As sociedades europeias estão em profunda transformação sociológica. A Europa envelheceu, aburguesou-se e alcançou qualidade de vida como nunca antes. Isso aconteceu em parte porque as famílias reduziram a sua prole ao passarem a poder utilizar meios de controlo de natalidade e, por consequência, baixando assim as despesas.

A outra face da moeda é que deixou de haver gente para ocupar todas as vagas no mercado de trabalho. E aí surgiram imigrantes, empurrados pela necessidade de sobrevivência e refugiados devido à fome, à guerra, à perseguição política e às alterações climáticas. Nos últimos 10 anos perderam a vida no Mediterrâneo quase 30 mil pessoas, em embarcações frágeis, fugidas da guerra, da fome e da miséria. De resto também somos um povo de emigrantes. Durante o século passado fomos primeiro para o Brasil e depois para Canadá, Estados, Unidos, África do Sul, Austrália e países europeus em geral.

Os que aqui chegaram vieram em busca de oportunidades de trabalho, especialmente em posições que os nativos recusavam, quer pela sua natureza quer pelos baixos salários. À medida que iam chegando mais estrangeiros ao país, a extrema-direita intolerante, racista e xenófoba foi encontrando um campo fértil para semear o discurso do ódio contra outras etnias e religiões.

Mas o tempo dos nacionalismos já passou à história, assim como antes dele tinha passado à história o tempo dos impérios. Hoje as sociedades são tendencialmente multiétnicas e multirreligiosas. Do ponto de vista científico, com o isolamento do ADN, sabe-se hoje que não há raças puras visto que todos os seres humanos estão profundamente ligados entre si em termos biológicos e provêm duma mesma origem. E esse facto deslegitima qualquer ideal de “raça superior” ou de “nós e eles” visto que todos fazemos parte de uma mesma e única raça ou família humana.

Mas é curioso que no séc. XVI Lisboa era chamada “tabuleiro de xadrez” devido à presença de tantos negros e provenientes do Império que ia desde o Brasil ao Extremo Oriente, passando por África. Brandir o papão do estrangeiro no discurso político só revela que, afinal, não evoluímos nada nesta matéria. Andámos para trás.

O nacionalismo tinha como bandeira uma identidade, um território, uma língua, um povo e uma religião. Nos tempos que correm esse conceito está ultrapassado pela dinâmica histórica. A identidade da população de qualquer país hoje é heterogénea. Se a língua é a nossa pátria, como afirmava Pessoa, vivemos num mundo de muitas línguas (veja-se a União Europeia) e onde a língua universal é o inglês. A utopia do (bom) povo é o mote para os populistas e extremistas políticos. E a religião já não define qualquer povo ou país, nem sequer o ateísmo.

As pulsões identitárias utilizam duas ferramentas essenciais: a ignorância, a mentira e o medo. A ignorância dos que vivem na sua bolha desconhecendo a realidade do mundo actual. A mentira como arma de controlo das massas, em especial através das redes sociais. O medo suscitado pela ignorância (nós tememos o que desconhecemos), pela mentira (que nos faz indignar contra realidades virtuais e notícias que afinal são falsas) e o medo do outro, do que é diferente de nós no que fala, come, veste ou cultua.

Mas como podemos combater o tema dos imigrantes, tão caro aos populistas? Debatendo publicamente as políticas de imigração e ajustando-as ao país, tendo em conta o lendário humanismo e hospitalidade dos portugueses, mas também a realidade das nossas cidades, vilas e aldeias, do nosso mercado de trabalho e das nossas populações. A pior coisa que se pode fazer é entregar o tema da imigração exclusivamente ao cuidado dos populistas e extremistas. Na Europa e em Portugal.

Aponto apenas dois simples exemplos. Há orientais a chegar ao país apenas para ter assistência médica nos partos e logo depois seguem caminho para outro destino, o chamado turismo da saúde. Há famílias portuguesas que têm a sua vida complicada porque não conseguem matricular os filhos pequenos numa escola perto de sua casa, pois os estrangeiros têm prioridade.

É óbvio que os populistas de extrema-direita se vão aproveitar desta inconsequência. Não podemos ser inocentes a lidar com esta gente. Por muito menos do que isto Hitler conseguiu o apoio generalizado da sociedade alemã na perseguição aos judeus, com base no ressentimento, na mentira e no medo, e abriu caminho para o Holocausto nazi, que constituiu o massacre de seis milhões de judeus e outras minorias.

