Fábio Loureiro, um dos cinco fugitivos da Cadeia de Vale de Judeus, em Alcoentre, há cerca de um mês, foi detido este domingo em Marrocos, avança a Polícia Judiciária. A operação demorou menos de 24 horas e contou com o apoio da Cuerpo Nacional de Policia (CNP) espanhol e da Direção Geral de Vigilância Territorial Nacional (DGST) marroquina.

“O evadido do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, Fábio Loureiro, foi detido, ontem, pelas 22h00, em Tânger, pelas autoridades marroquinas, com a colaboração das autoridades espanholas, em estreita articulação com a Polícia Judiciária (PJ) que, desde o dia da fuga, a 07 de setembro, desenvolveu um trabalho ininterrupto de investigação e de recolha de informação”, pode ler-se num comunicado da PJ.

Fábio Loureiro, conhecido por Fábio “Cigano”, cumpria uma pena de 25 anos de cadeia pelos crimes de rapto, tráfico de estupefacientes, associação criminosa, roubo à mão armada e evasão.

O português será agora presente às autoridades judiciárias de Marrocos, com vista à sua extradição para Portugal.

As autoridades israelitas confirmam a morte de um refém luso-israelita, na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023. Idan Shti-vi, de 28 anos, era fotógrafo voluntário no festival atacado por forças do Hamas há um ano. Nessa altura estaria a cobrir o festival de música onde morreram cerca de 300 pessoas.

O cidadão morreu depois dos ataques terroristas do Hamas num festival a sul de Israel. O major Rafael Rozenstjan refere que o corpo continua do lado do Hamas, na Faixa de Gaza.

Na rede social X, o ex-embaixador de Israel em Portugal já lamentou a morte do cidadão luso-israelita.

Israel deu esta segunda-feira início às cerimónias do primeiro aniversário do ataque do Hamas, a 7 de outubro de 2023, o dia mais mortífero da história do país e que desencadeou a atual guerra em Gaza. A Amnistia Internacional considerou que o prolongamento durante um ano da guerra entre Israel e o Hamas é sinal de “um fracasso coletivo da Humanidade”, sublinhando que foram cometidas várias atrocidades.

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Para os funcionários da Amazon, a perspetiva de trabalhar em modo remoto, mesmo que fosse por apenas alguns dias durante a semana, parece ter caído por terra. “Decidimos que vamos voltar a estar no escritório como estávamos antes da Covid”: esta foi a intenção anunciada por Andy Jassy, diretor executivo (CEO) da gigante tecnológica, num recente memorando aos trabalhadores corporativos. Antes de anunciar uma mudança total para o modo presencial, que deverá entrar em efeito a partir de janeiro de 2025, no ano passado, a empresa já tinha limitado para três o número de dias em que os funcionários poderiam trabalhar a partir de casa.

O caso da Amazon é um dos ‘capítulos’ mais recentes numa tendência que se tem vindo a manifestar, pelo menos desde 2023, incluindo no setor da tecnologia. Se numa fase inicial, logo após a pandemia, tudo parecia encaminhado para manter os moldes mais flexíveis, a maré começou a mudar quando várias gigantes tecnológicas, da Apple à Google, aumentaram a exigência quanto ao número de dias passados no escritório.

Entre as medidas mais apertadas contam-se também casos como o da Dell, que recentemente exigiu aos colaboradores da equipa global de vendas que regressassem aos escritórios cinco dias por semana, como noticiado pela Reuters. Ainda este ano a tecnológica norte-americana introduziu um conjunto de novas regras quanto ao seu modelo de trabalho. Os colaboradores que optassem pelo modelo híbrido teriam de estar presentes nos escritórios três dias por semana, com a sua assiduidade a ser atentamente monitorizada. Por outro lado, quem escolhesse trabalhar em modo 100% remoto deixaria de ter a possibilidade de receber uma promoção ou de mudar de função dentro da empresa.

