“Isto não é uma situação mítica distante. Está literalmente a cinco meses de distância. Queremos ser cautelosos, colocar um dedo na água, assegurar que está tudo bem, colocar mais uns dedos, depois todo o pé na água, com a segurança do público e dos passageiros como prioridade” declarou Elon Musk durante uma apresentação aos investidores. O executivo da Tesla promete que em junho vão estar a circular Tesla em Austin, Texas, completamente autónomos e não supervisionados.
Nesta altura, há milhares de Tesla “sem ninguém lá dentro” a circular na fábrica da Tesla na Califórnia, tendo a empresa já partilhado vários vídeos a demonstrá-lo. No ano passado, Musk tinha vaticinado que os Cybercab e os Robovan iriam começar a circular, mas a produção só deve começar em 2026 ou 2027. Na altura, o executivo projetava começar a ter Model 3 e Model Y a circular de forma completamente autónoma, no Texas e na Califórnia em 2025.
Agora, o empresário e conselheiro de Donald Trump promete que mais regiões dos EUA vão ter este serviço ainda este ano embora reconheça que algumas das promessas ficaram por cumprir: “Algumas destas coisas já as disse há muito tempo. Sei que várias pessoas disseram ‘bem, o Elon é como na história do Pedro e do Lobo’ muitas vezes, mas estou a dizer-vos, há um lobo desta vez e vamos poder conduzi-lo. Na verdade, é ele que nos vai conduzir. É um lobo com condução autónoma”, cita a PC Mag.
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Sobre os modelos a utilizar, Elon revelou que vai começar por testar o serviço com os carros da Tesla inicialmente, em várias cidades até ao fim do ano, mas que há planos para poderem ser adicionados depois carros de outras marcas. “Vai ser como no Airbnb onde podemos adicionar ou retirar a nossa casa ou quarto”.
A questão da segurança vai estar no topo das prioridades para este projeto, com Musk a criticar que “o padrão está muito alto nesta altura porque quando há um acidente com um carro autónomo, entra imediatamente nas manchetes em todo o mundo, apesar de 40 mil pessoas morrerem todos os anos em acidentes automóveis nos EUA… e muitos destes não recebem qualquer menção. Mas se alguém faz um arranhão com um carro autónomo, é uma manchete”.
Uma liderança forte é fundamental para o sucesso das organizações, sobretudo num contexto de permanente mudança como a que vivemos hoje. Mas, mais do que tudo, não há sucesso sem uma equipa robusta e com cultura que promova as diferenças e as transforme em forças. O que, afinal, poderá contribuir para uma equipa bem sucedida?
Primeiramente, acredito que as equipas devem ser heterogéneas. O sucesso das organizações nasce, muitas vezes, de um caminho determinado a nível global, mas com liberdade para uma implementação local. Nesse sentido, é importante que a equipa ideal seja composta por pessoas de várias idades, géneros, formações académicas e experiências. Dessa forma, gera-se um debate constante, saudável e capaz de fazer a empresa evoluir.
O género e a idade, por exemplo, não devem ser vistos como fatores limitadores, mas sim como elementos que enriquecem a dinâmica da equipa. Os mais jovens devem ser ouvidos e nunca postos de lado na hora de uma discussão. Não terão tanta experiência, mas terão um ponto de vista diverso. Mas ser mais jovem não é, obrigatoriamente, sinal de mais produtividade ou de uma certa frescura de pensamento. Um colaborador com mais de trinta anos na empresa deve ser tido em conta e não apenas pela experiência. Um colaborador com 60 anos pode muito bem ser dinâmico e ter ideias novas a cada dia, além de oferecer sabedoria e uma visão estratégica alicerçada em anos de prática. É central ouvir as ideias de todos, sem olhar à idade.
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Em última análise, o verdadeiro sucesso de uma equipa reside na sua capacidade de abraçar e potenciar as diferenças. Personalidades, experiências e ideias diversas não são apenas recursos – são os alicerces de uma empresa verdadeiramente diferenciadora. Uma equipa que acolhe estas diferenças, promovendo o diálogo e o respeito mútuo, é uma equipa mais preparada para enfrentar qualquer desafio. Saber liderar é também conhecer melhor quem somos e, assim, entender melhor os outros, construindo, em conjunto, um trabalho de equipa verdadeiramente eficaz.
Outro ingrediente essencial para o sucesso é a capacidade de acolher as falhas como parte do processo de aprendizagem. Embora ninguém aspire a errar, o erro pode ser um catalisador para soluções criativas e abordagens inovadoras. Permitir que a equipa experimente, erre e aprenda sem receio cria uma cultura de coragem, onde é possível testar novos caminhos e encontrar soluções “fora da caixa”.
