Segundo a polícia finlandesa, em comunicado, o Eagle S foi apreendido pelo Departamento Nacional de Investigação (NBI) e levado para um novo local com “melhores condições para realizar a investigação”. O navio, que navegava com bandeira das Ilhas Cook integrado na referida frota destinada a contornar as sanções, vinha da Rússia. A apreensão, anunciada este sábado, ocorreu na quinta-feira, após a rutura de um cabo elétrico subaquático que ligava a Finlândia à Estónia e escoltado até ao porto de Kilpilahti, a 40 quilómetros a leste de Helsínquia.

O Eagle S transporta gasolina sem chumbo carregada num porto russo com destino ao Egito, sendo o porto de Kilpilahti para navios de carga líquida.

No dia de Natal, a ligação de corrente contínua EstLink 2, entre a Finlândia e a Estónia, foi desligada da rede. O operador finlandês Fingrid disse que estava “fora de serviço” devido a danos ainda não avaliados. A polícia finlandesa abriu uma investigação por suspeita de sabotagem.

Com a morte de Auster, em 2024, desaparece também uma tradição literária que vinha definhando – porventura desde o falecimento de Philip Roth, em 2018 –, e que elegeu o storytelling como ofício fundador, ancorada em outros nomes, como Don DeLillo, Jonathan Franzen, Joyce Carol Oates, Richard Price ou a ultramoderna Elizabeth Strout. A sugestão narrativa de Auster – a exploração de um território ficcional sugerido pelo destino trágico-cómico de uma personagem (Quinn, Walter Rawley, Marco Stanley Fogg, Nashe de A Música do Acaso, o alter ego Peter Aaron e Benjamin Sachs em Leviathan, para nomear uns quantos, terminando com Archie Ferguson em 4 3 2 1) – foi o marco de um escritor que enfeitiçou os anos 1990, e cuja obra perdura, mas que, por vários motivos, não o glorifica. É estranho, para mim, pensar hoje em Auster ou sequer falar dele; os seus livros foram tão importantes para a minha imaginação de leitor e de escritor e, contudo, não conheço quase ninguém que não o tenha “ultrapassado”. Mais do que um autor, Auster foi uma fase na vida de um leitor – porventura irrepetível, porque o tempo é cruel. Os anos 1990 não regressam, e os leitores têm agora um desafio bem diferente – o de desenterrar Paul Auster do baú das coisas vagamente esquecidas e não deixar que as suas personagens e narrativas (por vezes forçadas, sim, muitas vezes clichés, mas sempre honestas e sedutoras) desapareçam para sempre. Auster foi o escritor mais influente na minha vida literária entre os 15 e os 24 anos. A certa altura, deixei de o ler, retomando com 4 3 2 1; mas nem este nem nenhum dos livros dos 2000 conseguiram o impacto de Palácio da Lua, A Música do Acaso, A Trilogia de Nova Iorque, Leviathan ou Mr. Vertigo. Auster foi um escritor único e incrivelmente original, e o que os críticos lhe apontavam era precisamente o que fazia dele um autor tão fascinante: ser ele próprio com toda a vulnerável coragem do ser humano; limitado, mas também muito generoso. Foi o último autor que me fez ler até às quatro da manhã, à luz de uma lanterna, em dia de escola, e estou-lhe eternamente grato por isso.

*João Tordo
Escritor. Em 2024 lançou o thriller Os Dias Contados

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Em Sven-Göran Eriksson juntavam-se várias características que o transformavam num treinador de exceção. Além dos conhecimentos futebolísticos, que foram sempre entendidos por ele, humildemente, como dinâmicos, o que revelava um espírito aberto, havia também o visionário, que aplicou há mais de 40 anos (ainda Leonid Brejnev governava a URSS!) métodos que permanecem atuais. Mas havia nele uma inteligência emocional que vou procurar retratar num episódio completamente fora da caixa.

No dia 10 de abril de 1983, em jogo da 25ª jornada do Campeonato Nacional (que tinha 30 jogos), o Benfica, que liderava com o FC Porto a quatro pontos e o Sporting a cinco, recebeu o Rio Ave, numa partida que era para ter como guarda-redes do Benfica Manuel Bento, sendo eu suplente. Porém, já na fase final do aquecimento, o Zé Luís cruzou uma bola da direita, que cabeceei para a baliza. Quis o destino que o Bento, naquele instante, fosse ajeitar uma bota e quando levantou a cabeça levou com a bola em cheio na cara. Consequência: sangue a jorros e nariz partido. Fomos para o balneário, e perante a situação passei a titular, obviamente angustiado pelo facto de ter sido o causador involuntário da lesão do Bento, e com o peso do mundo em cima dos ombros, para aquele que seria o jogo mais difícil da minha carreira. Perante este cenário, o que me fez Eriksson, depois de se ter inteirado da situação de Bento? Nada. Apenas, quando íamos começar a descer as escadas para o relvado, se acercou de mim e disse-me, com voz calma: “Keep the zero.” Ou seja, percebeu que naquele contexto um milhão de coisas, muitas delas sombrias, devia estar a passar pela minha cabeça, e optou por não me colocar mais pressão. O jogo foi um daqueles que não correram bem ao Benfica. Muito ataque e zero golos, enquanto o Rio Ave (de Quinito) ia contra-atacando com perigo. O nulo manteve-se até ao apito final do árbitro e, já na cabina, a única coisa que Eriksson me sussurrou ao ouvido foi: “Well done.” Inteligência emocional à enésima potência, não é?

*José Manuel Delgado
Antigo guarda-redes do Benfica (treinado por Eriksson) é jornalista e redator principal do jornal A Bola

Numa entrevista num gabinete espartano do Camp des Loges, quando se soube que iria reentrar pela porta grande no Estádio da Luz, Artur Jorge confidenciou-me que não gostava de ser fotografado do lado direito – uma metáfora para as duas faces do seu legado, um belo FC Porto e um monstruoso Benfica.

Os franceses coroaram-no como Le Roi Artur quando conduziu o PSG ao segundo título nacional, mas por essa altura o portuense já reinava a nível continental, tricampeão nacional e campeão europeu, graças à magia da sua Excalibur, a espada de Madjer, cuja obra reluz na fantástica galeria de arte que colecionou, com tanto idealismo fora das quatro linhas como pragmatismo dentro delas.

“Fizemos coisas bonitas”, dizia para justificar uma filosofia de fusão entre a criatividade romântica da escola coimbrã e a paixão intransigente dos grandes clubes, como o Benfica dos anos 70 e o FC Porto pós-Pedroto.

Cinquenta anos antes dos treinadores com habilitações, já ele optara pelo mais completo processo formativo, sem queimar etapas entre a carreira de avançado-centro – mais de 200 golos e o inconfundível “pontapé de moinho” – e a de primeiro treinador português com projeção internacional.

Após ter sido trabalhador-estudante universitário em Coimbra e com as lesões a apressarem-lhe o fim da carreira, escolheu aprofundar os estudos numa das mais avançadas escolas de Desporto, na antiga RDA, de onde regressou com bagagem científica sem paralelo. As crónicas de Leipzig, no jornal A Bola, um primeiro exercício de opinião “fora do campo” na imprensa desportiva, encorajado pela Revolução e pelo advento do sindicalismo, de que foi percursor, revelaram uma dimensão diferenciada num meio dominado pelo empirismo.

Apadrinhado por José Maria Pedroto, realizou uma primeira década de sonho no FC Porto, desbravando o caminho internacional em Paris e chegando a duas cadeiras em que não concretizou os sonhos, no Benfica e na Seleção Nacional, antes de encetar um percurso errático de globetrotter, da Suíça à Arábia Saudita, da Holanda aos Camarões, sempre à boleia do seu magnífico legado bom.

João Querido Manha
Ex-jornalista

Segundo a informação publicada na sexta-feira à noite, o portal do SNS indica que estarão encerradas as seguintes urgências: Obstetrícia do Hospital de Portimão, Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira, Pediatria do Hospital Beatriz Ângelo (Loures), Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Caldas da Rainha e Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santo André (Leiria).

Haverá ainda serviços a funcionar com restrições.

Reservado para as urgências internas e casos referenciados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e pela linha SNS24 (808242424):

– Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Cascais Dr. José de Almeida (00h00 – 24h00)

– Pediatria (00h00 – 08h00 e 20h00 – 24h00) e Ginecologia e Obstetrícia (00h00-24h00) do Hospital Amadora/Sintra

– Ginecologia e Obstetrícia do Hospital São Francisco Xavier (00h00 – 24:00)

– Ginecologia e Obstetrícia do Beatriz Ângelo (00h00 – 24:00)

– Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Abrantes (00h00 – 24:00)

– Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria, Lisboa (00h00 – 24:00)

– Ginecologia e Obstetrícia Centro Materno Infantil do Norte (00h00 – 24:00)

A urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Garcia de Orta (Almada) vai receber apenas casos referenciados pelo CODU/INEM, entre as 00:00 e as 24:00, assim como o Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

No total, estarão abertas cerca de 190 urgências.

Os serviços de saúde recomendam que os utentes liguem sempre para o número 808242424 antes de se dirigirem à urgência.

A oportunidade de escrever sobre o André Jordan, para além de recordar o amigo, é, dizia, a oportunidade de enfatizar o seu lugar no turismo em Portugal. Cronologicamente, não é importante atribuir-lhe o epíteto de “pai” do turismo – esse galardão deve ser endossado à Madeira pelos seus mais de 200 anos de história no turismo – importante sim, é associar o papel do André Jordan a uma permanente ideia de qualidade.

Em resultado do seu percurso, do acesso às melhores práticas, da sua busca incessante pela estética dos elementos, o André trouxe para Portugal o melhor do que se foi fazendo pelo mundo.

Foi assim na Quinta do Lago no Algarve, onde introduziu um compromisso entre planeamento urbanístico e sustentabilidade ambiental, atraindo exigência à região…

Do ponto de vista de conceito, destacar o seu papel na introdução do turismo residencial em Portugal, conceito este posteriormente objeto de consagração legislativa.

Sendo o André Jordan um apaixonado pelo golfe, contribuiu muito para a dinamização desta modalidade. Este setor é hoje um pilar essencial na atenuação da sazonalidade no Algarve. Por fim, dizer que o André continuará a inspirar de forma inexorável uma nova geração de empreendedores a inovar no setor. O seu legado estará sempre ligado à ideia da reputação de Portugal como um destino turístico de qualidade.

*Bernardo Trindade
Economista, ex-secretário de Estado do Turismo. Administrador do Grupo Porto Bay, foi considerado a “Personalidade do Ano” no Prémio Nacional de Turismo 2024

Alexei Anatolievich Navalny nasceu a 4 Junho de 1976; morreu a 16 Fevereiro de 2024. Era o mais famoso ativista anticorrupção da Rússia. Orador carismático, foi durante anos o principal crítico e opositor de Vladimir Putin e do seu instrumento político, o partido Rússia Unida, que denunciou como o partido dos “escroques e ladrões”.

Navalny começou no partido liberal Yabloko, guinou para uma linha mais nacionalista, fundando movimentos sociais em defesa dos direitos dos russos. Fez diatribes discriminatórias de etnias minoritárias e procurou restringir movimentos migratórios da Ásia Central e do Cáucaso.

Em 2014, Navalny foi apoiante da ocupação da Crimeia. Tal como Putin, achava que a Ucrânia era uma “construção artificial”. Mas acabou a condenar a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, e apelou aos russos para que vencessem o medo e fossem para as ruas pedir o fim da guerra, enquanto denunciava Putin como um “czar obviamente insano”. Suportou repetidos processos judiciais, prisões, eleições falhadas por fraude e outros obstáculos. Suportou múltiplos assaltos contra a sua integridade física, como o de um spray que o deixou parcialmente cego em 2017. E o envenenamento com o agente químico Novichok em 2020, do qual milagrosamente conseguiu recuperar, tendo então sido transferido para Berlim, a pedido da família.

Mas todos estes ataques e perseguições nunca fizeram Navalny deixar de investigar e revelar os escândalos financeiros da oligarquia sustentada, e sustentadora, do poder de Putin.

A repressão feroz também nunca conseguiu impedi-lo de atrair multidões de apoiantes entusiastas. Calculando que o apoio popular esmoreceria se Navalny ficasse no exílio, a clique de Putin fez tudo para que ele não voltasse de Berlim, incluindo ameaçando-o de prisão se regressasse à Rússia. Mas Navalny, que deixou um livro de memórias intitulado Patriota, decidiu regressar, mesmo contra o conselho da família e dos amigos. E por isso a sua eliminação estava anunciada: quando regressou, foi logo preso no aeroporto, em Janeiro de 2021.

A sua Fundação Contra a Corrupção na mesma altura divulgou internacionalmente um filme de investigação expondo a rede de oligarcas e corruptos instrumentais para construir uma mansão multimilionária para Putin nas costas do Mar Negro.

No final de 2023, Navalny foi transferido para uma remota colónia penal no Ártico. Aí morreria, de colapso, por um alegado “súbito síndroma letal”, segundo as autoridades prisionais.

A Fundação contra a Corrupção (FBK em russo), que Navalny fundou, continua a trabalhar. A sua mulher, Yulia, de quem teve uma filha e um filho, vive no exílio, onde prossegue a campanha para livrar a Rússia de Putin.

A morte de Navalny, na prisão, aos 47 anos, tem a marca da tragédia russa, como as que perpassam nos magistrais romances Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, e Guerra e Paz, de Lev Tolstói. Uma tragédia feita de intrepidez e implacável sofrimento, que não suscita apenas piedade: suscita horror perante a agonia do espírito humano numa ordem social e política avessa à justiça e à liberdade.

* Ana Gomes
Ana Gomes é uma jurista, antiga diplomata e política. Foi chefe da missão diplomática portuguesa na Indonésia durante o processo de independência de Timor-Leste. Ex-eurodeputada (2004-2019)
Foi candidata às presidenciais de 2021.

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O novo ano começa na próxima quarta-feira e, como sempre, arranca com um feriado nacional. Dos restantes 12 que acontecem ao longo de 2025, não voltará a haver outro exatamente a meio da semana e apenas dois, além do Domingo de Páscoa, que vai celebrar-se a 20 de abril, ocorrem durante o fim de semana: são os casos do 5 de outubro, um domingo, que assinala a implantação da República em 1910, e do 1 de novembro, um sábado, dia religioso de Todos os Santos.

Todos os outros feriados nacionais surgem no calendário de 2025 encostados a um fim de semana ou com um dia de intervalo, possibilitando o agendamento das célebres “pontes” com recurso a um único dia de férias.

O descanso prolongado está previsto logo à partida para cinco ocasiões, a primeira das quais a 18 de abril, na chamada Sexta-feira Santa. Uma semana mais tarde, a comemoração do 25 de abril também chega a uma sexta-feira, assim como o feriado religioso da Assunção de Nossa Senhora, no dia 15 de agosto. Já a Restauração da Independência, a 1 de dezembro, e a Imaculada Conceição, uma semana mais tarde, no dia 8 de dezembro, celebram-se em 2025 à segunda-feira.

Depois, abrem-se mais quatro hipóteses de aproveitar o calendário para desfrutar de umas miniférias gastando apenas um dia para o efeito. O Dia do Trabalhador, 1 de maio, calha desta vez a uma quinta-feira, da mesma forma que o Corpo de Deus, assinalado a 19 de junho, e o Natal, a 25 de dezembro; enquanto o 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, será comemorado a uma terça-feira.

Como manda a tradição, o feriado opcional do Carnaval também ocorre neste dia da semana, desta feita a 4 de março, e há ainda a reter os feriados municipais, que variam consoante o local de trabalho de cada um. O de Lisboa, dedicado a Santo António, no dia 13 de junho, será uma sexta-feira, ao passo que o do Porto, em honra de São João, no dia 24 de junho, decorrerá a uma terça-feira, isto só para citar as duas maiores cidades do País, onde os trabalhadores também não poderão queixar-se do calendário.