“Muitas destas empresas inicialmente permitiram um modelo híbrido, mas estão agora a pressionar para um maior tempo presencial, muitas vezes devido a preocupações com a cultura corporativa e organizacional, inovação e colaboração”, explica João Salvador Oliveira, Associate Director Digital da Randstad Portugal, à Exame Informática. “Contudo, esta transição não tem sido simples, enfrentando resistência por parte dos colaboradores, que valorizam a flexibilidade adquirida”.

A importância da flexibilidade

No caso da Dell, perto de 50% dos seus colaboradores a tempo integral nos Estados Unidos optaram por manter-se em modo remoto, indicam dados avançados pela Business Insider. A par dos funcionários que decidiram fazer frente às exigências de regresso ao escritório por defenderem uma maior flexibilidade da maneira como trabalham, apesar das consequências que isso poderia ter na sua progressão na empresa, outros simplesmente não tiveram escolha uma vez que os escritórios mais próximos tinham fechado entretanto ou estavam demasiado longe.

As medidas mais apertadas de regresso ao escritório parecem ter tido efeitos contrários àqueles que eram esperados pelas empresas. Por exemplo, um estudo publicado em maio, por investigadores das universidades de Chicago e do Michigan, sugere que a implementação de medidas deste tipo resultou numa elevada taxa de saídas, sobretudo de funcionários em cargos superiores, em empresas de grandes dimensões como a Apple, Microsoft e SpaceX.

Como detalha António Matos, diretor executivo da Synchro, empresa dedicada ao outsourcing na área da tecnologia dentro do grupo EGOR, para a região Norte, no setor da tecnologia, “o trabalho híbrido continua a ser prevalente, mas com uma tendência para o número de dias no escritório ser superior”.

“A resistência de muitos colaboradores em regressar ao escritório ou a um aumento do número de dias no escritório aponta para um ponto de inflexão onde o modelo de trabalho tradicional está a ser desafiado pelas novas expectativas da força de trabalho, com especial incidência no setor tecnológico, visto que os colaboradores valorizam a flexibilidade e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional proporcionados pelo trabalho remoto”, realça o responsável.

A chave para o sucesso a longo prazo está num equilíbrio, difícil, entre os benefícios da flexibilidade e a necessidade de manter a coesão, inovação e segurança no ambiente de trabalho

António Matos
Diretor Executivo, Synchron Norte

Em linha com António Matos, João Salvador Oliveira sublinha que os temas da flexibilidade e do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal são cada vez mais importantes para os profissionais, “particularmente no setor de TI onde o trabalho remoto já era uma realidade ainda antes da pandemia de Covid-19”.

“A verdade é que vimos o tema da flexibilidade a ser determinante na escolha de um empregador, segundo os mais recentes dados do Workmonitor da Randstad publicados no início deste ano, 29% dos profissionais não aceitariam um emprego no qual não houvesse flexibilidade no que diz respeito ao local de trabalho. E mais ainda, 26% considerariam despedir-se se o seu empregador os obrigasse a passar mais tempo no escritório”, destaca.

Fonte: Randstad Workmonitor 2024

Tendências nacionais

De acordo com dados avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no segundo trimestre de 2024, 1,072 milhões trabalharam em casa. Deste número, 96,2% (1,031 milhões) estiveram em teletrabalho, ou seja, recorreram a tecnologias de informação e comunicação para desempenhar as suas funções remotamente. Ao todo, este regime de trabalho abrangeu 20,2% da população empregada, numa subida de 0,2 pontos percentuais (p.p.) em comparação com o trimestre anterior e de 1,9 p.p. relativamente ao período homólogo em 2023.

Do total de pessoas que trabalharam em casa durante este período, 37,6% (402,9 mil) fizeram-no num sistema híbrido, combinando trabalho presencial e remoto. Os dados do INE indicam que a “combinação mais comum foi a que conjuga alguns dias por semana em casa todas as semanas (75,6%; 304,5 mil)”. Esta combinação foi também a que registou a maior variação trimestral (mais 1,9 p.p.) e homóloga (6,4 p.p.). Em média, os trabalhadores neste regime trabalharam em casa três dias por semana.

