O Estado de Direito Democrático assenta num complexo sistema de freios e contrapesos entre poderes independentes que mutuamente se respeitam e que contribuem para a confiança dos cidadãos na comunidade política que integramos.

A autonomia entre o poder executivo, o poder legislativo e os tribunais exige o pleno exercício dos poderes próprios e a absoluta contenção na tentação de interferir em poderes alheios. Além disso, pressupõe que todos estão sujeitos ao primado da lei e ao escrutínio democrático, quer pelos mecanismos de controlo parlamentar quer pela opinião pública.

A crise da democracia, vítima das suas fragilidades e da explosão de movimentos populistas que visam desacreditar e destruir as sociedades democráticas liberais, torna ainda mais grave a sensação de campânula degradada em que vive o sistema de Justiça e, particularmente, o descrédito crescente do nosso original modelo de autonomia do Ministério Público.

Os debates presidenciais são um exemplo da confusão existente ao centrarem-se na opinião dos candidatos sobre temas que não são de competência presidencial.

Para lá das ameaças à democracia do candidato a tudo e que pretende reunir para si todos os poderes, as declarações do candidato do Governo são o sinal da sua inconsequência ao apresentar como grande medida para atalhar a crise da Justiça convocar uma reunião do Conselho de Estado.

Essa reunião do Conselho de Estado que terminaria certamente por um “poderoso” comunicado refletindo a preocupação de todos e as divergências quanto às soluções. Se o tema levasse à análise das tropelias do Ministério Público, a reunião pareceria um julgamento à revelia sem decisão, já que o PGR não integra o Conselho de Estado.

A separação de poderes exige que o Governo aceite, sobretudo sendo minoritário, que depende e responde perante a Assembleia da República e não o inverso, e que o único limite constitucional à competência legislativa do parlamento é a organização interna do Governo.

Igualmente, o princípio de que “à política o que é da política e à justiça o que é da justiça”, significa que a Assembleia e o Governo fazem leis, designadamente sobre o funcionamento da Justiça, mas não fazem investigação criminal nem decidem processos. Mas, por outro lado, os tribunais não legislam, nem o Ministério Público deve ter o poder de derrubar o Governo como sucedeu no 7 de novembro.

A fragilidade de Luís Montenegro, preso pelo fio de uma minoria parlamentar e sob o cutelo da abertura de inquérito criminal pelas atividades da Spinumviva, poderá fazer compreender o silêncio do Governo perante o escândalo das escutas às conversas de Matos Fernandes e João Galamba com António Costa agora reveladas à comunicação social. Mas não desculpa o silêncio do Ministério da Justiça perante crimes imputados a agentes do Estado e sobre a indigência da falta de transcrição das escutas feitas aos elementos das forças de segurança suspeitos de participação numa rede de imigração ilegal e escravatura de trabalhadores.

O Governo tem responsabilidades na definição das prioridades de política criminal por isso não pode fazer figura de morto relativamente à prática de crimes de escravatura por agentes das forças de segurança.

Igualmente, face à banalização das violações do segredo de justiça, sem qualquer suspeita de assalto às instalações ou às comunicações do Ministério Público por jornalistas, deveriam ter sido equacionadas as medidas legislativas e administrativas adequadas, sobretudo face à manifesta impotência do MP para investigar estes crimes de prática reiterada. Tal como a Assembleia da República não pode discutir casos concretos mas pode convocar o PGR para ser ouvido na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

As declarações sobre as prendas de Natal relativamente à averiguação preventiva ilegal, como se fosse um pré-inquérito, aberta relativamente a Luís Montenegro são manifestamente infelizes. Mas ainda mais graves são as razões por que permanecem no processo relativo a António Costa transcrições de conversas circunstanciais com membros do Governo que falam entre si de decisões políticas, às vezes de futebol e de coisas triviais da vida. Só surpreende que, em tantos anos, António Costa tenha falado tão poucas vezes ao telefone com aqueles colegas de governo.

Mas o que é bizarro é que Galamba tenha sido escutado durante mais de quatro anos e nunca tenha falado oficialmente com o MP e que Costa esteja há dois anos sem sucesso a pedir acesso ao seu processo , o qual pode ser consultado seletivamente nas páginas da Sábado.

