Olá, bom-dia  
Sejam bem-vindos, caros leitores e caras leitoras, a mais uma Arquivo VISÃO, newsletter através da qual lembramos os melhores artigos publicados na VISÃO desde 1993. Hoje é um domingo em cheio (além do sol e da praia, pequenas coisas que, felizmente, abundam neste maravilhoso cantinho à beira mar plantado): na Alemanha, em Berlim, disputa-se a final do Europeu, num jogo entre a Inglaterra de Jude Bellingham (21 anos) e a Espanha de Lamine Yamal (17 anos feitos ontem, enhorabuena!); em França, onde depois do choque das eleições vigora a indecisão, decorrem as celebrações de mais um 14 Juillet, para celebrar a tomada da Bastilha.   
Nesta Arquivo VISÃO, ficamo-nos antes por cá, para recuperar um artigo com cinco anos, publicado originalmente na edição da VISÃO de 29 de janeiro de 2019, sobre Calouste Sarkis Gulbenkian, cuja memória será recordada, como habitualmente, no próximo sábado, 20, data que coincide com a data da morte do colecionador e filantropo arménio. Da autoria de Sílvia Souto Cunha, o texto que fomos buscar aos confins do nosso arquivo chama-se Gulbenkian: O homem, os mitos e a verdade e foi escrito por ocasião dos 150 anos do nascimento do Senhor cinco por cento, como o magnata do petróleo ficou conhecido, por causa da percentagem dos seus lucros na exploração petrolífera do Médio Oriente.  

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Original da América do Sul, o amendoim é uma oleaginosa consumida há milhares de anos um pouco por todo o mundo. Conhecido como um snack saudável, o amendoim pode ser consumido de diversas maneiras, podendo servir como um aperitivo – servido cru ou torrado –, enquanto ingrediente principal em várias receitas ou através dos seus derivados, como a famosa manteiga de amendoim.

Popularmente conhecido como um fruto seco pela semelhança às nozes ou amêndoas, o amendoim é, na realidade, uma leguminosa – da família do feijão, grão-de-bico e ervilha – que cresce em vagens debaixo da terra.

Sendo uma oleaginosa, possui altos níveis de gordura, que podem chegar até aos 50% da sua composição e fazem parte do “bom” colesterol, ou seja, contribuem para os bons níveis de LDL no organismo. Ricos em ferro, fibra e antioxidantes, os amendoins possuem vários nutrientes, incluindo vitaminas do complexo B, vitamina E, B1, B3 e B6, fósforo, magnésio, potássio e zinco, para além de serem também uma fonte de aminoácidos.

Entre alguns dos seus benefícios que o seu consumo traz para a saúde humana, encontram-se:

  • A diminuição da inflamação no corpo e fortalecimento dos músculos – ao conterem elevados níveis de magnésio, potássio e vitamina E, os amendoins são muito recomendados para quem pratica exercício físico de forma regular, uma vez que contribuem para o fortalecimento dos músculos e aumento da resistência muscular.
  • Previnem doenças cardiovasculares – O resveratrol, que se encontra na composição dos amendoins, é uma substância antioxidante que ajuda a prevenir diminuir os níveis de colesterol no organismo. Ademais, os amendoins contribuem para um bom fluxo sanguíneo e ajudam a reduzir a coagulação do sangue, prevenindo o desenvolvimento de doenças do coração.
  • Diminuem os níveis de colesterol – a gordura presente nos amendoins é monoinsaturada – também conhecida como “bom colesterol” – prevenindo assim a acumulação do “mau” colesterol nas artérias e surgimento de doenças como a aterosclerose.
  • Combate e previne a anemia – o amendoim possui ainda ácido fólico e ferro, fatores que estimulam a formação de glóbulos vermelhos no sangue e previnem a anemia.
  • Previne o envelhecimento precoce – rico em vitamina E, o amendoim ajuda a retardar os efeitos do envelhecimento das células. Possui ainda na sua composição Ómega 3.
  • Ajuda quem quer perder peso – rico em fibras que ajudam a diminuir a sensação de fome, o amendoim possui também substâncias termogénicas que aumentam o metabolismo e estimulam o maior gasto de calorias durante o dia. .
  • Previnem o surgimento de diabetes tipo II – a gordura monoinsaturada e as fibras presentes na composição do amendoim ajudam a diminuir os níveis de açúcar presentes no sangue, prevenindo o desenvolvimento de diabetes tipo II.
  • Contribuem para uma melhoria do humor – por possuírem triptofano – uma substância que favorece a produção de serotonina – os amendoins ajudam a melhorar o humor e diminuir os níveis de stress.

