O bom filho à casa torna. António Soares, o engenheiro que prestava serviço na Qimonda através da Novabase Ousourcing, voltou ao grupo. Depois de ter sido incluído num despedimento colectivo, foi novamente contratado, agora para trabalhar na Novabase acd, com as mesmas condições. Recomeçou a 4 de Maio. “Estou entusiasmado. É uma área diferente de software para bibliotecas.”
20 de Abril
O ano de 2009 não começou da melhor maneira para António Soares. Logo no início do ano, a Qimonda deu os primeiros sinais de instabilidade. A 23 de Janeiro, a empresa mãe, na Alemanha, entrou com um processo de falência, e os danos colaterais sentiram-se imediatamente na empresa de semi-condutores de Vila do Conde. Os contratos de outsourcing que esta mantinha com duas tecnológicas portuguesas – Novabase e Critical Software – cessaram com o final do mês.
António, a trabalhar na Qimonda há mais de quatro anos através da Novabase, recebeu a má nova: entraria em Fevereiro no regime de pré-aviso de despedimento colectivo. Em Abril, inscreveu-se no centro de emprego. “Nunca fui muito pessimista. A informática é, ou costumava ser, uma área com bastante saída”, diz este engenheiro. No entanto, logo que recebeu o pré-aviso de despedimento, preparou a fase de transição para os meses em que ia deixar de receber o salário. Passou a economizar. Refeições fora de casa deixaram de estar na sua agenda, assim como viagens para o estrangeiro. E agora que já não tem de se deslocar para o emprego, planeia o dia para “não ficar em casa a deprimir” e continuar a “manter alguma disciplina”.
De manhã, pesquisa na Internet as ofertas de emprego (já pôs o currículo no LinkedIn) e vê os anúncios. Envia curricula – já leva dez anos de experiência profissional, como analista, programador ou consultor – mas só “aí uns 20%” respondem. Tem ido, em média, a uma entrevista por semana.
Mas António tem os seus próprios filtros. O facto de ser divorciado e ter uma filha de quatro anos faz com que não possa deixar o Grande Porto. “Há um chamamento para Lisboa. No Porto, há mais dificuldades e menos alternativas, mas quero estar o mais perto possível da minha filha”. Mas isso não o desvia da sua “missão” e dos seus “valores”. Sem querer revelar o seu ordenado – “ganhava bem para os parâmetros do Porto” – António passará em breve a receber o subsídio de desemprego: um pouco mais do que duas vezes o ordenado mínimo nacional.
A noção que tem de “carreira” construída impede-o de se pôr em saldo. “É importante não baixarmos o budget daquilo que achamos que valemos. Numa entrevista costumo dizer que tudo é negociável, mas não baixo muito logo à partida”.
António tem um doce sotaque brasileiro, mas é cidadão português. Os seus pais emigraram para o Brasil, onde ele nasceu. António voltou para Portugal aos 24 anos, acabou aqui os seus estudos superiores. Os pais ficaram do outro lado do Atlântico. “Realizei o sonho deles e escolhi Portugal para viver”.