Durante mais de uma década, perguntei aos meus alunos de pós-graduação (na sua maioria, médicos), o seguinte: “Quem gere o SNS? Quem define a sua Estratégia?” Seguiam-se uns minutos de silêncio… como aqueles que se fazem em memória de alguém querido que partiu. Eu provocava: “É que ‘o privado’ define bem a sua estratégia.”

Algo perplexos, alguns “a coçar a cabeça” lá arriscavam responder, a medo: “O Ministério da Saúde?… o das Finanças, também?”. Na sua grande maioria, acabavam por concluir: “Ninguém!”.

Essa década correu, e foi após o início dum dos maiores fluxos migratórios da história de Portugal (o dos médicos para o setor privado, bem entendido), que com alegria, arriscaria mesmo dizer esperança, ouvi pela primeira vez a notícia de que iriam nomear uma Direção Executiva para o SNS, uma equipa de gestão liderada por um gestor. Até lhe chamavam, temerariamente, “CEO”, tendo o primeiro de sua linhagem sido nomeado a 1 de outubro de 2022! Nomeado foi… a autonomia estratégica para, de facto, gerir o SNS é que acabaria por chegar quase um ano depois… com a Lei de Bases do SNS.

E desde que finalmente se consagrou essa lei, que visava conferir maior autonomia aos gestores na tomada de decisão estratégica da rede que forma o SNS, foi um corrupio tal que em menos de três anos passaram por lá três “CEO”s, e não se registou qualquer elemento de estabilidade na Direção Executiva do mesmo… ou na sua estratégia…nem consequentemente no SNS.

Mas penso que aos olhos da população já foi, entretanto, esclarecido o equívoco: é que este assunto, este assunto sério merecedor da maior atenção não está, nunca esteve, verdadeiramente entregue à gestão, ou a um órgão estável de gestão do SNS, ou a qualquer CEO. Esteve sempre nas mãos da política. E os políticos não trabalham o médio/longo prazo da estratégia. Esses, na Saúde, têm sido uns tapa-buracos… ou procurado ser. Uns por negligência ou para “mostrar serviço”, outros pelo compreensível desespero já imposto pelo sentido de urgência. Confesso que atualmente me vem sempre a imagem da personagem de cartoon esticada, com cada pé e cada mão a tapar um buraco duma barragem sob pressão, prestes a observar o rebentar do 5º buraco.

Considere-se um desses momentos do ‘rebentar da barragem’ na Covid-19. Foi graças aos profissionais e alguns gestores (locais) de saúde, e ao seu espírito de missão, que se “desenrascou” um grupo informal de WhatsApp para cruzar, na rede do SNS e em tempo real, a capacidade instalada ainda disponível (e.g., camas e equipamentos livres). Extraordinário que tenha recaído mais esse ónus nos profissionais de saúde, na ausência duma gestão estratégica, transversal e antecipada, da rede, do sistema. Mais extraordinário ainda que, volvidos cinco anos, e o acumular da insatisfação e o desgaste dos profissionais de saúde, continue instalado o caos resultante nomeadamente dessa mesma falta de gestão (atempada, estratégica) dos recursos (humanos, mas não só!) e da capacidade instalada. Seja no que concerne a resposta obstetrícia na grande Lisboa, ou as falhas de resposta na contratação de helicópteros e na emergência médica.

Compreenda o leitor que não existe o incentivo político para definir uma estratégia de longo prazo, que sustente o SNS, que promova também medidas que libertem excedentes orçamentais para poder investir nos recursos humanos (e.g., da gestão dos resíduos hospitalares à redução das (caríssimas) infeções associadas aos cuidados de saúde, acima da média europeia). Existem, isso sim, incentivos à mera gestão operacional, que mostre resultados imediatos ao eleitorado (em especial, aos indecisos)! Ainda que, com isso, se ameace a subsistência futura. Venham os médicos ou enfermeiros tarefeiros que “estiverem à mão” ao custo que vierem! E muitas vezes acima do de um profissional do quadro.

Desta forma fica o meu apelo: à gestão o que é da gestão! Querem a sustentabilidade do SNS? A solução é só uma: confiem-no a quem sabe gerir, e não à política! Confiem-no à gestão privada das PPP’s ou de facto a uma Direção Executiva, nomeada pela competência em gestão (esta parte nunca questionei), independentemente da cor política, mas sobretudo, Deixem-na gerir, e ser, independente da solítica!

