Assinala-se esta sexta-feira o Dia Mundial da Energia. A data pede sensibilização e motivação para a necessidade de serem desenvolvidas estratégias de eficiência e poupança energética. Infelizmente, em Portugal, nem todos podem comemorar esta data.
Por cá, em 2026, continuamos a falar muito de transição energética, sustentabilidade e descarbonização, enquanto continuamos a ter milhares de famílias incapazes de aquecer a casa no inverno ou de a manter fresca durante os períodos de calor extremo, situação que voltará a acontecer novamente no verão que se aproxima.
A pobreza energética é uma questão social, económica, ambiental e até de saúde pública. E é também um problema de competitividade do País. Portugal continua a apresentar um parque habitacional com má qualidade construtiva, pouco eficiente e, em muitos casos, profundamente inadequado às exigências de conforto e das condições climáticas atuais. Casas mal isoladas significam menos conforto, mais consumo e custos com a fatura da energia, significando uma maior vulnerabilidade para as famílias portuguesas.
A transição energética não pode resumir-se aos slogans apelativos sobre a produção de energia renovável, à descarbonização da indústria ou à eletrificação da economia. Tem de começar dentro das habitações de cada um de nós. Reabilitar edifícios, melhorar o isolamento, substituir janelas ineficientes e modernizar sistemas não é apenas uma intervenção técnica: é uma forma concreta de combater desigualdades e melhorar a qualidade de vida de todos.
Nos últimos anos, Portugal deu alguns passos no sentido certo, mas continua a existir um desfasamento entre os programas anunciados e a capacidade real da sua execução.
O combate à pobreza energética exige uma visão integrada e pragmática, políticas públicas estáveis, rapidez na execução, simplificação de processos e maior proximidade com as populações. Num país onde ainda há pessoas que vivem em casas frias no inverno e demasiado quentes no verão, falar de energia é falar de dignidade. O Dia Mundial da Energia deve servir precisamente para isso: lembrar que a transição energética só fará sentido se for também uma transição social equitativa. Uma transição que não deve deixar ninguém para trás.
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