“Há dois anos que há raparigas no Colégio Militar, mas só agora passaram a viver lá dia e noite. Acompanhei durante alguns dias a Maria, 11 anos, aluna do 6ª ano, que tem como alcunha “Ervilhinha”, por ser pequenina, ter olhos verdes e gostar de ervilhas, embora a identificação
na secretária diga apenas ” Cardoso 493″. O que mais me impressionou foi a firmeza, dedicação e orgulho com que desempenha cada uma das várias tarefas que tem que cumprir durante o seu longo dia, que começa com a alvorada as 7h00 e acaba no internato por volta das 21h00″Ana Baião
Alberto Frias
2014 | José Sócrates é detido a 23 de novembro à chegada ao aeroporto de Lisboa e conduzido para uma audiência no Campus de Justiça Foto: Alberto Frias
António Pedro Ferreira
António Pedro Ferreira
António Xavier
“Quando o Plácido Júnior me informou que temos de estar às 7 horas do dia 24 (de junho de 1994) junto das portagens
da Ponte 25 de Abril porque os irmãos Pinto e outros camionistas iriam bloquear os acessos à ponte, nunca me passou pela ideia que iria participar na mais longa reportagem da minha carreira: 35 horas
onde aconteceu de tudo, polícias a disparar sobre a multidão, motards a provocarem a polícia de intervenção, cargas policiais em que me partiram uma teleobjetiva, fogueiras e técnicos da policia a tentarem desbloquear os camiões em vão.”António Xavier
Bruno Rascão
“Maio de 2011 será sem dúvida um mês simbólico para o futuro incerto das sociedades europeias. Muitos podem opinar que aquele movimento espontâneo que reivindicava a humanização do sistema social e político caiu no esquecimento, engolido pela aplastante máquina económica, dirigida pelos célebres mercados que tudo governam.Como cidadão europeu e jornalista creio ter assistido ao despertar de uma minoria social que tem contagiado muitas outras pessoas a organizar-se em movimentos cidadãos que lutam por uma sociedade mais justa, começando pelos bairros e cidades onde vivem, muitos deles com as siglas 15M associadas, as do movimento que se iniciou a 15 de Maio de 2011. Desde então pouco mudou, e nada voltou a ser como antes. A vida da maioria dos cidadãos não melhorou. As políticas de austeridade agravaram as condições de vida de uma maioria resignada, e os direitos e liberdades minguaram de maneira preocupante. Por outro lado, nunca se destaparam tantos casos de corrupção perpetrada de maneira endémica e durante décadas pela elite – incluida a Casa Real – que não têm forma de escapar à exposição mediática de um julgamento, independentemente do desenlace.
O aparecimento de novos partidos no panorama político espanhol é também um sinal de que a cidadania está mais desperta que nunca, que sabe que com o voto pode entregar 35% do escrutinio a siglas que nunca antes se apresentaram a eleições nacionais. Que o bipartidarismo tem os dias contados e que nenhum partido está a salvo do desaparecimento eleitoral. Estes são apenas alguns dos sintomas mais mediáticos de um processo de transformação social que julgo ser tão inevitável como incerto, e cuja semente se encontra num lento mas imparável despertar da cidadania, que em Espanha se gravou com as siglas 15M.”Bruno Rascão
Gonçalo Rosa da Silva
“Os dias logo após a entrada das tropas americanas em Bagdad foram caóticos. O descontrolo total. Entre muitos dos tristes acontecimentos que presenciámos, as pilhagens estavam no topo. Museus, bibliotecas, ministérios, hospitais, casas, lojas tudo era saqueado. Esta imagem foi tirada no assalto popular ao Banco Central e foi usada na capa da VISÃO com o brilhante título do Cáceres Monteiro ‘Os ladrões de Bagdad’. Foi realmente uma sorte termos apanhado este momento. Passávamos de carro com o nosso motorista/intérprete e deparámos com este cenário surreal. Saltámos imediatamente. As portas arrombadas, as fachadas de vidro estilhaçadas, as garagens pilhadas. Saíam jovens do interior do banco carregados com molhes de notas. Outros festejavam e atiravam-nas ao ar. Não parei de fotografar. Eu e o Henrique Botequilha erámos os únicos jornalistas presentes. Subitamente, a euforia reinante começou a ser canalizada para nós. Deixámos o local já entre muita confusão. Tínhamos uma grande história com imagens inesquecíveis.”Gonçalo Rosa da Silva
Inácio Ludgero
“Em 1994 ganhei o Prémio Gazeta (Prémio Nacional de Fotorreportagem de 1993, do Clube de Jornalistas) com a fotografia de capa do primeiro número da VISÃO, efetuada na coluna do Huambo, com o título “Pietá Negra” e distinguida como uma das 50 fotos do século XX, pela Associated Press, em Julho de 1999. Tendo sido uma dura experiência, teve a amizade e a Camaradagem do seu companheiro de reportagem, José Plácido Júnior, a quem devo muito apoio naquelas horas difíceis.”Inácio Ludgero
José António Rodrigues
Tempestade nos Açores, em 1999José António Rodrigues
José Caria
José Caria. Distribuição de alimentos no campo de refugiados da ONU – reportagem sobre as cheias em Moçambique, fevereiro de 2007José Caria
José Carlos Carvalho
Reportagem “Mar de vítimas e heróis”, no Mediterrâneo, em 2014. “Atravessam desertos e fronteiras antes de chegarem ao mar que os separa do continente europeu. Quando lhes estendem o quebra-costas, a escada de corda, quase se atropelam a ver quem a alcança primeiro.