Sou forçado a concluir como (infelizmente) ainda o faço em aula: “É que no privado definem bem a sua estratégia…aliás reparem: foi graças a isso que em Portugal, no início, conseguiram a tarefa hercúlea de penetrar um setor com um SNS ‘monopolista’, firmemente instalado (e tendencialmente gratuito), eximiamente equipado, com tecnologia e recursos humanos incomparáveis (à época) e reputado”.

Ora se tal se deveu à exímia capacidade de gestão estratégica do ‘privado’, ou se foi no SNS que a estratégia foi terrível (ou ausente), deixo à consideração do meu caro leitor. Qualquer a escolha, a resposta passará sempre pela Gestão e a Estratégia na Saúde.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.


A história da política externa portuguesa no pós-25 de Abril é apresentada como uma narrativa de afirmação democrática e reinserção na vida internacional, ficando marcada por compromissos com os direitos humanos, o multilateralismo e a autodeterminação dos povos, exemplificados pela quebra de relações com o regime apartheid da Africa do Sul, que estava intimamente ligado ao regime autocrático em Portugal. No entanto, essa história está cheia de silêncios prolongados, hesitações e contradições que desafiam os princípios que Portugal proclama defender. Um desses pontos cegos é a recusa, por sucessivos governos, em reconhecer o Estado da Palestina.

Este silêncio, é mais inexplicável se atentarmos no reconhecimento formal da Palestina pela Espanha, Irlanda e Noruega. A decisão do governo português de não se unir a este processo necessita de uma reflexão mais profunda sobre o lugar da Palestina na política externa portuguesa e sobre a natureza da nossa relação com Israel desde 1974.

Os primeiros anos da diplomacia democrática

A Revolução dos Cravos, em 1974, marcou uma rutura com as políticas externas do autoritarismo do Estado Novo, isolacionismo e colonialismo. A prioridade dos primeiros governos provisórios foi clara: descolonizar, democratizar e reintegrar Portugal como estado internacional. Foi nesse espírito de abertura que, a 12 de maio de 1977, Portugal estabeleceu relações diplomáticas com o Estado de Israel (1).


O gesto foi visto na época como parte da normalização da presença portuguesa no espaço euro-atlântico e como sinal de alinhamento com as outras democracias europeias, dado que Portugal estava no início do processo de adesão à CEE.

No entanto a decisão de estabelecer relações diplomáticas com Israel não foi acompanhada de um reconhecimento formal do Estado palestiniano, revelando uma assimetria na política externa portuguesa.

Ainda assim, é importante sublinhar que, a partir de 1974, houve esforços diplomáticos para diversificar as relações externas de Portugal, nomeadamente com o mundo árabe. Foram iniciadas aproximações concretas ao Egito, ao Kuwait e ao Iraque, países com os quais Portugal mantinha até então relações praticamente inexistentes, devido ao forte apoio direto dado aos EUA e indireto a Israel durante a Guerra do Yom Kippur.

Simultaneamente, registou-se um início de diálogo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), nomeadamente através da correspondência entre Yasser Arafat e o Presidente Costa Gomes em 1975 na consequência do 25 de Abril (2), que culminou numa visita em 1977 de Yasser Arafat, recebido pelo porta-voz do Conselho da Revolução (3).

Em 1979, Portugal recebeu ainda uma visita oficial da OLP. Estes gestos, embora importantes, não se traduziram em compromissos políticos duradouros nem em favor da autodeterminação palestiniana. A consolidação das relações com Israel nas décadas seguintes, nomeadamente com os acordos de cooperação de 1994, contrastou com a ausência de passos concretos em direção ao reconhecimento formal da Palestina.

