José Manuel Rodrigues foi o convidado desta semana do Irrevogável, podcast de entrevistas da VISÃO. Em vésperas das eleições na região autónoma da Madeira – que se realizam no próximo domingo –, o líder do CDS-PP/Madeira (e que, desde 2019, ocupa também a presidência da Assembleia Legislativa da Madeira), não tem dúvidas que “o resultado das sondagens, até agora publicado [e que prevê uma maioria da coligação formada por PSD e CDS], representa o reconhecimento do eleitorado da boa governação do projeto político liderado por Miguel Albuquerque”. “Acredito que o eleitorado vai recompensar quem governou, bem, nestes últimos quatro anos”, sublinha.
A entrada do Chega na Assembleia Legislativa da Madeira é dado praticamente assegurado, o que “não preocupa” José Manuel Rodrigues. O também líder da Mesa do Conselho Nacional dos centristas não acredita que o crescimento do partido de André Ventura na região possa prejudicar o CDS, e considera ainda que a política portuguesa “ficou pior” que a saída dos democrata-cristãos da Assembleia da República, por troca com a força de extrema-direita.
“Julgo que a grande força do CDS, neste momento, está presente na Madeira e nos Açores, onde também integra a coligação que governa a região, mas acredito, sobretudo, que o partido tem todas condições para, numas próximas eleições legislativas, voltar a ter representação na Assembleia da República”. “Acho, aliás, que é indiscutível que o CDS faz falta no Parlamento e acho que é evidente que, em São Bento, faz falta a presença de uma corrente democrata-cristã”, afirma.
A ‘prova de fogo’ do CDS serão as próximas legislativas [em 2026]”. “Só aí é que veremos se o trabalho que Nuno Melo está a desenvolver vai permitir que o CDS recupere o seu lugar na política portuguesa
José Manuel Rodrigues
Focado no futuro, o líder do CDS-PP/Madeira não poupa críticas às lideranças anteriores do partido. Confessa que alertou Francisco Rodrigues dos Santos que “era cedo demais” para este chegar à presidência, e lamenta que, “em determinada altura, o CDS se tenha aproximado muito do centro e defendido, até, posições de extrema-esquerda, esquecendo-se que tinha de cobrir a sua ala direita”. “Acho que foi por isso que outras forças políticas apareceram a ocupar esse espaço, embora de forma mais extremada e palavrosa…”, sublinha.
Admitindo que Nuno Melo “já devia ter chegado há mais tempo à liderança” do partido, o que, do seu ponto de vista, poderia ter permitido que “o CDS estivesse, hoje, presente na Assembleia da República”, José Manuel Rodrigues elogia o trabalho de “um trabalhador incansável”, que considera estar a fazer “um magnífico trabalho, conseguindo unir o partido”.
Ainda assim, o presidente do CDS-PP/Madeira pede tempo. Atira as Europeias – agendadas para junho de 2024 – para segundo plano, e fixa a prova dos nove (para o futuro do partido) para as próximas eleições legislativas, daqui a três anos. “Julgo que para revitalizar o partido seria muito importante que o partido elegesse deputados ao Parlamento Europeu, mas a ‘prova de fogo’ da recuperação e da revitalização do CDS serão as próximas legislativas [em 2026]”. “Só aí é que veremos se o trabalho que Nuno Melo está a desenvolver vai permitir que o CDS recupere o lugar que já ocupou na política portuguesa”, disse.
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