É um fim de semana de festa para os museus e há bons e variados motivos para se juntar. A Noite Europeia dos Museus celebra-se neste sábado, 17, e o Dia Internacional dos Museus, no dia seguinte, domingo, 18, sob o tema que aponta para O Futuro dos Museus em Comunidades em Rápida Mudança.
Do desafio lançado às 169 instituições que fazem parte da Rede Portuguesa de Museus, resultou uma lista extensa de atividades, quase sempre gratuitas, para toda a família e fora de horas. Estão reunidas no site dim.museusemonumentospt.pt e chegam quase às três centenas.
Selecionámos 15 propostas, dentro e fora da rede.
1. Aula de Chi Kung no MAAT

Ioga, meditação e até consultas com terapeutas numa sala de exposição. Estas são algumas das atividades disponíveis quase em permanência na programação do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa. Neste domingo, a proposta é de participar numa aula aberta de Chi Kung na exposição Transe, de Rui Moreira. Também neste dia as exposições patentes no museu (Ana León, Jeff Wall, Novos Artistas Fundação EDP…) serão de entrada gratuita, estando previstas visitas e oficinas para crianças. Av. Brasília, Lisboa > 18 mai, dom 11h-12h
2. À noite no Museu Nacional dos Coches

Visitar o local que durante mais de cem anos albergou o Museu Nacional dos Coches merece algum do nosso tempo, com ou sem uma passagem pelo museu projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, do outro lado da rua. No antigo Picadeiro Real, salão comprido onde a família real e a corte assistiam aos jogos equestres, sobram alguns coches e boa pintura para ver. É por lá que, neste sábado, também se ouvirá a serenata para sopros Gran Partita, de Mozart (19h), à qual se seguem as visitas orientadas à coleção de coches e berlindas em ambos os edifícios do museu. Antigo Picadeiro Real – Pç. Afonso de Albuquerque, Edifício Principal – Av. da Índia, 136, Lisboa > 17 mai, sáb 18h-22h
3. No Laboratório de Taxidermia do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa

Este laboratório tem muitas solicitações, desde modelos para cinema, encomendas de outros museus ou pedidos específicos de investigadores. O trabalho que é aqui feito reflete essa diversidade, que já nem passa por embalsamar. Exemplos: recriação de espécies extintas em modelos anatómicos, naturalização de animais mortos, recuperação de modelos já existentes degradados pelo tempo, preparação osteológica para fins didáticos ou para coleções científicas. Um gabinete de curiosidades que poderá visitar-se. R. da Escola Politécnica, 58, Lisboa > 18 mai, dom 12h15h
4. Ver os ovos pintalgados da Galeria da Biodiversidade

Charles Darwin aprovaria a Galeria da Biodiversidade, primeiro polo do Museu de História Natural e Ciência da Universidade do Porto. Aliás, está por lá a figura do cientista, autor de A Origem das Espécies, aqui abordada de forma interativa. No átrio fixou-se o esqueleto de uma baleia, uma alusão ao livro Histórias da Terra e do Mar, de Sophia de Mello Breyner, que aqui viveu e cuja obra também é recordada. À volta do átrio está montada a exposição permanente, em módulos originais: desde uma vitrina cheia de ovos de vários tamanhos e cores a uma caixa para identificar aromas da Natureza. R. do Campo Alegre, 1191, Porto > 18 mai, dom 10h-23h
5. Os segredos do restauro têxtil no Museu Nacional do Traje

O Palácio Angeja-Palmela, no Lumiar, é casa de cerca de 40 mil peças que contam a história do vestuário desde o século XVIII à atualidade. O convite é para conhecer o Sector de Restauro, onde se realizam as intervenções de conservação e restauro das peças do acervo do Museu Nacional do Traje. No Parque Botânico do Monteiro-Mor, adjacente ao palácio, realiza-se um passeio ao pôr do sol (20h), entre as sombras das árvores e os aromas das flores que anunciam a noite. Lg. Júlio de Castilho, Lisboa > T. 21 756 7620 > 17 mai, sáb 17h e 20h > inscrição: se.mmntraje@museudotraje.pt
6. A mudança das estações no Japão, Museu do Oriente

