Se não podes vencê-los, junta-te a eles. Parece ser essa a estratégia do líder do PS no debate da imigração. Em entrevista ao Expresso, Pedro Nuno Santos abandonou a linha que tem sido seguida até aqui pelo partido – de que a imigração não é um problema, nomeadamente no que diz respeito ao aumento da criminalidade – e defendeu um controlo maior nas fronteiras, e com declarações sobre respeito cultural muito pouco habituais à esquerda.

O secretário-geral do PS começou por deixar cair a manifestação de interesse, a figura legal, em vigor nos últimos governos liderados por António Costa, que permitia aos imigrantes virem a Portugal procurar trabalho. Esse instrumento “não deve ser recuperado tal como existia, mas é preciso encontrar válvulas de escape que permitam a regularização de imigrantes que estão a trabalhar”, começou por dizer. “A manifestação de interesse compreende-se num quadro em que havia uma procura do mercado de trabalho muito intensa, uma necessidade premente de trabalhadores e uma resposta insuficiente por parte da rede consular”, justificou. “Esse instrumento tinha também efeitos negativos, porque, na realidade, não podemos ignorar que tinha um efeito de chamada.” E, admitiu, “não fizemos [PS] tudo bem nos últimos anos no que diz respeito a imigração”.

Admitir o erro na manifestação de interesse já seria motivo para deixar o PS desconfortável, mas Pedro Nuno Santos foi mais longe, usando termos usados habitualmente pela direita, sublinhando que o País tem de ser “exigente” quanto ao “respeito por um conjunto de valores que são partilhados: a nossa cultura, os nossos valores e, obviamente, a lei, mas aí qualquer cidadão está comprometido”. “Quem procura Portugal para viver e trabalhar percebe, ou tem de perceber, que há uma partilha de um modo de vida, uma cultura que deve ser respeitada.” Instado a dar exemplos, o líder da oposição referiu “o respeito pelas mulheres”. “Isso é fundamental na sociedade contemporânea e deve ser um valor partilhado por todas as pessoas que querem viver e trabalhar em Portugal.”

Pedro Nuno do bom senso ou Pedro Nuno Ventura?

“Espero que não seja tática” eleitoral

As declarações do secretário-geral do PS provocaram reações negativas entre várias das suas figuras de topo, com Pedro Nuno Santos a ser alvo de reparos acintosos. Ana Catarina Mendes, que foi sua colega de governo, foi das que levaram as críticas mais a peito, tendo sido ministra com a pasta da Imigração, no governo anterior. À Lusa, classificou de “erro” as palavras do líder, porque vão “ao arrepio de tudo aquilo que é a nossa visão, do PS, há 30 anos sobre o que deve ser uma política de integração de imigrantes, daqueles que chegam a Portugal à procura de uma nova oportunidade”.

Ao Observador, mostrou-se mais contundente: acusou Pedro Nuno de “aproximação ao discurso da direita e da extrema-direita” e de querer incorporar uma ideia de “aculturação” dos imigrantes, o que considera errado, lembrando que as leis em Portugal se aplicam a todos, “independentemente da nacionalidade”. À SIC Notícias, disse ainda não saber “o que é isto dos valores nacionais, dos valores de Portugal, da cultura de Portugal. Eu sei o que é o artigo 15º da Constituição Portuguesa, que diz que cidadãos estrangeiros têm os mesmos direitos e os mesmos deveres. Eu sei o respeito pelos direitos humanos que todos nós devemos ter”.

A ex-ministra, que não apoiou a candidatura de Pedro Nuno à liderança do PS, discorda, igualmente, das críticas à manifestação de interesse: não é a figura em si que está errada, mas, sim, a revogação de “um mecanismo que ajuda a entrada legal e posterior regularização, entregando as pessoas em situação de vulnerabilidade a redes de imigração ilegal”.

Outro socialista que não ficou pelas meias-palavras foi João Costa, ministro da Educação no último governo de Costa – chegando mesmo a acusar Pedro Nuno, sem grandes subtilezas, de não ter princípios, em declarações ao Expresso. “Espero que esta não seja uma declaração ao estilo do [Groucho] Marx, quando este dizia: ‘Estes são os meus princípios, se não gostarem tenho outros.’”

À RTP, João Costa admitiu haver “um lado bem-intencionado por parte de Pedro Nuno Santos, no que diz respeito à igualdade entre homens e mulheres”. Mas criticou a sua contextualização a propósito da imigração. “A violência doméstica é um dos crimes mais praticados por portugueses. Peguemos em todos os outros temas: pode ser violência doméstica, questões de desigualdade entre homens e mulheres nas mais variadas formas, pode ser homofobia, mutilação genital feminina, podem ser casamentos precoces, casamentos forçados, isso é crime. É crime e o que me interessa é corrigir o comportamento, independentemente da origem do agressor. Espero que ele tenha oportunidade de clarificar e espero que não seja tática por causa das eleições autárquicas. Espero que não seja nada disso.”

António Luís Carneiro, ex-ministro da Administração Interna, juntou-se ao coro, sublinhando a aparente mudança de opinião de Pedro Nuno, ao afirmar, à Renascença, que a posição assumida pelo seu adversário nas últimas eleições para líder do PS “assenta em fundamentos e pressupostos que conduzem a ilações erradas, e a prova está nos argumentos que foram consecutivamente apresentados no grupo parlamentar e pelo próprio secretário-geral”. “O efeito de chamada de imigrantes, como mostram todos os estudos realizados sobre esta matéria, está no crescimento da economia”, não na simples manifestação de interesse, garantiu. “Quando [a economia] cresce, chama, e quando há desemprego, afasta.” O antigo governante alertou, finalmente, que “todas as medidas de repressão da imigração fazem crescer as redes criminais ligadas à imigração”.

