Visão
A Netflix revelou a intenção de se tornar uma empresa especializada também em publicidade digital, ao constituir equipas internas focadas nestes desenvolvimentos. A revelação foi feita durante uma apresentação pública, na qual a Netflix revelou que o plano de assinatura mais barato (sete dólares por mês, nos EUA; não está disponível em Portugal), que obrigado à visualização de anúncios, tem atualmente 40 milhões de utilizadores e que este plano é responsável por 40% dos novos clientes da plataforma.
Até aqui, a Netflix tinha uma parceria com a Microsoft para a publicidade e as vendas, mas agora parece ter decidido prosseguir a solo. A responsável de anúncios Amy Reinhard conta que esta estratégia “vai permitir-nos alimentar os anúncios com o mesmo nível de excelência que tornou a Netflix líder da tecnologia de streaming atualmente”, cita o Engadget.
Além do desenvolvimento interno e de a parceria com a Microsoft ser para manter, a Netflix vai estabelecer também novos acordos com a The Trade Desk e com a Display & Video 360 da Google.
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Foi aos 30 anos que Paulo Ribeiro, agora com 53, começou a ter hipertensão arterial, doença crónica que contribui para a principal causa de morte em todo o mundo: as doenças cardio e cerebrovasculares, como o enfarte agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC).
“Tinha visão dupla, sentia-me muito agitado e muito irritado com a família”, conta o funcionário público. Consultou vários especialistas e tomou vários tipos de medicamentos, que eram substituídos por outros a cada 15 dias ou mês, mas nenhum deles teve o efeito pretendido.
“Era um gasto significativo de medicamentos que depois iam para o lixo, porque de facto não eram suficientes para eu estar bem”, diz Paulo Ribeiro. Pelo contrário, testou medicação que estava a ter um impacto negativo na sua saúde. “O pâncreas estava a ser afetado com pelo menos dois medicamentos. Sentia um stress praticamente constante causado pela hipertensão na minha vida, já que os sintomas colocavam-me numa situação insustentável e afetavam a minha qualidade de vida, no trabalho, em casa… andava sempre muito nervoso e a hipótese de estar bem era praticamente nula”, conta.
A vida de Paulo mudou quando o seu cardiologista lhe falou acerca de uma técnica, a desnervação renal, “um procedimento minimamente invasivo que consiste em “destruir” nervos que envolvem as artérias renais”, explica à VISÃO Vitória Cunha, membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e especialista em Medicina Interna.
“É realizada através de um cateter inserido na veia femoral, que aplica radiofrequência, ou mais recentemente ultrassons, nas artérias renais de forma a reduzir os efeitos do sistema nervoso simpático no nosso organismo, que é um dos vários mecanismos envolvidos na hipertensão”, acrescenta a médica.
Para Paulo, este procedimento foi super eficaz, levando a uma redução da maioria da medicação que tomava para tentar controlar a doença. “Tomava 12 medicamentos e comecei a tomar três, um para a hipertensão, um para o coração e outro para os batimentos cardíacos”, diz. “O tratamento melhorou a minha vida em 99%”, acrescenta ainda.
A desnervação renal começou a ser aplicada de uma forma mais rudimentar nos anos 50, mas foi desenvolvida mais tarde e as publicações-piloto acerca da técnica aconteceram entre 2009 e 2010. “Houve um grande número de doentes submetidos a desnervação nos anos seguintes, mas entretanto saíram mais resultados que deixavam algumas dúvidas sobre a eficácia da técnica, pelo que esta foi abandonada durante vários anos”, diz Vitória Cunha, acrescentando que a prática só foi retomada mais recentemente, “depois de estudos mais sólidos com mais eficácia e segurança comprovadas”.
Em Portugal, esta técnica é realizada apenas em centros especializados, com cardiologistas treinados na técnica, explica a especialista. “Não pode, nem deve, ser realizada em qualquer pessoa com hipertensão arterial: está reservada para a pequena percentagem de pessoas com hipertensão verdadeiramente resistente”, defende a médica.
A doença pode afetar todas as artérias e causar problemas como insuficiência renal, alterações da visão, insuficiência cardíaca, doença arterial periférica (das artérias dos membros inferiores), disfunção erétil e demência. “Estas doenças estão associadas não só a uma elevada taxa de mortalidade, mas também de morbilidade, ou seja, de incapacidade e possível dependência de terceiros para manter uma qualidade de vida razoável”, afirma a especialista.