Por fim, liderar não é controlar. Pelo contrário, um líder eficaz é aquele que escolhe cuidadosamente a sua equipa, potencia autonomia e age como um guia, disponível para orientar e oferecer o seu conhecimento quando necessário. A confiança na equipa é um reflexo direto da confiança nas escolhas feitas e criar um ambiente de trabalho onde todos se sintam capacitados para tomar decisões é crucial para o sucesso coletivo.
Liderar é um ato de confiança, inclusão e visão, dando suporte quando algo corre menos bem, mas é promover também a celebração, em equipa, do sucesso, com a partilha das conquistas e experiências que poderão servir de inspiração para o futuro. Quando uma equipa se sente valorizada, apoiada e ouvida, os resultados vão além do sucesso organizacional: criam um legado que inspira e transforma. Liderar, afinal, é ouvir, acompanhar e apoiar.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.
A American Astronomical Society considera que o entendimento científico do Universo está ameaçado pela proliferação de atividades espaciais, como o surgimento de constelações de satélites, pelos resíduos espaciais e pelas interferências nos sinais de rádio e eletromagnéticas. Outra ameaça que pode vir literalmente a pairar é o surgimento de gigantescos painéis publicitários e a organização pede que haja um consenso internacional que determine a sua proibição: “A posição da American Astronomical Society (AAS) é de que a publicidade espacial intrusiva deve ser proibida por convenções internacionais apropriadas ou tratados ou legislação”, comunicou o organismo.
Nos EUA, o Congresso já proíbe lançamentos para o Espaço de “qualquer material que possa ser usado com o intuito de publicidade espacial intrusiva”, sendo esta última definida como “publicidade no Espaço que possa ser reconhecida por humanos na superfície da Terra com ou sem recurso a um telescópio ou outro aparelho tecnológico”. No entanto, esta proibição apenas se aplica aos lançamentos dos EUA, não podendo ser aplicada a lançamentos de outros países.
“A proibição reconhece que o céu pertence a todos e deve ser protegido para todos os humanos agora e no futuro”, assume James Lowenthal, astrónomo que pertence ao Comité para a Proteção da Astronomia na organização, alertando depois que “outros países podem vir a aprovar lançamentos de ‘cartazes espaciais’ a partir do seu território” e que, por isso, uma proibição internacional “é crítica”, cita o Gizmodo.
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As russas Avant Space e StartRocket já expressaram interesse em lançar anúncios para o Espaço e uma subsidiária da PepsiCo chegou a equacionar publicitar uma bebida energética ‘lá em cima’, mas o projeto não avançou. A proposta da StartRocket contempla um conjunto de satélites com velas com 9,4 metros de largura e cada uma a refletir a luz do Sol para Terra, compondo letras, padrões ou logotipos dos seus clientes.
Lowenthal alerta ainda que “antes havia poucos grandes intervenientes no Espaço, todos a um nível de governo nacional, como a NASA, a ESA, a China, a Rússia e a Índia – agora há centenas ou milhares de empresas espaciais privadas de olho num pedaço da ‘tarte’ espacial. O controlo e comunicação são diferentes e muito mais complicados. Todos têm interesses diferentes, culturas diferentes, objetivos diferentes e modos de operação distintos dos governos. E têm interesses muito fortes na publicidade, incluindo a espacial”.
A AAS apela diretamente à delegação dos EUA no comité especializado no espaço da ONU para ajudar a manter os céus limpos de anúncios.
Margarida Blasco, ministra da Administração Interna, exonerou esta sexta-feira Marcelo Mendonça de Carvalho, secretário-geral da Secretaria-Geral da Administração Interna, por “necessidade de imprimir uma nova orientação à gestão dos serviços”. Mendonça de Carvalho terminava a comissão de serviço de cinco anos em outubro.
“No decurso da presente comissão de serviço, verificou-se, porém, a necessidade de imprimir uma nova orientação à gestão dos serviços, no sentido de promover maior celeridade e prontidão da resposta, alinhada com os objetivos de promoção de uma relação institucional adequada às responsabilidades deste Governo e do Ministério da Administração Interna, que passará pela redefinição do papel e enquadramento jurídico-institucional da Secretaria-Geral da Administração Interna, com vista à sua reestruturação, a ocorrer durante 2025”, pode ler-se no despacho de exoneração de funções, publicado em Diário da República.