Será que Hegel tinha razão ao dizer que a história nos ensina que não aprendemos nada com ela?

A 28 de agosto de 1994, os sarauís Baijea e Bachir, então com 24 e 22 anos, abriram uma nova porta para a Europa através de Fuerteventura, a maior ilha das Canárias, atravessando os 96 quilómetros que a separam do continente africano.

Fizeram-no num barco de pesca onde mais tarde foi encontrado um contentor com gasolina, uma bússola, linhas de pesca e um motor, que acabaram nos armazéns do Ayuntamiento de Antigua, uma das cidades mais antigas de Fuerteventura.

O barco tinha sido abandonado no pequeno cais de Las Salinas, uma aldeia que há trinta anos era ainda piscatória. A notícia chegou rapidamente à polícia local porque os pescadores queriam ir para a faina e encontraram aquele obstáculo.

Seria preciso uma grua para retirar o barco, mas antes disso já Baijea e Bachir tinham jantado com Juan Francisco de Vera e José Ángel Suárez, os dois agentes que os encontraram já na estrada.

“Quando os mandámos parar, disseram-nos que eram sarauís e que queriam asilo político, foi a única coisa que conseguimos perceber”, contou agora Juan Francisco ao jornal Diario de Fuerteventura.

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Ao mesmo tempo que gostamos de ter peças básicas no armário, aquilo que é garrido, fora da caixa, continua a fazer sentido. A moda também é isto, ter liberdade para arriscar e ser ousado, escolhendo padrões, cores vivas, desenhos geométricos ou mais abstratos.

As peças que selecionámos são para homem, mulher e unissexo. Entre as marcas portuguesas está a Mustique, que aposta nas camisas em tecidos indianos coloridos, estampados com blocos esculpidos de madeira. Já Miguel Marques da Costa encontra no Quénia o tecido leve de algodão com que são feitas as peças da C.R.T.D (lê-se Curated).

Tecidas em tear na Índia, e recorrendo a técnicas de estampagem manual, as camisas da Otherwise são feitas de algodão e outras fibras naturais, como o lótus e a banana. Falta referir a Futah, a Two Zero, a Sous, da madeirense Mariana Sousa que trabalha com bordadeiras e costureiras da sua ilha, e a La Paz, marca portuense de roupa masculina produzida com materiais de qualidade em fábricas no Norte do País. Desenhadas lá fora, a Brava Fabrics (Espanha), a OAS (Suécia) e a Birden (Brasil) também se vendem por cá.

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A incursão ucraniana em Kursk, que alastra todos os dias, foi um verdadeiro gambito de Zelensky, e do seu comando militar, no xadrez militar que disputa com a Putin. É uma jogada muito arriscada, que implica perder logo de início uma peça, normalmente um peão, com o objetivo de ganhar uma vantagem posicional subsequente. Por outras palavras, perde-se um ativo inicial para obter um potencial ganho futuro.

Que peça sacrificou Zelensky neste seu gambito político e militar? «Aceita» limitados avanços das tropas russas na zona de Pokrovsk, em Donetsk – estão a cerca de 10 quilómetros das zonas periféricas da cidade – para empenhar as suas poderosas forças e equipamentos militares no avanço em Kursk – estão a cerca de 40 quilómetros da capital regional (Kursk) – cortando todas as saídas das tropas russas na região com a destruição das pontes no rio Seym.

O próprio Zelenky já admitiu que o assalto a Kursk é o primeiro objetivo do plano de paz que vai discutir com Biden em Setembro, sendo que também o apresentará a Trump e Kamala. E que jogada inicial fez Kiev? O Gambito à Rainha: é o mais ousado, mas que oferece um jogo dinâmico e cheio de possibilidades estratégicas. Em última análise, o presidente ucraniano quer apressar o jogo – Biden sai a 20 de Janeiro de 2025 – para chegar o momento em que dirá a Putin : quero «isto tudo» da minha Ucrânia, por «aquilo tudo» da tua Rússia. Nunca um mestre de xadrez encarou um Gambito com leveza e insensatez.