Apesar de todos estes benefícios, o amendoim possui, contudo, um elevado nível calórico, pelo que deve ser consumido com moderação. Não é recomendado para pessoas com alergias graves a frutos secos – podendo resultar em graves ataques alérgicos – ou com elevados níveis de acne, uma vez que, ao ser uma oleaginosa, aumenta os níveis de oleosidade da pele e facilita o surgimento de acne.

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Perdemos tanto tempo a discutir se estamos a convergir ou a divergir da Europa, ou se vamos ser ultrapassados pela Roménia e pela Hungria, que quase nos esquecemos de que não é só a economia que conta. Um estudo do Banco de Portugal diz-nos que o nível de vida no nosso país está mais próximo do da União Europeia (UE) se considerarmos o índice de bem-estar em vez do PIB per capita. Portugal ocupa a 20ª posição do ranking europeu no PIB per capita (que era de 79% da média da UE em 2022), mas sobe para o 16º lugar quando usamos a medida do bem-estar (era de 87% da média da UE no mesmo ano).

Dois fatores explicam esta melhoria: os portugueses consomem mais, em percentagem do PIB, do que a média dos 27 países europeus e vivem, também em média, mais tempo, o que se traduz num aumento do bem-estar face ao que o seu nível de rendimento per capita, à partida, lhes permitiria. Mas a outra face da moeda não emite tanto brilho. Em Portugal, trabalha-se mais horas e dedica-se menos tempo ao lazer do que na média dos parceiros europeus, e as desigualdades também são maiores. Para o Banco de Portugal, “a diferença entre o índice de bem-estar e o PIB per capita poderia ser maior se o consumo estivesse distribuído de forma mais igual entre os portugueses, e se trabalhassem menos horas”.

Iguais ou desiguais Países com PIB per capita muito próximos podem ter índices de bem-estar diferentes. O bloco do Leste aproximou-se de Portugal no rendimento, mas continua muito atrás no nível de vida

Já percebemos que, mesmo atribuindo mais peso ao bem-estar da população do que ao crescimento económico, Portugal ainda não consegue pedalar no pelotão da frente liderado pelos países mais ricos. Mas também já não corre o risco de ser empurrado pelo carro-vassoura. Na maioria dos países do Centro e do Leste da Europa, o nível de vida medido pelo índice de bem-estar está bastante mais afastado da média da UE (e de Portugal, mas já lá vamos) do que o seu PIB per capita, já que apresentam uma menor esperança de vida e menos horas de lazer. De acordo com o estudo do banco central, em 2022, a esperança média de vida situava-se em 76,2 anos na Hungria, 75,3 anos na Roménia e 74,3 anos na Bulgária, em comparação com 80,7 anos na média da UE e 81,7 anos em Portugal.

“O maior distanciamento entre Portugal e os países de Leste no ranking do bem-estar mostra que existiu um progresso em Portugal em áreas não cobertas pelo PIB que ainda terá de ser percorrido pelos países de Leste”, assinalam os autores do estudo – João Amador, Cristina Manteu e Ana Sequeira – numa nota enviada à VISÃO. E acrescentam que estes resultados, construídos a partir de um índice de bem-estar, proposto em 2016 pelos economistas norte-americanos Charles Jones e Peter Klenow, e baseado nas variáveis de consumo per capita, horas de lazer, esperança média de vida e desigualdade, realçam “a importância de considerar dimensões de bem-estar para além do crescimento económico no desenho de políticas públicas”.

PIB igual, bem-estar menor

Países com níveis de PIB per capita muito próximos podem ter índices de bem-estar diferentes. Apesar de apresentarem níveis de rendimento per capita já mais próximos dos da UE, os países do Leste estão abaixo da média europeia, e de Portugal, nas variáveis que compõem o índice.