Vitória Cunha alerta para o facto de que, embora contribua “para o controlo da hipertensão e, em vários casos”, reduza “a quantidade de medicação necessária para manter valores adequados”, esta técnica “não cura a doença e não é eficaz em todos os indivíduos, daí a necessidade de selecionar adequadamente quem a pode realizar”.
E apesar de não ser comparticipada pelo Estado, a grande maioria da medicação para a hipertensão é e a sua toma regular, acrescenta a especialista, “consegue promover o controlo da doença numa grande percentagem de pessoas, reduzindo a probabilidade de doença cardio e cerebrovascular”.
Apesar de a hipertensão ter algum componente genético, os principais fatores de risco são modificáveis: o excesso de consumo de sal, o excesso de consumo de gorduras (saturadas e trans) e reduzido consumo de frutas e legumes, o sedentarismo, o excesso de peso, o excesso de consumo de bebidas alcoólicas e o tabaco. O sal pode ser reduzido e substituído, por exemplo, por ervas aromáticas, limão e alho, que podem dar sabor à comida sem contribuir de forma nefasta para a saúde. As gorduras saturadas e trans podem ser substituídas por gorduras insaturadas e mais “saudáveis”(por exemplo, o azeite) e devem ser evitados alimentos processados e pré-cozinhados. Já o exercício físico não precisa de ser um ginásio intenso ou uma maratona. Uma caminhada regular de 20 minutos algumas vezes na semana pode ser um excelente começo. Também já se concluiu que a poluição sonora, a poluição ambiental, o stress e a ansiedade e uma má qualidade do sono são outros contributos importantes para a hipertensão e devem ser evitados.
Um novo estudo científico realizado pela Universidade Imperial de Londres e pelo Instituto de Investigação da Demência do Reino Unido revelou mais detalhes sobre a atividade do cérebro humano durante o sono. A nova investigação comparou a atividade cerebral que ocorre durante limpeza de toxinas do organismo em ratinhos acordados, a dormir e sedados e descobriu que o cérebro foi eficaz menos eficaz nessa tarefa enquanto dormiam. Uma conclusão que vai contra o que os cientistas acreditavam ser verdade. Estudos anteriores partiam-se do princípio que o cérebro utiliza o tempo de descanso para proceder eliminação de resíduos do organismo – processo conhecido enquanto sistema glinfático.
As conclusões da nova investigação científica, publicadas na revista Nature Neuroscience, indicam agora que o estado de atividade cerebral poderá até funcionar melhor no processo de eliminação de toxinas do que durante o sono. “O campo (científico) tem estado tão concentrado na ideia da desobstrução como uma das principais razões pelas quais dormimos, e é claro que ficámos muito surpreendidos ao observar o oposto nos nossos resultados”, referiu Nick Franks, um dos autores envolvidos no estudo.
Franks e a sua equipa recorreram a uma amostra de ratinhos de laboratório para observar a sua atividade cerebral nos três estados. Desse modo, foi injetado no cérebro dos animais um corante florescente e analisada a capacidade dos mesmos em limpar as toxinas do organismo. Segundo os dados apurados, os ratos adormecidos mostraram ser 30% menos eficientes na eliminação do corante do que os roedores que permaneceram acordados durante a experiência. Já na amostra anestesiada, a taxa de eliminação foi reduzida em 50%.
Ademais, foi ainda possível observar que o tamanho das moléculas tem influência na rapidez com que as toxinas são eliminadas bem como descobrir que alguns compostos toxicos são suprimidos através de diferentes sistemas. “Até à data, não sabemos o que é que estes estados têm que torna mais lenta a remoção de moléculas do cérebro. O próximo passo da nossa investigação será tentar perceber porque é que isto acontece”, acrescentou Franks. A equipa de cientistas espera agora retirar as mesmas conclusões em testes em humanos.
“Existem muitas teorias sobre o motivo pelo qual dormimos e, embora tenhamos demonstrado que a eliminação de toxinas pode não ser uma razão fundamental, não se pode contestar que o sono é importante. O outro lado do nosso estudo é que mostrámos que a limpeza do cérebro é altamente eficiente durante o estado de vigília. Em geral, estar acordado, ativo e fazer exercício pode limpar o cérebro de toxinas de forma mais eficiente”, explicou Bill Wisden, também autor da investigação.
A diversidade traz oportunidades e desafios. E, apesar dos progressos observados nas últimas décadas, ainda há muito caminho por trilhar, sendo necessário rebentar as nossas bolhas. Esta foi uma das grandes conclusões do painel “Desafios de um mundo mais diverso” da III conferência Girl Talk. O debate reuniu Ana Santos Pinto, diretora executiva do IPRI-Nova, Isabel Guerreiro, administradora executiva do Santander Portugal e Mónica Soares, consultora de negócios, branding e estratégia.