Manifestamente, o MP prefere transcrever as fofocas de António Costa e as famosas piadas de Matos Fernandes, a não ser que fosse espionagem política, do que instruir devidamente coisas “menores” como a escravatura de trabalhadores imigrantes explorados por empresas agrícolas portuguesas e abusados por militares e polícias a ganhar uns trocos como capangas.

Quem tem de responder por tudo isto é o PGR, mas a ministra da Justiça, que em junho de 2024 disse que “precisamos de um procurador-geral que ponha ordem na casa “, está a desiludir as boas expectativas então criadas.

Pelo seu silêncio perante os casos de escravatura de trabalhadores imigrantes, das sucessivas violações do segredo de Justiça e da “política” de escutas do Ministério Público, é Rita Júdice que merece o prémio Laranja Amarga de hoje.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Este novo pacote laboral, com mais de 100 medidas, prepara-se para operar um retrocesso de décadas nos direitos de quem trabalha. É um pacote que ressuscita o banco individual de horas, acabando, na prática, com o pagamento de horas extraordinárias e estendendo a jornada até às 50 horas semanais sem remuneração adicional. Permite a redução do salário, bastando que a ACT não se pronuncie em poucos dias; facilita o despedimento sem justa causa; abre a porta ao despedimento coletivo para posterior contratação de mão de obra mais barata; e aumenta a duração dos contratos a termo.

Mas não fica por aqui: ataca os direitos das trabalhadoras mães, torna possível que um jovem, por ser jovem, tenha um contrato de trabalho precário num posto de trabalho permanente apenas e só porque anteriormente tinha tido um contrato precário, limita os contratos coletivos de trabalho, o principal mecanismo de estabilidade e valorização salarial na Europa.

Antes que passes a ser obrigado a trabalhar horas extra não pagas, a teres menos tempo para ti e para os teus, a ver o teu salário reduzido ou a seres despedido sem justa causa, apesar de teres um contrato estável: faz greve, antes que o pacote te queime as mãos.

Portugal cresce acima da média europeia há quase uma década (exceto no período da pandemia), está em pleno emprego desde 2022, bate recordes anuais de criação de postos de trabalho e tem salários a subir acima da média da OCDE e da UE (apesar de continuarem a ser os mais baixos da Europa Ocidental). Até o The Economist afirma que temos um mercado de trabalho dinâmico. Afinal, qual é o objetivo deste pacote laboral? Trata-se, pura e simplesmente, de um ajuste de contas da direita com os avanços na legislação laboral das últimas décadas.

O Código do Trabalho tem um objetivo claro: equilibrar a relação, sempre desigual, entre o patronato e os trabalhadores. Quanto mais fortes forem os direitos e a legislação, maior poder negocial têm os trabalhadores para exigir melhores condições. É assim que acontece na Autoeuropa e não é por acaso. Na Alemanha, tal como na maioria dos países com economias fortes e salários altos, os sindicatos são valorizados, o contrato coletivo é a norma e o poder negocial é real. O grande objetivo de uma economia desenvolvida deve ser ter trabalhadores felizes, motivados e comprometidos.

Faz greve, antes que o pacote te queime as mãos.

Um mercado de trabalho com contratos menos precários dá segurança e bem-estar aos trabalhadores, garante previsibilidade, baixa as taxas de juro e traz maior resiliência à economia.

Um dos argumentos do governo é que um mercado de trabalho mais “flexível”, entenda-se, mais precário, aumenta a produtividade e os salários. Ora, basta analisar a realidade portuguesa e europeia para constatar precisamente o contrário. Existe, de facto, rotatividade no mercado, mas esta deve-se à procura de melhores condições e não à “rigidez” da lei. Quem está empregado e procura melhor salário não está na mesma posição de quem está desempregado. Olhando para a Europa, a conclusão é óbvia: países com maior segurança contratual e maior sindicalização têm melhores salários.

Não é a “rigidez” que explica os baixos salários em Portugal, mas sim um modelo de crescimento ancorado em setores de baixo valor acrescentado. A nossa economia especializou-se em atividades como o turismo, a restauração e a construção, que geram estruturalmente emprego precário e mal remunerado.

Num país com um número de greves dos mais baixos da Europa, esta será certamente a mobilização mais transversal de sempre no movimento sindical. Mas o impacto depende de mim e de ti: tanto ao recorrermos ao direito à greve, como na presença nas manifestações que vão ocorrer em quase todas as capitais de distrito.