Ao longe parecem uma dúzia, mas a medida que o bote se aproxima o número aumenta, uns por cima dos outros acabamos por somar 89.”José Carlos Carvalho
João Lima
“Cesaltina, 48 anos, reclusa no establecimento prisional de Tires. Retirou do ângulo da lente as fotografias dos filhos e alguns objetos que estavam sobre a cama. Ocupa uma parte do tempo de reclusão na oficina de costura. Na parede, uma borboleta artesanal, sobre a mesa um candeeiro decorado. Feitos por si. ‘Veja se me põe bonita’ pediu, arranjou os cabelos com os dedos e deixou-se fotografar.”João Lima
Luís Barra
“Fronteira Kosovo-Macedónia, Abril 1999.
Caos instalado numa base aérea após a receção de milhares de pessoas que fogem em desespero da guerra no Kosovo. Estes refugiados estão à espera de serem encaminhados para campos de refugiados, onde posteriormente são colocados noutros países, maioritariamente europeus. As guerras, as crises de refugiados e o êxodo de populações em busca de uma simples vida, era o drama do século passado e faz, diariamente, a história do presente. A história repete-se, tal como se tem repetido o empenho do fotojornalismo em denunciar tais crimes, na esperança de que alguém se sinta responsável e implementar, de facto, soluções.”Luís Barra
Lucília Monteiro
Hugo Chavez, janeiro de 2003Lucília Monteiro
Luís Vasconcelos
Afeganistão, 2001Luís Vasconcelos
Marcos Borga
“Jorge Sampaio na aldeia de Mtsiliza, no Malawi, durante a sua viagem como enviado especial do Secretário Geral da ONU na Luta contra a Tuberculose em terras africanas, em março de 2007. A luta do ex-Presidente proporcionou-me a mais emotiva das reportagens que já realizei.”Marcos Borga
Marcelo Buainain
Capa da VISÃO de 26 de agosto de 1993
Tiago Miranda
“Em outubro de 2015, eu e a jornalista Rosa Ruela atravessávamos a Europa atrás de um grupo que se intitulava ‘Famílias como as Nossas’ e pretendia trazer refugiados sírios para Portugal. Queriam marcar uma posição, mostrar que não era nada de mais e que não se entendia tanta demora de Portugal na ajuda a estas pessoas. Muito mais difícil do que pareceria à partida. Atravessaram vários países, inúmeras fronteiras e só na Áustria conheceram a família de Ali. Com a estranheza própria de quem chega a terra firme mas desconhecida, Ali, a mulher, Nada, e as filhas, Dima, Inas e Rimas, entraram no carro de dois portugueses que lhes prometiam trazê-los para Portugal e salvá-los do seu passado de guerra e das instabilidades da política migrante do centro da Europa. Para um pai colocar a sua família à mercê de desconhecidos, o desespero só podia ser grande.”
A partir desse momento, foram 2 700 quilómetros de carro até Portugal, praticamente sem paragens. O grupo ser apanhado entre países, mais que causar complicações jurídicas para algum dos portugueses, poderia significar esta família síria ser reenviada para o país de que tinha vindo, mas desta vez sem dinheiro para voltar a fugir.
Algures em Espanha, na segunda noite praticamente sem dormir e a umas centenas de quilómetros de Portugal, o céu transformava-se e parecia anunciar que era já ali que tudo se resolvia. Será que eles percebiam isso? Num ato de malabarismo, enquanto conduzia e fotografava, e me convencia de que, como jornalista, não fazia parte da história, só a retratava, pensava: Será o céu de lá assim tão diferente do de cá? Não merecemos todos a mesma luz?”Tiago Miranda
Rui Duarte Silva
Reportagem dos últimos dias de Durão Barroso enquanto Presidente da Comissão Europeia, em Outubro de 2014Rui Duarte Silva