Escrevo este texto como cidadão, antes de o escrever como observador da vida política. Num tempo em que a democracia portuguesa enfrenta desafios que vão da desinformação à crescente desconfiança nas instituições, sinto que a escolha do próximo Presidente da República deve ser guiada por algo simples, mas essencial, a capacidade de unir, de ouvir e de representar todos, mesmo aqueles que não pensam da mesma forma. É por isso que, na segunda volta das eleições presidenciais, a minha opção recai sobre António José Seguro.
Ao longo do seu percurso político, vi em António José Seguro uma coerência constante na defesa da democracia, da liberdade e do diálogo. Num espaço público cada vez mais marcado por discursos rápidos, ruído mediático e confrontos permanentes, a sua postura serena pode parecer, à primeira vista, menos chamativa. Para mim, é precisamente aí que reside a sua força. O Presidente da República não é um comentador permanente nem um ator partidário, é um árbitro, um garante da Constituição e um símbolo da unidade nacional.
A experiência institucional de Seguro pesa na minha decisão. Acompanhei os anos em que liderou o Partido Socialista em contextos particularmente exigentes e recordo a forma como procurou manter pontes abertas, mesmo quando o ambiente político era de forte tensão. Essa capacidade de compreender o funcionamento da Assembleia da República, de dialogar com o Governo e de respeitar os limites e deveres da Presidência é, a meu ver, fundamental para evitar quer excessos de protagonismo, quer ausências injustificadas nos momentos em que a palavra do Presidente é necessária.
Há também uma dimensão mais pessoal nesta escolha, a atenção que Seguro tem dado às desigualdades sociais e territoriais que atravessam o País. Vivo num território onde a distância aos centros de decisão se sente no dia a dia, nas oportunidades que faltam, nos serviços que tardam e na sensação persistente de que algumas vozes contam menos do que outras. Um Presidente não resolve estes problemas por decreto, mas pode dar-lhes visibilidade, pode ouvir no terreno e pode usar a sua palavra para lembrar que Portugal não termina nas grandes cidades.
No plano internacional, valorizo igualmente a sua visão europeísta e a defesa de uma presença externa de Portugal assente na cooperação, no multilateralismo e na promoção dos direitos humanos. Num mundo cada vez mais instável e imprevisível, prefiro um Presidente que fale com sobriedade, mas seja ouvido, que construa alianças em vez de procurar palcos ou gestos simbólicos vazios.
A segunda volta obriga-nos a uma escolha clara. No meu caso, essa escolha traduz-se numa aposta numa presidência de equilíbrio, proximidade e respeito pelas instituições democráticas. Votar em António José Seguro é, para mim, votar na ideia de que a política ainda pode ser um espaço de diálogo e não apenas de confronto. É escolher um futuro em que o Presidente da República ajude a aproximar cidadãos e democracia, em vez de os afastar ainda mais.
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