Feriados nacionais de 2025

Ano Novo – 1 de janeiro, quarta-feira

Sexta-feira Santa – 18 de abril

Domingo de Páscoa – 20 de abril

25 de abril – sexta-feira

Dia do Trabalhador – 1 de maio, quinta-feira

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas – 10 de junho, terça-feira

Corpo de Deus – 19 de junho, quinta-feira

Assunção de Nossa Senhora – 15 de agosto, sexta-feira

Implantação da República – 5 de outubro, domingo

Dia de Todos os Santos – 1 de novembro, sábado

Restauração da Independência – 1 de dezembro, segunda-feira

Imaculada Conceição – 8 de dezembro, segunda-feira

Natal – 25 de dezembro, quinta-feira

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Desenvolvido por um vasto grupo de investigadores, o Genesis é um novo motor de física para treino de robôs que recorre a Inteligência Artificial. De acordo com a equipa, este motor de código aberto permite treinar robôs, colocando-os a praticar tarefas em realidade simulada, 430 mil vezes mais rápido do que em tempo real.

O Genesis é ‘alimentado’ por um motor de física universar que foi redesenhado e reconstruído de raiz pelos investigadores, integrando vários componentes sob um único enquadramento. Num nível superior, o motor é melhorado por um agente generativo que procura automatizar a geração de dados e modalidades múltiplas.

O sistema, leve, rápido e fácil de integrar em plataformas de treino é constituído por uma poderosa e fotorrealista ferramenta de renderização. Nesta fase, a equipa está a disponibilizar o acesso à plataforma subjacente do motor de Física e à plataforma de simulação, com o acesso ao quadro generativo a ser disponibilizado mais tarde, noticia o Interesting Engineering. Este quadro integra vídeos, movimentos de câmara e parâmetros, movimento de personagens humanas e animais, manipulação robótica e política de movimentação, cenas 3D interativas, reconhecimento de discurso, animação facial e emoções.

Com a computação paralela potenciada pela GPU, o modelo tira partido de funcionalidades como auto-hibernação, ilhas de contactos, deteção otimizada de colisões e muito mais, o que lhe permite correr simulações a 43 milhões de FPS, o que é 430 mil vezes mais rápido do que a realidade.

Os investigadores explicam que usam um agente gerado por um Modelo Muito Grande (VLM, na sigla em inglês) que usa as APIs fornecidas pela infraestrutura de simulação como ferramentas para criar mundos 4D dinâmicos que podem ser usados para fonte de dados fundacional para extrair várias modalidades de dados.

Zhou Xian, que faz parte da equipa que desenvolveu a ferramenta, conta que “o motor de Física Genesis é desenvolvido em Python puro, sendo 10 a 80x mais rápido do que as congéneres aceleradas por GPU como Isaac Gym ou MJX. Consegue entregar velocidades de simulação cerca de 430 mil vezes mais rápido do que o tempo real e só precisa de 26 segundos para treinar uma política de locomoção robótica transferível para o mundo real numa única RTX4090”.

O Event Horizon Telescope captou a primeira fotografia de um buraco negro, o M87*, em 2019. Agora, registou-se uma explosão massiva de raios gama naquele buraco negro, o que pode vir a ajudar os cientistas a perceber melhor os comportamentos e acontecimentos neste tipo de fenómenos.

Já se sabe que, durante a existência do buraco negro, da matéria a criar o disco de acreção e das ejeções de algum material para o campo magnético envolvente, as partículas ganham uma enorme quantidade de energia, num processo ainda desconhecido.

Agora, com a deteção da explosão de raios gama no buraco no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz, foi possível identificar fotões, ou pacotes de luz, cada um com energia equivalente à de um mosquito a voar. “Estão a viajar perto da velocidade da luz e queremos perceber como e onde ganham essa energia”, descreve Weidong Jin, referindo-se às partículas, ao website Live Science.

A equipa recolheu e analisou os dados captados pelo VERITAS, de Very Energetic Radiation Imaging Telescope Array System, no Arizona, com uma técnica chamada distribuição espectral de energia: “é como dividir a luz num arco-íris e medir quanta energia está presente em cada cor”, detalha o investigador.

Além da análise da explosão propriamente dita, a equipa conseguiu perceber modificações no disco de acreção do buraco, que viu alterada a sua posição relativa ao jato, sugerindo que o horizonte de evento, ou seja a fronteira na qual a matéria não consegue escapar à gravidade do buraco negro, influencia o tamanho e trajetória das explosões.