
As autoridades dos EUA estrearam os scanners de raios X para automóveis em San Ysidro, um dos pontos de passagem mais procurados na fronteira com o México

Em fevereiro, as autoridades dos EUA vão colocar vários scanners da American Science and Engineering na fronteira com o México, a fim de evitar a imigração ilegal e o contrabando

Os scanners começaram por ser usados nos aeroportos dos EUA para inspeção de passageiros

Foi a violação da privacidade que começou por suscitar criticas quanto aos scanners de aeroportos

Recentemente, a American Science and Engineering assinou um contrato com as autoridades holandesas
O alerta acaba de ser lançado pelo Electronic Privacy Information Center, que teve acesso à documentação técnica dos scanners que usam raios x e/ou raios gama para detetar se um viajante transporta algum objeto dissimulado sob a roupa ou se um automóvel está a ser usado para o transporte de uma qualquer mercadoria ilegal.
A polémica reacendeu-se muito por força do plano do governo dos EUA, que prevê a instalação destes sistemas que fazem a radiografia de pessoas e veículos em viagem na fronteira com o México.
Em San Ysidro, um ponto muito usado para atravessar a fronteira entre México e EUA, já se encontra em funcionamento um destes “sistemas radiológicos”. Só que os regulamentos em vigor não especificam se os viajantes podem solicitar um método ou uma tecnologia de inspeção alternativos, nem fazem qualquer referência aos testes já efetuados, ou à necessidade de informar os cidadãos quanto ao uso desta tecnologia.
A American Science and Engineering, entidade que fabrica os equipamentos radiológicos, nega qualquer perigo para a saúde humana, mas alguns especialistas contactados pela Cnet fazem uma análise diferente: “Tudo indica que vai haver uma escalada no uso destes sistemas”, Peter Rez, professor da Universidade do Estado do Arizona, que tem no currículo vários estudos sobre os efeitos do uso de scanners de raios X.
O especialista da Universidade do Estado do Arizona considera ainda que o nome de “Low Energy Drive Through Portal Non-Intrusive Inspection Systems” é enganoso, uma vez que a radiação emitida pelos scanners atravessa as pessoas que se encontram sentadas dentro de um veículo usado para cruzar uma fronteira.
Na Universidade da Califórnia o alerta também já foi dado, desta feita, pela voz de John Sedat, um especialista em bioquímica e biofísica: “A sociedade vai acabar por pagar caro, em número de cancros, pelo uso destas coisas”.
Os scanners que vão ser instalados nas fronteiras terrestres dos EUA recorrem à radiação ionizante. Este tipo de radiação está presente na natureza, mas com níveis reduzidos. Os especialistas nesta área referem, que quando esses níveis de radiação são superiores, a radiação ionizante pode danificar os tecidos vivos ou provocar distúrbios ao nível dos cromossomas e, assim, potenciar o aparecimento de cancros.
Nos EUA, já estão a ser usados vários scanners de raios-x nos aeroportos para inspeção das várias pessoas que viajam de avião. Em novembro, a Comissão Europeia proibiu o uso destes scanners nos aeroportos do espaço comunitário.