Centrando-nos no setor da tecnologia, “enquanto algumas empresas tecnológicas seguem as tendências internacionais e procuram trazer os colaboradores de volta ao escritório, muitas continuam a permitir ou até a incentivar o trabalho remoto”, afirma João Salvador Oliveira. “Empresas mais pequenas ou startups tendem a ser mais flexíveis, reconhecendo o teletrabalho como uma vantagem competitiva na atração de talento”, indica, destacando ainda a influência da legislação neste cenário.

No segundo trimestre de 2024, 1,031 milhões de pessoas em Portugal estiveram em teletrabalho, indicam dados do INE. Este regime de trabalho abrangeu 20,2% da população empregada

“O teletrabalho e os modelos híbridos têm tido um impacto significativo na retenção e atração de talentos, especialmente no setor tecnológico, onde a competição por profissionais qualificados é, no mínimo, intensa”, afirma António Matos. “A flexibilidade proporcionada por estes modelos é um diferencial importante para as empresas atraírem e manterem os melhores profissionais”.

Algumas das tecnológicas com quem falámos, todas com modelos híbridos implementados em Portugal, reconhecem esse impacto. Filipa Gamanho Esteves, diretora de recursos humanos da Capgemini Portugal, indica que a “flexibilização do modelo de trabalho é, sem dúvida, um dos fatores mais cruciais na atração e retenção de talento, com a valorização da flexibilidade de escolha nos formatos de trabalho e nos equilíbrios entre as diferentes componentes da vida a constituir o primeiro critério para o recrutamento e retenção das gerações mais jovens”.

“Cada vez mais o regime de trabalho híbrido é um dos aspetos que os candidatos procuram. É, aliás, uma das primeiras perguntas no processo de recrutamento”, avança fonte oficial da Siemens Portugal. A necessidade de adequar os formatos de trabalho às exigências de quem entra agora pela primeira vez no mercado de trabalho também é realçada por Maria Alexandra Pires, HR Business Partners for Channels & Partners Business in WE, LATAM, US & Canada da Xerox.

“Sabemos que são as Gerações Y e Z as que estão a chegar às empresas. Prevê-se que até ao final do próximo ano sejam cerca de 60% da força de trabalho a nível global”, detalha. “São gerações especialistas em tecnologia e centradas na Internet e no digital e esperam das empresas a possibilidade de conseguir gerir o seu trabalho de forma flexível, pois consideram isso fundamental para o seu bem-estar”.

Decisões polémicas

A Critical Software é também uma das empresas que opera em modo híbrido. Porém, as mudanças feitas pela empresa têm levantado polémica. Os ‘ecos’ das alterações mais recentes fizeram-se ouvir em plataformas como o Reddit, com o caso a ser noticiado mais tarde pelo Observador.

De acordo com um email enviado pela empresa em agosto, a obrigatoriedade de estar dois dias por semana nos escritórios foi reforçada, aumentando para três em determinados casos. O incumprimento pode resultar em despedimentos ou em congelamentos na progressão salarial, dependendo da gravidade. Na mesma mensagem, a empresa indica também que a adesão ao modelo híbrido não ocorreu de maneira tão “transversal” como esperado.

Embora a Exame Informática tenha questionado a empresa acerca do seu modelo de trabalho; impacto na produtividade, colaboração entre equipas e atração e retenção de trabalho (e respetivas expetativas dos colaboradores), não obtivemos resposta sobre estes temas. No que respeita à questão das alterações, a empresa remeteu para a sua posição através de uma declaração. “Atualmente, a Critical Software tem em vigor um modelo de trabalho híbrido por acreditar que este é um formato que privilegia o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional dos nossos mais de 1300 colaboradores”, afirma, acrescentando que este modelo permite responder às necessidades das equipas e promover “um ambiente colaborativo e dinâmico”.

Na declaração, a empresa indica que reconhece “que o contacto presencial entre os colaboradores é essencial para a promoção e preservação da cultura organizacional”, elementos que vê como “essenciais” para o seu sucesso.

A “consciência de que a ausência ou redução da interação humana pode ter efeitos negativos na coesão das equipas e na manutenção dos valores que partilhamos” é outro dos aspetos que a empresa afirma ter. “Numa empresa como a Critical Software, que enfrenta desafios tecnológicos complexos diariamente, a colaboração, a criatividade e um ambiente que favoreça a inovação são fundamentais”.