Ricardo Carrilho, o escolhido por Margarida Blasco para ocupar o cargo (em regime de substituição) a partir de sábado, desempenhava funções, desde 2014, como secretário-geral-adjunto do Ministério da Administração Interna. “Com uma extensa carreira e profundo conhecimento das matérias com relevância para a Administração Interna, ao longo da última década foi responsável pelas Relações Internacionais e Gestão de Fundos Comunitários no Ministério da Administração Interna”, pode ler-se numa nota do MAI.
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No despacho, a ministra sublinhou que Carrilho tem “o perfil adequado e demonstrativo da aptidão necessária para o desempenho do cargo em que é investido e para se alcançar os objetivos pretendidos para a mesma Secretaria-Geral da Administração Interna”.
A secretaria-geral do Administração Interna foi assaltada em agosto do ano passado, tendo sido levados 10 computadores portáteis – de 600 euros cada – incluindo os computadores de Mendonça de Carvalho. Após o assalto, foi determinada à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) a instauração de uma auditoria, cujas conclusões ainda não são conhecidas. De acordo com oDiário de Notícias, a saída antecipada de Mendonça Carvalho terá sido uma consequência da auditoria – uma notícia que foi desmentida por uma fonte oficial do MAI à agência Lusa – e avança que o desempenho do seu serviço é alvo de um processo disciplinar aberto pela IGAI.
Há mais de 3 milhões de anos, um dos nossos primeiros antepassados hominídeos – da espécie Australopithecus – comia sobretudo alimentos à base de plantas, concluiu um estudo que analisou dentes fossilizados recorrendo a uma nova técnica.
A comunidade científica anda há décadas a tentar perceber quando começou o consumo de carne, um passo importante na evolução humana, uma vez que a sua proteína é associada ao aumento do volume cerebral e à capacidade de desenvolver ferramentas.
Agora, uma equipa de investigadores do Instituto Max Planck de Química, na Alemanha, e da Universidade de Witwatersrand (Wits), na África do Sul, obteve evidências de que não terão sido os australopitecos a iniciar a tendência carnívora.
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Segundo este estudo, publicado na revista Science, esses antigos hominídeos, que viveram na África Oriental e Austral há cerca de 3,5 milhões de anos, provavelmente não caçavam regularmente grandes mamíferos para consumo, como fizeram os neandertais alguns milhões de anos mais tarde.
‘NÓS’ E OS MACACOS
A equipa de investigadores analisou dados de isótopos estáveis do esmalte dentário de sete indivíduos originalmente encontrados numa das grutas de Sterkfontein, um conjunto de especial interesse para os paleoantropólogos localizado a nordeste de Joanesburgo, na África do Sul, perto de Krugersdorp.
A área é conhecida como o “berço da Humanidade”, por causa da sua coleção de fósseis dos primeiros hominídeos, e reconhecida como Património Mundial da UNESCO. A Universidade de Wits é dona dessas grutas e guardiã dos fósseis de australopitecos.
“O esmalte dos dentes é o tecido mais duro do corpo dos mamíferos e pode preservar a impressão digital isotópica da dieta de um animal por milhões de anos”, explicou a geoquímica Tina Lüdecke, principal autora do estudo, num comunicado.
Lüdecke lidera um grupo de investigação sobre o consumo de carne por parte dos hominídeos e viaja regularmente para África para fazer trabalho de campo e recolher amostras de dentes fossilizados. Neste estudo, ela e os seus colegas utilizaram uma técnica pioneira desenvolvida no laboratório de Alfredo Martínez-García, do Instituto Max Planck de Química, para medir os rácios de isótopos de azoto.
Depois de terem analisado os novos dados, os investigadores compararam-nos com os de amostras de dentes de animais que coexistiram temporalmente com os australopitecos, incluindo macacos, antílopes e predadores como hienas, chacais e grandes felinos, concluindo que a dieta desses nossos antepassados era variável, mas consistia em grande parte ou exclusivamente de alimentos à base de plantas.
O estudo não descarta completamente a hipótese de consumo ocasional de fontes de proteína animal, como ovos ou térmitas, mas as evidências indicam uma dieta predominantemente vegetariana.
OS GENES EXPLICAM
Lembre-se que esta “herança” vegetariana está inclusivamente inscrita nos nossos genes. Um estudo da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos da América, publicado na revista científica PLoS One, em outubro de 2023, concluiu que a composição genética de uma pessoa desempenha um papel importante na determinação da sua capacidade de seguir uma dieta vegetariana rigorosa.
“Será que todos os seres humanos são capazes de subsistir a longo prazo com uma dieta vegetariana estrita? Esta é uma questão que nunca foi seriamente estudada”, afirmou, então, o autor principal do estudo, o patologista Nabeel Yaseen.
