Os portáteis nem sempre estiveram na lista de apostas da Huawei, mas quando a empresa entrou neste segmento, fê-lo com afinco: máquinas bem construídas, performance completa e preço equilibrado. O que continua a ser verdade na mais recente versão do Matebook D16. Este é o portátil de ‘massas’ da Huawei. O que significa que a marca teve que fazer escolhas – e o utilizador terá de saber viver com elas.

Comecemos pelo que existe de positivo. A começar pela dimensão generosa do ecrã. A diferença pode não parecer relevante em comparação, p.ex., com um portátil de tamanho convencional (15,6”), mas as 16 polegadas do Matebook, ao vivo, fazem diferença. Ainda para mais quando aplicadas num formato de 16:10. Isto significa mais área de trabalho disponível, sobretudo na vertical, mas com o portátil a manter praticamente o mesmo tamanho físico de um modelo de 15”.
Um piscar de olho a todos os utilizadores que valorizam o espaço extra, seja para encaixar duas ou mais apps abertas em simultâneo, seja porque o fluxo de trabalho é mais visual (como em edição de fotografia), seja simplesmente porque é um seguidor da máxima ‘maior é sempre melhor’. Para o tamanho, admitimos, esperávamos um pouco mais de resolução, ainda que a existente seja competente. Já no campeonato das cores, sentimos falta de saturação e também de contrastes mais apurados. E o nível de brilho máximo não entusiasma.

Uma área na qual este portátil claramente se destaca é na capacidade de processamento. Apesar de ainda vir equipado com um processador Intel de 13ª geração (já vamos na 14ª, a 15ª deverá ser lançada daqui a alguns meses), não é um processador qualquer – é o modelo de topo, o Core i9. Isto é importante, porque este chip tem uma elevada capacidade de processamento (14 núcleos, 20 threads) e atinge velocidades elevadas por núcleo (frequência máxima de 5,4 GHz).
Podemos adiantar que, em alguns benchmarks, este portátil conseguiu resultados equivalentes a alguns dos portáteis que testámos recentemente (e mais caros). Isto significa que trabalhar em documentos, folhas de cálculo ou apresentações, ter várias aplicações em simultâneo, até mesmo programar ou fazer edição de imagem, é possível e com boa qualidade neste portátil.
Boas ideias (mas limitadas)
Este portátil vem equipado com a plataforma Huawei Share, um sistema que permite uma comunicação mais eficaz entre dispositivos Huawei. O problema é que o dispositivo central na vida das pessoas (o smartphone) é uma área na qual a Huawei já não tem uma presença significativa. E com um smartphone Google Pixel, não conseguimos tirar partido deste sistema (nem no modo wireless, nem com ligação por cabo USB). Ainda assim, a Huawei tem outras ideias bem implementadas, como um painel de controlo próprio, que dá acesso rápido a funções úteis como captura de ecrã, bloco de notas ou ativação do modo de conforto ocular, e ainda a aplicação Huawei PC Manager, que facilita a atualização de controladores de software e a otimização do PC

Mas sentimos que há alguma falta de sintonia. Este processador pede, claramente, trabalhos mais visuais, o que por sua vez pediria um ecrã um pouco mais aprimorado (as críticas, essas, já as apontamos). E já que estamos na fase da dissonância, podemos apontar aqueles que foram outros elementos que não nos encheram as medidas: a webcam é parca na qualidade de imagem; a falta de uma gráfica mais poderosa limita o desempenho global desta máquina; o teclado só está disponível com layout espanhol (ainda que possamos usá-lo como se estivesse em português, a posição das teclas é que nem sempre bate certo); e apesar do design simples e elegante, a qualidade de construção não é arrebatadora para um portátil de 1300 euros, sobretudo na dobradiça, que range… Mas sabe que mais? Para muitos utilizadores estes elementos não serão entraves de maior.
Um portátil prático
Além do desempenho e do tamanho do ecrã, há mais para gostar neste Matebook D16. Como o teclado – as teclas têm uma distância de viagem curta, mas o feedback é bom e permite ter uma escrita rápida e precisa. Além disso, existe um teclado numérico dedicado, algo que, sabemos, alguns utilizadores valorizam (sobretudo aqueles que trabalham com regularidade com números).

Quanto às portas multimédia, não tendo um número estonteante, é satisfatório, na medida em que nos garante aquelas que consideramos essenciais às necessidades atuais dos utilizadores, mas garantindo ao mesmo tempo compatibilidade com os acessórios que já existem nas casas e escritórios das pessoas.
Antes de tomar uma decisão sobre se este é ou não um portátil à sua medida, ficam aqui mais duas notas. A primeira relacionada com a portabilidade: o peso e a espessura parecem-nos muito aceitáveis, sobretudo considerando a boa área de trabalho que temos disponível (tanto no ecrã como no teclado). Já a autonomia é boa: medimos cerca de 11 horas, o que não sendo estonteante, é um bom resultado considerando a dimensão e o processador ‘exigente’ que usa.
Conveniência na ponta do dedo
Um pormenor que apreciamos é a inclusão de um leitor de impressões digitais no botão de energia. Não só confere mais segurança ao processo de autenticação, como torna-o muito prático e rápido – nada bate a conveniência de encostar um dedo ao botão e ver o computador acordar imediatamente.
Feitas as contas, a maior força deste Huawei Matebook D16 acaba por ser a boa relação qualidade/preço. Conseguimos de facto um bom desempenho (para as tarefas já referidas), sem ter que fazer um investimento louco. E apesar das falhas que fomos apontando aqui e ali, não encontramos nada de crítico neste computador (com exceção do layout espanhol que, admitimos, poderá fazer confusão a alguns utilizadores).
Tome Nota
Huawei Matebook D16 (2024) | €1399,90
consumer.huawei.com/pt
Benchmarks PCMark 10 Extended: 5876 • Essenciais 10887 • Produtividade 7579 • Criação de conteúdos 7911 • Jogos 4936 • 3DMark: Storage 1957 • CPU Profile 1 Thread/ Max Threads 1068/7210 • Night Raid 21368 • Wild Life 14354 • Wild Life Extreme 4105• Fire Strike 5736 • Fire Strike Extreme 2830 • Fire Strike Ultra 1450 • Time Spy 2051 • Time Spy Extreme 967 • Steel Nomad Light 1371 • Steel Nomad 189 • Cinebench 2024: CPU Single/Multi 114/751 (MP Ratio 6,57x) • Geekbench 6 Single/Multi 2774/13202 • GPU 17226 • Autonomia (PCMark 10 Applications, Modo Equilibrado) 11h40 min • Final Fantasy XV (FHD, Standard) 2708 • Final Fantasy XV (4K, Standard) 1013
Ecrã Bom
Produtividade Muito Bom
Jogos Fraco
Conectividade Bom
Características Ecrã IPS 16”, 1920×1200 p, 16:10, 60 Hz • Proc. Intel Core i9-13900H (14 núcleos, 20 threads), GPU Intel Iris Xe • 16 GB RAM LPDDR4, 1 TB SSD NVMe • Wi-Fi 6, BT 5.1 • 1x USB-A (3.2), 1x USB-A (2.0), 1x USB-C (3.2), 1x HDMI (1.4), áudio 3,5 mm • Webcam 720 p, 2x microfones, 2x altifalantes • Bateria: 56 Wh • 356,7×248,7×18,4 mm • 1,68 kg

