Em 2022, o PIB per capita de Portugal, em paridade do poder de compra, era igual a 79% da média da UE, e encontrava-se abaixo da República Checa (90%), igual à Polónia (79%) e ligeiramente acima da Hungria (76%), da Roménia (75%) e da Eslováquia (71%). Mas a República Checa tinha um índice de bem-estar de apenas 74% da média da UE, ficando 13 pontos percentuais abaixo do de Portugal (87%). Mais atrás, surgiam a Eslováquia (70%), a Polónia (66%), a Roménia (57%) e a Hungria (56%). Estes dois últimos países estão praticamente 30 pontos percentuais abaixo de Portugal no que diz respeito ao nível de vida dos seus habitantes.

Note-se que, dos dez países que aderiram à UE no alargamento de 2004, apenas o Chipre (101%) e a Eslovénia (96%) estão à frente de Portugal no índice de bem-estar. Malta está num patamar igual, com 87%.

O mesmo estudo revela também a convergência continuada do bem-estar de Portugal com a média da UE entre 1995 e 2022, exceto no período da crise da dívida soberana (ver gráfico). O índice de bem-estar subiu de 77% da média da UE em 1995 para 87% em 2022, apesar da queda verificada entre 2009 e 2012. O crescimento médio foi de 2,7% ao ano, refletindo o aumento do consumo per capita e da esperança média de vida e, em menor proporção, a redução da desigualdade. Já no PIB per capita, Portugal passou de 81% em 1995 para 79% da média da UE em 2022.

Viver mais, trabalhar mais

Portugal compara melhor com o resto da Europa nas variáveis de bem-estar do que quando a referência é o crescimento económico, principalmente devido à maior esperança média de vida. Apesar de ter caído durante a crise pandémica, mantém-se acima dos parceiros europeus, o que diz muito sobre o nível dos cuidados de saúde, a qualidade da alimentação e o conforto. No ano considerado no estudo, os portugueses viviam, em média, até aos 81,7 anos, a par dos belgas, cipriotas e holandeses, e acima dos 80,7 anos da média europeia. Os espanhóis eram os mais resilientes dos 27 países, com uma esperança de vida de 83,2 anos.

Nos restantes indicadores, Portugal não pontua tão bem. Consumimos menos do que a média europeia – os maiores valores de consumo per capita face à UE estão no Luxemburgo, na Bélgica e nos Países Baixos (ver gráfico) – e apresentamos maiores desigualdades do que os nossos parceiros. Também trabalhamos mais horas e dedicamos menos tempo ao lazer (o número de horas gastas, em média, em lazer e tarefas domésticas, depois de trabalhar e dormir): apenas 85% contra quase 87% da média da UE. Luxemburgo (81%) e Malta (83%) são os países onde se trabalha mais, e França é o que tem mais horas de lazer (89%). Segundo a nota do Banco de Portugal, os luxemburgueses trabalharam, em média, 1 120 horas em 2022, o que compara com 659 horas no caso dos franceses E, em Portugal, o número de horas trabalhadas per capita foi de 885, o que é superior à média da UE e explica o contributo negativo para o índice de bem-estar.

Crescer não é tudo, mas…

Os indicadores de bem-estar são construídos pelos economistas para tentar ultrapassar as limitações do PIB per capita e, também, a obsessão com o crescimento económico. A economia da felicidade, uma nova área de estudo, surgiu precisamente para analisar o bem-estar subjetivo. Por outras palavras, para comparar as variáveis que fazem as pessoas sentirem-se mais ou menos felizes com as suas vidas. Anualmente, as Nações Unidas publicam um Relatório Mundial da Felicidade e elaboram um ranking dos países mais felizes do mundo que, sem surpresas, é liderado pelos nórdicos (Finlândia, seguida pela Dinamarca, pela Islândia e pela Suécia).

