Ainda não é claro qual terá sido a origem do apagão sem precedentes que afetou Portugal, Espanha e outras zonas da Europa. De acordo com a informação divulgada pela E-Redes, a entidade responsável pela distribuição da energia elétrica em Portugal, a falha teve origem fora do país. Citada pelo Expresso, esta entidade informou que a falha “deveu-se a um problema na rede elétrica europeia, que afetou a rede nacional”, acrescentado, “por indicação da REN, foi necessário proceder a cortes de energia em algumas zonas específicas para garantir a estabilidade da rede. A reposição do serviço está a ser feita de forma progressiva”.

Em Portugal, o apagão fez parar o metro, comboios e até semáforos. As redes móveis também estão com fortes limitações, sobretudo nas chamadas de voz – os serviços de dados estão, pelo menos parcialmente, funcionais. Sistemas críticos, como hospitais, estão a recorrer a geradores para manter a operacionalidade.
Algumas fontes indicam que o problema terá tido origem na rede espanhola, mas a informação ainda não foi confirmada. Há também vários rumores, sobretudo nas redes sociais, que apontam para um ciberataque, mas fontes na área da cibersegurança contactadas pela Exame Informática indicam que, pelo menos por enquanto, não há dados que confirmem essa informação.

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Já sentiu uma pressão silenciosa para ceder, mesmo quando tudo dentro de si grita que não devia? Como se fosse mais fácil desistir do que enfrentar. Como se a batalha custasse mais do que a derrota.

Há pessoas que parecem ter um estranho poder de moldar tudo à sua volta. Não precisam de gritar, nem de bater com a mão na mesa. E, ainda assim, tudo acaba sempre por gravitar nelas Em reuniões de família, nas decisões mais importantes ou até nos pequenos detalhes do dia a dia – há sempre uma forma subtil, quase impercetível, de conduzirem tudo a seu favor.

E o mais desconcertante? Nem sempre são pessoas carismáticas ou rodeadas de grandes amizades. Muitas vezes, vivem isoladas nas suas próprias muralhas emocionais, afastando os outros com o desgaste que provocam. Aos poucos, quem as rodeia aprende que é mais fácil ceder do que insistir. Porque tentar contrariar custa demasiado. Porque discutir parece inútil. Porque, de algum modo, o silêncio torna-se uma forma de sobrevivência.

Este padrão não é raro. Pessoas com este tipo de comportamento não são, necessariamente, maliciosas. Muitas nem percebem plenamente o impacto que têm. Mas há algo que sabem bem: o resultado compensa. E, por isso, continuam.

O que se observa, na prática, é uma tendência para manipular sem o fazer de forma óbvia. Uma chantagem emocional disfarçada. Uma culpabilização subtil. Um jeito de fazer parecer que contrariar é errado, desleal ou injusto. Não é violência. Mas é uma pressão constante, que vai corroendo devagar a vontade dos outros. Até que, sem darmos conta, deixamos de ser inteiros nas relações para sermos apenas extensão das necessidades alheias. Vamo-nos anulando, devagar.

A neurociência ajuda-nos a entender isto: comportamentos como este podem estar ligados a padrões enraizados no funcionamento do cérebro – nomeadamente nas zonas que regulam o controlo emocional, a empatia e o sistema de recompensa. Pessoas que, desde cedo, aprenderam que conseguem o que querem através da cedência dos outros, reforçam esses caminhos neuronais. Cada vitória silenciosa é um novo tijolo nesse comportamento, por ser uma forma eficaz de satisfazer as próprias necessidades.

Então, como lidar com alguém assim na nossa vida?

O primeiro passo é reconhecer a dinâmica. Perceber quando se está a ceder apenas para evitar o confronto, quando se começa a sentir que as próprias vontades já não têm espaço ou quando há um padrão de desgaste emocional. Criar limites – mesmo que subtis – é essencial. Dizer “não” sem gritar, afastar-se de discussões cíclicas, evitar justificar-se em excesso e procurar manter alguma distância emocional daquilo que é dito ou pedido.

É também importante manter relações com outras pessoas, cultivar espaços onde exista liberdade para ser quem se é. Cuidar da autoestima. Estes ambientes ajudam a lembrar que não se está errado por sentir desconforto – seja por contrariar, seja por não o fazer – e que ninguém deve viver preso ao jogo emocional de outra pessoa.

Se começar a ser demasiado pesado, procurar ajuda profissional pode ser o primeiro passo para recuperar a perceção de autonomia. Porque mesmo que quem nos rodeia não mude, podemos mudar a forma como nos posicionamos. Não se trata de cortar relações – trata-se de não nos perdermos dentro delas.