Amanhã, por ti, por nós: faz greve.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

O mercado imobiliário de luxo entra em 2026 com uma mudança clara no perfil do comprador, nas prioridades de investimento e na forma como se define o conceito de exclusividade. Depois de anos marcados pela ascensão da sustentabilidade, da tecnologia e da procura internacional, estas tendências não só se consolidam como ganham novas camadas de sofisticação. O luxo passa a ser uma afirmação silenciosa, funcional, inteligente e profundamente ligada à qualidade de vida. Portugal mantém-se como um dos destinos mais atrativos deste segmento, sustentado pela segurança, estabilidade, clima e maturidade crescente do setor, mantendo Lisboa, Cascais e Estoril, Porto, Comporta, Algarve e Funchal entre as zonas mais procuradas, ao mesmo tempo que surgem novas áreas de interesse ligadas à natureza, à privacidade e à autenticidade.

Se antes a exuberância era um símbolo óbvio do luxo, em 2026 a tendência dominante é o quiet luxury. O comprador procura harmonia, materiais naturais, luz, proporção e um design intemporal que permita viver com conforto e elegância, sem excessos. Esta mudança não é estética, é cultural. Representa um consumidor mais consciente, informado e exigente, que valoriza a essência acima da ostentação e que privilegia espaços que contribuem para um estilo de vida equilibrado. A própria noção de “boa localização” também evoluiu. Já não basta estar numa zona nobre: é necessário garantir acessos eficientes, escolas internacionais, serviços premium, estabilidade e um contexto urbano ou natural que ofereça segurança e tranquilidade reais.

A sustentabilidade, que nos últimos anos se afirmava como tendência, torna-se agora critério obrigatório. Casas que não satisfaçam requisitos ambientais, energéticos ou construtivos deixam de ser relevantes para a maioria dos compradores de alto perfil. O mercado exige eficiência energética real, materiais certificados, arquitetura bioclimática, integração de soluções verdes e uma abordagem consciente em todas as fases do projeto. A novidade está na crescente valorização de materiais reciclados de alta qualidade e em modelos de construção que colocam a responsabilidade ambiental no centro sem comprometer o design.

Em paralelo, 2026 marca a entrada definitiva da inteligência artificial na experiência residencial de luxo. As casas inteligentes evoluem de sistemas automatizados para ecossistemas autónomos que aprendem rotinas, gerem energia, reforçam a segurança e elevam o conforto de forma intuitiva. O concierge digital torna-se presença natural no quotidiano e a compra internacional passa a ser feita, muitas vezes, a partir de qualquer parte do mundo, com recurso a visitas virtuais imersivas, digital twins detalhados e simulações de projeto extremamente realistas. A decisão de compra tornou-se mais rápida, mais informada e mais tecnológica.

Outra transformação relevante é a centralidade do bem-estar como elemento determinante na valorização do imóvel. As propriedades mais procuradas incluem espaços que melhoram a saúde física e mental: spas privados, ginásios, salas de meditação, iluminação circadiana, jardins biológicos e ambientes desenhados segundo princípios de ligação à natureza. O luxo deixa de ser apenas uma questão de estética ou dimensão, e passa a ser uma forma de cuidar da vida quotidiana.

A escassez de produto prime, porém, permanece como o maior desafio estrutural. O licenciamento moroso e os custos elevados de reabilitação limitam a criação de nova oferta, o que mantém a pressão sobre os preços e favorece soluções turnkey e branded residences, cada vez mais procuradas por quem pretende rapidez, segurança e padronização na compra. Em 2026, surgem ainda novos territórios de interesse, como Sintra, pela frescura e privacidade; a Costa Vicentina, pela autenticidade; e o Minho, que começa a captar compradores norte-americanos e canadianos em busca de exclusividade fora dos circuitos tradicionais.