A forma como as empresas refletem o que é a sociedade foi um dos principais temas em cima da mesa. Isabel Guerreiro considerou que se tem assistido a um aumento da inclusão, mas ressalvou que há mais por fazer. A administradora do Santander, formada em Engenharia Informática, recordou que quando entrou “no pavilhão do Técnico não havia casa de banho para mulheres”. Depois disso, foi uma das minorias no banco, já que era uma engenheira entre juristas e economistas. “Melhorou imenso, mas continuo a acreditar que é fundamental que continue a fazer parte da agenda das organizações, porque representam a sociedade. Vivemos em bolhas. E, portanto, tem que fazer parte da agenda das organizações, mesmo que seja forçado em algumas vezes”, referiu.
Isabel Guerreiro observou que de facto as organizações ainda não são representativas da sociedade.” E não é apenas uma questão de género ou de etnia”, indicou. “Quando comecei a trabalhar achava que o tema das quotas não era suficientemente meritocrata. Hoje mudei bastante de opinião. Creio que se não impusermos quotas vai demorar muito mais tempo a reduzir-se o gap. Tem sido muito importante impor a diversidade em todos os sentidos. Tem de fazer parte da agenda e de forma mais intensa”.
Já Ana Santos Pinto demonstrou que, muitas vezes, é cada um de nós que impede uma maior diversidade. “Nós simplesmente estamos fechados na nossa bolha. E a experiência de vida e a forma como vamos estabelecendo as nossas relações sociais e culturais faz-nos, consciente ou inconscientemente, esconder essa diversidade porque nesta lógica de massas eu quero ser igual à maioria”, afirmou. A antiga secretária de Estado da Defesa salientou ainda que “o medo da diferença está diretamente relacionado com o medo do desconhecido e a primeira questão é assumirmos que existe uma diferença e a segunda procurar conhecê-la”.
A diretora executiva do IPRI-Nova defendeu, assim, que a “diversidade resulta da nossa opção individual. Queremos ou não ouvir? Queremos manter-nos na nossa posição de conforto ou queremos criar um espaço seguro para que todos possam dizer o que pensam sem a noção do que vão pensar de mim. A resposta não é difícil. Primeiro tenho de querer rebentar com a minha bolha e isso é rebentar com a minha zona de conforto”.
No seu percurso profissional, Mónica Soares, teve de sair algumas vezes da sua zona de conforto. “Antes de ser empresária, estive numa multinacional líder de mercado nas marcas de luxo. Fiz parte da equipa que abriu a maior loja na Avenida da Liberdade e, em 2003, esta empresa não tinha uma única pessoa negra na sua equipa”, contou. “Aprendi nessa altura que a minha cor influenciava e influenciava muito. Gosto muito da cor que tenho, gosto do que sou e do que me construí enquanto ser humano e enquanto profissional. Esse é o meu desafio todos os dias. O segundo é não deixa que o tema em cima da mesa seja a cor. Tento trazer para cima da mesa outras discussões”. A empresária considerou que “o medo pelo diferente é colocado em cima mesa e essa lógica leva-nos a vários fatores, antes do fator cor há o de ser melhores, antes do ser mulher há o fator da geração, existem ‘n’ fatores”.
Reflexões sobre como, muitas vezes, basta superar o medo do desconhecido e mostrar disponibilidade para dialogar para conseguir organizações e uma sociedade mais diversas e inclusivas.
O papel dos líderes das organizações está em plena mudança e, ser gestor nos dias de hoje, exige uma constante adaptação às novas realidades do mercado de trabalho. “Enquanto há uns anos um líder geria e desenvolvia a sua organização numa perspetiva mais hierárquica, autoritária até, onde existia um poder e um centro de gravidade ao qual as pessoas se sentiam agradecidas por poderem trabalhar naquela empresa, neste momento, as coisas mudaram radicalmente. Este poder, este centro de gravidade, passou para as pessoas”, defendeu Soledade Carvalho Duarte, managing partner da Invesco Transearch Portugal, no painel dedicado ao tema O Papel da Liderança, no decorrer da III Conferência Girl Talk, que se realizou esta quinta-feira, 16, no Clube Ferroviário, em Lisboa.
