Enfim, um episódio que dava um filme.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Com a venda do Novo Banco ao grupo francês BPCE, por um montante de 6,4 mil milhões de euros, o Estado português poderá encaixar 1,6 mil milhões de euros, mas o valor é muito inferior aos mais de 8 mil milhões de euros de capital público injetado na instituição que resultou da resolução do antigo Banco Espírito Santo (BES). O Estado detém cerca de 25% do Novo Banco através do Fundo de Resolução (13,54%), que poderá receber cerca de 866 milhões de euros, e da Direção-Geral do Tesouro (11,46%), que receberá 733 milhões de euros. Mas o fundo norte-americano Lone Star é que vai sair a ganhar, já que encaixa cerca de 4,8 mil milhões de euros pela venda da sua participação de 75% no banco. Em oito anos, prepara-se para multiplicar quase por cinco vezes o investimento de mil milhões de euros que efetuou quando adquiriu, em outubro de 2017, o controlo da instituição. Mas se somarmos os mil milhões de dividendos entretanto pagos pelo Novo Banco ao seu maior acionista, a Lone Star, sai a lucrar seis vezes mais do que a aplicação inicial.

A compra do quarto maior banco português faz parte dos planos de expansão do grupo Banque Populaire ‒ Caisse d’Épargne (BPCE), que concretiza assim a sua primeira investida fora de portas na área da banca de retalho. Em Portugal, o grupo BPCE já está presente através de um centro tecnológico do banco de investimento Natixis, da Oney, uma empresa focada no crédito ao consumo nas grandes superfícies, e do Banco Primus, vocacionado para o financiamento automóvel.

“A equipa do Novo Banco fez um trabalho incrível. O Novo Banco é um dos bancos mais rentáveis na Europa”, disse Nicolas Namias, presidente-executivo do grupo. Por isso, o BPCE vai manter a equipa de gestão do banco, liderada por Mark Bourke, assim como os 4 200 postos de trabalho e a marca portuguesa.

“Não vamos cortar postos de trabalho. O nosso projeto em Portugal não se baseia em cortes”, disse ainda o CEO, recordando que os cerca de três mil trabalhadores do grupo francês em Portugal “não se dedicam à atividade bancária, à banca de retalho”.

O grupo BPCE, de estrutura cooperativa, é um dos maiores da Europa e passou a ser o segundo maior grupo bancário em França com a fusão entre o Banque Populaire e a Caisse d’ Épargne. No seu mercado nacional, atua na banca de retalho e nos seguros. No exterior, tem presença em 56 países, exclusivamente na área da banca de investimento. No total, emprega mais de cem mil trabalhadores e gera lucros de 3,5 mil milhões de euros. Já o Novo Banco, com 4 200 trabalhadores e quase 300 balcões, registou lucros de 745 mil milhões de euros em 2024. É o quarto maior banco português, atrás da Caixa, BCP e Santander, com uma quota de mercado ligeiramente superior a 9%.

Na corrida ao Novo Banco, o grupo BPCE venceu os espanhóis do CaixaBank, dono do BPI, a quem o Governo tinha feito saber que o seu interesse na instituição não era do agrado das autoridades portuguesas. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, chegou a afirmar que uma maior exposição da banca nacional a grupos espanhóis, que já controlam cerca de 30% do setor financeiro, colocaria em causa a livre concorrência.

No dia do anúncio da escolha do grupo BPCE, o Ministério das Finanças considerou, em comunicado, que a operação representa para Portugal “um sinal muito importante de confiança dos investidores internacionais”, e informou que “esta venda, associada à distribuição de dividendos do Novo Banco que ocorreu este ano, permite ao Estado recuperar quase 2 mil milhões de euros dos fundos públicos injetados na instituição”.

Fatura pesada

O Novo Banco foi criado em 2014 após a derrocada do Banco Espírito Santo (BES). Detido na totalidade pelo Fundo de Resolução (FdR), uma entidade pública financiada por contribuições dos bancos que operam no mercado nacional, recebeu os ativos considerados “bons” da instituição objeto de resolução, designadamente os depósitos dos clientes. Para fazer face às necessidades de capital sentidas após a resolução, o FdR capitalizou o “banco bom” em 4 900 milhões de euros, pedindo ao Estado um empréstimo a longo prazo (a 30 anos) no valor de 3 900 milhões de euros.

Em outubro de 2017, o Novo Banco foi alienado ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, que não pagou qualquer valor pela compra de 75% do seu capital. O fundo norte-americano injetou mil milhões de euros na instituição e o Estado aceitou criar um mecanismo de capital contingente através do qual o FdR teria de compensar o banco pela desvalorização de ativos que pusessem em causa os seus rácios de capital, com um limite de 3 890 milhões de euros. No âmbito desse acordo, o Novo Banco recebeu cerca de 3 500 milhões de euros, dos quais mais de dois mil milhões de euros foram disponibilizados ao abrigo de empréstimos do Estado ao FdR. O custo de cerca de 8 mil milhões de euros resulta, em grande parte, deste acordo de capitalização do Novo Banco que o Estado aceitou fazer com a Lone Star. E que esteve sempre rodeado de enorme polémica.

Com efeito, o banco passou por tentativas de venda falhadas, recebeu dinheiros públicos, reduziu postos de trabalho e deixou de ter presença internacional. Foi escrutinado por comissões parlamentares, auditorias e, para agravar a polémica, o Tribunal de Contas criticou severamente a gestão do Novo Banco, na altura liderada por António Ramalho, mas também o acionista Fundo de Resolução, por não ter “minimizado o seu impacto na sustentabilidade das finanças públicas nem reduzido o risco moral”. Na altura, tinham já sido realizadas, além dos 4 900 milhões de euros de capitalização inicial, injeções de capital no valor de quase 3 mil milhões de euros ao abrigo do acordo de capital contingente.

A resolução do BES, imposta pelas autoridades europeias, pode vir a onerar ainda mais a fatura do Estado português. Na Justiça, decorrem centenas de processos judiciais de investidores lesados que reclamam indemnizações ao FdR. A compensação dos lesados do papel comercial do BES custou cerca de 267 milhões de euros emprestados pelo Estado ao FdR. E este, apesar de ter sido reconhecido como credor privilegiado do BES, nunca será ressarcido dos encargos que já teve com a resolução porque o ativo do “banco mau” é de apenas 175 milhões de euros.

Negócio ao raio-x

A compra do Novo Banco pelo grupo francês BPCE foi anunciada como sendo “a maior aquisição transfronteiriça na Zona Euro em mais de dez anos”Novo Banco

Novo Banco

Lucros em 2024
€745 milhões de euros

Lucros no 1º trimestre 2025
€177 milhões

Posição no ranking da banca nacional

Clientes
1,7 milhões

Trabalhadores
4 200

Balcões
291

Grupo BPCE

Lucros em 2024
3,5 mil milhões de euros

Lucros no primeiro trimestre
910 milhões de euros

Posição no ranking da banca francesa

Clientes
35 milhões

Trabalhadores
103 mil

Países
56

Palavras-chave: