Mais de 2 milhões de palestinianos na Faixa de Gaza estão em risco de ficar sem água, o que os torna vulneráveis à desidratação, a doenças transmitidas por águas não tratadas e a infeções. Após os ataques do Hamas do dia 7 de outubro, Israel cortou o acesso desse território a água e eletricidade, o que exacerbou uma crise que tem estado em evolução numa região em que 48,1% da população tem menos de 14 anos.
Contudo, a crise da água em Gaza não é de agora, como destaca a revista científica “New Scientist”. Este é um problema com o qual aquele povo lida há décadas, uma vez que o território não possui uma fonte de origem de água potável acessível. A exploração deste recurso em Gaza e nos países vizinhos esgotou o único aquífero de água doce raso que existia, o que provocou o aumento da salinidade. Quanto às águas subterrâneas, apenas 3% cumprem os padrões de qualidade impostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, os conflitos das últimas décadas no território destruíram ou danificaram os sistemas de distribuição deste recurso.
Perante a ausência de uma fonte de água, a população de Gaza está dependente de camiões-cisterna privados e de centrais de dessalinização. Mas agora até estas alternativas estão a faltar, por causa das medidas tomadas por Israel para forçar o Hamas a libertar reféns. O corte de eletricidade não permite o funcionamento das centrais de dessalinização e os camiões-cisterna estão impedidos de entrar em Gaza.
Com o acesso à água potável cortado, a população volta-se para poços que podem estar contaminados e provocar surtos de doenças. E com a eletricidade indisponível, o território não tem forma de realizar operações de saneamento, o que prejudica a qualidade da água.
“Corremos o risco do surgimento de doenças que ameaçam a saúde pública, como a cólera e a poliomielite, não apenas em Gaza, mas noutras partes do mundo”, disse Ahmed Al-Mandhari, da OMS, no dia 16, salientando que os surtos de doenças podem ultrapassar fronteiras. “Esta situação é na verdade uma ameaça à saúde pública em todo o mundo.”
A resposta a este problema não é tão simples como pode parecer. Mesmo que a eletricidade seja reposta, a água atualmente parada nos canos já pode estar contaminada com materiais pesados. Além de que é preciso um esforço de reconstrução do sistema que está atualmente destruído ou danificado pelos ataques.