No outono, no Japão, é hábito admirar-se a lua cheia em agradecimento pela colheita de arroz e em oração por colheitas abundantes. Das oferendas fazem parte 12 bolinhos doces de arroz, os dango, cuja forma redonda evoca a lua cheia e que são dedicados aos 12 meses do ano. O Tsukimi é uma das festas e rituais tradicionais do Japão, desvendadas no Museu do Oriente em três visitas guiadas ao ritmo das estações do ano (Do Inverno à Primavera, Entre a Primavera e o Verão, e Do Verão ao Outono). Da parte da tarde, às 15h, o Museu aponta para outra latitude, convidando a experimentar os estilos de dança clássica indiana, como o bharatanatyam, o kathak e o odissi, e o mais moderno bollywood. Av. Brasília, Doca de Alcântara (Norte), Lisboa > 18 mai, dom 11h30, 15h, 16h30 > mediante inscrição T. 21 358 5244/99
7. Percurso Mandar às Malvas no Porto
Antes da construção dos Clérigos (1732-1748) numa estreita faixa de terreno, a que se dava o nome de “campo das malvas”, era nesse descampado que se enterravam os malfeitores, os ladrões e assassinos, que morriam na forca. A expressão popular de “mandar às malvas” tem a ver com tudo isto e quem ficou curioso pode participar neste percurso por três locais: Museu do Tribunal da Relação do Porto, Antiga Cadeia da Relação (Centro Português de Fotografia) e Capela do Sr. dos Aflitos com o Ossário dos Enforcados (Museu do Centro Hospitalar do Porto). Ponto de encontro: escadas do Tribunal da Relação do Porto > 18 mai, dom 16h-18h > 15 participantes > mediante inscrição até às 16h de 17 de maio para sonia.silva@cpf.dglab.gov.pt
8. Museuspaper no Porto
Sem percursos predefinidos e ao ritmo de cada um, desafia a visitar os museus do Porto e a resolver enigmas e perguntas. A edição deste ano do Museuspaper tem a participação de 31 instituições museológicas: Casa São Roque – Centro de Arte, Centro Português de Fotografia, Casa-Museu Eng. António de Almeida, Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, Museu da Farmácia, Museu Romântico, Ateliê António Carneiro… Pode optar pode três circuitos: Pequena Rota (três museus), Grande Rota (seis museus) e Mega Rota (nove museus). O passaporte pode ser levantado em qualquer museu aderente e será carimbado à medida que se completam os desafios. A conclusão de cada rota dá direito a um prémio, definido por cada instituição. 31 museus do Porto > 18 mai, dom 10h-23h
9. Esculturas à Noite no Parque de Serralves

Uma das intenções da programação do Museu de Serralves, desde que abriu, tem sido convidar artistas a criar esculturas para o parque onde está inserido. Nesta visita noturna, as lanternas conduzem por caminhos onde os trabalhos de, entre outros, Anish Kapoor, Dan Graham, Claes Oldenburg e Maria Nordman se transformarão em histórias da arte. Neste domingo, também as exposições de Avery Singer, Mounira Al Solh, Zanele Muholi, Coleção Mario Teixeira da Silva e Coleção de Serralves – This is a Shot terão entrada gratuita. R. D. João de Castro, 210, Porto > 18 mai, dom 20h (90 min.) > 30 participantes > inscrição no dia
10. Visita Crepúsculo no Museu Nacional Soares dos Reis

A abertura extraordinária ao público até às 23h possibilitará a realização da visita orientada Crepúsculo (20h), em torno de algumas obras em exposição e de outras tiradas das reservas do museu, para falar de como foi sempre um desafio para os artistas representar o anoitecer e a alvorada. Segue-se um concerto pelo Grupo Solista da Academia A Pauta (21h30). R. de D. Manuel 44, Porto > 17 mai, sáb 20h > mediante inscrição no site do museu
11. À Noite na Nau Quinhentista
Os visitantes da Nau Quinhentista, ancorada nas águas do rio Ave, serão surpreendidos pela presença de alguns membros da antiga tripulação, que surgem para contar histórias, partilhar curiosidades e revelar os desafios da vida a bordo de uma embarcação do século XVI. R. Cais da Alfândega, Vila do Conde > T. 252 248 468 > 17 mai, sáb 21h-23h30
12. A obra de renovação do CAM, Fundação Calouste Gulbenkian
A pala com cem metros de comprimento, criando um corredor coberto que acompanha toda a fachada sul do edifício, continua a espantar os visitantes do renovado Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Quem tiver curiosidade sobre a joia arquitetural desenhada pelo japonês Kengo Kuma pode juntar-se à visita guiada que dará a conhecer a transformação por que passou o edifício. Esta é uma das muitas atividades programadas pela Fundação Gulbenkian ao longo deste fim de semana.