Para determinar se a genética contribui para a capacidade de aderir a uma dieta vegetariana, os investigadores recorreram ao banco de dados UK Biobank, do Reino Unido, para comparar os genes de 5 324 vegetarianos estritos (que não comem peixe, aves ou carne vermelha) com os de 329 455 controlos. Todos os participantes eram brancos caucasianos, para se obter uma amostra homogénea.
O estudo identificou três genes significativamente associados ao vegetarianismo e outros 31 genes que estarão potencialmente associados. Vários destes genes, incluindo dois dos três principais (NPC1 e RMC1), estão envolvidos no metabolismo dos lípidos (gorduras) e/ou na função cerebral.
“A minha especulação é que pode haver gorduras únicas na carne de que algumas pessoas precisam e desejam”, disse Nabeel Yaseen. “E talvez as pessoas cuja genética favorece o vegetarianismo sejam capazes de sintetizar adequadamente esses componentes de forma endógena. No entanto, neste momento, isto é mera especulação e muito mais trabalho precisa de ser feito para compreender a fisiologia do vegetarianismo.”
O fator determinante para a preferência por um alimento não é apenas o sabor, mas também a forma como o corpo de um indivíduo o metaboliza.
“Embora as considerações religiosas e morais certamente desempenhem um papel importante na motivação para adotar uma dieta vegetariana, os nossos dados sugerem que a capacidade de aderir a tal dieta é limitada pela genética”, disse ainda o mesmo investigador. “Esperamos que estudos futuros conduzam a uma melhor compreensão das diferenças fisiológicas entre vegetarianos e não vegetarianos, permitindo-nos assim fornecer recomendações dietéticas personalizadas e produzir melhores substitutos de carne.”
Resta saber se alguém que não se dá bem a comer carne poderá “culpar” o seu antepassado australopiteco.
“Homo erectus” já no deserto
Os primeiros humanos adaptaram-se a condições adversas há mais de 1 milhão de anos
A adaptação dos nossos antepassados a ambientes extremos, como os desertos e as florestas tropicais, foi afinal mais precoce do que se pensava, conclui um estudo publicado na revista Nature Communications Earth and Environment.
Uma análise multidisciplinar, realizada por investigadores da Universidade de Calgary e da Universidade de Manitoba, ambas no Canadá, e de 17 outras instituições de vários pontos do mundo, demonstra que o Homo erectus se adaptou há pelo menos 1,2 milhões de anos, muito antes do aparecimento da nossa espécie, o Homo sapiens.
“Vemos que o Homo erectus regressa ao mesmo local ao longo de milhares de anos”, disse Julio Mercader, professor em Calgary, num comunicado da universidade. “Não se trata de um acampamento único. A acumulação de vestígios arqueológicos e de fósseis tem uma espessura que nos diz que uma espécie se dirigia a um ponto muito específico.”
A investigação arqueológica foi feita no desfiladeiro de Olduvai, Património Mundial da UNESCO, na Tanzânia.
“Encontrámos muitas provas da atividade destes hominídeos em condições ambientais – clima, vegetação – que sugerem períodos muito quentes e secos”, contou, por sua vez, o seu colega Jed Kaplan. “Está, por isso, a mudar a nossa compreensão da sua adaptabilidade a ambientes extremos.”
Quando um grupo de ativistas se encosta à parede numa manhã chuvosa, na Avenida de Roma, três senhoras estacam perante a cena e comentam entre si. “Qualquer dia não pode haver polícia”, diz uma. “Acho isto muito mau”, concorda outra, todas muito indignadas, com esgares de incompreensão nas bocas sublinhadas a batons vivos, fazendo crescer o tom dos comentários para que sejam audíveis a quem se manifesta, mas também aos jornalistas que ali foram registar a cena. Nesse momento, saem da porta do mesmo centro comercial de onde tinham vindo as três amigas dois homens brancos, portugueses, com as caras e as roupas manchadas de tinta e pó das obras. E também eles se detêm perante a cena.
Mas enquanto as senhoras estão paradas no passeio a comentar, os dois homens congelam à saída do centro comercial. Olhos esbugalhados, sobrancelhas franzidas, escrutinam a cena inusitada numa manhã de janeiro, que até lhes parecia igual a qualquer outra, numa das avenidas nobres de Lisboa. “O que é isto?”, perguntam, com uma estupefação que é visível. “É uma manifestação”, respondo, enquanto lhes vejo os olhos a franzirem-se mais um pouco, insatisfeitos com a resposta. “Não há problema. Os que ali estão encostados estão ali porque querem”, sossego-os, enquanto os vejo olhar para os polícias que acompanham a manifestação de perto. “Não queremos problemas”, diz-me um, de fugida, enquanto batem em retirada, outra vez para dentro da loja de onde tinham vindo.
