Um cavaleiro, de nome Pedro, vestido a rigor, recebe o visitante no exterior do mais imponente monumento da Guarda, a Sé Catedral, convidando o visitante a conhecer “o sítio onde mora”.
O personagem (interpretado alternadamente pelos atores Miguel Moreira e André Amálio) personifica um dos muitos cavaleiros que ali foram sepultados no século XV. “É um cavaleiro que morreu de amor, apaixonado por uma camponesa de Fernão Joanes, chamada Ana”, conta Pedro Dias de Almeida, editor de cultura da VISÃO que se estreia como dramaturgo nestas visitas encenadas à Sé Catedral.
Serão mais de uma centena as sessões, de entrada gratuita com duração de pouco mais de uma hora, com início na próxima terça, dia 7, e que se prolongam até final de agosto.
Este é o segundo momento do projeto Passos à volta da memória e surge na sequência de um outro realizado no ano passado, ao centro histórico da cidade, que ultrapassou os 3 mil visitantes.
“A Sé é referencial, é o centro magnético da cidade”, salienta Américo Rodrigues, coordenador geral do projeto e diretor do Teatro Municipal da Guarda, realçando a importância deste monumento datado de finais do século XIV que demorou mais de 150 a ser construído.
Há muito que também Pedro Dias de Almeida, natural da Guarda, se sentia familiarizado com o imponente edifício. No entanto, conta, para a elaboração dos textos, teve de recolher muitas informações “há muito material disperso” e acabou por descobrir “coisas que não conhecia”.
Sem querer desvendar todo o percurso da visita, o autor dos textos revela que a visita conduzida pelo tal cavaleiro “divertido e cheio de humor” inclui o majestoso retábulo, uma ida à cobertura onde se avista a paisagem em redor que vai de Espanha à serra da Estrela e, até, “um segredo na sacristia”.
Américo Rodrigues garante que esta viagem ao interior do monumento é recheada de histórias como a do órgão de tubos roubado na altura das invasões francesas contando a parte histórica de uma forma facilmente entendível por todos os públicos.
No final, cada visitante levará para casa o Esboceto histórico-artístico da Sé Catedral da Guarda, uma monografia da autoria do historiador de arte João Paulo Martins das Neves que se tornou num dos documentos mais completos acerca do monumento. Segundo o autor, as obras da catedral terão começado muito pouco tempo depois do início da construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha).
A Sé contém “um conjunto significativo de formas arquitetónicas e artísticas que vão desde um românico tardio, passando por um gótico do ciclo da arquitetura influenciada pelo grande estaleiro do Mosteiro da Batalha, com soluções ornamentais dentro de um gótico flamejante”.
VISITAS ENCENADAS À CATEDRAL DA GUARDA
Até 31 Ago
Ter-Sex 10h30, 16h
Sáb 17h30
Grátis
Inf. 271 205 240