Segundo a Critical Software, os detalhes do seu modelo híbrido “foram comunicados a todos os colaboradores antecipadamente”. “Vamos continuar a monitorizar e a ajustar as nossas políticas para assegurar que mantemos um ambiente de trabalho que fomente a inovação, a colaboração e a preservação da nossa cultura, elementos fundamentais para o sucesso de todos nós”.

Equilíbrio desafiante

No caso da Salesforce, Fernando Braz, Country Leader em Portugal, indica que a visão da empresa passa por olhar para o escritório como “espaço de colaboração em equipa, de encontro entre colegas e para receber empresas clientes e parceiras”.

Por um lado, “a existência deste espaço é uma parte importante dos nossos valores e da nossa cultura corporativa”, afirma, defendendo que ter um local de trabalho físico onde seja possível viver o espírito de equipa é “essencial”. Por outro, a flexibilidade é encarada como um fator importante para que os profissionais possam gerir o seu tempo e “para o melhor equilíbrio entre a sua vida pessoal e profissional”.

O fomento da cultura da empresa através da presença nos escritórios é também visto pela SAP Portugal como uma das motivações para o modelo de trabalho híbrido que implementa, com, pelo menos, três dias por semana em modo presencial. “A interação presencial é essencial para manter os nossos valores vivos e fortalecer a nossa identidade corporativa”, avança fonte oficial da empresa.

A tecnológica defende que o seu crescimento futuro “exige uma colaboração estreita e decisões rápidas, especialmente no que diz respeito às novas tecnologias como a Inteligência Artificial”, motivo pelo qual a presença regular nos escritórios “facilita a resolução ágil de problemas e a adaptação a novos desafios”. A motivação para a adoção deste modo de trabalho também se baseia na “valorização das interações espontâneas, dos colaboradores, no escritório, que frequentemente geram novas soluções e perspetivas”.

A V-Valley, empresa que faz parte do Grupo Esprinet, tem apostado num modelo de trabalho híbrido como forma de fazer face à sua realidade de negócio, conta Paulo Rodrigues, Head of V-Valley Portugal. “O modelo é motivador e incentiva a mobilidade das pessoas, para além de estar adequado à nossa realidade de negócio, pois mais de 50% da equipa exerce funções onde a mobilidade aporta muitas vantagens”.

O responsável nota, no entanto, que “a liberdade ordenada relativamente a este modelo tem os seus desafios e requer das equipas um espírito colaborativo muito importante”, pois apenas dessa forma é possível obter um equilíbrio entre produtividade e mobilidade. “O fator comunicação desempenha, igualmente, um papel estratégico nesta equação, por forma a encontrar pequenos pontos que impactem positivamente na produtividade”, defende.

O papel da tecnologia

Se durante o período de teletrabalho forçado da pandemia, a tecnologia já tinha assegurado o funcionamento das operações, com a adoção de modelos híbridos, o seu papel continua a ser fundamental. Das ferramentas de comunicação e colaboração entre trabalhadores às soluções de gestão de equipas, mas também de reforço das competências dos colaboradores para fazerem face à constante evolução tecnológica.

Como destaca Filipa Gamanho Esteves “o investimento em ferramentas de desenvolvimento e certificação de competências têm sido um fator chave” na Capgemini. Segundo a responsável, aqui incluem-se, por exemplo, “programas online e blended” centrados na aquisição e reforço de conhecimentos em termos nacionais e internacionais, incluindo pela sua universidade global.

Já Maria Alexandra Pires realça a necessidade da definição de “plano programado de transformação de ferramentas e processos internos”, tendo em mente questões como produtividade e a capacidade de os colaboradores acederem de forma segura à informação e aos sistemas internos.

Para a Salesforce, que tem o Slack como a base do seu trabalho, Fernando Braz afirma que mesmo com a IA Generativa, a empresa está a compreender como a plataforma permite aumentar a produtividade dos seus utilizadores. Citando dados do mais recente estudo Slack Workforce Index, “o uso de IA entre todos os trabalhadores de escritório inquiridos aumentou 23% desde janeiro e 60% desde setembro”.