Segundo a gestora, atualmente não só são “as pessoas que escolhem as empresas para onde vão trabalhar, como são cada vez mais criteriosas nesse processo” que envolve um largo escrutínio dos líderes, das valores da empresa, das práticas de sustentabilidade, entre outros fatores.
“Os grandes nomes dos gestores e das empresas já não são um atrativo como eram noutros tempos. Isso deixou de ser um critério. As pessoas escolhem a empresa com que se identificam, aquela que tem um propósito mais aproximado aos seus valores e que lhe possa oferecer algo, além do salário, que lhe permita um maior desenvolvimento profissional”, garante Soledade Carvalho Duarte.
Face a todas estas mudanças, arranjar novos quadros e até manter os já existentes torna-se um problema quase diário para um gestor. Madalena Reis, administradora do Centro Cultural de Belém, admite que a retenção de talento é, hoje, um dos maiores desafios das organizações. “Para os Millennials, o emprego era considerado um privilégio. Nós tivemos de passar por um longo processo de aprendizagem e estávamos mais disponíveis para a empresa, prejudicando por vezes a nossa vida pessoal. Para a geração Z o emprego é um direito. E os jovens chegam ao mercado de trabalho com um número de exigências enorme”, justifica a administradora do CCB.
Sobre o papel das mulheres nesta nova liderança, Soledade Carvalho Duarte admite que ainda existe “um problema de auto confiança das mulheres no mundo do trabalho”, que, na sua opinião, é gerado por várias de ordem cultural e social. E dá um exemplo: “Na minha empresa ajudamos empresas a contratar gestores e diretores de primeira linha. Se eu tiver sete homens a quem convido para um projeto todos eles ficam entusiasmados e dizem que querem assumir o cargo. Se eu tiver as mesmas sete mulheres, terei duas que se mostram interessadas, quatro que irão duvidar das suas capacidades para exercer essa função e uma que me vai dizer que não, apresentando os mais variados motivos, desde a falta de confiança, a segurança que tem no local onde está, por não querer novos desafios, etc. É abissal a diferença de postura do género quando enfrentam um head hunter. E isto passa-se em todas as gerações, desde as jovens de 30 ou 35 anos até às senhoras com 55 ou 60”, esclarece.
Para a managing partner da Invesco Transearch Portugal há um trabalho de auto confiança que tem e ser melhorado. “As mulheres têm de perceber que outras houve que conseguiram superar esses desafios”, explica.
Um desafio que foi vivido por Filipa Garcia, CEO da Garcia Wines & Spirits, que em pouco tempo teve de deixar o papel de “filha do patrão” para assumir a liderança da empresa, após o falecimento do seu pai em 2021, ainda em período de pandemia.
“Lidei com a complicação de ter pessoas com mais tempo de casa do que eu de vida. Estes olhavam para mim de uma forma diferente. Para eles eu era a filha do patrão que eles viram crescer a correr pelos cantos da empresa. Para ultrapassar este estigma, tive uma aproximação diferente aos colaboradores. Andei uma semana com todos os comerciais, de Trás-os-Montes a Vila Real de Santo António, passando pelas Ilhas, porque queria conhecê-los e queria que eles me conhecessem a mim”, relata.
A gestora reconhece que este processo de “andar de carro durante uma semana com um colaborador” permite falar de tudo um pouco e conhecer melhor a pessoa. “O pedir ajuda, o dar tempo para conhecer aqueles que nos rodeiam é um processo necessário, não só nas empresas como também na sociedade”, garante.
E quem tem uma base de liderança por baixo tem de ter empatia e humanização dentro do local de trabalho. Tem de conhecer bem as pessoas e saber quais as suas emoções num determinado momento
Filipa Garcia
Filipa Garcia, relata ainda que, quando assumiu a liderança desenvolveu uma nova forma de gestão dentro da Garcias. “Deixou de ser uma empresa de one man show, e criei uma equipa de direção. Somos praticamente todos da mesma idade e temos várias mulheres na equipa que não foram contratadas por serem mulheres mas sim pelas suas capacidades e competências. E quem tem uma base de liderança por baixo tem de ter empatia e humanização dentro do local de trabalho. Tem de conhecer bem as pessoas e saber quais as suas emoções num determinado momento. Costumo dizer que 90% do meu trabalho é ser psicóloga”, conta.