Não tive tempo de lhes explicar que não havia ali problemas nenhuns. Fiquei sozinha com a interrogação sobre o que os terá feito fugir assim, àqueles homens brancos, portugueses, trabalhadores, que vinham com as mãos sujas vazias e não traziam mais do que a roupa do trabalho em cima do corpo. As senhoras continuavam a perorar sobre a falta de respeito e de segurança, seguras de que nada lhes aconteceria ali, em plena Avenida de Roma, seguramente perto das suas casas, numa zona onde o preço do metro quadrado pode facilmente chegar aos sete mil euros.
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Lembrei-me, então, de como muito pouco tempo antes um amigo me tinha contado que, quando era gerente de um restaurante, era frequente que os seus trabalhadores fossem obrigados a chegar atrasados por terem sido retidos de manhã numa rusga num dos bairros periféricos de Lisboa que habitam, encostados à parede, impossibilitados de sair para fazer a sua vida normal. Lembrei-me das vezes em que falei com pessoas que moram ou trabalham nestes bairros e em que me contaram como se sentem permanentemente suspeitas e hesitam em pedir ajuda à polícia, como eu sempre achei normal que se fizesse, como eu ensino aos meus filhos que devem fazer.
Lembrei-me da noite em que estive ao telefone com familiares de Odair Moniz, que me contavam como a polícia tinha entrado em casa da viúva e garantiam (e garantem, mesmo depois de todos os desmentidos) que lhes tinham arrombado a porta, que ficou desfeita, quando a chamada caiu com gritos de “Eles vêm aí outra vez” e um pânico que me acertou no peito. E o “eles” eram os agentes. E naquela casa não havia senão gente enlutada. E, claro, revoltada, porque é assim que a revolta cresce e se incendeia.
As senhoras da Avenida de Roma não fazem ideia de nada disto. Eu também não teria maneira de saber se não fosse jornalista. Ou talvez tivesse, mas teria de me esforçar muito para saber, porque muito dificilmente sentiria na pele o que é ser suspeito porque se vive num certo bairro, porque se tem um determinado aspeto. “Tu não sabes”, disse-me uma vez um amigo negro, quando me choquei por ouvir comentários de escárnio racista da boca de uns miúdos que passaram por nós na rua e nos insultaram simplesmente por estarmos ali parados, a conversar, eu pálida, ele escuro. Não, eu não sabia. Mas eu posso (e devo) fazer por saber.
É por isso que não me surpreende que numa sondagem feita com 400 telefonemas se tenha chegado à conclusão de que a maioria dos portugueses concorda com operações policiais como aquela no Martim Moniz que deixou imigrantes encostados à parede por serem suspeitos ainda não se sabe bem do quê e acabou com dois portugueses detidos e uma arma branca confiscada. Só 27% dos inquiridos estão contra ações como essa. E 65% não vislumbram ali qualquer viés racista. Talvez não vejam racismo em nada mesmo, que este já se sabe é um país de “brandos costumes”.
E isto não me sai da cabeça, porque quando escrevo sobre as ferramentas de inteligência artificial que a Europa se prepara para autorizar às polícias, para que nos leiam em segundos a identidade, as crenças e a alma, há quem comente, de ombros encolhidos, “quem não deve não teme”. Há quem não faça ideia de que se pode temer sem dever. E que esse é o verdadeiro perigo e a maior de todas as inseguranças.
Quando a ordem é um monólito que esmaga os direitos, a lei passa a ser não a proteção de todos, como devia, mas um instrumento de violência nas mãos dos mais fortes. Talvez hoje nos pareça que não devemos nada a ninguém e que, por isso, estamos a salvo. Mas quando as garantias dos cidadãos se esboroam, ninguém sabe ao certo se deve ou não e todos (ou quase todos) passam a temer.
Tivemos 48 anos disso em Portugal e parece que não aprendemos nada. Ou talvez só esteja a ficar mais visível que durante essa longa noite foram muitos os que fizeram a sua vidinha, mais ou menos indiferentes, seguros nesta frase cobarde. “Quem não deve não teme”.
