Apesar dos problemas conhecidos relacionados com a produção e logística, os custos de instalação de um sistema fotovoltaico do tipo autoconsumo têm vindo a baixar. E a oferta no mercado nacional é já muito ampla. Atualmente, existem muitas empresas especializadas no fornecimento e instalação de sistemas fotovoltaicos. Neste artigo, não nos vamos concentrar em instalações complexas, com grande capacidade de produção. Até porque o investimento necessário para este tipo de instalações conduz a tempos de recuperação de investimento mais alargados. A ideia base para esta análise foi outra: perceber até que ponto um kit de autoconsumo simples, com investimento o mais baixo possível, permite poupar na fatura de energia. No fundo, testar uma solução para quem está interessado em entrar no universo da produção de energia para consumo próprio.
Menos pode ser mais
À partida quanto maior for a potência de produção instalada (mais painéis fotovoltaicos e/ou painéis de maior capacidade), maior será a poupança. É lógico. Mas, como indicado no artigo “Tudo sobre painéis solares” (edição 323), vários especialistas atestam que o sobredimensionamento da instalação é um erro comum. Ou seja, muitas vezes os utilizadores optam por fazer a análise considerando picos de consumo da casa e acabam por instalar muitos painéis. Claro que mais produção resulta em menos consumo de eletricidade da rede. Mas, na situação de sobredimensionamento, muitas vezes a produção será maior que o consumo. Até porque é comum que as horas de maior consumo não coincidam com as horas de maior incidência solar. Claro que este ‘desperdício’ pode ser evitado com a utilização de sistemas de acumulação de energia (baterias), com a venda do excedente ou até com uma gestão diferente dos consumos – por exemplo, através de dispositivos de domótica, é possível programar o aquecimento das águas sanitárias durante as horas de maior produção de origem fotovoltaica ou aproveitar esses momentos para carregar veículos elétricos. Mas a primeira solução exige um grande investimento, que muitas vezes nem faz sentido económico (pode não existir retorno que justifique), e a segunda opção exige alguma burocracia e custos associados. Ou seja, para começar no autoconsumo, é mais seguro subdimensionar a produção. Deste modo o investimento é baixo e, como toda a energia produzida tenderá a ser consumida, o retorno será mais rápido. Sobretudo em casas de pequena dimensão ou até mesmo apartamentos, onde o espaço de telhado tende a ser limitado – a regulamentação prevê que o espaço do telhado em edifícios multifamiliares (condomínios) seja partilhado de forma equitativa entre os condóminos.
Kit com tudo
Depois de conversamos com muitos leitores que instalaram painéis fotovoltaicos, a Solarshop foi um dos nomes mais referenciados. Esta empresa de Ancião, distrito de Leiria, tem conseguido uma boa reputação por vender e instalar sistemas com boa relação qualidade/preço. O que nos levou a escolher um kit desta da Solarshop para esta análise. Na área do autoconsumo, a loja online da empresa disponibiliza uma grande variedade de kits, desde sistemas mais simples e acessíveis, como o aqui testado, até sistemas com múltiplos painéis, baterias e gestão de energia avançada. Aliás, a loja online da Solarshop tem kits completos, desde versões com um painel (na casa dos 400 watts), até versões com mais de 60 painéis (cerca de 30 kW).
Mas, como referimos, o kit aqui testado uma solução de entrada, que garante as premissas já indicadas: baixo custo e retorno rápido do investimento. Mas não se pense que isto significa concessões em termos de qualidade. O painel do kit analisado, da marca Solarday, é fabricado na Europa, é premiado e tem 25 anos de garantia. E é de elevada eficiência, mesmo quando não há muita luz ambiente
O microinversor, o dispostivo que transforma a energia gerada pelo painel solar (corrente contínua) em corrente alternada para a rede elétrica doméstica, é um Hoymiles MI-400. Trata-se de outra marca com boa reputação em termos de eficiência e de fiabilidade. Como a denominação sugere, a potência máxima de saída deste inversor é de 400 watts, o que significa que esta é a potência máxima útil do sistema.
Instalação
Este kit de autoconsumo é fácil de instalar para quem está habituado a, por exemplo, mudar uma ficha ou uma tomada lá em casa. A maior dificuldade acaba por ser a fixação no telhado (ou noutra zona disponível). Naturalmente, o posicionamento e ângulo do painel influem muito na produção de energia, mas esse é um assunto fora do âmbito deste teste. De qualquer modo, segundo a regulamentação em vigor, a instalação deve ser feita por técnicos certificados que, em regra, também tratam da comunicação/registo às entidades competentes. Segundo a Solarshop, é de esperar um custo de instalação entre €200 a €400 de acordo com a complexidade. Na prática, nada impede o próprio utilizador fazer a instalação deste kit. Mas para evitar problemas de ordem legal e garantir segurança e uma instalação eficiente, recomenda-se o recurso a técnicos especializados.