O luxo, em 2026, deixa de ser definido pelo brilho exterior e passa a ser medido pela capacidade de transformar o quotidiano num espaço de bem-estar, equilíbrio e sentido. É um luxo silencioso, inteligente, sustentável e profundamente humano. Portugal está bem posicionado para responder a estas novas exigências, mas o setor terá de continuar a elevar padrões, profissionalizar práticas e antecipar tendências. O comprador mudou, o contexto evoluiu e o mercado de luxo acompanha essa transformação com rapidez. No final, permanece uma certeza: o verdadeiro luxo não se mede apenas no preço, mas na forma como permite viver melhor.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

O termo “Advento” vem do latim (adventos) e significa chegada, vinda, aproximação, aparecimento. Na área religiosa refere-se ao período das quatro semanas que precedem o Natal. Para os cristãos, o último domingo de novembro marca o início deste tempo litúrgico de vigia, espera, expectativa, acolhimento e exultação do Salvador.

Embora alguns segmentos da fé cristã não sublinhem este tempo do Advento mas apenas o Natal, isso deve-se às tradições particulares. Mas é bom lembrar que os puritanos da Nova Inglaterra nem sequer o Natal gostavam de assinalar e muito menos festejar. Apenas a Páscoa, que representa o âmago da fé cristã, sendo a morte de Cristo refletida na eucaristia ou ceia do Senhor, de acordo com as diferentes tradições.

Com efeito, a morte sacrificial de Cristo é a pedra angular da fé cristã para católicos, ortodoxos, protestantes ou evangélicos. Daí que toda a teologia cristã e em especial a economia da salvação procedam do ato supremo do Calvário. Por isso a cruz é o elemento simbólico mais elevado do cristianismo.

Só que ninguém morre sem ter nascido antes a não ser os nados-mortos. E é por isso que todo tempo litúrgico começa com o Advento, depois o Natal, a Quaresma, a Páscoa e termina com o Pentecostes, numa espécie de revisitação do percurso de Jesus de Nazaré, que vai desde a Anunciação do anjo a Maria, passa pela vida e ministério público do Mestre, sua paixão, morte e ressurreição, ascensão ao céu, descida do Espírito Santo no Pentecostes e inauguração dessa realidade espiritual a que chamamos Igreja.

A verdade é que esta época serve para nos prepararmos para se poder olhar para o Natal com um significado realmente espiritual, e não folclórico. De facto, qualquer pessoa que se considere cristã deve compreender que há mais vida no Natal para lá dos comes e bebes, dos presentes, dos encontros familiares, das viagens à terra, dos enfeites, dos jantares de empresa, dos feriados, do subsídio de Natal e das músicas da época.

Este tempo de algum recolhimento mas de espera feliz fala da vinda ao mundo do Salvador, Jesus, o Cristo, que ousou nascer no ventre duma simples mulher.

A azáfama da época, o entusiasmo das crianças e todo ruído e movimentação comercial à nossa volta, dificilmente nos permitem momentos de recolhimento e reflexão. Mas se eles fazem sempre falta, ao longo de todo o ano, no Advento ainda mais, pois trata-se para as pessoas de fé em seguir os passos de Maria logo depois da Anunciação. Ela guardou a mensagem do anjo Gabriel no seu coração e afastou-se, indo visitar a prima Isabel que vivia nas montanhas de Judá.

Foi aí que, ao saudá-la à chegada, a criança que Isabel trazia no ventre “saltou de alegria”, e na sequência Maria apresentou a Deus um cântico único, o Magnificat, que ainda hoje é inspirador. E ficou por lá “quase três meses” antes de regressar a casa. Este afastamento do quotidiano e este recolhimento ilustram bem o sentido do Advento para os cristãos.

Muita gente que não vive a fé católica diz que gosta de entrar num templo mas fora do horário das missas e ficar ali em silêncio durante algum tempo. O sentido da transcendência está lá e estes momentos de recolhimento são apreciáveis, porque a vida não é feita só de ruído, luz, movimento e cor, ao contrário do que as redes sociais sugerem.

Mas para quem tem fé e a vive, o tempo de Advento serve para interiorizar aquela que é a mais elevada demonstração do amor de Deus ao enviar o Seu Filho a este mundo de trevas. Já o profeta Isaías dizia: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” (9:2).

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

O que é o direito à greve?
O direito à greve é um direito irrenunciável, sendo que a Constituição da República Portuguesa prevê que cabe aos trabalhadores “definir o âmbito de interesses a defender através da greve”, não podendo limitar esse direito. Não obstante, a lei define “as condições de prestação, durante a greve, de serviços necessários à segurança e manutenção de equipamentos e instalações, bem como de serviços mínimos indispensáveis para ocorrer à satisfação de necessidades sociais impreteríveis”, sendo ainda proibido o ‘lock-out’.