É uma das pedras basilares, um alicerce, da ideia de Estado Social e de justiça social. A comunidade garante que quem deixa de trabalhar terá condições de vida minimamente dignas. Sabemos que trabalhamos, também, para que outros possam deixar de trabalhar. É uma conquista, diria que inquestionável, do modo como se construíram as democracias, em nome de um bem comum e de direitos para todos. Mas muito do que nos parecia “inquestionável” está hoje sob ameaça vinda dos ares que sopram do lado de lá do Atlântico: os de uma espécie de anarco-capitalismo, com a marca de Javier Milei, na Argentina, e de Trump, que se considera novo rei do mundo. As suas teorias, e práticas, parecem uma preocupante fuga em frente do capitalismo moderno no momento em que este se confronta com as suas contradições e limitações. Acelerar no caminho da lei da selva – com menos regulações e um Estado mínimo – parece ser a proposta, muito simplificada, apostando, ainda, num efeito de trickle down que já se provou demasiadas vezes que não funciona na diminuição de desigualdades. Defender a política como a procura de um “bem comum” e a economia como uma ciência social que visa gerir e administrar da melhor maneira, para todos, bens escassos (e não como um sinónimo de “práticas para a maximização dos lucros o mais rápido possível e para um crescimento permanente”) parece ser uma grande luta dos próximos anos.
Não digo que o atual governo português esteja alinhado com esses ares que sopram da Argentina e dos EUA…
O mundo da tecnologia não para de surpreender, mostrando como a inovação é constante. Para quem nunca imaginou transformar o telemóvel numa experiência semelhante à de uma consola tradicional, a iServices lançou uma solução: um suporte em formato de comando que permite jogar no telemóvel com a sensação de estar em frente a uma consola.
Esta abordagem combina duas vertentes: a portabilidade do smartphone e o conforto de um comando físico, melhorando a jogabilidade e proporcionando uma experiência mais imersiva. Ao segurarmos este “comando”, percebemos que é constituído maioritariamente de plástico, o que transmite uma sensação de fragilidade. Isto implica que é necessário algum cuidado durante a utilização.
No entanto, o peso reduzido, de apenas 200 gramas, é uma grande vantagem, pois permite sessões de jogo prolongadas sem causar desconforto ou fadiga. A instalação é extremamente simples, tanto que mal pode ser chamada de ‘instalação’. Basta posicionar o smartphone na horizontal e encaixá-lo na ranhura USB-C presente no suporte. Assim que o telemóvel é inserido, um LED verde no comando acende, indicando que está corretamente conectado e pronto a ser utilizado. Existe ainda uma entrada USB-C para carregar o suporte.
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O comando é leve e ajusta-se consoante o tamanho do smartphone
Jogar como numa consola
Este suporte para telemóvel revelou-se ideal para videojogos de corridas de carros, proporcionando um controlo muito mais preciso do veículo em comparação com o uso exclusivo do ecrã tátil do smartphone. Durante os nossos testes jogámos Real Racing 3, e conseguimos tempos significativamente melhores graças à precisão dos joysticks. A experiência foi bastante agradável, evidenciando a vantagem de ter um controlo mais próximo do que é habitual nas consolas.
O comando, praticamente idêntico aos tradicionais da PlayStation ou da Xbox, garante uma ergonomia excelente. Para quem já está familiarizado com este tipo de dispositivos, a adaptação é quase imediata. Em jogos de luta, em que experimentámos Shadow Fight 3, esta semelhança torna a experiência mais intuitiva e próxima da jogabilidade numa consola. No entanto, nem todos os videojogos tiram pleno partido deste produto. Importa referir que este suporte é apenas compatível com jogos de telemóvel que suportem a utilização nativa de comandos. Em títulos focados na estratégia, como Clash of Clans, por exemplo, a utilidade do comando é reduzida.
Muitas das ações exigem interação direta com o ecrã, tornando o suporte pouco prático. É importante frisar que este acessório foi concebido para jogos de ação e movimento intenso, onde exibe as qualidades ao melhorar a fluidez e o desempenho. Se procura elevar a experiência em jogos de corrida, luta ou aventura no smartphone, este suporte é uma boa escolha. Contudo, para jogos de estratégia, é preferível manter-se pelos controlos tradicionais.
Veredicto final
Se é fã de videojogos no smartphone, este suporte pode ser uma excelente opção. Destaca-se pela sua ergonomia, que garante um conforto elevado durante longas sessões de jogo, e pela precisão de movimentos que garante. Em resumo, eleva significativamente a experiência de jogo. Mas será que justifica o preço? Trata-se de um produto direcionado para entusiastas de videojogos, com um foco muito específico. Para que o investimento compense, é essencial que aproveite ao máximo as funcionalidades e o utilize regularmente em jogos compatíveis. Caso contrário, o custo poderá não ser justificado.