No fundo, quem exerce esse controlo também está, muitas vezes, preso à própria forma de existir. Mas isso não significa que se tenha de aceitar viver em desequilíbrio. Há sempre forma de recuperar espaço, leveza… e liberdade.

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Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Nestes tempos de luta política, a paisagem das cidades é assolada por cartazes insalubres carregadinhos de frases cliché que duvido muito – mas mesmo muito – que convençam alguém a votar. “Este cartaz está mesmo bom. Tem a fotografia de um líder partidário e a palavra ‘confiança’. É isto mesmo.”, disse ninguém, nunca.

Mais vale apostar forte e feio no digital, nas redes sociais, onde, de facto, é possível fazer um pouco mais do que “foto do candidato e frase entediante”. E assim, ao menos, o cidadão pode escolher não ver este tipo de conteúdo ao configurar a sua página para isso.

O passeio pela cidade, nestes dias, torna-se uma caminhada entre outdoors e cartazes em postes de eletricidade.

Alguns destes cartazes ficarão, eternamente, em exposição, pois haverá sempre os que escapam à recolha pós-eleição. São deixados de propósito? Escapam genuinamente aos militantes? Não interessa. Ficam lá.

A questão não fica, porém, pela política. Por onde quer que os pedestres andem, veem publicidade intensiva. Esta invasão do espaço público pela ideologia, pelo marketing, pelo negócio, está a objetificar a cidade – a torná-la num gigante outdoor visualmente poluente.

O caso de Lisboa é paradigmático: não basta as ruas com buracos, o lixo acumulado, casas vazias, o mau cheiro – os cartazes dão o golpe final.

Está claro que a cidade é ideológica: os quadradinhos “AL” por toda a cidade; os passeios estreitos e estradas largas; a existência ou não de ciclovias; a falta de espaços públicos verdadeiramente gratuitos – it doesn’t get more political than this.

Mas ser ideológica não significa ser feia.

Há boa propaganda e com bom gosto, é uma verdade. Do marketing político ao marketing empresarial, há toda uma comunidade de criativos que levam para a frente a forma de comunicar. E ainda bem.

Mas há, no entanto, limites que têm de proteger a decência. Não é saudável bombardear as ruas com interjeições, ordens, palavras, vote neste, compre aquilo, ligue para ali. É essencial proteger a liberdade dos cidadãos, não permitir estas tentativas constantes de condicionar e controlar comportamentos.

Que se invente rapidamente uma nova forma de fazer comunicação política. Uma comunicação para libertar e não condicionar.

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Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Um estudo publicado no Science mostra que os exoplanetas do tipo superterra são mais comuns do que se julgava até agora e que estes mundos podem existir mesmo longe das suas estrelas-anfitriãs. A equipa de investigadores da Universidade do Ohio revela que analisou as anomalias de luz causadas pela estrela-anfitriã dos planetas recém-descobertos e cruzou-as com uma amostra maior obtida pela KMTNet, uma rede de telescópios da Coreia.

Andrew Gould, co-autor do trabalho, afirma que “os cientistas sabiam que há mais pequenos planetas do que planetas grandes, mas neste estudo conseguimos mostrar que dentro desse padrão, há excessos e défices”. O estudo estima que por cada três estrelas exista pelo menos uma superterra com uma órbita semelhante à de Júpiter, o que sugere que estes mundos são mais prevalentes do que se calculava até agora. Outra conclusão confirmada é que estes planetas podem ser localizados mais facilmente quando estão em órbitas próximas das estrelas e de forma mais difícil quando estão em caminhos mais longos e distantes destas com recurso a microlente gravitacional.

“Observamos o evento de microlente OGLE-2016-BLG-0007 que indica um exoplaneta com um rácio de massa planeta-para-estrela duas vezes à do rácio de massa Terra-Sol, numa órbita mais longa que a de Saturno”, conta esta equipa ao Interesting Engineering.

As descobertas deste estudo foram possíveis graças ao efeito de microlente, quando uma estrela ou planeta passa entre o observador e uma estrela mais distante e a sua gravidade afeta a perceção da luz, causando um aumento do brilho. Este tipo de observação ocorre quando o campo gravitacional de uma estrela atua como uma lente, ampliando a luz de uma estrela de fundo distante.

“Combinamos este evento com uma amostra maior de dados de microlente para determinar que a distribuição de rácios de massa para planetas em órbitas alargadas. Inferimos que há cerca de 0,35 planetas superterra por estrela em órbitas como a de Júpiter. As observações são consistentes com uma distribuição bimodal, com picos separados para superterras e gigantes gasosos. Sugerimos que isso reflete diferenças no processo de formação”, conclui a equipa.

