A Adobe anunciou um acordo para comprar a Figma por 20 mil milhões de dólares, a maior aquisição de sempre da tecnológica conhecida pelos software criativos Photoshop, Premiere ou After Effects. Esta é também, segundo a Bloomberg, a maior aquisição de sempre de uma empresa privada de software. No entanto, o mercado bolsista respondeu mal ao preço de compra e as ações da Adobe sofreram a maior queda diária desde 2010.
As soluções da Figma permitem aos utilizadores colaborarem na criação de design e interfaces para software enquanto este está a ser desenvolvido. Durante a pandemia, e com os confinamentos, os produtos da Figma foram bastante procurados, com grande parte das equipas a trabalharem remotamente. Entre os clientes estão nomes sonantes como Airbnb, Google, Herman Miller ou o grupo Kimberly-Clark Corp, mas também utilizadores individuais que criam jogos ligeiros, mapas ou apresentações e estudantes que colaboram na criação dos seus trabalhos académicos.
A Figma foi fundada há cerca de dez anos por Dylan Field e Evan Wallace e trouxe ferramentas de desenho de software baseadas no browser que permite colaboração em tempo real, evitando o processo ‘artesanal’ de gravar e enviar cópias dos projetos em curso. A última avaliação cotava a Figma em dez mil milhões de dólares no ano passado, metade daquilo que a Adobe se compromete agora a pagar.
Durante a apresentação de resultados, os executivos da Adobe foram questionados precisamente sobre a avaliação que fizeram da Figma, com o CEO Shantanu Narayen a defender que percebe “que haja interrogações associadas ao preço, a bola está agora do nosso lado para demonstrar”. As ações da empresa baixaram 17% para os 309,13 dólares no fecho do mercado, marcando a pior prestação de uma empresa do ranking S&P 500, noticia a Bloomberg.
Os analistas de mercado preveem que a Adobe aumente 2% o volume de vendas e anteveem uma quebra nas margens de lucro, daí a quebra do preço das ações assim que o acordo e o preço foram divulgados.
O negócio, depois de aprovado pelos reguladores, deve ser concluído em 2023 e prevê que a estrutura de gestão da Figma seja incorporada na da Adobe, com o produto Figma a manter-se como oferta independente.