Mais surpreendente é o facto de a Roménia surgir à frente de Portugal nessa tabela, ocupando o 32º lugar na lista dos cerca de 140 países mais felizes do mundo. A Hungria surge na 56ª posição, imediatamente atrás de Portugal, o 55º classificado. Estes resultados, que medem variáveis objetivas e subjetivas como PIB per capita, apoios sociais, esperança de vida saudável, liberdade, generosidade e corrupção, são bastante diferentes dos do estudo do Banco de Portugal, elaborado com dados objetivos sobre o bem-estar dos 27 países da UE.

Gabriel Leite Mota, primeiro e único doutorado português em Economia da Felicidade (ver entrevista), explica que “quando passamos por um processo de transformação extremamente rápida, há a sensação de que as coisas estão a correr bem. Os países de Leste atravessam um crescimento económico excecional, o que lhes dá uma sensação de bem-estar, mas se não for revertido em indicadores mais sustentáveis, esboroa-se”.

Já Portugal, embora continue a crescer, atingiu um planalto, em termos económicos, que não contribui tanto para esse sentimento, mas que parece ser mais sustentado. Porém, segundo o também professor do Instituto Superior de Serviço Social do Porto, “temos uma esperança de vida melhor e temos um conjunto de indicadores muito bons na área da saúde” que fazem a diferença em relação ao bloco de Leste.

O economista, que é também colunista do site visao.pt, refere um outro indicador usado para medir o bem-estar, que resulta da sua multiplicação pela esperança média de vida. “O Happy Life Years [Anos de Vida Felizes] tem uma componente objetiva – quantos anos, em média, uma pessoa vive numa determinada nação – e outra subjetiva – em média, quão feliz essa pessoa se sente. Ao multiplicarmos os dois valores, sabemos quantos anos felizes cada pessoa vive, em média, naquela nação.” Neste indicador, Portugal sai beneficiado por causa da elevada esperança média de vida, ultrapassando mesmo a Roménia. “Apesar de não estarmos tão bem no bem-estar subjetivo, temos uma boa esperança média de vida, e uma coisa compensa a outra”, acrescenta.

Gabriel Leite Mota assinala ainda que, neste indicador, a diferença entre os Estados Unidos e os países nórdicos “é enorme” porque a esperança de vida nos EUA está a diminuir. “É um sinal de alerta muito forte, que os norte-americanos estão a ignorar. A esperança de vida está sempre a melhorar, mas a deles está a andar para trás, apesar de a economia estar a crescer mais do que, por exemplo, a da Europa. É a maneira como se cresce, e como se distribuem os ganhos, que importa.”

Por aqui, podemos concluir que ter a economia a crescer não é tudo. Mas, nos países de Leste, parece estar a contribuir bastante para a felicidade dos povos.

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Donald Trump foi alvo de uma tentativa de assassínio, durante um comício realizado neste sábado, 13, em Butler, cidade rural no estado da Pensilvânia, do qual saiu praticamente ileso apesar do grande risco que correu. É essa a abordagem que os Serviços Secretos norte-americanos revelaram estar a adotar na investigação ao crime, depois de, numa fase inicial, o porta-voz desta agência federal se ter referido ao caso como um “incidente”.

Pelo menos um dos apoiantes de Trump morreu na sequência dos cerca de dez tiros disparados enquanto o ex-presidente dos Estados Unidos da América, novamente candidato do Partido Republicano à Casa Branca (a convenção para oficializar a nomeação começa já esta segunda-feira, 15), discursava num palco ao ar livre – pelas 23h15 de Lisboa.

Um dos disparos atingiu de raspão a orelha direita do magnata nova-iorquino, confirmou o próprio, numa declaração publicada na sua rede social, três horas após o tiroteio. Isso explica o facto de ter abandonado o palco com sangue no rosto, protegido e retirado por agentes dos Serviços Secretos, depois de alguns segundos de pânico, agachado junto do púlpito a partir do qual se dirigia a cerca de 50 mil apoiantes. Embora ferido, Trump abandonou depois o palco pelo próprio pé, perante a informação de que o atirador tinha sido abatido, e não sem antes cerrar o punho na direção dos apoiantes.

Segundo os Serviços Secretos, os disparados foram realizados a partir do exterior do perímetro de segurança do comício. Vários líderes mundiais, assim como o atual Presidente dos EUA, Joe Biden, depressa vieram a público condenar o atentado e manifestar satisfação por Donald Trump ter escapado apenas com um ferimento superficial, face ao perigo de vida que correu.