Quem tem competências para convocar uma greve?
O Código de Trabalho estipula que o recurso à greve seja convocado por associações sindicais ou, em alternativa, por assembleia de trabalhadores de empresa, “desde que a maioria dos trabalhadores não esteja representada por associações sindicais, a assembleia seja convocada para o efeito por 20 % ou 200 trabalhadores, a maioria dos trabalhadores participe na votação e a deliberação seja aprovada por voto secreto pela maioria dos votantes”.

Quem não é sindicalizado pode aderir à greve geral?
Sim, todos os trabalhadores podem aderir à greve geral, independentemente de serem do setor público ou privado.

Para tal, é preciso que seja emitido um pré-aviso de greve, que deve ser dirigido “ao empregador, ou à associação de empregadores, e ao ministério responsável pela área laboral com a antecedência mínima de cinco dias úteis” ou de 10 dias úteis nos casos em que visem atividades abrangidas por serviços mínimos.

Deste modo, o aviso prévio de greve geral apresentado pela UGT e pela CGTP cobre todos os trabalhadores por conta de outrem, cujos sindicatos estejam por si abrangidos, independentemente da natureza do vínculo laboral que os trabalhadores detenham e de serem ou não sindicalizados.

Em resposta a questões colocadas pela Lusa, a CGTP reforça que o “pré-aviso de greve abrange trabalhadores e não sindicatos” e “de todos os setores de atividade”, pelo que é “completamente indiferente que haja ou não representatividade sindical nas empresas” ou que os trabalhadores sejam de sindicatos independentes.

“No entanto, é normal os sindicatos, mesmo os filiados, emitirem o seu próprio pré-aviso de greve ou aderirem ao pré-aviso da CGTP-IN, como forma de manifestarem a sua adesão à greve e, ao mesmo tempo, dar aos trabalhadores uma garantia adicional de que estão de facto cobertos pelos pré-avisos”, acrescenta fonte oficial.

Pode um trabalhador filiado num sindicato aderir à greve convocada por outro sindicato?
Sim, desde que a greve “abranja a empresa ou setor de atividade bem como o âmbito geográfico da empresa onde o trabalhador presta a sua atividade que, no caso do pré-aviso da CGTP-IN dá cobertura a todos”, segundo uma nota informativa publicada no ‘site’ da central sindical.

O trabalhador tem de comunicar à entidade patronal que vai fazer greve? E pode ser impedido de aderir?
Não, nenhum trabalhador é obrigado a comunicar à sua entidade patronal que irá fazer greve, mesmo que questionado nesse sentido. A entidade patronal não pode impedir que o trabalhador faça greve, assim como não o pode coagir, discriminar ou prejudicar por fazer greve, sendo considerado uma contraordenação “muito grave o ato do empregador que implique coação do trabalhador no sentido de não aderir a greve, ou que o prejudique ou discrimine por aderir ou não a greve”.

O dia de greve é pago?
Não, a greve “suspende o contrato de trabalho de trabalhador aderente, incluindo o direito à retribuição e os deveres de subordinação e assiduidade”, aponta o Código do Trabalho.

A empresa pode contratar temporariamente trabalhadores para substituir grevistas?
Não, por lei o empregador não pode, durante a greve, “substituir os grevistas por pessoas que, à data do aviso prévio, não trabalhavam no respetivo estabelecimento ou serviço nem pode, desde essa data, admitir trabalhadores para aquele fim”.

Por outro lado, a tarefa a cargo do trabalhador em greve “não pode, durante esta, ser realizada por empresa contratada para esse fim, salvo em caso de incumprimento dos serviços mínimos necessários à satisfação das necessidades sociais impreteríveis ou à segurança e manutenção de equipamento e instalações e na estrita medida necessária à prestação desses serviços”, sendo que a violação destas situações é considerada uma contraordenação muito grave.

Quais são os setores abrangidos por serviços mínimos?
O Código do Trabalho prevê atualmente que em caso de greve os serviços mínimos sejam assegurados “em empresa ou estabelecimento que se destine à satisfação de necessidades sociais impreteríveis”, que incluem correios e telecomunicações; serviços médicos, hospitalares e medicamentosos; salubridade pública, incluindo a realização de funerais; serviços de energia e minas, incluindo o abastecimento de combustíveis.