Tome Nota iS Comando de jogos para telemóvel – €49,95 Site: iservices.pt
Ergonomia MuitoBom Autonomia MuitoBom Construção Bom Conectividade Bom
Características Material: Plástico ○ Entradas: 1x USB-C ○ Conectividade: Android e iOS ○ Dimensões: 184x85x37mm ○ Peso: 200 g
Se os genes nasceram com eles, a experiência desde cedo os moldou no mesmo sentido: Martim e Francisco Costa, os dois irmãos de 19 e 17 anos que “explodiram”, esta época, no andebol português, ao serviço do Sporting e da Seleção Nacional, são filhos de antigos praticantes de excelência, Cândida Mota e Ricardo Costa, e começaram a frequentar os pavilhões ainda de fralda.
Faz agora um ano, desafiados pelo clube leonino, quis o destino que o pai voltasse a ser em simultâneo o treinador dos dois filhos. Tinha sido assim no FC Gaia e no Colégio dos Carvalhos, o clube/escola em Vila Nova de Gaia no qual os irmãos, seguindo as pisadas do pai, se iniciaram no andebol federado. Antes, porém, Martim e Francisco, mais conhecido por Kiko, já sabiam o bê-á-bá do desporto que lhes corre no sangue.
“Na alcofa, já iam ver os jogos. Lembro-me perfeitamente do Kiko a gatinhar no pavilhão em Algeciras, enquanto o Martim, com 3 anos, andava lá a correr com os filhos dos colegas do pai”, recorda Cândida Mota, referindo-se à cidade espanhola para onde Ricardo Costa foi jogar em 2005.
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No ano seguinte, a família mudou-se do Sul para o Norte de Espanha, em virtude da transferência de Ricardo para o Ademar León, uma das equipas mais prestigiadas do país vizinho. Ao longo de cinco temporadas ali, antes do regresso a Portugal, tornou-se um hábito irem os quatro “brincar ao andebol”, nos tempos livres, para um complexo desportivo público: Ricardo e Kiko numa equipa, Cândida e Martim na outra. O mais novo com 3 anos, o mais velho com 6 (separam-nos dois anos e meio), e já andavam nas lides.
Na rua, mesmo sem bola na mão, os irmãos “iam o tempo todo a fintar e a saltar, como se estivessem a jogar”, partilha a mãe. À medida que cresciam, foi preciso ajustar a decoração em casa. Há fotografias do antes e do depois no primeiro apartamento em Gaia – com bibelots e jarras na sala e sem vestígio deles. “Tivemos de tirar tudo e, mesmo assim, partiram a mesa de centro, de vidro. Tornou-se um campo aberto para se jogar”, ri-se Ricardo.
Por falar em vidro, Kiko intervém para valorizar um pequeno móvel, feito do frágil material, que ainda hoje resiste intacto. “Tem a forma de uma pequena baliza, e eu usava-o para treinar ‘roscas’”, diz, aludindo a um tipo de remate em que a bola ganha efeito depois de tocar no solo. Numa parede exterior, ao lado da casota do cão, desenharam uma baliza em tamanho real, acrescenta Martim.
Mais recentemente, a pandemia Covid-19 parou o desporto jovem em Portugal, mas eles mantiveram-se ativos: trabalho de ginásio em casa e treinos com o pai no Colégio dos Carvalhos, onde Ricardo Costa foi coordenador de andebol durante dez anos. “Para muitos miúdos foi mau, mas para nós foi ótimo”, nota o treinador.
Furor na Seleção
No passado mês de abril, em estreia pela Seleção Nacional A, Martim e Kiko tiveram um impacto tremendo na eliminatória final de acesso ao Campeonato do Mundo, frente aos Países Baixos. Kiko foi logo utilizado no primeiro jogo, em Portimão, mas Martim não saiu do banco na derrota por 33-30, que deixava Portugal em apuros para a segunda mão, em Eindhoven.
À chegada, ainda no aeroporto, o selecionador Paulo Jorge Pereira informou Martim de que estava a contar lançá-lo a titular para o tudo ou nada. A resposta foi demolidora: melhor marcador do jogo, com dez golos, vitória por 35-28 e presença garantida no Mundial.
“É incrível”, escreveu ele ao pai, após uma exibição em que quase parecia estar a jogar no parque com a família, tal a naturalidade dos movimentos. “No desporto como na vida, uma pessoa não pode ter medo das adversidades. Tenho muita confiança em mim, e isso ajuda muito”, comenta, a propósito, o jovem lateral-esquerdo.
O selecionador ignorou o fator experiência e deu também a titularidade a Kiko, talvez influenciado pelo desempenho dos irmãos, uns dias antes, no duplo confronto entre o Sporting e o Magdeburgo, nos oitavos de final da Liga Europeia. Martim e Kiko assinaram 33 dos 64 golos dos leões nessa eliminatória, perdida por um golo para os novos campeões da Alemanha, a Liga mais forte do mundo – e que o Benfica haveria de superar, de forma brilhante, em Lisboa, na final da referida competição europeia.
