O presidente francês, Emmanuel Macron, apelou esta sexta-feira à responsabilidade dos pais dos jovens manifestantes, a quem pediu que mantenham os adolescentes em casa para acabar com os tumultos registados no país, depois da morte de um jovem de 17 anos alvejado pela polícia durante um controlo de trânsito, na última terça-feira.
De acordo com o jornal Le Figaro, pelo menos 176 pessoas já tinham sido detidas em todo o país só na noite de quinta-feira na sequência dos confrontos entre manifestantes e a polícia, e houve registos de tumultos em Paris, Estrasburgo, Bordéus, Marselha, Lyon, Lille e Toulouse.
Mais tarde, dados do Ministério do Interior francês indicavam que o número de detidos nesse dia foi de 421, sendo que grande parte dos detidos registados são jovens.
“Estas detenções recorde refletem as instruções firmes dadas pelo ministro”, declarou uma fonte próxima do responsável pela pasta do Interior, Gérald Darmanin, ao mesmo jornal. A polícia recebeu “instruções sistemáticas de intervenção”, escreveu o ministro, numa mensagem na rede social Twitter, na qual manifestou apoio às forças de segurança francesas “que estão a fazer um trabalho corajoso”.
À meia-noite e meia da última noite, as linhas telefónicas dos bombeiros de Paris estavam sobrecarregadas.
Por volta das 03:00 (02:00 em Lisboa), a situação em Nanterre, nos arredores de Paris, continuava tensa, pela terceira noite consecutiva, indicou o canal de notícias BFMTV, assinalando que polícia e bombeiros continuavam no terreno.
Macron defendeu também esta sexta-feira que as redes sociais estão a alimentar a violência durante os incidentes e quer que os “conteúdos sensíveis” sejam removidos.
Durante uma reunião do comité interministerial de crise realizada no Ministério do Interior francês, o presidente saudou ainda a resposta “rápida e adequada” das forças de segurança, na sequência de três noites consecutivas de tumultos, e denunciou a “instrumentalização” dos acontecimentos.
Macron abandonou o Conselho Europeu em Bruxelas mais cedo e regressou a Paris para esta reunião de emergência devido aos protestos.
O agente da polícia que disparou sobre o jovem Nahel 17 anos está, neste momento, a aguardar julgamento em prisão preventiva. A sua morte, captada pelas câmaras de vigilância, fez regressar a tensão entre jovens e a polícia nos bairros sociais em Nanterre, e noutros bairros desfavorecidos da capital francesa.
Os confrontos contra as forças de segurança surgiram logo na noite de terça-feira em Nanterre e, na madrugada de quinta-feira, foram danificados edifícios públicos e queimados carros, tendo sido detidas cerca de 150 pessoas.