A EXAME comemora o seu 35.º aniversário e, para assinalar este marco, lançou uma edição especial que está disponível nas bancas e em edição digital. Neste número, pode revisitar as últimas décadas através de 35 capas icónicas e também fazer um regresso ao marcante ano de 1989.

Além disso, o primeiro diretor da publicação, Álvaro Mendonça, relembra os episódios do nascimento da EXAME. Aliás, há 35 anos, a capa do número inaugural da revista foi reservada ao industrial Jorge de Mello. Três décadas e meia depois, a EXAME recriou essa capa com os descendentes do empresário.

O aniversário da revista líder de mercado no segmento de Economia e Negócios foi também uma oportunidade para conhecer melhor algumas empresas nascidas em 1989. Nesta edição pode ler como foram os primeiros 35 anos do Vila Vita Parc, da PHC, da Tensai Indústria e da Caxamar, e ainda descobrir como é que os seus líderes perspetivam as próximas décadas.

Este número conta anda com ricas análises sobre o legado e o futuro da economia portuguesa. O antigo ministro, Manuel Caldeira Cabral, preparou um ensaio sobre o perfil económico de Portugal nos últimos 35 anos.

Clara Raposo, Carlos Moreira da Silva, Armindo Monteiro, João Moreira Rato, Carlos Oliveira e Rosário Moreira aceitaram o desafio da EXAME para definirem quais deveriam ser as prioridades para transformar de forma positiva o País nos próximos 35 anos.

Destaque ainda para as recomendações de livros, vinhos e também a análise à nova dia do Hyundai Santa Fe. Tudo isto e muito mais para ler nesta edição de colecionador da EXAME. Boas leituras! E obrigada por continuar connosco ao longo de mais de três décadas. Que possamos continuar a celebrar juntos por mais 35 anos.

Nada parece correr bem à Boeing. A missão inaugural da cápsula Starliner, que levou os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams para a Estação Espacial, até parece ter corrido bem. Mas depois foi identificado um problema na cápsula da gigante norte-americana, que levou ao adiamento da missão de regresso, planeada para oito dias depois.

Desde então, a análise que a NASA tem vindo a fazer tornou cada vez mais improvável a utilização da cápsula Starliner para a viagem de regresso. O que foi agora confirmado. E também se confirmou que será a SpaceX a responsável por trazer Butch Wilmore e Suni Williams de volta à Terra.

Segundo o plano agora divulgado pela NASA, Butch Wilmore e Suni Williams apanharão ‘boleia’ numa missão já contratada, a Crew-9, agendada para fevereiro do próximo ano. Ou seja, os astronautas deverão passar oito meses na Estação Espacial Internacional, bem mais que os oito dias previstos inicialmente.

A E-goi – plataforma de automação de marketing omnicanal, foi reconhecida com o Estatuto INOVADORA COTEC 2024, um prémio que distingue as empresas portuguesas que, pela qualidade da sua liderança, gestão e desempenho, representam um exemplo para o País.  

Este é o terceiro ano consecutivo que a empresa é destacada com este selo, o que sublinha o seu compromisso com o desenvolvimento do negócio, para além de reconhecer os esforços e investimentos em Inovação & Tecnologia (I&D).  

Lançado em janeiro de 2021, o estudo INOVADORA COTEC resulta de uma parceria entre a COTEC Portugal e o setor financeiro.  O seu objetivo é servir como um selo de prestígio e reputação para distinguir e reconhecer as empresas portuguesas que se destacam na gestão dos seus negócios e investimentos em I&D.  

O reconhecimento com o Prémio INOVADORA COTEC 2024 reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento e investimentos em I&D. Segundo o Head de Inovação e Pesquisa da E-goi, Daniel Alves, “esta distinção fortalece a confiança de parceiros e clientes, demonstrando que as nossas soluções estão na vanguarda da inovação e são fundamentadas nas melhores práticas de Investigação & Desenvolvimento”. 

Além deste prémio, a empresa também se destaca pela sua acreditação pela ANI nas atividades de I&D no domínio técnico-científico das TIC, abrangendo áreas como cibersegurança, novas formas de comunicação e Tecnologias de Informação e Comunicação aplicadas às indústrias criativas

Este conteúdo foi produzido pela E-goi.

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