A propósito de IA e da sua crescente adoção, na visão de Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, as novas tecnologias podem mudar a forma como as empresas gerem as suas equipas. “Este é um tema que até para os principais líderes globais é difícil de prever, mas é certo que a IA vai impactar a forma como trabalhamos e, consequentemente, a possibilidade de trabalhar de forma mais eficiente e produtiva, digitalmente e remotamente. Aliás, já o está a fazer”.

“Existem muitas decisões e tarefas que podem ser mais eficientes com este suporte, permitindo obter melhores resultados, reduzir a carga de trabalho e também gerir de forma mais eficiente equipas de trabalho remotas, realça o responsável. “No fundo, iremos viver cada vez mais pela máxima de: maior liberdade com maior responsabilidade”, e a promessa de ganhos de produtividade e de eficiência parecem corresponder a um cenário bem real”.

Um ano depois do ataque do Hamas a Israel, milhares de pessoas de todo o mundo manifestaram-se este fim de semana. Roma, Londres, Madrid, Quito, Seoul, Washington e outras dezenas de cidades foram palco de diversas marchas pró-palestina que, em alguns casos, resultaram em confrontos com as autoridades policiais.

Em Portugal, na cidade do Porto, centenas de pessoas reuniram-se este domingo para gritar que “do Porto até Rafah, Palestina vencerá” pelas ruas da cidade nortenha. A manifestação, que partiu da Praça dos Poveiros, teve, contudo, de terminar mais cedo do que o previsto devido às condições climatéricas.

No sábado, na capital norte-americana de Washington, um homem ateou fogo ao braço esquerdo, tentando incendiar-se, durante um protesto frente à Casa Branca contra o apoio norte-americano a Israel e contra a guerra na Faixa de Gaza. A polícia conseguiu extinguir as chamas com recurso a água e lenços tradicionais palestinianos – ´keffiyehs’.

Em Roma, a marcha, que começou pacífica, ficou marcada por violentos confrontos com a polícia que lançou gás lacrimogéneo, usou canhões de água e bastões para dispersar a multidão. O protesto reuniu cerca de 7 mil pessoas numa praça da capital italiana.

Já em Paris, os milhares de manifestantes exigiriam ao governo e a Emmanuel Macron o boicote a Israel e um cessar-fogo imediato em Gaza, acusando o Presidente de cumplicidade no “genocídio” do Médio Oriente. Com o mote “Acabar com o genocídio em Gaza”, milhares reuniram-se na Place de la République entoando frases como: “Palestina livre”, “Do rio ao mar, a Palestina deve ser livre“, “Genocídio em Gaza e no Líbano” e “Israel assassino, Macron cúmplice” no primeiro dia de manifestações.

“Free, free Palestine” – em português “Palestina livre” – foi a frase mais entoada pelos manifestantes pró-palestina, em defesa da criação de um Estado palestiniano, no Reino Unido. A marcha foi organizada por diferentes grupos e organizações, como a Coligação “Stop The War” (“Parar a Guerra”), Partido Socialista dos Trabalhadores, Amigos de Al-Aqsa e Associação Muçulmana. 

Já no México, os manifestantes apelaram ao Governo de Claudia Sheinbaum que corte as relações diplomáticas, económicas e políticas com Israel.

Esta segunda-feira, dia 7 de outubro, marca um ano desde o início das hostilidades na Faixa de Gaza, após o Hamas – movimento islamita palestiniano – ter atacado Israel e causando cerca de 1 200 mortos e mais de 250 reféns.

Segundo o ministério da Saúde do Governo do Hamas já morreram quase 42 mil pessoas no território palestiniano desde o início da guerra com Israel.

O contexto parece ser o de uma tempestade quase perfeita. Nos próximos dias e semanas, pelo menos até às eleições presidenciais nos EUA, a 5 de novembro, o mundo está em alerta vermelho. O que acontecer nos dois grandes conflitos em curso, no Médio Oriente e na Ucrânia, pode, facilmente, influenciar os resultados eleitorais – e as sondagens não apontam, neste momento, para um vencedor claro.