Donald Trump terá sido atingido por um projétil de baixo calibre, este sábado, quando iniciava um comício no estado da Pensilvânia. O ex-presidente e candidato a regressar à Casa Branca, nas eleições presidenciais de novembro, foi de imediato retirado do palco pelos Serviços Secretos, com sangue no rosto, mas encontra-se livre de perigo. Ouviram-se vários barulhos consecutivos, provavelmente disparos, e Trump baixou-se para se proteger, abandonando o púlpito pelo próprio pé e não sem antes cerrar o punho na direção dos seus apoiantes, enquanto era rodeado pelos agentes de segurança.

Ainda não existe qualquer confirmação oficial, mas pelas imagens já partilhadas na rede social X é de considerar uma tentativa de atentado contra Donald Trump.

Segundo o porta-voz dos Serviços Secretos norte-americanos, Anthony Guglielmi, foi aberta uma investigação “a um incidente” ocorrido durante um comício de Trump, estando garantida a sua segurança.

Os acontecimentos ocorreram pelas 23h15 de Lisboa, e os cerca de dez supostos tiros ouvidos terão atingido, também, alguns dos apoiantes de Trump. O ex-presidente terá sido atingido de raspão numa orelha.

O local, na cidade rural de Butler, já foi isolado pelas autoridades e está a ser tratado como um cenário de crime.

Jornais como o The New York Times e o The Washington Post avançam que o presumível atirador foi abatido.

Serviços Secretos retiram Trump do palco onde discursava na cidade de Butler, na Pensilvânia Foto: Anna Moneymaker/Getty Images

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A administração do Grupo Volkswagen garantiu aos representantes dos trabalhadores da Autoeuropa que está a considerar trazer o fabrico de um carro elétrico para a Autoeuropa, no decorrer de um encontro do Comité Mundial das Comissões de Trabalhadores deste grupo alemão, que decorreu em Wolfsburgo nos passados dias 27 e 28 de junho.

A informação foi avançada à Agência Lusa por Rogério Nogueira, o coordenador da Comissão de Trabalhadores da unidade de Palmela, que garantiu que a decisão será tomada nos próximos meses.

Desde que a Europa decidiu avançar com uma transição acelerada para a mobilidade elétrica, acabando com a venda de veículos com motor a combustão até 2035, que os funcionários da maior fábrica de automóveis de Portugal, a Autoeuropa, têm manifestado a sua preocupação com o futuro desta unidade fabril.

“Estamos, como é óbvio, bastante agradados com a possibilidade de a Autoeuropa estar em posição de poder receber mais um modelo para a produção, e desta vez elétrico”, disse Rogério Nogueira.

Apesar da grande aceitação internacional do modelo que ali é produzido, o T-Roc, o terceiro modelo mais vendido em toda a Europa em 2023, o aproximar do final dos carros a combustão na Europa poderia pôr em causa a viabilidade desta unidade fabril. “Como é do conhecimento de todos, está a ser feito um grande investimento para o futuro, preparando a fábrica para estar em condições de produzir também carros elétricos. A Comissão de Trabalhadores continuará a fazer pressão ao seu nível para que essa possibilidade se torne uma certeza”, acrescentou.

Continental A empresa que fabrica pneus em Lousado, Famalicão, é a quarta maior exportadora nacional

Mas esta não é apenas uma boa notícia para os trabalhadores da Autoeuropa.

Esta informação surge na mesma semana em que a fábrica da Stellantis de Mangualde apresentou os primeiros veículos elétricos produzidos no País. Tratam-se de furgões ligeiros, comerciais e de passageiros, das quatro marcas fabricadas naquela unidade fabril: Peugeot, Citroën, Opel e Fiat.

Para iniciar esta alteração, Mangualde investiu um total de 30 milhões de euros na construção de uma nova linha de montagem que pudesse acomodar as baterias.

O anúncio da vinda de um veículo elétrico para a Autoeuropa e o início de produção de veículos elétricos em Mangualde trazem também um novo alento para a indústria de componentes para automóveis, um dos setores que mais têm contribuído para o crescimento económico do País.