Isabel Moreira, por seu lado, concorda com Pedro Nuno que o PS, quando era governo, “não fez tudo bem”, mas aponta falhas nos meios dados à AIMA, não à manifestação de interesse. “Onde há oferta de trabalho, há imigração”, escreveu no Facebook. “E onde há leis muito rígidas e trabalho, também há imigração. Simplesmente ela é ilegal. A manifestação de interesses permitia regularizar quem trabalhava e fazia aqui a sua vida e tinha requisitos. Era um mecanismo regulador.”

A tirada de Pedro Nuno sobre a necessidade de os imigrantes respeitarem a cultura e os valores portugueses mereceu também uma crítica por parte da deputada. “Não sei o que significa respeitar ‘um modo de vida’ ou ‘uma cultura’. Sei que a Constituição estipula que portugueses e estrangeiros estão sujeitos aos mesmos deveres e são titulares dos mesmos direitos. O meu campo de afirmação de valores e princípios é o da lei fundamental e esta não quer saber da nacionalidade de ninguém. Nem de obediências culturais. Pelo contrário. Cada pessoa desenvolve a sua personalidade como quer. E isso é direito fundamental. A ideia de um único modo de vida ou de uma única cultura não tem base constitucional. E é estranha ao nosso campo político.”

“É um virar à esquerda”

O líder do PS contou também com o apoio de vários destacados socialistas, incluindo Ana Gomes. “Ele disse claramente que queria e precisávamos de migrantes, mas precisamos de migrantes que não estejam vulneráveis e deixados à exploração laboral, em condições indignas, indocumentados”, disse, no seu espaço de comentário na SIC Notícias.

A antiga candidata presidencial apontou, ainda, aos críticos internos, nomeadamente a Ana Catarina Mendes. “Houve pessoas que se picaram porque tinham responsabilidades, e acho que elas fizeram o melhor possível, mas a verdade é que os resultados foram maus. O principal erro foi ter desmantelado o SEF sem imediatamente ter a AIMA a funcionar e não ter reforçado a rede consular, porque esses são os mecanismos de regulação das migrações.” Ana Gomes também não considera que as declarações de Pedro Nuno configuram uma viragem à direita ou mesmo ao centro. “Não. É um virar à esquerda que defende a justiça social e os imigrantes”, assegurou.

Outras duas estrelas do PS, António Vitorino e Francisco Assis, vieram igualmente defender o secretário-geral do partido. O primeiro, putativo candidato presidencial e presidente do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo, culpou a manifestação de interesse pela “subida crescente do número de imigrantes num curto espaço de tempo”; o segundo concorda com Pedro Nuno e realça que “não podemos permitir que o debate se faça entre o discurso racista e xenófobo da extrema-direita e um discurso assente em proclamações morais e desprovido de dimensão política”.

Já Alexandra Leitão, apontada como possível sucessora de Pedro Nuno na liderança do partido, decidiu… dar uma no cravo e outra na ferradura. Falou da “enorme polarização” no debate sobre a imigração e afirmou que o secretário-geral “não tomou nenhuma posição nova relativamente à manifestação de interesse”; mas também criticou a abordagem escolhida na entrevista ao Expresso. “Quando se fala em cultura, de uma forma mais genérica, sem depois haver uma densificação com exemplos, pode haver quem entenda que se está a abrir a porta a um conjunto de coisas que podem ser discutíveis. É um assunto que deve ser discutido com cuidado para não sairmos nos simplismos e nos populismos.” 

Governo “saúda” Pedro Nuno

Leitão Amaro, ministro da Presidência, ironizou com a “mudança de opinião” – ou “cambalhota” –do líder do PS

Quem não perdeu a oportunidade de capitalizar com a entrevista de Pedro Nuno Santos foi, como não podia deixar de ser, o Governo. “Saudamos uma das maiores mudanças de opinião de um líder da oposição de que há memória em Portugal. Ainda há poucas semanas o líder do PS contestava o primeiro-ministro no que agora lhe dá razão”, disse António Leitão Amaro, ao Expresso, apelidandoas declaraçõesdo secretário-geraldo PS de “cambalhota monumental”.O ministroda Presidência acrescentou que a posição de Pedro Nuno é o “reconhecimentode que o PS estava errado e governoude modo muito erradona imigração”.

É inevitável (pelo menos até aqui) e universal: diga ao Instagram aquilo que lhe interessa (através da sua forma navegação e pesquisa e não só de comentários e gostos) e não tarda, os vídeos que lhe aparecem na página de reels, no explorar, ou os perfis sugeridos no feed vão ser maioritariamente sobre esse(s) tema(s). Num grupo de quatro amigos, é provável que a um só lhe apareçam reels de gatinhos, a outro de assuntos relacionados com corrida, a outro comida e ao último viagens. Primeiramente pensada para os utilizadores mais jovens, a funcionalidade que permite fazer um “reset” ao algoritmo está agora disponível para todos.

“Por vezes, cometemos erros”, afirmou Adam Mosseri, diretor do Instagram, em novembro do ano passado, quando anunciou o “botão de reset”. “Por vezes, podemos acabar num padrão em que, sem querer, transformamos o Instagram em algo de que não gostamos muito”, acrescentou, deixando claro que o “erro” a que se refere não é da rede social que gere mas sim dos utilizadores.