Sabendo-se quem tem preferência por um regresso de Donald Trump à Casa Branca, percebe-se melhor o perigo deste contexto. Benjamin Netanyahu, na sua coligação com forças extremistas, tem feito o que quer, sem nunca respeitar os tímidos apelos americanos para uma contenção ao longo do último ano. Continuando essa escalada, agora com o Irão num horizonte próximo, desafia o ainda presidente Joe Biden e a candidata Kamala Harris, e contribui para que muitos eleitores, sobretudo mais jovens, e de esquerda, defensores (pelo menos no contexto atual) da causa palestiniana, pensem duas vezes antes de votarem nos democratas. Trump diz, com o simplismo a que nos habituou, que rapidamente consegue acabar com esta guerra e “evitar a terceira guerra mundial.” Se a situação piorar ainda mais no Médio Oriente nos próximos dias, muitos americano serão mais sensíveis a esse discurso. E certamente que Netanyahu preferirá Trump como líder americano (recorde-se que foi na sua presidência que a embaixada norte-americana foi, não sem polémica, transferida de Telavive para Jerusalém).
Também Putin (apesar de cinicamente ter chegado a verbalizar o seu apoio a Kamala Harris) tem todo o interesse numa vitória de Trump, pouco sensível à causa ucraniana. 

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1. Lee Miller: Na Linha da Frente, de Ellen Kuras

As possibilidades eram muitas. Na vida de Lee Miller há tanto potencial cinematográfico que, partindo para a realização de um biopic, era obrigatório fazer opções. Lee Miller: Na Linha da Frente começou a ser preparado em 2015, a partir do livro biográfico do filho da fotógrafa, Antony Penrose, publicado em 1985. Kate Winslet (em quem a realizadora Ellen Kuras viu fortes semelhanças físicas com Lee Miller) entusiasmou-se rapidamente com o projeto e tornar-se-ia, mesmo, coprodutora do filme.

Há um discurso feminista sublinhado a traço grosso em vários momentos do filme, mas o lado mais artístico, boémio e livre/libertino de Lee Miller acaba por surgir sempre como um apontamento ou um eco longínquo. A ação – que nos chega num longo flashback, a partir de uma entrevista/conversa sobre o passado com alguém que é muito mais próximo da protagonista do que, a princípio, parece – centra-se, sobretudo, no papel de Lee Miller como correspondente de guerra e na sua relação com Dave Scherman (em trabalho para a revista Life, interpretado por Andy Samberg), enquanto, juntos, testemunharam os horrores da II Guerra Mundial. A realizadora preocupou-se bastante com a reconstituição histórica – das cenas de batalha em Saint-Malo, da chegada aos campos de concentração de Buchenwald e Dachau recém-libertados (onde ainda se acumulavam cadáveres dentro de carruagens de comboio para onde Lee teve a coragem de subir) e da célebre fotografia do banho de Lee nas instalações de Hitler em Munique. Pedro Dias de Almeida. De Ellen Kuras, com Kate Winslet, Andy Samberg, Josh O’Connor, Andrea Riseborough > 106 min

2. Joker: Loucura a Dois, de Todd Phillips

É com a estética das animações Looney Tunes, em especial de Bugs Bunny, que abre esta sequela de Joker. A personagem principal ganha uma versão animada (foi, aliás, assim que tudo começou, nos livros da saga Batman da DC Comics) e recordamos o que levou Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) a estar a caminho do “julgamento do século”. Matou cinco pessoas, uma delas em direto na televisão nacional. Na verdade, são seis, mas só o espectador sabe.

Em Joker: Loucura a Dois, a história mantém-se intensa, sem ir demasiado ao passado buscar explicações. Os momentos musicais existem, mas a banda sonora não faz desta sequela um filme-musical. As canções, algumas bem conhecidas, são pensamentos, respostas, anseios ou verdadeiros pedidos de ajuda do supervilão e de Lee Quinzel/Harley Quinn (Lady Gaga).