No edifício-sede, as diferentes coleções reunidas por Calouste Gulbenkian serão tema de visitas guiadas (com Língua Gestual Portuguesa): joias das casas Lalique, Boucheron, Cartier e Van Cleef & Arpels, moedas da Grécia Antiga, encadernações Déco. Além da entrada gratuita em todas as exposições, também o horário será prolongado. Neste sábado, 17, o CAM fica aberto até à meia-noite. No exterior, uma Silent Party tem início às 21h, com os DJ Lady G Brown e Mama Demba, no âmbito da exposição de Julian Knoxx, Coro em Rememória de um Voo. Uma festa silenciosa (o público ouvirá a música através de auscultadores) e inclusiva – para a população surda serão disponibilizados oito coletes sensoriais e um intérprete de Língua Gestual Portuguesa. Av. de Berna, 45, R. Marquês de Fronteira, 2, Lisboa > 17-18 mai, sáb 10h-24h, dom 10h-18h > atividades mediante levantamento de bilhetes (máximo 2 bilhetes/pessoa)
13. Visitas flash ao Palácio Nacional da Ajuda

As salas, saletas e salões do Palácio Nacional da Ajuda são tão ricos em detalhes decorativos que o mais natural será não dar por tudo – das pinturas nas portas aos frescos nas paredes, passando pelos quadrinhos de naturezas-mortas, as esculturas em biscuit e cerâmica, os pássaros pousados nos suportes dos cortinados. Num horário inesperado, entre as 19h e as 22h, de meia em meia hora, a equipa de conservadores do palácio-museu conduzirá um conjunto de breves visitas para dar a conhecer algumas das suas peças e salas de eleição. Reis e rainhas também prometem surpreender os visitantes até às 23h, e a Escola de Fado da Junta de Freguesia da Ajuda apresenta 10 fadistas amadores. No exterior, um quiosque com comidas e bebidas sacia o apetite. Lg. da Ajuda, Lisboa > 17 mai, sáb 19h-23h
14. Fortaleza ao pôr do sol, Museu Nacional Resistência e Liberdade – Fortaleza de Peniche

São muitas as histórias que este local tem para contar, e de épocas bem diferentes. O seu estabelecimento data do século XVI, com o objetivo de proteger a costa portuguesa de ataques de piratas, mas, atualmente, associamos sobretudo o Forte de Peniche a histórias do Estado Novo. Foi ali que Salazar mandou construir, em 1953, uma prisão de alta segurança, inspirada em modelos dos EUA. Antes, a fortaleza já servia de prisão, com terríveis condições. De tudo isso (incluindo as históricas fugas) nos fala o Museu Nacional Resistência e Liberdade, que aí se inaugurou, em abril de 2024, nos 50 anos da Revolução dos Cravos. Estão previstas duas visitas guiadas: à antiga cozinha da cadeia do forte e às casamatas, pela manhã (11h), e à Fortaleza e ao Museu ao pôr do sol (19h, pela Peniche 360). Campo da República, Peniche > T. 262 798 028 > 18 mai, dom 19h > mediante inscrição: geral.mnrl@museusemonumentos.pt
15. Como se faz um chapéu? O Museu da Chapelaria responde
Em janeiro de 2025, ano em que celebra 20 anos, o Museu da Chapelaria, em São João da Madeira, reabriu renovado, mais fácil de percorrer, mais intuitivo. E não há melhor lugar do que aqui para ficar a perceber como se faz um chapéu. Depois de uma visita pelas várias salas, Deolinda Silva e Dalila Silva, antigas operárias da Empresa Industrial de Chapelaria, mostram como se faz o acabamento. Rui Dias, que criou a marca Maraus Hats, demonstrará todos os passos do processo artesanal. R. António José de Oliveira Júnior, 501, São João da Madeira > 17 mai, sáb 11h30, 16h, 18 mai, dom 16h > mediante inscrição T. 256 200 206, museuchapelaria@cm-sjm.pt
Artigo corrigido às 13h no texto Fortaleza ao pôr do sol. A informação disponibilizada pela Rede Portuguesa de Museu estava incorreta.