O reset do algoritmo – já explicamos como – faz com que os conteúdos sugeridos já não tenham ligação com o seu comportamento anterior. Vai continuar a ver as publicações dos seus amigos e das contas que escolheu seguir (com possibilidade de o deixar de fazer, claro), mas, ao início, as sugestões serão aleatórias e, possivelmente, muito menos interessantes para si. O algoritmo não deixa, no entanto, de trabalhar e, em breve, as recomendações e reels mostrados serão novamente adaptados aos interesses que parece ter.

Como fazer “reset” ao seu Instagram:

1 – Aceda ao menu Definições e atividade

2 – Faça scroll até encontrar a secção “O que vês”

3 – Aí, abra a opção “preferências de conteúdo” , onde encontrará “repor conteúdos sugeridos”

4 – Depois, é só ler as condições – o mais importante é que é uma ação irreversível – e aceitar.

Ofer Calderon, 54 anos, obteve a nacionalidade portuguesa, pela sua origem sefardita, depois de ter sido feito refém, a 7 de outubro de 2023, disse à Lusa o advogado, José Ribeiro e Castro, que submeteu então ao Governo um pedido de urgência por razões humanitárias na análise do seu processo, conseguindo que a Conservatória dos Registos Centrais emitisse a certidão de nascimento, confirmando a dupla nacionalidade do franco-israelita.

Segundo a agência Lusa, os seus dois filhos foram libertados em novembro, pouco mais de um mês após o ataque do Hamas.

Ofer Carlderon foi entregue no sul de Gaza pelo Hamas à Cruz Vermelha, juntamente com Yarden Bibas, a meio da madrugada deste sábado. O israelo-americano Keith Siegel foi libertado no porto do norte da cidade de Gaza.

Estes reféns foram raptados e levados para Gaza durante o ataque liderado pelo Hamas a Israel, a 7 de outubro de 2023, que desencadeou o atual conflito no Médio Oriente. A troca de hoje é a quarta realizada no âmbito da trégua. Uma organização não-governamental palestiniana indicou que Israel libertará ainda hoje 183 prisioneiros.

Um total de 33 reféns israelitas deverão ser libertados em troca de quase dois mil prisioneiros palestinianos durante as seis semanas iniciais da trégua.

Por norma, o Château de Limont, cuja existência remonta ao século XIII, acolhe festas de aniversário, seminários de empresas, banquetes e copos-d’água de gente mais ou menos abastada e casais e famílias com “vontade de desligar”. A 3 de fevereiro, a mansão-hotel que fica a meio caminho entre Bruxelas e Liège, estará lotada e reservada para os principais dirigentes do Velho Continente. Objetivo: discutir as questões de segurança e defesa, nomeadamente o futuro do conflito ucraniano, a indústria bélica dos 27 e os desafios colocados pela postura rufia de Donald Trump e de Elon Musk. A 6 de janeiro, o Presidente dos EUA assumiu estar disposto a apoderar-se da Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, e, desde então, não se tem cansado de repetir as suas ambições expansionistas, ao mesmo tempo que o homem mais rico do mundo interfere na política doméstica de quem lhe apetece e faz provocações a ritmo quase diário – uma das últimas, no dia 26, foi propor que o canal da Mancha fosse rebatizado canal George Washington.

O responsável pela ideia de convocar uma cimeira de líderes para discutirem todos estes temas foi António Costa, presidente do Conselho Europeu. O antigo primeiro-ministro português, graças ao seu reconhecido faro político, há muito que preparava este encontro inovador, ao qual prefere chamar “retiro informal”.

A 13 de janeiro, numa carta endereçada a cada um dos Estados-membros da UE, António Costa é muito claro: “A agressão russa contra a Ucrânia trouxe de volta a guerra de alta intensidade – violando os princípios basilares da lei internacional e ameaçando a segurança europeia –, a par dos crescentes ataques híbridos e cibernéticos. (…) Em primeiro lugar, a Europa tem de assumir maior responsabilidade na sua própria defesa. Tem de tornar-se mais resiliente, mais eficiente, mais autónoma (…). Ao fazê-lo, converte-se num parceiro mais forte na relação transatlântica, incluindo no contexto da NATO.” A intenção do dirigente socialista é que a UE seja capaz de responder, em uníssono, a esta nova era de policrise e de problemas globais, adotando medidas concretas com “responsabilidade” e “cooperação”. Com esse propósito, convidou também para o retiro de Limont o neerlandês Mark Rutte, secretário-geral da NATO, que, no mesmo dia em que a missiva de Costa foi enviada, afirmou no Parlamento Europeu que as populações dos 32 Estados-membros da Aliança Atlântica devem preparar-se para investir e gastar muito mais dinheiro em defesa, caso contrário “devem começar a ter lições de russo ou mudar-se para a Nova Zelândia”. No início desta semana, em Lisboa, o antigo chefe do governo dos Países Baixos já não recorreu ao humor negro quando apareceu ao lado de Luís Montenegro. No entanto, repetiu a mensagem de que os europeus devem aumentar os respetivos orçamentos para as Forças Armadas. Portugal é um dos países que continuam sem cumprir a meta dos 2% do PIB, tal como foi acordado, em junho de 2014, na cimeira de Newport, em Gales.