Contemplados estão também abastecimento de águas; bombeiros; serviços de atendimento ao público que assegurem a satisfação de necessidades essenciais cuja prestação incumba ao Estado; transportes, incluindo portos, aeroportos, estações de caminho-de-ferro e de camionagem, relativos a passageiros, animais e géneros alimentares deterioráveis e a bens essenciais à economia nacional, abrangendo as respetivas cargas e descargas; e transporte e segurança de valores monetários.

O aviso do regulador da saúde surge na sequência de várias reclamações de utentes a relatarem a “realização de ecografias designadas como ‘emocionais’, ‘3D/4D/5D não diagnósticas’ ou equivalentes, que se apresentam como serviços de caráter recreativo, com o propósito de proporcionar às grávidas e respetivas famílias uma experiência visual e sentimental”.

De acordo com a ERS, estas práticas “podem implicar a exposição desnecessária do feto a ultrassons e desvirtuam a finalidade médica e diagnóstica da ecografia obstétrica, contrariando as recomendações técnico-científicas vigentes”.

A ERS recorda ainda que a lei em vigor estabelece que a realização de ecografias é uma atividade médica enquadrada na tipologia de Unidades de Radiologia ou de Clínicas ou Consultórios Médicos, exigindo a presença de médico especialista, condições técnicas adequadas e emissão de relatório clínico.

Alerta também que a violação da lei “constitui contraordenação punível com coima”, tal como o funcionamento de estabelecimentos não registados ou não licenciados para a tipologia de atividade exercida.

A entidade acrescenta que a publicidade a serviços de ecografia está sujeita ao regime jurídico, sendo proibidas mensagens que atribuam finalidades médicas inexistentes, omitam a identificação do prestador ou induzam o público em erro quanto à natureza diagnóstica do exame.

O juiz Paul Engelmayer, do Distrito Sul de Nova Iorque, aceitou o pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, considerando que foram adotadas medidas para proteger a identidade e a privacidade das vítimas, noticiou esta terça-feira a cadeia televisiva NBC News.

O Departamento de Justiça não indicou ainda quando é que os documentos serão tornados públicos, mas sabe-se que o dossiê inclui transcrições do grande júri, registos financeiros e notas de entrevistas com vítimas recolhidas durante a investigação.

Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice do falecido pedófilo e criminoso sexual Jeffrey Epstein, foi condenada em dezembro de 2021 por crimes de tráfico sexual de menores, transporte de menores para fins de exploração sexual e várias acusações de conspiração.

A decisão surge poucos dias depois de um juiz da Florida ter autorizado a desclassificação de documentos ligados ao caso Epstein, no seguimento de uma lei aprovada pelo Congresso para reforçar a transparência.


O tema voltou ao centro do debate político após democratas da Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes do Congresso terem divulgado mensagens eletrónicas atribuídas a Epstein, nas quais este alegava contactos frequentes entre vítimas de tráfico sexual e o agora Presidente Donald Trump.

A Casa Branca rejeitou essas alegações, acusando os democratas de tentarem criar uma narrativa falsa para difamar o chefe de Estado.

Em setembro, o Congresso já tinha divulgado mais de 33.000 páginas de documentos entregues pelo Departamento de Justiça, mas grande parte do conteúdo já era público.

Jeffrey Epstein foi detido em julho de 2019 por acusações de abuso sexual e tráfico de menores, mas foi encontrado morto na cela semanas depois.

Donald Trump é um mestre em projeção mental. Quando insulta os outros, está a tentar esconder a sua própria autoimagem, a sua vergonha e o medo de reconhecer as suas fraquezas e inseguranças. Trump, afinal, já se classificou a si próprio: é “estúpido, muito estúpido e fraco”. Todos conhecem os seus insultos permanentes a tudo e a todos. Meteu-se agora com a Europa e com a Ucrânia.

Como verdadeiro agente de Putin, nada secreto, o Presidente americano passou à fase de se comportar como se fosse ele próprio o líder russo, impondo um acordo de rendição da Ucrânia. Atira-se a quem ajuda Kiev e Zelensky, pelo qual não tem qualquer consideração ou respeito. Aliás, exige que vá a eleições, sabendo já quem o Kremlin apoiaria para entregar a Ucrânia à Rússia.