A ação do novo filme de Todd Phillips divide-se de forma equilibrada entre Arkham, centro de correção onde Arthur Fleck está sempre a ser desafiado a contar uma nova piada, e o tribunal, onde nas alegações finais cresce para os jurados num momento de stand-up sem comédia. Joker: Loucura a Dois volta a expor as fragilidades da doença mental, da tormenta do sentimento de invisibilidade numa sociedade também ela atormentada. E, no fim, nem o Apocalipse os salvou. Sónia Calheiros. De Todd Phillips, com Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Catherine Keener, Brendan Gleeson > 138 min

3. Mãos no Fogo, de Margarida Gil

Margarida Gil inspira-se num conto de Henry James para uma viagem ao Douro cheia de mistério e cinema. Filmar esse rio e essa região remete-nos imediatamente para o universo de Manoel de Oliveira, com Agustina Bessa-Luís, mas a realizadora, apesar de citar o mestre, leva-nos por caminhos diferentes.

Mãos no Fogo quase se confunde com um ritual iniciático. Acompanhamos os passos de uma jovem cineasta a preparar uma tese sobre o real, documentando uma quinta do Douro altamente misteriosa. O próprio dono da quinta, numa interpretação magnífica de Marcello Urgeghe (assim como o é a de Rita Durão) é um cinéfilo perverso, que se dedica a produzir vídeos caseiros com jogos psicológicos de intensidade doentia. Há um confronto entre linguagens fílmicas, a meio caminho do metacinema, beneficiando tudo isto da magnífica fotografia de Acácio de Almeida – denotando um fascínio maior pelos interiores do que pela paisagem deslumbrante em volta.

O filme teve a sua estreia em Berlim, marcando o regresso da experiente realizadora a um festival maior, 37 anos depois da passagem por Veneza com a sua primeira longa, Relação Fiel e Verdadeira. Manuel Halpern. De Margarida Gil, com Carolina Campanela, Marcello Urgeghe, Rita Durão e Adelaide Teixeira > 109 min

Os jornalistas nunca devem ser notícia. Mas as circunstâncias levam a que o autor deste texto, que tem feito a cobertura jornalística do Campeonato de Portugal de Novas Energias – PRIO, tenha de desrespeitar esta regra. Isto porque Sérgio Magno e Ana Joaquim venceram o Eco Rally Madeira ao volante de um Peugeot e-3008.

Recorde-se que a participação da Exame Informática no Campeonato de Portugal de Novas Energias – PRIO tem por objetivos principais acompanhar esta prova ‘por dentro’, aproveitar as condições especiais da competição para testar carros elétricos em condições particularmente exigentes e ajudar na divulgação da mobilidade elétrica. Mas desta vez, tudo correu extremamente bem, também na componente desportiva, e a dupla acabou mesmo por ganhar a quinta prova deste campeonato de ralis de regularidade exclusivo para viaturas 100% elétricas.

A vitória em equipas foi para a PRIO – Exame Informática – Peugeot

O bom desempenho da outra dupla da PRIO – Exame Informática – Peugeot, Ivo Miguel Tavares e João Paulo Martinho, a volante de um Peugeot e-208, permitiu, ainda, a vitória em equipas.

A vertente da competição de Eficiência Energética do Eco Rally da Madeira foi ganha por Emilien Le Borgne e Alexandre Stricher, em Dacia Spring, que também ganhou a taça da Power Stage do Eco Rally da Madeira, disputada no Machico. O prémio para a melhor equipa feminina foi atribuído à dupla Ana Faria / Rita Nepomuceno, em Opel Corsa-e. A Dupla Duarte Júnio Gonçalves / Vítor Rodrigues, em Smart #3 Bravus, foi a melhor equipa madeirense em prova.

Organizado pelo New Wave Atlantic Automobile Association, associação sedeada no Funchal, o Eco Rally da Madeira contou com a participação de 33 carros 100% elétricos, tendo sido disputado ao lombo de 206 Km, em quatro secções, com 14 setores de regularidade.

Sob a égide da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), e tendo como promotor a MyTime, o Campeonato de Portugal de Novas Energias – PRIO levará a sexta prova deste campeonato às ruas de Lisboa onde, nos dias 1 e 2 de novembro, se realizará o Eco Rally Lisboa.