Está longe de ser um caso único. Espanha, França, Itália e Alemanha também ainda não atingiram essa fasquia e não é nada claro que consigam atingi-la em breve – entenda-se, antes de 2029. O mesmo se passa com o país que mais tem levado por tabela da nova Casa Branca – a Dinamarca. De acordo com o Financial Times, Mette Frederiksen, a primeira-ministra deste reino escandinavo, anda num frenético périplo pelas capitais europeias a sensibilizar os seus pares para a questão da Gronelândia e para a “necessidade de não hostilizar publicamente Donald Trump”, de modo a evitar uma escalada que pode iniciar-se de imediato, com a aplicação de elevadas tarifas alfandegárias às exportações de Copenhaga para os EUA, e culminar num eventual referendo à independência da maior ilha do mundo, com Washington D.C. a financiar e a promover os separatistas – sublinhe-se que este cenário pode ocorrer já na sequência das eleições gronelandesas, agendadas para abril. Também com o propósito de apaziguar os ímpetos anexionistas de Trump, o executivo dinamarquês acaba igualmente de anunciar que vai despender dois mil milhões de dólares adicionais na sua presença militar no Círculo Polar Ártico, a somar à duplicação das verbas com a defesa nos próximos quatro anos. É mais uma prova de que Donald Trump mente descaradamente quando diz que só os EUA garantem a sustentabilidade financeira da NATO e andam há demasiado tempo a pagar a defesa da Europa. Na última década, o crescimento da despesa militar nos países da UE que também integram a NATO aumentou, em média, 3% anualmente e 19% em 2024. É o próprio gabinete de estatísticas da Aliança que o reconhece, sendo ainda de destacar a redução do peso com salários e reformas dos efetivos, em detrimento da despesa em equipamento bélico, que cresceu 32% desde 2014.

Será António Costa capaz de fazer a quadratura do círculo e convencer os chefes de Estado e de governo a gastarem mais em defesa, sem comprometerem, por exemplo, o financiamento em educação e saúde? A Polónia e os Estados bálticos estão dispostos a gastar 5% do PIB e parecem estar em total sintonia com as pretensões de Trump, que podem ser formalizadas na próxima cimeira da NATO, a realizar em Haia (Países Baixos), em junho. Christine Lagarde, a presidente do Banco Central Europeu, adverte que os 27 se habilitam a ficar reféns do “livro de cheques” e Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, quantifica em 500 mil milhões de euros a verba suplementar a gastar com os exércitos do Velho Continente até 2030. Andrius Kubilius, o comissário lituano que tutela a nova pasta da Defesa em Bruxelas, já veio alertar a sua chefe de que essa data pode ser demasiado tarde e apela a um “big bang” no próximo orçamento comunitário multianual (que vigorará até 2038). Como é que tudo isto se resolve? Com uma nova bazuca financeira semelhante à que se fez durante a pandemia? Com a mutualização de dívida para a aquisição de material bélico? Pondo a funcionar o programa europeu para a indústria de defesa, vulgo EDIP (segundo o jargão de Bruxelas), sobre o qual a Comissão e o Parlamento não se entendem? O melhor é esperarmos pelas artes mágicas de António Costa. Não é por acaso que ele convidou também Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido, a estar presente no Château de Limont. O português sabe muito bem que os investimentos e os esforços europeus na área da defesa não podem ter como principal destino o outro lado do Atlântico.

Para escapar às autoridades, que o condenaram a oito anos de prisão, Mohammad Rasoulof esteve a monte durante 28 dias, atravessando a pé a fronteira noroeste do Irão. O realizador, de 52 anos, já tinha passado vários anos preso por obras anteriores. A Semente do Figo Sagrado fala de heroínas que se opõem à tirania moral do Estado iraniano, mas um dos grandes heróis dessa história está do lado de cá da câmara.  

Contudo, A Semente do Figo Sagrado está longe de ser um filme panfletário, no sentido em que o seu valor não se esgota na mensagem política de libertação que quer transmitir. É universalmente uma grande obra de cinema, que faz jus à melhor tradição do cinema iraniano. Rasoulof, de resto, já tinha assinado uma obra maior, o seu filme anterior, O Mal Não Existe. Aqui a coragem ainda é maior. 

Rasoulof constrói personagens que vivem com dilemas morais profundos, e vão definindo um posicionamento ético, político e psicológico com o correr da ação, nunca se enquadrando num perfil estático. O contexto são as recentes grandes manifestações juvenis violentamente reprimidas pelas autoridades. Mas o protagonista não é um estudante em luta contra o regime, antes um “procurador” em luta consigo próprio. Ao drama do país sobrepõe-se um drama familiar – e um serve de metáfora para o outro. 

No meio do choque de valores, entre o dever de obediência e a libertação moral, prevalece uma ideia de inevitabilidade. Há um regime de medo e suspeita, em que não se pode confiar nos entes mais próximos; um Estado que maltrata os seus filhos, um regime que está a ruir por dentro, numa falência moral incontrolada. O véu acabará por cair. 

O filme constrói-se lentamente, sem nunca cair em excessos demagógicos, repetindo subtilmente máximas que conhecemos de outras revoluções: às vezes é preciso desobedecer, às vezes é preciso matar os “nossos próprios pais”. Na parte final há, no entanto, uma mudança de registo, aproximando-se quase de um filme de terror. Afinal, o mal sempre existe, mas o bem prevalecerá.

A Semente do Figo Sagrado > De Mohammad Rasoulof, com Soheila Golestani, Missagh Zareh, Mahsa Rostami, Setareh Maleki > 168 min 

A Honor anunciou o lançamento da linha Magic7 em Portugal, num evento em que a Exame Informática esteve presente, reforçando a aposta em smartphones com muitas funcionalidades de Inteligência Artificial (IA). O novo modelo premium, Magic7 Pro, promete melhorias na fotografia, qualidade de ecrã e desempenho de hardware.