Relações diplomáticas com a Palestina: aproximação formal, distância efetiva

Apesar da ausência de reconhecimento formal do Estado da Palestina, Portugal tem vindo a desenvolver ao longo dos anos uma relação diplomática discreta com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e com a Autoridade Nacional Palestiniana. Após os Acordos de Oslo de 1993, a diplomacia portuguesa passou a receber representantes palestinianos com regularidade, tendo mesmo apoiado a criação de um posto diplomático da Palestina em Lisboa, hoje com estatuto de Missão da Palestina, tendo ao mesmo tempo criado em 1999, um Escritório de Representação Portuguesa em Ramallah (5).
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Portugal tem votado consistentemente a favor de resoluções das Nações Unidas que reconhecem os direitos do povo palestiniano tendo nomeadamente apoiado, em 2012, o estatuto de observador da Palestina na ONU (6). O País contribuiu também para projetos de cooperação bilateral em áreas como educação e saúde, através do Instituto Camões e de parcerias com a União Europeia. Estes gestos, embora significativos, ficam, contudo, aquém do que seria de esperar de uma política externa coerente em relação ao direito à autodeterminação.

Portugal tem reconhecido a legitimidade da representação palestiniana, acolhido os seus enviados, votado a favor da sua inclusão em fóruns multilaterais, mas recusa-se a dar o passo político mais consequente, o do reconhecimento, passo já dado por 147 dos 193 estados das Nações Unidas (7), cerca 75% de todos os estados-membros.


Incoerência da posição portuguesa

Portugal tem sido forte defensor da chamada “solução dos dois Estados”, no entanto há muito tempo que esta defesa é somente uma fórmula vazia, repetida em comunicados diplomáticos e discursos na ONU, sem consequências práticas. Os sucessivos governos portugueses preferem posicionar-se como observadores, em vez de agentes ativos de justiça internacional.

Esta posição é paradoxal quando confrontada com os princípios constitucionais da nossa política externa. O artigo 7.º da Constituição da República Portuguesa é claro ao afirmar que Portugal se rege “pelos princípios da independência nacional, do respeito pelos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais […] e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade”.

Dizer-se defensor dos direitos dos povos, mas hesitar sistematicamente quando se trata do povo palestiniano, é uma hipocrisia insustentável.

Apartheid: um espelho incómodo

Após o 25 de Abril Portugal foi firme na sua condenação do apartheid na África do Sul. Mas, quando confrontado com relatórios internacionais detalhados da Human Rights Watch (9) e da Amnistia Internacional (10) que descrevem o sistema de domínio e apartheid israelita sobre os palestinianos, Lisboa não reage. A dissonância é evidente: por que razão aplicamos determinados padrões morais a uns Estados e não a outros? Porque seguimos cegamente os EUA e o Reino Unido?

É importante notar que a diferença entre o sistema em vigor em Israel e o apartheid sul-africano não é só simbólica ou ideológica. Há elementos estruturais no regime de ocupação e colonização israelita (que é proibida) como o regime jurídico dual, a segregação territorial e a restrição sistemática de direitos fundamentais, que replicam o antigo regime sul-africano.

Quando Portugal se recusa a reconhecer a Palestina está a aceitar e a legitimar um sistema de apartheid moderno.

A lição de Madrid

A hesitação portuguesa contrasta de forma chocante com a posição assumida por Espanha. Em maio de 2024, o governo espanhol liderado por Pedro Sánchez formalizou o reconhecimento do Estado da Palestina (11), acompanhado pela Irlanda e Noruega, num gesto simbólico e político de grande importância internacional. Para além de quebrar com a tradição de hesitação da União Europeia em relação à Palestina, a decisão espanhola demonstra que, mesmo no seio de democracias europeias alinhadas com a NATO, é possível afirmar uma posição de princípio e agir em conformidade com o direito internacional.

Mais do que um gesto isolado, o reconhecimento espanhol demonstra uma atenção ao Sul Global cada vez mais importante, atenção esta que estava historicamente ligada à política externa portuguesa, mas cada vez mais está a ficar ausente da diplomática portuguesa. A política externa de Madrid tem procurado afirmar nos últimos anos um papel ativo no Sul Global, sem receio de enfrentar os custos diplomáticos junto de aliados, principalmente da NATO. Portugal, no entanto, continua preso a uma ideia de prudência excessiva, como se
qualquer tomada de posição clara ou quebra com os aliados fosse uma ameaça ao equilíbrio internacional.

O contraste entre Lisboa e Madrid deve preocupar os portugueses que acreditam numa política externa com autonomia estratégica e densidade moral. A coragem espanhola torna mais visível a cobardia portuguesa.