Os jornalistas do Wall Street Journal quiseram testar os limites dos assistentes de chat da Meta e concluem que os chatbots podem estabelecer conversas de cariz sexual, mesmo com contas de utilizadores menores. Os investigadores revelam que quer os bots oficiais da Meta, quer os que são criados pelos utilizadores conseguem manter este tipo de conversas e, em alguns casos, guiar mesmo a conversa para fantasias sexuais.

Segundo este trabalho, até os chatbots que usam vozes de celebridades como Kristen Bell, Judi Dench ou John Cena podem ter este tipo de comportamento. Numa conversa com um assistente com a voz de Cena, ouve-se o bot dizer que “Quero-te, mas preciso de saber se estás pronta” a uma conta de uma pessoa registada com 14 anos e a prometer que iria “celebrar a tua inocência”, cita o Engadget. Este mesmo bot ‘sabe’ que o que está a fazer é ilegal e imoral e descreve um cenário hipotético onde seria apanhado pelas autoridades depois de estabelecer atos sexuais com um menor, de 17 anos.

A Meta já reagiu a este trabalho jornalístico e acusa o relatório de ser mostrar de “uma forma manipulativa e pouco representativa de como a maior parte dos utilizadores interage com os bots de IA”. “Não obstante, já tomámos medidas adicionais para assegurar que outros indivíduos que passem horas a manipular os nossos produtos para casos extremos tenham uma experiência ainda mais difícil”, respondeu a empresa de forma oficial.

O advento da Inteligência Artificial em diferentes setores tem trazido também o crescimento rápido de assistentes potenciados por estes algoritmos e capazes de estabelecer conversas ou realizar tarefas para o utilizador. Segundo o relato do WSJ, Mark Zuckerberg pediu para as ‘fronteiras’ éticas dos bots fossem mais alargadas por forma a permitir aos utilizadores uma experiência mais envolvente e que os chatbots permanecessem competitivos. Um porta-voz recusa que a empresa tenha ‘ignorado’ a implementação destes mecanismos de defesa.

A agência espacial da China estima que a baixa órbita possa vir a ter, em breve, mais de cem mil satélites a operar e considera, por isso, que é necessário haver um melhor sistema de gestão de tráfego para aquela região. A China National Space Administration anunciou que está a desenvolver uma forma para melhor organizar a localização e operação de satélites na baixa órbita, deixando o alerta de que sem esse sistema, os múltiplos projetos que se estão a sobrepor e a competitividade desenfreada podem vir a minar o crescimento da indústria.

Os dados do setor mostram que a China tem 58 fábricas de satélites já a operar, em construção ou a serem planeadas, o que evidencia a forte aposta de Pequim neste setor. As estimativas apontam que a China possa vir a produzir mais de cinco mil satélites por ano a partir deste ano já. Um dos grandes projetos que está a ser desenvolvido prevê uma rede de satélites que revolucione as comunicações, a navegação e a monitorização entre a Terra e a Lua, com a rede a fornecer capacidades de comunicação em tempo real aos utilizadores e comunicações simultâneas de vídeo, imagens e áudio para até 20 passageiros, noticia o Interesting Engineering.

A agência espacial anunciou na semana passada a constituição da Commercial Space Innovation Alliance, onde pretende trabalhar com organizações e empresas desta indústria para endereçar desafios comuns como a utilização de recursos, a aprovação de padrões de regulação e a coordenação geral no setor comercial espacial. O principal objetivo da aliança é assegurar o rápido e seguro desenvolvimento deste setor.

Prevenção de colisões no espaço, coordenação de serviços entre satélites e uma colaboração mais segura entre parceiros internacionais são algumas das atividades em que a aliança vai estar envolvida.

A União Europeia atinge hoje o chamado “Dia da Sobrecarga do Planeta”, o momento a partir do qual passa a usar “a crédito” os recursos que só deveria usar no próximo ano. Os cálculos da organização internacional “Global Footprint Network” significam que os recursos do planeta disponíveis para este ano terminariam esta terça-feira se todas as pessoas do mundo consumissem como as da UE. Em 2024, o Dia da Sobrecarga do Planeta foi a 3 de maio, o que significa que não só não melhorámos o nosso comportamento a este nível como até piorámos, recuando cinco dias no mapa dos consumos excessivos. Já se todas as pessoas do planeta vivessem como os portugueses os recursos para este ano esgotavam-se no dia 5 de maio (em 2024 foi a 28 de maio).

