O líder do Chega começou por lançar a escada ao PSD. Numa carta dirigida ao líder social democrata, André Ventura propôs uma Conferência para um Governo de Direita em Portugal, que decorresse em Lisboa, no primeiro fim-de-semana de outubro, e que seria extensível ao CDS e à Iniciativa Liberal. Em reação à missiva entretanto recebida por e-mail, os liberais fazem questão de deixar claro que, não só não aceitarão o convite, como acreditam que “os votos no Chega serão votos irremediavelmente desperdiçados” na construção de uma alternativa à governação socialista.
O partido de João Cotrim de Figueiredo quer “lutar energicamente, e contribuir construtivamente, para uma alternativa política ao socialismo vigente, que tem levado o País a este torpor vegetativo, pouco ambicioso e muito dependente do Estado”, mas recusa percorrer esse caminho ao lado do Chega, lê-se numa posição do partido, enviada à VISÃO.
O Iniciativa Liberal desconfia ainda da seriedade da proposta de André Ventura – divulgada primeiro em público e depois enviada aos líderes políticos de direita – e classifica-a como “propaganda” para justificar um “discurso choroso de quem se acha vítima do sistema existente, ao mesmo tempo que revela uma enorme ânsia em pertencer e em beneficiar das mordomias desse mesmo sistema”.
E acrescentam que o “Iniciativa Liberal não só não contribuirá para essa pretensão tola, como relembra que a inconsistência das posições políticas do Chega e os seus tiques totalitários e estatizantes o tornam mais um clone do que uma alternativa ao PS. Talvez isso explique a razão pela qual o PS sustenta o peso político do Chega”.
Questionado sobre a mesma carta, na quinta-feira, o presidente do PSD desvalorizou o assunto e disse nem sequer a conhecer.