Na alcofa, já iam ver os jogos. Lembro-me perfeitamente do Kiko a gatinhar no pavilhão e do Martim a correr com os filhos dos colegas do pai
Cândida Mota, mãe e antiga internacional de andebol feminino
“Estava em causa o apuramento para o Mundial, mas, quando entro em campo, esqueço tudo e só quero jogar andebol e ajudar a minha equipa a ganhar”, salienta Kiko, que, apesar da tenra idade, não se esconde nos momentos de maior aperto.
Nesse aspeto, são réplicas do pai. Um dos melhores pontas-direitas da história do andebol nacional, Ricardo Costa deixou como imagem de marca uma competitividade que fazia faísca com os adversários. Os dois filhos ainda não eram nascidos quando, no Euro2000, nos últimos segundos do embate frente à Eslovénia, ele fintou o melhor jogador adversário e marcou o golo da primeira vitória da Seleção masculina em fases finais de europeus e mundiais.
Quem o topou bem, ainda em criança, foi José Magalhães, ex-treinador e hoje diretor da secção de andebol do FC Porto. “Ele era professor no Colégio dos Carvalhos e viu-me jogar futebol. Eu tinha 11 anos, varria tudo à minha frente, e ai de quem me tirasse a bola! Digamos que era um puto com energia a mais. Chamou-me a meio da aula e convidou-me para o andebol”, rebobina Ricardo.
“Muito disso nasce connosco, mas com um treinador que nos leve ao limite ainda dá para melhorar muito essa característica”, acredita Martim, ao passo que Kiko é mais terra a terra: “Eu acho que nasce com a pessoa e noto isso em mim. Sou muito parecido com o meu pai.” Sempre que o têm como adversário, seja no que for, sabem que não vale a pena contar com facilitismos.
Convite irrecusável
Hoje com 45 anos, Cândida e Ricardo conheceram-se aos 17, apresentados por um árbitro de andebol. Uma semana depois, começaram a namorar. Ela ainda jogava no Madalenense, mas não demoraria a chegar ao Colégio de Gaia, equipa de topo no andebol feminino. Ele estava no Boavista e em breve saltaria para o FC Porto. Não muito tempo depois, seriam chamados à Seleção A, que Cândida representou em 33 ocasiões – até se retirar, aos 25 anos, quando ficou grávida de Martim – e Ricardo em 147, sendo o oitavo mais internacional de sempre.
Numa deslocação pela Seleção, Cândida Mota viveu a experiência mais insólita. Não se recorda se estariam no Azerbaijão ou na Turquia, mas não esquece que a queriam trocar por camelos. “No aeroporto, um senhor que estava lá com a mulher foi falar com o selecionador e o médico, que acharam graça e deram-lhe conversa. Foi a risota geral na comitiva, eu é que não estava a achar piada nenhuma, porque às tantas ele já oferecia 500 camelos para me levar”, conta, agora bem mais divertida, esta professora de Educação Física que suspendeu a atividade para acompanhar a família nesta nova etapa, em Lisboa.
Após a passagem pelo FC Porto como adjunto e depois, entre 2015 e 2017, como treinador principal, Ricardo Costa não hesitou em dar o sim ao Sporting, no verão passado. Dirigia o Artística de Avanca, e o convite era extensível aos filhos, então ligados contratualmente ao FC Porto. Ao pagar as cláusulas de rescisão, num total de €250 mil, o rival leonino mostrava que a aposta na família Costa seria total. Irresistível, pensaram Martim e Kiko.
Comprometeram-se todos por quatro anos, e este primeiro terminou com a conquista da Taça de Portugal, na sequência das vitórias sobre o Benfica e o FC Porto (esta após dois prolongamentos e com 13 golos de Kiko).
No imediato, os irmãos ambicionam colecionar mais troféus ao lado do pai no Sporting – como o de campeão nacional que “escapou” para o FC Porto – e um dia experimentar uma das grandes ligas europeias. É inevitável, mas tudo a seu tempo – além do mais, se Martim já entrou na universidade, com matrícula congelada, Kiko ainda vai para o 12º ano. Também acreditam que, no futuro, será possível festejar um título pela Seleção. Querem tudo a que têm direito.
“Eles divertem-se a jogar”, resume a mãe. “São felizes assim, e isso é o mais importante.” Por agora, os irmãos apontam para a conquista do Europeu de Sub-20, que vai decorrer em Gondomar, Matosinhos e Gaia, entre 7 e 17 de julho. Sim, porque Martim ainda é júnior e Kiko juvenil. Se ainda não os conhece, ora aqui tem uma bela oportunidade.