A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai perder 350 milhões de euros com cinco créditos concedidos, entre 2005 e 2008, ao empresário Manuel Fino, um dos maiores devedores do banco, para este investir em ações da Cimpor, da Soares da Costa e do BCP. A CGD avançou, em outubro de 2020, com duas ações em tribunal, pedindo a insolvência da Manuel Fino SGPS e da Investifino SGPS, uma sociedade sediada em Malta, procurando recuperar, pelo menos, parte do valor em dívida. Numa primeira decisão de janeiro deste ano, relativa à Manuel Fino SGPS, o Juízo do Comércio de Sintra encerrou o caso, por falta de património desta para, sequer, pagar as custas do processo. A segunda empresa ainda detém umas participações sociais, mas sem grande valor, o que antecipa o mesmo desfecho judicial.
De acordo com o processo de insolvência da Manuel Fino SGPS, a que a VISÃO teve acesso, o administrador judicial Jorge Calvete realçou que, desde 2012, o capital próprio desta gestora de participações sociais familiar é negativo (-289 milhões de euros), mantendo-se assim até 2015 (-324 milhões). “Uma empresa sem atividade, sem ativo gerador de riqueza, sem negócio, sem colaboradores e com este nível de capital próprio e autonomia financeira, acrescendo as responsabilidades pelas dívidas de sociedades filhas, está efetivamente insolvente”, concluiu o administrador de insolvência nomeado pelo Juízo do Comércio de Sintra para o processo 13509/20.0T8SNT.