Com um ecrã OLED de 6,8 polegadas, taxa de atualização de 120Hz, e um brilho máximo de 5000 nits, o smartphone conta ainda com várias tecnologias, suportadas pela IA, projetadas para reduzir a fadiga ocular. O ecrã do Magic7 Pro tem também o escudo NanoCristal da Honor, o que melhora a durabilidade do dispositivo, aumentando a resistência a quedas.

O lançamento do Magic7 Pro marca a continuidade da presença da Honor no mercado português. Segundo Bruce Huang, diretor da Honor em Portugal, “este dispositivo estabelece um novo padrão para os smartphones com funcionalidades de ponta que aplicam inteligência a partir de um simples toque no ecrã. Depois de um 2024 forte, a introdução do Magic7 Lite e do Magic7 Pro permite começar o ano da melhor forma e deixa-nos muito entusiamados para 2025”, podemos ler no comunicado de imprensa.

Veja imagens do Honor Magic7 Pro:

Funcionalidades de Inteligência Artificial

O MagicOS 9.0, o sistema operativo do dispositivo, introduz o Magic Portal, que permite interações mais rápidas com aplicações de redes sociais, entretenimento e produtividade. Com esta ferramenta, basta fazer um círculo com o nó dos dedos sobre texto, imagens ou capturas de ecrã e o sistema identifica a informação, sugerindo automaticamente a melhor aplicação para abrir. Por exemplo, ao arrastar um endereço, o Magic Portal pode sugerir a abertura no Google Maps, WhatsApp, Instagram, YouTube, TikTok e Google Translate.

Também a funcionalidade de Tradução AI foi melhorada, passando agora a suportar 13 idiomas, facilitando interações em tempo real. Contudo, o idioma português ainda não está contemplado, sendo que deverá ser incluído no segundo trimestre de 2025.

Câmara e Fotografia

O Magic7 Pro está equipado com o sistema de câmaras Honor AI Falcon Camera System, destacando-se pela câmara principal de 50 MP com sensor de 1/1,3 polegadas e abertura ajustável f/1,4. A câmara grande angular tem uma resolução de 50 MP e a teleobjetiva de 200 MP. A funcionalidade AI Super Zoom permite ainda ampliar imagens até um zoom de 100x.

Também na fotografia a IA está presente, com a tecnologia AI Honor Image Engine, em que estão integrados modelos híbridos de IA para processamento de imagem. O modo de retrato, por exemplo, garante várias correções de melhoria de imagem. Outra funcionalidade que a marca chinesa decidiu trazer para este smartphone foi o HD Super Burst, uma tecnologia que permite captar ações rápidas a 10 fotogramas por segundo, desenvolvida sobretudo para fotografias desportivas.

Fotografia captada com o Honor Magic7 Pro, no modo HD Super Burst, enquanto uma plataforma girava a grande velocidade

Bateria e Desempenho

O smartphone vem equipado com uma bateria de 5270mAh, compatível com carregamento rápido de 100 W com fios e 80 W sem fios (wireless), permitindo uma carga completa em 33 minutos. O processador de última geração Snapdragon 8 Elite e a unidade de processamento gráfico Adreno 830 deverão garantir um desempenho sólido e elevado. Esta versão contará também com 12 GB de memória RAM e 512GB de armazenamento interno.

Disponibilidade e Preço

O Honor Magic7 Pro estará disponível em cinzento e preto, com pré-venda em Portugal de 31 de janeiro a 14 de fevereiro, a partir de 1299 euros. O pacote de pré-venda inclui um carregador super rápido de 100W, os Earbuds Open e uma capa protetora.

Honor Magic7 Lite também apresentado

A Honor anunciou também o lançamento do Magic7 Lite em Portugal, um smartphone de gama média que promete “revolucionar a experiência com durabilidade excecional e desempenho superior”. Com um design fino, o Magic7 Lite vem equipado com um ecrã OLED de 6,78 polegadas, suporte para 1,07 mil milhões de cores e uma taxa de atualização de 120 Hz, garantindo uma visualização imersiva.

O dispositivo destaca-se pela bateria de 6600 mAh, a maior do mercado atualmente, garantindo até 48 horas de uso contínuo. A tecnologia de carregamento rápido de 66 W assegura 70% de autonomia em cerca de 30 minutos, enquanto a IA otimiza o desempenho da bateria, mesmo em temperaturas extremas.

Na área da fotografia, o Magic7 Lite conta com uma câmara principal de 108 MP com sensor de 1/1,67”, capturando imagens detalhadas, mesmo em condições de baixa luminosidade. O dispositivo disponibiliza zoom 3x sem perdas, modos de retrato ajustáveis, e a câmara também integra funcionalidades de IA para melhorar a qualidade das fotografias.

O modelo está disponível em Portugal a partir de hoje, nas cores preto e púrpura, a partir de 399 euros. Por fim, em parceria com a Meo, será possível adquirir duas unidades do modelo Honor Magic7 Lite (nas cores preto e púrpura) por um preço promocional de 599 euros, numa campanha, que está a decorrer, especial para o dia dos namorados.

Honor quer continuar a crescer em Portugal

A marca chinesa Honor pretende continuar a sua expansão em Portugal, após atingir a marca das 100 mil unidades vendidas no país. A expectativa em torno da linha Magic7 é grande, uma vez que a Honor detém atualmente 4% de quota de mercado, sendo a quinta marca que mais smartphones vende no nosso país, atrás de Samsung, Apple, Xiaomi e Oppo.

