Imagine um restaurante onde não existe menu, nem precisa de pedir a conta optando por pagar o que achar conveniente. É este o espírito da Casa de Pasto Canastra Azul, existente há um ano na Rua das Taipas, no antigo bairro judeu. O projeto invulgar em Portugal foi pensado pelo portuense José Carlos Mendes quando, há um ano, decidiu regressar à terra natal depois de uma década a viajar pela Europa como motorista de transporte de mercadorias.
“O português é simples e é essa simplicidade que é apreciada lá fora”, garante. A casa de pasto prolonga-se por várias salas, percorridas livremente pelos clientes. É como “a extensão de uma casa” não sendo por isso um restaurante convencional. Quem entra quase sempre já ouviu falar do conceito e já nem pergunta pelo menu.
“Em sua casa, os seus amigos perguntam-lhe o que tem para jantar?”, questiona José Carlos. “Aqui comem o que houver no momento.” As conservas portuguesas (da Pinhais, Ramirez, Comur) constituem a maioria dos petiscos. Pode acontecer saborear petinga, cavala, sardinha, enguias de barrica, acompanhadas com abacate e framboesa, servidas com broa de Avintes e vinho tinto, branco, rosé e do Porto. “Tenho parceiros para todos estes produtos”, conta.
Tem clientes de Tóquio, Califórnia, Nova Iorque…. sentados em antigas mesas de escola dos anos 60 e 70, cobertas com os típicos lenços de amor. “No final da noite toda a gente fica a conversar uns com os outros”, garante o proprietário que é também quem cozinha.
E ninguém sai sem pagar. “As pessoas deixam o que sentem no momento, de acordo com a sua disponibilidade.” Horário fixo também não existe. Embora funcione sobretudo ao jantar, José Carlos afiança: “Quem passa pode bater à porta e sentar-se. Será bem-vindo.”
CASA DE PASTO CANASTRA AZUL
R. das Taipas, 17 C, Porto
T. 93 332 1065