A política externa como expressão de coragem (ou da sua ausência)

O reconhecimento da Palestina não é um ato de hostilidade contra Israel, como muitos argumentam. É um ato de coerência com os princípios que Portugal diz defender. É também um gesto de alinhamento com o direito internacional, que reconhece desde 1947 o direito dos palestinianos à autodeterminação (12).
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O prolongamento da ocupação, a expansão de colonatos ilegais, a violência sistemática contra civis, o cerco e destruição de Gaza exige uma resposta política clara. Portugal não pode continuar a refugiar-se na ideia da moderação quando a realidade impõe escolhas morais inequívocas. A neutralidade em contexto de injustiça prolongada é uma clara forma de cumplicidade.

A oportunidade que persiste

Portugal tem em 2025 uma oportunidade para se juntar ao grupo de países europeus que reconheceram a Palestina, quebrando o ciclo de adiamento permanente. Pode, com um gesto diplomático afirmar que os direitos dos povos não são objeto de negociação.

Continuar a adiar este reconhecimento é manter-se num limbo moral, num estado de incoerência que enfraquece a nossa credibilidade internacional e desrespeita a nossa própria memória histórica enquanto nação que conheceu a ditadura, a repressão e o colonialismo.

Portugal não pode querer ser respeitado como ator internacional digno se não está disposto a aplicar os seus próprios princípios de forma consequente. Reconhecer a Palestina não é apenas fazer justiça ao povo palestiniano. É também recuperar a dignidade da nossa própria política externa.


1 – Ministério dos Negócios Estrangeiros, Relações bilaterais: Israel, Portal Diplomático, disponível em:
https://portaldiplomatico.mne.gov.pt/relacoesbilaterais/paises-geral/israel.
2 – Arquivo Histórico da Presidência da República, Carta do Presidente do Comité Executivo da Organização
para a Libertação da Palestina e Comandante em Chefe das Forças Armadas da Revolução Palestiniana,
Yasser Arafat, dirigida ao Presidente da República, Francisco da Costa Gomes, saudando ‘todas as forças
patrióticas, democráticas e progressistas de Portugal’ e o povo Português, disponível em:
https://www.arquivo.presidencia.pt/viewer?id=39659&FileID=76794&recordType=Description
3 – Rodrigo Sousa e Castro (@1963Cor_DeVolta), “O Conselho da Revolução em Portugal foi o primeiro Órgão
de Soberania de um País Ocidental a receber Arafat como homem de Estado. Da atitude do governo e da AR à época nem falo. Tive a honra de o receber à entrada do CR.” 3 de novembro de 2023. X.
https://x.com/1963Cor_DeVolta/status/1720450741620335094
4 – Ministério dos Negócios Estrangeiros, Relações bilaterais: Israel, Portal Diplomático, disponível em:
https://portaldiplomatico.mne.gov.pt/relacoesbilaterais/paises-geral/israel.
5 – Ministério dos Negócios Estrangeiros, Relações bilaterais: Palestina, Portal Diplomático, disponível em:
https://portaldiplomatico.mne.gov.pt/relacoesbilaterais/paises-geral/palestina
6 – Resolução A/RES/67/19 da Assembleia Geral da ONU (2012) – Status of Palestine in the United Nations,
disponível em: https://undocs.org/en/A/RES/67/19
7 – Al Jazeera, “Mapping: Which countries recognise Palestine in 2025”, 10 de abril de 2025. Disponível em:
https://www.aljazeera.com/news/2025/4/10/mapping-which-countries-recognise-palestine-in-2025
8 – Constituição da República Portuguesa, Artigo 7.º – Relações Internacionais, disponível em:
https://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/decreto-aprovacao-constituicao/1976-34520775-50453375
9 – Human Rights Watch, A Threshold Crossed: Israeli Authorities and the Crimes of Apartheid and Persecution, abril de 2021. Disponível em: https://www.hrw.org/report/2021/04/27/threshold-crossed/israeli-authorities-andcrimes-apartheid-and-persecution
10 – Amnistia Internacional, Israel’s Apartheid against Palestinians: Cruel System of Domination and Crime
against Humanity, fevereiro de 2022, disponível em: https://www.amnesty.org/en/documents/mde15/5141/2022/en/
11 – Governo de Espanha, ” Declaración institucional del presidente del Gobierno sobre el reconocimiento del
Estado de Palestina”, 28 de maio de 2024, disponível em: https://www.lamoncloa.gob.es/presidente/actividades/paginas/2024/280524-sanchez-declaracion-estadopalestina.aspx
12 – Resolução 181 da Assembleia Geral das Nações Unidas (1947), sobre a partilha da Palestina. Disponível em: https://www.un.org/unispal/document/auto-insert-185393/

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

“Tendo em conta que as esquadras já estão desfalcadas como é que se pretende avançar com uma unidade desse calibre, dessa dimensão, numa instituição que não está a ter capacidade de atrair jovens”, disse à Lusa o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Santos, a propósito da discussão na sexta-feira na Assembleia da República da proposta do Governo que cria a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras na PSP.