Apesar de não ter armazéns em Portugal, nem flexibilidade para entregas rápidas, a Honor distribui os seus produtos através de estabelecimentos como a Fnac e o El Corte Inglês, além das operadoras Meo, Vodafone e Nos. Nuno Bandeira, diretor comercial da Honor em Portugal, destacou que “existe uma maior crença por parte dos retalhistas e operadoras na nossa marca” e que, “como prova disso, os lançamentos que estamos a anunciar contam com o dobro dos volumes em stock em comparação com 2024”, explicou durante o evento de apresentação que decorreu hoje em Lisboa.

O Honor V3 Magic, o dobrável mais sofisticado do mercado, foi lançado no ano passado com um preço de dois mil euros e vendeu cerca de 300 unidades em 2024, o que Nuno Bandeira considera serem “números excecionais, tendo em conta que não entregámos unidades à Fnac até ao mês de dezembro”, finalizou.

Rui Rocha está preparado para ir a Loures, nos dias 1 e 2 de fevereiro, fazer da Convenção da Iniciativa Liberal um festejo que lhe renove o mandato e o confirme como líder para mais dois anos, durante os quais se disputarão, seguramente, eleições regionais na Madeira, autárquicas e presidenciais, mas que podem ter também legislativas antecipadas. “O que eu prevejo é que seja uma festa do caminho feito, que seja obviamente um momento de discussão e debate, mas sobretudo de celebração”, diz à VISÃO o líder dos liberais, desvalorizando as críticas internas, que apontam o dedo ao afastamento dos desalinhados, à perda de impacto mediático e ao que o seu principal adversário nesta Convenção, Rui Malheiro, chama de “estagnação eleitoral”.

Quando chegou à liderança do partido, Rui Rocha era um perfeito desconhecido para toda a gente que não frequentava o Twitter e desconhecia os comentários mordazes que fazia à atualidade em 140 carateres. Nessa altura, tinha pela frente Carla Castro, também ela uma quase desconhecida, e a vantagem de ser o candidato que – mesmo não oficialmente – era o mais alinhado com a direção de João Cotrim Figueiredo. A disputa pela sucessão àquele que foi até agora o mais carismático dos líderes liberais – e o que mais aplausos entusiásticos gera sempre que se dirige ao partido – foi alvo de uma atenção mediática pouco comum, tendo em conta a dimensão do partido, mas em linha com a curiosidade que despertava uma força política que parecia em ascensão e que trazia alguns elementos de novidade, até na forma como organiza as suas convenções (com a votação direta de todos os membros que se queiram inscrever e que podem mesmo votar remotamente).

A saída dos desalinhados

Nestes últimos dois anos, Carla Castro saiu do partido, descontente com o lugar que lhe tinha sido proposto nas listas às legislativas e que considerou ser uma “despromoção”; José Cardoso, o outro candidato à liderança nessa Convenção, que ficou famoso pelo discurso que fez em que acusava a IL de ser afinal “outra vez arroz” também se desfiliou e anda a tentar formar o partido Liberal Social; e a ala conservadora, que animou esse conclave liberal, com Nuno Simões de Melo à cabeça, também já está quase toda no Chega.

Desta vez, a disputa entre Rui Rocha e Rui Malheiro parece entusiasmar menos e o líder espera que a Convenção seja um momento de “clarificação do partido”, recusando as críticas que lhe são feitas. “A votação que espero que aconteça será a melhor resposta a essas críticas, que creio que representam um movimento minoritário”, reage.

Entre os liberais há quem anteveja que Rocha possa ter pelo menos 60% dos votos, mas, como se explica nos bastidores do partido, “tudo depende da mobilização” e há mesmo a possibilidade de o descontentamento nesta Comissão Executiva se expressar sobretudo em votos brancos. “Pode haver um recorde de votos brancos”, antevê um destacado liberal, explicando que o esforço da direção tem sido o de apostar na mobilização máxima para a Convenção. “Quantos mais membros vierem, melhor será a vitória do Rui Rocha”. Ainda assim, há um dado que pode ser visto como um sinal de desmobilização: a uma semana da Convenção, havia cerca de menos mil membros inscritos para a mesma.

O bidé, o dístico do seguro e o desânimo dos núcleos

Entre os que saíram e os que ficaram, mas estão descontentes, a sensação é a de que nos últimos dois anos a IL perdeu relevância. “Em dois anos, o que é que a IL fez? Acabou com o bidé e o dístico do seguro no carro”, resume com ironia um dos críticos internos, que se queixa da forma como foram tratados os que não estavam com Rocha nas últimas eleições. “O presidente foi eleito há dois anos e não agregou. Afastou todas as pessoas da Carla Castro. Hoje, não há vozes incómodas na direção.”

Para contrariar este estado de coisas, houve um grupo de liberais que se começou a juntar em almoços e jantares. Dessas tertúlias, nasceu, em abril de 2024, o manifesto dos Unidos Pelo Liberalismo, com Tiago Mayan Gonçalves à cabeça, que pretendia “refundar” o partido e reaproximá-lo dos seus “valores liberais”. Problema? Em novembro de 2024, Mayan foi apanhado a falsificar assinaturas na União de Freguesias da Foz, no Porto, e acabou por se demitir da presidência da Junta, deixando o movimento interno de oposição a Rui Rocha também sem liderança.

