É uma verdade universalmente reconhecida que todas as personagens de Jane Austen temiam que os vizinhos coscuvilhassem a seu respeito e destruíssem reputações ou, pior, aspirações de filhas solteiras: a ordem social destilada nos salões rurais ingleses dos seus romances não permitia o mais leve borrifo de escândalo, a mais insignificante censura, os mais microscópicos rubores ou nódoas no comportamento. Já a escritora inglesa não foi poupada aos ataques mercuriais. Como o de Charlotte Brontë, poetisa e autora de clássicos de inspiração gótica como Jane Eyre: a propósito de Emma, disse que Austen “despenteava o seu leitor com um nada veemente, perturbava-o com o profundo nada”. E Ralph Waldo Emerson achou-lhe as novelas “vulgares no tom, estéreis na invenção artística”: “O suicídio é mais respeitável”, concluiu.
Palavras amáveis, Jane também não as ouviu de D.H. Lawrence e muito menos de Mark Twain: “Sempre que leio Orgulho e Preconceito, quero desenterrá-la e bater-lhe no crânio com o seu próprio osso do queixo!” Mas houve quem a envolvesse em superlativos, como o poeta Alfred Tennyson, que dela dizia “compreender a pequenez da vida na perfeição”, e que “era uma grande artista, igual, na sua pequena esfera, a Shakespeare”.