Os líderes europeus são “estúpidos e fracos”, alguns “verdadeiramente estúpidos”, segundo Trump. Por outras palavras, mais cruéis (lá chegará), são uns idiotas, burros, imbecis, palermas, tontos, parvos, patetas, ignorantes, tolos e insensatos. António Costa já respondeu com vigor, mas bom seria que alguns presidentes e primeiros-ministros o mandassem passear com igual firmeza e de forma inequívoca. Senão ele trepa — e insulta ainda mais. “Falam muito, mas não concretizam”, disse. Tem razão, se engolirem a seco.

Sobre a Ucrânia de Zelensky, que não aceitou o seu fabuloso plano, as palavras são igualmente amargas, azedas e desproporcionais, levantando a suspeita de que está a atrasar propositadamente as eleições. Não percebe, aliás, porque é que Kiev não se entrega aos russos. Zelensky é um idiota, um parvo e um fraco. Não disse, mas vai dizer. Ou pior.

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A escritora Clara Pinto Correia morreu esta terça-feira, aos 65 anos. A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã e confirmada pela editora Exclamação, que publicou o seu último livro, “Antares”, em junho do ano passado.

Segundo o jornal, Clara Pinto Correia, que há já alguns anos se afastara do meio mediático, foi encontrada sem vida na sua casa, em Estremoz.

Escritora, bióloga e professora universitária, a autora do romance “Adeus Princesa”, publicado aos 25 anos, destacou-se tanto ao nível das ciências, como da literatura, tendo ainda sido cronista, jornalista, apresentadora e até atriz, no filme “Kiss me” (2004), de António Cunha Telles.

No panorama das diversas eleições, a escolha do Presidente da República foi, durante décadas, olhada e sentida como secundária. Talvez porque se trata de uma eleição personalizada, talvez porque, face ao nosso regime semipresidencialista, nos habituámos a ver o cargo como largamente simbólico, ou talvez porque a participação direta dos partidos tem sido — até agora, pelo menos — relativamente discreta no processo.

Porém, num sistema político que assenta no equilíbrio entre órgãos de soberania, o Presidente da República continua a ser uma figura-chave da democracia. Não só tem a responsabilidade de garantir o cumprimento da Constituição, como também de atuar como moderador entre os diferentes poderes e representar a unidade do Estado. Apesar de não governar no dia a dia, o Presidente detém competências que podem redefinir o rumo político do País: pode nomear ou exonerar o primeiro-ministro, vetar leis aprovadas no Parlamento e até dissolver a Assembleia da República em situações de bloqueio político.

Em períodos de tensão económica ou instabilidade institucional, o papel do Presidente ganha ainda mais relevância, funcionando como ponto de equilíbrio num país onde as crises políticas têm sido recorrentes. A escolha do próximo chefe de Estado não é, por isso, uma mera formalidade democrática: determina a forma como serão geridos futuros conflitos políticos, que margem terá o Governo para atuar e que leitura será feita dos desafios nacionais e internacionais que enfrentamos.

E são muitos, sobretudo além-fronteiras. Num mundo marcado pela guerra na Europa, pelo aumento das tensões globais e por incertezas profundas nas relações internacionais, o chefe de Estado assume um papel relevante na política externa. Como representante máximo do País, participa em cimeiras internacionais, reforça alianças estratégicas e projeta a imagem de Portugal no estrangeiro. A sua voz tem peso em debates sobre segurança, migrações, energia ou defesa dos valores democráticos — temas que moldam a agenda global e têm impactos diretos na vida interna do País.

Num cenário internacional em constante conflito, a presença ativa e equilibrada do Presidente pode fazer a diferença: garante que Portugal mantém relações estáveis, preserva a sua posição dentro da União Europeia e da NATO, e participa como mediador em situações onde a diplomacia deve prevalecer sobre a força. É esta dimensão externa, tantas vezes discreta, mas decisiva, que reforça a importância destas eleições presidenciais num momento particularmente crítico.

Feita esta resenha do papel presidencial, importa agora olhar para o panorama que se desenha para as próximas eleições — eleições que, mais do que presidenciais, funcionam para alguns partidos, sobretudo nos extremos do espectro político, como uma espécie de “teste de força” ao eleitorado, antecipando um eventual cenário de legislativas antecipadas.