Rui Malheiro É escolher entre um Rui e outro… Malheiro é o candidato que desafia Rocha Foto: PAULO NOVAIS/LUSA

A solução foi organizar eleições no movimento para encontrar um novo rosto para fazer frente a Rui Rocha. Quem está nos Unidos pelo Liberalismo diz que o movimento tem à volta de 500 elementos e que cerca de 20% deles votaram, elegendo com 88% dos votos a lista única encabeçada por Rui Malheiro, que era o porta-voz do movimento de Mayan. Com 42 anos, Malheiro é conselheiro nacional da IL, natural de Gaia e tem currículo na área das energias, sendo diretor comercial na Chint Electrics.

“O propósito desta candidatura é trazer a coragem e a ambição que tem faltado à IL”, declara à VISÃO Rui Malheiro, que acha que o partido “está um pouco à deriva” e que, na volta ao País que fez no último mês e meio, encontrou “algum desânimo” em certos núcleos da Iniciativa Liberal que, segundo diz, se queixam “de falta de união” da parte da Comissão Executiva e de que “a comunicação com a direção não é a melhor”. Críticas que já eram as mesmas quando Carla Castro era candidata à liderança e que são desvalorizadas por quem está na direção. “Essas críticas parecem decalcadas das que se fazem na oposição interna no Bloco de Esquerda. Faz parte. É assim em todos os partidos”, ironiza um dirigente.

António Fonseca, que na última Convenção estava numa lista ao Conselho Nacional com José Cardoso, também desvaloriza as críticas e, como coordenador do núcleo da Maia, diz à VISÃO que não tem do que se queixar na relação com a direção. “Nunca senti nenhum entrave por ter feito parte de uma lista opositora”, afirma, admitindo que outros núcleos possam ter dificuldades por falta de membros para cumprir todas as funções. “Há núcleos que têm mais dificuldade, mas, na minha opinião, isso prende-se mais com a falta de elementos ativos para o trabalho.”

Sem dar a cara, há quem na IL admita que a vida no partido não é fácil para quem desalinha da direção e quem se queixe de que a comunicação, que sempre foi um fator diferenciador do partido, tenha perdido a chama, por a IL estar a gastar muitas energias em questões internas. “O que não serve as disputas internas acaba por ser desmazelado”, lamenta um destacado liberal, que acha que “a concentração de poder” na direção “é um problema grave”.

“Houve uma eleição muito disputada, que deixou cicatrizes. Com o tempo e alguns processos para integrar pessoas, as feridas vão-se curando”, acredita o deputado Bernardo Blanco, que vai sair da Comissão Executiva, porque vai ser pai e quer também dedicar-se a novos projetos profissionais, mas que está numa das seis listas ao Conselho Nacional que vão a votos nesta Convenção e que rejeita que isso possa ser visto como um desalinhamento em relação à direção.

Mesmo assim, Bernardo Blanco assume que quer usar o Conselho Nacional para propor prioridades políticas. “A IL tem falado pouco para fora. Temos de aparecer mais a discutir política”, defende o deputado que quer ver o partido a apresentar uma visão sobre Inteligência Artificial, a falar de segurança, “um tema que disparou em termos de sondagens e que não deve ficar para os extremos”, e a “não perder a bandeira da reforma do Estado e da ocupação política do aparelho do Estado”.

Mais disruptivo promete ser o cabeça de lista de outra das listas ao Conselho Nacional, Jorge Pires, que em 2022 chamou “monhé” a António Costa e agora se apresenta como um admirador entusiástico (não é o único na IL) do Presidente da Argentina Javier Milei. “Não é de descartar que apareça na Convenção com uma motosserra”, graceja um membro da comissão executiva.

A grande novidade da Convenção

Rui Rocha vai para a Convenção com o mote “Acelerar Portugal” e com a intenção de afirmar a IL como “o partido campeão das reformas”, apresentando uma reforma fiscal, uma reforma da Segurança Social e uma reforma do Estado. “Só a IL tem capacidade para trazer para o debate e defender sem receios as alterações estruturais de que o País precisa”, argumenta. Além disso, Rui Rocha quer “falar com factos e propor soluções” para as questões da segurança, defesa e imigração, sem nunca esquecer que a matriz liberal assenta no “crescimento económico e na libertação dos impostos e da carga fiscal”.

O líder espera que a
Convenção seja um
momento para
“clarificar o partido”. E espera,
na votação, uma
resposta cabal…

A grande novidade que Rui Rocha vai desvendar na Convenção é, porém, quem será o candidato liberal às Presidenciais. Rocha diz que já o escolheu e que o escolhido já aceitou. Nos bastidores, aposta-se em três possibilidades: a líder parlamentar Mariana Leitão, o deputado Mário Amorim Lopes, ambos com boa notoriedade, ou o comentador André Abrantes Amaral, que é muito respeitado no partido. Rui Malheiro chegou a pôr o nome de Carlos Guimarães Pinto em cima da mesa, mas este rejeitou a hipótese.

Rui Malheiro diz que é preciso “unir o partido” e que nem a debandada de há dois anos se pode repetir, nem a IL pode ficar reduzida a “propostas de nicho”. Por isso, quer fazer um discurso sobre coesão territorial e interior, recuperar a ideia do cheque ensino e fazer uma reforma na Função Pública que não passe por despedir funcionários. “Essa reforma não se faz a dizer que precisamos de menos 50 mil funcionários públicos, mas na implementação de sistemas de meritocracia e de avaliação de desempenho, para termos uma Função Pública mais adaptada às necessidades do País”, defende Rui Malheiro, que quer “mais contratos de associação com privados” na Educação e um seguro público de Saúde que seja “uma espécie de ADSE para todos”, mas também quer fazer a regionalização.