Um cluster em alta

Atualmente, existem cerca de 350 empresas deste setor, que gera um volume de negócios de 15 mil milhões de euros, o equivalente a 5,7% do PIB. Garante postos de trabalho a 63 mil pessoas e, no ano passado, atingiu um total de 12,8 mil milhões de euros de exportações, sendo responsável por 16,5% das vendas ao exterior de bens transacionáveis.

Segundo a AFIA, a Associação dos Fornecedores da Indústria Automóvel, 95% dos carros que circulam em toda a Europa têm pelo menos uma das suas peças “made in Portugal”.

No ano passado, produziram-se 318 321 veículos nas fábricas instaladas no nosso país, o terceiro melhor ano de sempre, apenas superado por 2018 e 2022. E esta quebra deu-se devido à paralisação forçada da Autoeuropa em setembro, por falta de peças de um fornecedor esloveno, o que se traduziu numa quebra de 15 mil viaturas na produção anual.

O T-Roc, produzido na Autoeuropa, foi o terceiro modelo mais vendido na Europa no ano passado. Mas
as vendas continuam em alta e voltou a conquistar os
europeus. Em maio deste ano, ascendeu ao primeiro lugar, acima do seu “irmão”
VW Golf

Da totalidade dos carros produzidos em Portugal, 97,8% destas viaturas foram canalizadas para o mercado externo, sendo a Alemanha o principal cliente, seguindo-se a França, Itália e Espanha.

Basta olhar para a lista dos maiores exportadores de 2023 para encontrarmos sete empresas do setor automóvel entre as dez primeiras: Autoeuropa, Continental Mabor, Bosch Car Multimedia, Aptivport Services, Visteon Electronics Corporation, Faurécia e Purem Tondela.

A Espanha é o nosso maior cliente, recebendo 27,9% das exportações nacionais, seguindo-se a Alemanha, para onde vão 22,5% dos componentes para automóveis produzidos em Portugal. Juntos, estes dois países absorvem 50,4% das nossas exportações deste setor.

Nos últimos anos, Portugal tem também atraído empresas da área das novas tecnologias automóveis, como os sistemas de informação e gestão de energia. Um dos casos mais emblemáticos é o da Critical TechWorks, uma parceria entre a BMW e a portuguesa Critical Software, que produz soluções informáticas para os veículos da marca bávara. É uma das que mais têm crescido, tendo faturado cerca de 165 milhões de euros em 2023, um aumento de 30% face ao ano anterior, e prevê que o volume de negócios mantenha este ritmo de crescimento em 2024.

A empresa já tem três escritórios no País – Lisboa, Porto e Braga ‒, emprega 2 400 pessoas e quer chegar ao fim deste ano com cerca de três mil funcionários.

Aceitação dos elétricos

Portugal é também um dos países da Europa do Sul com maior penetração de carros elétricos. Segundo os dados da ACAP, no primeiro semestre deste ano, 16,5% dos veículos vendidos no País eram movidos exclusivamente a eletricidade. Mas, se analisarmos apenas as vendas de junho, esta percentagem sobe para os 18,9%, ou seja, cada um em cinco carros vendidos no País é 100% elétrico. Uma tendência que contraria um pouco o que está a acontecer na Europa, cujo mercado tem sentido algum arrefecimento das vendas de veículos elétricos.

No total, foram vendidos em Portugal 137 mil novos veículos ligeiros de passageiros no primeiro semestre do ano, o que corresponde a um aumento de 7,8% face ao mesmo período do ano passado.

Os ligeiros de passageiros alimentados a energias alternativas já representam mais de metade das vendas no País (51,7%), enquanto os que utilizam apenas gasolina são responsáveis por 39,5% das novas matrículas registadas no período em análise. Os carros a gasóleo, que há uns anos dominavam o mercado, resumem-se agora a 8,8% das vendas totais de carros no País.

Os números são claramente positivos para o cluster automóvel nacional e o início da produção de carros elétricos em Mangualde e o anúncio agora da Volkswagen de estar a ponderar trazer um carro elétrico para a Autoeuropa podem ser um catalisador suplementar para dar um novo boost a esta indústria.