É no Litoral Norte de Portugal, na pequena freguesia de Afife, que se faz cumprir religiosamente aquela que é a mais antiga tradição popular da região, em Viana do Castelo. A “Serração da Velha” enterra o Inverno e festeja a chegada da Primavera mas carrega toda uma conotação social e satírica.
Como manda a tradição, na quarta-feira de Cinzas, dias depois da comemoração do Carnaval, é dia para “limpar o pó” e levar os triquelitraques para rua. É graças ao seu som característico que a população fica a saber que está a ser preparado o evento.
Até lá, os organizadores da festa fazem um peditório para depois construírem o boneco, desenhado à semelhança da pessoa mais idosa da Freguesia, e que depois é colocado numa padiola iluminada. A “velha”, como é chamada, é transportada aos ombros de quatro habitantes acompanhados pelo cortejo “fúnebre” e pelo som dos triquelitraques.
Com uma conotação marcadamente social e crítica, a “Serração da Velha” termina no auge da Centenária Mesa de Pedra com a leitura do “Testamento da Velha” que é, essencialmente, um documento satírico onde se traçam críticas sociais, “espetam-se” agulhas nos autarcas, critica-se o que está mal e brinca-se com os solteiros da região.
A festividade termina depois da leitura do testamento. De seguida, queima-se a velha – antes era serrada, daí o nome da festividade – ouvem-se as últimas “gargalhadas” dos triquelitraques e guarda-se o instrumento para o ano seguinte.