O partido que cresceu apoiado sobretudo na figura de um só homem pretende agora medir quanto vale o “cabeça de todas as listas”, projetando um eventual assalto ao poder. Não pretende — pelo menos declaradamente — ser Presidente de todos os portugueses e assume como objetivo transformar o regime, substituindo-o por outro moldado à imagem de um único líder. As incongruências são muitas, as falsidades outras tantas e proclamar um milhão e meio de votos como força absoluta é esquecer que mais de oito milhões não o apoiam.

O Bloco de Esquerda luta hoje pela sobrevivência, parecendo ter, finalmente, percebido que as causas de nicho, embora meritórias, não podem sobrepor-se às grandes questões que preocupam a maioria dos portugueses.

O PCP mantém a sua coerência histórica, ignorando olimpicamente que “the times they are a-changing”.

O Livre apresenta talvez a posição mais equilibrada, embora ainda não tenha assumido o óbvio: a necessidade do voto útil num candidato com reais possibilidades de chegar a Belém.

O Almirante tem sido uma verdadeira caixa de surpresas. Para homem do mar, demonstra uma notável capacidade de boiar, ainda que a sua especialidade seja a profundidade — profundidade essa que não parece compatível com coerência. Da famosa “corda” caso se candidatasse, ao almoço com o “homem que toca sozinho”, passando pela repreensão pública aos seus homens — contrariando frontalmente o princípio militar de repreender em privado e elogiar em público — já ouvimos um pouco de tudo e o seu contrário. As suas ideias estruturadas resumem-se ,essencialmente, à saúde. Sobre defesa, pouco diz; sobre política externa e magistratura de influência, ainda menos.

Afirma-se independente, mas não explica que interesse justificou o almoço com o tal indivíduo. E, pela experiência, duas figuras públicas não se sentam à mesa por acaso: ou há interesse mútuo ou há amizade. Laços familiares, ao que consta, não existem — embora haja por aí quem ande a construir árvores genealógicas imaginárias.

Restam os candidatos apoiados pelos dois maiores partidos: PSD e PS. Sobre o primeiro, não me pronuncio — só sabe do convento quem lá vive. Embora sejam notórias algumas posições de figuras que não alinham com a candidatura de Marques Mendes, ainda não ouvi nenhum líder interno apoiar oficial e publicamente outro candidato.

No PS, porém, a situação é distinta. Alguns socialistas assumiram publicamente apoiar outro candidato que não o escolhido pela direção nacional. Dir-me-ão que é a liberdade e a democracia a funcionar. Concordo — não fosse o facto de existirem dois pesos e duas medidas.

Nas últimas autárquicas, houve quem apoiasse independentes e até integrasse listas dessas candidaturas.

Alguns fizeram o malabarismo de entregar o cartão antes das eleições e recuperá-lo logo a seguir. Outros, por coerência, mantiveram-se fiéis aos seus valores e à leitura que faziam das necessidades das populações locais. Quinze dias depois, receberam cartas de expulsão por não seguirem as orientações do partido.

Agora, pergunto: o que acontecerá aos que, com responsabilidades políticas, vieram publicamente apoiar outro candidato que não o decidido pela Comissão Nacional? António José Seguro não é o candidato do PS, mas as orientações foram claras. E agora? Que destino terão esses militantes? E o que dizer dos que apoiam alguém que foi a primeira escolha de quem defende um país “orgulhosamente só”?

A verdade é que, por mero revanchismo interno, podemos não ter AJS em Belém. E, por ódios de estimação e táticas internas, corremos o risco de empurrar o PS para a irrelevância. Não basta repetir a frase de que “só é vencido quem desiste”, evocando Mário Soares. É preciso pôr o país à frente das guerras partidárias e das querelas internas.

As eleições presidenciais de 2026 não são apenas mais um exercício democrático; são um momento decisivo num país que enfrenta desafios internos sérios e um mundo em crescente instabilidade. Precisamos de um Presidente capaz de unir, moderar e representar Portugal com firmeza e sentido de Estado. E precisamos que os partidos, em vez de se perderem em vinganças internas ou cálculos oportunistas, coloquem finalmente o interesse nacional acima das lutas de poder. Porque, mais do que escolher um Presidente, estamos a escolher que tipo de democracia queremos para o futuro.

Ah já esquecia o Cotrim. Gosto e creio que tem perfil. Sobretudo a avaliar pelos cartazes.

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