Embora a UE represente apenas 7% da população mundial, seriam necessários três planetas para satisfazer a procura se toda a gente na Terra vivesse como os europeus, recordaram as mais de 300 organizações da sociedade civil que, no ano passado, apelaram aos responsáveis políticos, numa carta aberta, para que trabalhassem no sentido de uma economia com impacto neutro no clima e positiva para a natureza.

Segundo a “Global Footprint Network”, o primeiro país a esgotar os recursos este ano foi o Qatar, logo a 6 de fevereiro. No ano passado também tinha sido o primeiro, mas a 11 de fevereiro.

O Luxemburgo aparece de novo em segundo lugar, consumindo tudo a 17 de fevereiro, e em terceiro lugar Singapura, a 26 de fevereiro.

Os Estados Unidos esgotaram os recursos a 13 de março, a Dinamarca e a Austrália a 19, a Federação Russa a 6 de abril e a França a 19. Espanha só esgota os seus recursos no próximo dia 23.

Do outro lado do mapa, dos países que conseguem poupar mais os seus recursos destaca-se o Uruguai, que apenas esgota os que lhe estão destinados a 17 de dezembro.

A Indonésia esgota-os a 18 de novembro, a Nicarágua a 11 e o Equador a 31 de outubro.

A “Global Footprint Network” é uma organização internacional de investigação que fornece a decisores ferramentas para ajudar a economia humana a funcionar dentro dos limites ecológicos da Terra. Os cálculos para estimar os dias de sobrecarga são baseados nos dados mais recentes.

O Dia da Sobrecarga do Planeta em 2024 foi no dia 1 de agosto, um dia mais cedo do que no ano anterior.

Daqui a pouco, pelas 10 horas, o ex-juiz Rui Fonseca e Castro, atual líder do partido Ergue-te, e o neonazi Mário Machado, líder do grupo 1143, estarão no Campus da Justiça, em Lisboa, a apresentarem-se junto da Autoridade Judiciária competente. Vem este episódio no seguimento dos desacatos que provocaram na sexta-feira, 25 de Abril, no Largo de São Domingos, junto ao Rossio, ao mesmo tempo que decorria a tradicional e saudável celebração da Liberdade, avenida abaixo.

Quem por lá andava, de cravo ao peito, entoando loas ao “dia inicial, inteiro e limpo”, nas palavras de Sophia, não deu por nada. A festa fez-se como sempre, com milhares de pessoas de todas as idades e credos, indiferentes ao luto nacional decretado por Marcelo, na sequência da morte do Papa, ou ao estapafúrdio adiamento das celebrações inventado por Montenegro para este ano.

As notícias do que se passava paredes meias com o desfile iam chegando via relatos de quem seguia as notícias em casa ou nos alertas dos telemóveis. E já eram mais ou menos esperadas, depois de ser oficial que a manifestação que alguma extrema-direita programara para aquele dia, no Martim Moniz, tinha sido proibida pela polícia, após análise de todos os prós e contras.

Mas quando soubemos, passava pouco das quatro da tarde, das detenções do ex-juiz e do eterno condenado Mário Machado, a alegria subiu de tom.

Daqui a pouco, pelas 10 horas, o ex-juiz Rui Fonseca e Castro, atual líder do partido Ergue-te, e o neonazi Mário Machado, estarão no Campus da Justiça, em Lisboa, a apresentarem-se junto da Autoridade Judiciária competente. Vem este episódio no seguimento dos desacatos que provocaram na sexta-feira, 25 de Abril, no Largo de São Domingos, junto ao Rossio, ao mesmo tempo que decorria a tradicional e saudável celebração da Liberdade, avenida abaixo.

Quem por lá andava, de cravo ao peito, entoando loas ao “dia inicial, inteiro e limpo”, nas palavras de Sophia, não deu por nada. A festa fez-se como sempre, com milhares de pessoas de todas as idades e credos, indiferentes ao luto nacional decretado por Marcelo, na sequência da morte do Papa, ou ao estapafúrdio adiamento das celebrações inventado por Montenegro para este ano.

As notícias do que se passava paredes meias com o desfile iam chegando via relatos de quem seguia as notícias em casa ou nos alertas dos telemóveis. E já eram mais ou menos esperadas, depois de ser oficial que a manifestação que alguma extrema-direita programara para aquele dia, no Martim Moniz, tinha sido proibida pela polícia, após análise de todos os prós e contras.

Mas quando soubemos, passava pouco das quatro da tarde, das detenções do ex-juiz e do eterno condenado Mário Machado, a alegria subiu de tom.

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