Resultados
Podemos dizer que este teste decorreu em condições longe das ideias, já que o sistema esteve instalado nos meses de novembro e dezembro e todos sabemos como este foi um período com muita chuva e pouco Sol – além de os dias serem significativamente mais curtos no inverno. Além disso, por limitações arquitetónicas da casa usada para a análise, não foi possível colocar o painel na posição que garantiria maior eficiência. Ou seja, podemos ver esta experiência como um ‘worst-case scenario’. Ainda assim, recorrendo a uma tomada inteligente, onde ligámos a ficha vinda do inversor para alimentar a casa, medimos uma produção total para os dois meses de cerca de 49 kWh (quilowatts hora). Ou seja, um média pouco superior a 800 watts hora por dia (Wh/dia). Mas, nos melhores dias do teste (4 e 5 de novembro), a produção foi cerca de 2000 watts dia (2 kWh/dia), mais do dobro da média. Ora como a casa onde o teste foi efetuado tem um consumo residual (aparelhos em stand-by, frigorífico, congelador, sistemas de rede, dispositivos de IoT…) claramente superior a este valor, a produção total foi para o autoconsumo – nunca houve ‘desperdício’ de energia para a rede, a tal vantagem do subdimensionamento já mencionada. Os dados medidos levam-nos a acreditar que a média anual poderá ser próxima dos cerca de 2 kWh/dia anunciados pela Solarshop, até porque será de prever que a produção no verão deverá duplicar.
Vale muito a pena
Como o valor pago por kWh (fora do vazio) durante o meses do teste foi de 21,4 cêntimos (valor já com IVA), a poupança conseguida pelo sistema solar nesses mesmos dois meses foi de cerca de €11 (49 kWh x 0,214 euros). Se considerarmos a produção média anual estimada de 2 kW/dia, a poupança por ano, para o mesmo caso, seria superior a €150. O que significa que o investimento seria recuperado em menos de três anos se a instalação fosse feita pelo próprio utilizador (sem custos) e em cerca de cinco anos se considerarmos o custo de instalação mais penalizador (€400). De outro modo, para os valores de energia praticados durante o período de teste (a variação do custo de energia altera, naturalmente, estas contas), e na pior das hipóteses, a partir do quinto ano, e durante toda a vida a do sistema, o utilizador passaria a ganhar €150 anuais ‘limpos’. Isto sem contar com possíveis apoios do Estado, que podem mudar muito, para melhor, estas contas.
É importante referir que os valores dos custos não escalam proporcionalmente com o número de painéis instalados. Isto porque o custo da instalação e do inversor será diluído quanto maior for o número de painéis. Por exemplo, seguindo o mesmo exemplo da casa onde o teste foi feito, que tem um consumo mínimo médio de 1 kW durante o dia, o kit com três painéis (cerca de €1000) continuaria a garantir a utilização de praticamente toda a energia produzida, o que significa que a rentabilidade triplicaria (€450 a €500 por ano) e que a recuperação de investimento seria reduzida para entre dois a três anos. Se fizermos as contas para casos de maior consumo em casas onde, por exemplo, há carregamento de veículos elétricos durante o dia, então as poupanças começam a atingir valores verdadeiramente importantes. Claro que ‘cada casa é um caso’ e deve fazer as suas contas, mas por mais baixos que sejam os seus consumos durante o dia, é mesmo muito provável que este kit de entrada, com um painel, represente um investimento de retorno rápido garantido.
A verdade é que nenhuma conta bancária devolve uma rentabilidade desta ordem, pelo que não temos qualquer dúvida em concluir que este kit é altamente recomendado.
Tome Nota
Solarshop Kit Autoconsumo 400 watts – €400
Instalação Bom
Eficiência Muito Bom
Retorno de investimento Excelente
Garantia Muito bom
Características Painel solar Solardary 450W Mono: 209×104×3,5 cm, 25 kg ○ Garantia: 20 anos + 5 anos premium ○ células monocristalinas ○ potência nominal 450 watts; Microinversor: saída 400 watts, 220-240 volts ○ eficiência média de 96,4% ○ 17,3×15,3×2,8 cm ○ Conectividade wireless 2,4 GHz
Desempenho: 4,5
Características: 4
Qualidade/preço: 5
Global: 4,5