Porta para Moedas ainda não está aberta

Um tema que não deve conhecer grandes desenvolvimentos nesta Convenção da IL é a estratégia de coligações e acordos nas eleições autárquicas. No partido, é ponto assente que a definição dessa estratégia tem de ser feita de forma autónoma em cada um dos núcleos da IL e não ditada a partir da direção nacional, mesmo que haja uma orientação geral.

“A IL por regra deve apresentar-se com os seus candidatos. Essa é a regra e o princípio. Não quer dizer que não se possa abrir a porta a uma exceção, se for esse o entendimento do núcleo em questão”, enuncia Rui Rocha, que defende que faz ainda mais sentido não entrar em coligações quando há um incumbente que se apresenta a votos. Mesmo que o incumbente se chame Carlos Moedas. “O normal é que se apresente a votos para uma avaliação do desempenho que teve”, responde o líder liberal, que diz que a porta a um acordo pré-eleitoral com Moedas não está completamente fechada, mas será preciso que o presidente da Câmara de Lisboa apresente um programa de mudança em relação ao seu primeiro mandato para que haja coligação. “Para abrir essa porta era preciso uma intenção de mudança”, afirma Rui Rocha, que acha que “para fazer o mesmo, não vale a pena” Moedas tentar ter o apoio dos liberais.

No Porto, onde a união da direita pode fazer a diferença entre chegar ao poder numa coligação que junte o movimento independente de Rui Moreira, o PSD, o CDS e a IL, ou dar a vitória ao PS, a resposta não é diferente. O momento, explica-se na IL, é o dos núcleos. Lá para março poderá haver novidades.

Oito personagens à procura de autor

Entre críticos e dirigentes, passo a passo, a IL vai construindo a sua identidade. Saiba quem é quem

Rui Rocha
Agora é que é?

“”Vamos ter 15% e vamos acabar com o bipartidarismo.” A promessa de Rui Rocha quando foi eleito líder em 2022 ainda se cumpriu. A IL parece estagnada à volta dos 5% e essa é uma fonte de pressão interna. Os resultados das próximas eleições na Madeira, as autárquicas e as presidenciais vão ser uma prova de fogo.

João Cotrim Figueiredo
O desejado

Foi o líder mais carismático da IL e é sempre o mais aplaudido em eventos do partido. É considerado o candidato presidencial mais forte, mas é improvável que venha de Bruxelas, onde foi eleito como o primeiro eurodeputado da IL. De resto, o partido quer evitar a ideia de que Cotrim é o candidato para todas as eleições.

Tiago Mayan
Caído em desgraça

Em 2021, teve 135 mil votos nas presidenciais e tornou-se um dos rostos mais reconhecíveis da IL. Estava a preparar uma candidatura contra Rui Rocha, mas ter sido apanhado a falsificar assinaturas na Junta onde era presidente foi um golpe fatal que lhe pode ter destruído o futuro político.

Rui Malheiro
O rival

Era o porta-voz do movimento Unidos Pelo Liberalismo e tornou-se líder depois de Tiago Mayan ter sido obrigado a afastar-se. Tem criticado o “nepotismo” na IL e apontado o dedo à “estagnação” eleitoral do partido. Mas está longe de ter ainda a notoriedade e a tração para fazer tremer Rui Rocha.

Carla Castro
Fora de jogo

Disputou a liderança a Rui Rocha e perdeu. Depois da derrota queixou-se de não ter apoio no Parlamento, onde era deputada, e de a terem posto num lugar inelegível nas listas para as legislativas. Desfiliou-se e está agora completamente dedicada à sua vida profissional.

Mariana Leitão
Estrela em ascensão

A líder parlamentar dos liberais é cada vez mais uma cara conhecida e uma presença assídua nos painéis de comentário televisivo. Articulada e com boa imagem, é alguém a ter em conta. E é dada como possibilidade para uma candidatura da IL à Presidência da República.

Bernardo Blanco
O “influencer”

Tem quase 57 mil seguidores no Instagram e é conhecido pelos vídeos originais que partilha nas redes. Irreverente, é um dos rostos mais reconhecíveis da IL, mesmo sem ter ainda os 35 anos que lhe permitiriam ser candidato a Belém. Sai da Comissão Executiva, mas promete ser uma voz interventiva no Conselho Nacional do partido.

Carlos Guimarães Pinto
No banco de trás

Foi o segundo presidente da IL, mas ficou muito mais conhecido pelas redes sociais e, recentemente, chegou a ter um espaço de comentário na CNN com João Galamba. Reconhecido como um dos melhores quadros da IL, mantém-se neutro na disputa pela liderança e, mesmo sendo deputado, nos próximos tempos vai dedicar-se mais à sua vida profissional e menos à política.

“Eu não posso ter preferência em matéria de candidatos presidenciais. Eu tenho um voto, exercerei o meu voto daqui por menos de um ano, no dia 25 de janeiro”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, em Campo Maior, no distrito de Portalegre. Uma eventual segunda volta ficará para 15 de fevereiro, três semanas depois.

O Presidente da República, que falava em Campo Maior, anteviu ainda que serão “um momento muito intenso, pelo número de candidatos” e comentou que não se lembra de uma campanha presidencial “que tenha começado tão cedo”.

“Vai ser um tempo de grande debate, de grande reflexão dos portugueses, sobre o mundo, sobre a Europa, sobre Portugal, e com muito tempo para escolher”, acrescentou, citado pela agência Lusa.