Desgovernados, sem lei nem ordem, caóticos e mortais, o ICE e a Guarda Fronteiriça continuam a agir com impunidade, protegidos pelo presidente Trump, mesmo quando «executam» dois cidadãos americanos nas ruas de Minneapolis. Os vídeos das duas mortes — sendo que o do enfermeiro é uma execução assassina — são arrepiantes e chocantes. Geram pânico, horror e medo. Os EUA não são o Irão, onde se mata e executa a sangue-frio.
Trump culpa os democratas e, como sempre, o anterior presidente, na costumeira ladainha de atirar responsabilidades para os outros — confrangedor. Mas foi ele quem deu rédea solta e abriu a porta a brutalidades impensáveis que atingem todos indiscriminadamente, americanos ou não.
O 47.º Presidente dos Estados Unidos não reúne condições mentais nem estabilidade suficientes para governar o país mais poderoso do mundo, tanto interna como externamente. Essa «loucura» só poderá ser travada se, nas eleições de Novembro, os republicanos perderem a escassa maioria que detêm na Câmara dos Representantes, bem como um ou dois senadores entre os que vão a votos. Só o Congresso e o poder judicial podem travar as suas ideias aberrantes e o estilo autocrático com que exerce o poder executivo.
Isto significa que não será necessário esperar mais três anos pelo fim do mandato presidencial, mas apenas um. Sem maioria no Congresso, Trump ficará refém do equilíbrio de poderes do sistema americano — ele e todas as agências que comanda — e daí esta «caçada» contra o tempo desencadeada pelo ICE e pela Polícia Fronteiriça. Uma das bandeiras deste presidente pode transformar-se no seu desastre eleitoral sem apelo nem remédio. Os republicanos começam a perder a paciência com tanta confusão interna e externa. Trump tem os dias contados.