Mas se numa empresa familiar como é a Garcias este processo pode ser mais simples, numa organização como o Centro Cultural de Belém, com o peso institucional que lhe é reconhecido, este processo tende a ser mais complicado para a gestão. “Nós temos pessoas com funções muito distintas, desde o técnico de palco ao eletricista, aos assistentes de bilheteira, aos programadores de espetáculos, e eu acredito muito neste managing by walking arround. Acho que o contacto direto com as equipas e as conversas que acontecem fora da hora marcada são fundamentais para criar espírito de corpo dentro da organização. Há dificuldades e constrangimentos, mas temos de remar todos para o mesmo lado. Temos de criar um ambiente onde as pessoas se sintam bem”, afirma Madalena Reis.
Sobre a gestão das progressões de carreira, a gestora explicou que as oportunidades que surgem dentro da organização “não têm de ser obrigatoriamente para cargos de liderança” ou com maior responsabilidade. “Por vezes há outras áreas que dão oportunidades de crescimento profissional e já tivemos exemplos de pessoas que encontraram a sua verdadeira vocação depois de terem passado por duas ou três funções diferentes. E hoje são dos melhores profissionais que temos naquele cargo. O diálogo tem de ser franco e aberto com as pessoas para se poderem criar verdadeiras oportunidades de desenvolvimento pessoal. E, no final, o desenvolvimento pessoal é o que todos procuramos quando entramos no mercado de trabalho”, remata.
A III Conferência Girl Talk teve o patrocínio do Santander Portugal e o apoio da Van Zellers & Co.
Mesmo em quantidades pequenas, a ingestão de álcool, depois de absorvido pela membrana mucosa do estômago e dos intestinos, afeta a capacidade de concentração e de reação das pessoas, aumentando o risco de acidentes. O consumo excessivo de álcool pode ainda levar a doenças do fígado, inflamação gastrointestinal ou mesmo a cancro, com a Organização Mundial de Saúde a estimar que três milhões de pessoas morram todos os anos pelo consumo de excesso de álcool.
Agora, uma equipa de investigadores da ETH Zurique criou um gel proteico que ‘parte’ o álcool no trato gastrointestinal. Em ratos de laboratório, a substância converteu rápida e eficientemente o álcool ingerido em ácido acético inofensivo antes que este entrasse na corrente sanguínea, onde começam a ser desenvolvidos os efeitos inebriantes e tóxicos.
No estudo publicado na Nature Nanotechnology, os investigadores explicam que “o gel muda a ‘quebra’ do álcool do fígado para o trato digestivo. Em contraste com o que acontece quando o álcool é metabolizado no fígado, não é produzida qualquer substância perigosa como produto intermédio”.

A equipa antevê um futuro em que as pessoas possam tomar oralmente este gel antes ou enquanto bebem álcool, como forma de minimizar os efeitos negativos no corpo. O gel só é eficiente enquanto existir álcool no trato gastrointestinal, não sendo útil quando este já entrou na corrente sanguínea. “O mais saudável é não beber álcool de todo. No entanto, o gel pode ser de interesse particular para quem não quer deixar de beber completamente e para os que não querem sobrecarregar os seus organismos, nem procurem os efeitos inebriantes do álcool”, explica o professor Raffaele Mezzenga, que liderou o estudo.
O gel é constituído por proteína whey, sal, água, átomos de ferro e ouro como catalisador para o peróxido de hidrogénio necessário. Em ratos de laboratório, o gel reduziu o nível de álcool em 40% nos primeiros 30 minutos e em 56% nas cinco horas seguintes.
Neste momento, a equipa já está em processo de registar a patente desta substância, ainda antes de ter conseguido autorizações para realizar testes em humanos.
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Uma investigação internacional, e em que participa Ricardo Zambujal Ferreira, investigador do Centro de Física da Universidade de Coimbra (CFisUC) e do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), foi destaque na revista america Scientific American.
Este trabalho consistiu no “estudo da evolução e colapso da denominada rede de paredes de domínio, uma espécie de estrutura labiríntica de paredes que deambula pelo universo primordial”, explica, em comunicado, Ricardo Ferreira. Nesta investigação, foi concluído que os colapsos destas redes de domínio conduzem à formação de buracos negros primordiais.
“Identificámos dois regimes interessantes”, afirma o autor. “Por um lado, se as redes colapsam aquando da formação dos primeiros núcleos no universo, elas geram ondas gravitacionais que podem estar por detrás dos recentes sinais detetados pelos observatórios de pulsares de millisegundos e levam à formação de buracos negros estelares que podem ser detetáveis num futuro próximo”, revela o autor.
Por outro lado, diz ainda, “nos casos em que a rede colapsa ainda mais cedo no universo primordial, os buracos negros formados podem ter massas comparáveis às de asteroides e ser a explicação do puzzle da matéria escura”, explica.