Paulo Santos fala de esquadras e aeroportos “desfalcados, com poucos recursos e meios”, questionando por isso a criação de uma nova unidade na PSP, a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF).

Ressalvando que a ASPP não está contra a criação da UNEF, o presidente do sindicato lamentou que “ainda não foi criada a unidade e os polícias nos aeroportos já estão com muitas dificuldades, com trabalho prolongado, muitos em situação de burnout, de desmotivação gritante e sem qualquer valorização do ponto de vista remuneratório”.

No final de maio, a ASPP tinha alertado para o quadro de exaustão dos profissionais afetos aos aeroportos e chamado a atenção que com a proximidade do verão são necessárias diligências para “ultrapassar os obstáculos e mitigar os danos junto dos cidadãos, mas principalmente junto dos profissionais da PSP”.

Questionado sobre o que foi feito, Paulo Santos respondeu que “a única coisa que mudou foi um desvio de elementos das esquadras para os aeroportos”.

“Esta tentativa de colocar polícias das esquadras nos aeroportos pode ser interessante para resolver o problema durante um mês ou dois, mas era importante fazer muito mais. Por isso é importante perceber o que Governo está disponível para fazer ao nível da formação e do recrutamento”, disse, sublinhando que “as esquadras já estavam desfalcadas e ficam ainda mais desfalcadas”.

Paulo Santos disse ainda que quando se avança politicamente para uma decisão, deve ser acautelada a situação atual da PSP e a “pergunta que se coloca é onde estão os polícias para esta unidade”.

O Governo quer criar a UNEF na PSP para fazer cumprir a expulsão de imigrantes e assegurar a fiscalização das novas medidas migratórias. Esta nova unidade será, nas palavras do Executivo, “uma polícia de fronteiras” para controlar as fronteiras à entrada, fiscalizar em todo o país os imigrantes e afastar “quem não cumpra com as regras”.

O Original Sin, dos jornalistas Jake Tapper e Alex Thompson — profissionais respeitados que trabalham nos mais prestigiados e influentes órgãos de comunicação dos Estados Unidos — desvenda a mais extraordinária história da governação de Joe Biden nos seus únicos quatro anos de mandato, com particular foco nos dois últimos anos. As revelações são chocantes:

Quem realmente governava a Casa Branca — e, por consequência, os Estados Unidos — era o chamado Politburo, como ficou conhecido o núcleo constituído por Mike Donilon, Steve Ricchetti e Bruce Reed: o ex-chefe de gabinete, o especialista em política eleitoral e o redactor dos discursos de Biden. Eram estes senhores, com as suas equipas, que ocupavam o espaço deixado vago pelo presidente.

Biden foi-se tornando cada vez mais incapaz com o passar do tempo. Trabalhava apenas algumas horas por dia, entre o final da manhã e o início da tarde, refugiando-se depois na residência oficial. A degradação física e cognitiva foi-se agravando, ao ponto de, por vezes, já não reconhecer com quem estava a falar.

Os três magos da política democrata montaram um verdadeiro espectáculo para esconder as reais condições de Biden para exercer o cargo — ao ponto de lhe escreverem todas as notas e discursos, tanto em campanha como nas recepções oficiais na Casa Branca. A sua maior derrota, que precipitou o golpe palaciano que o afastou, foi o debate com Trump: um desastre catastrófico.

A família — a mulher e o filho — fez tudo para que ele continuasse. Mas as sucessivas trapalhadas do presidente acabaram por alimentar um coro de vozes que o retirou da corrida à reeleição. Ele acreditava que queria e desejava continuar, mas a verdade é que o seu discernimento cognitivo já não funcionava. Limitava-se a obedecer.

A propósito: deixaram de usar as escadas grandes do Air Force One, optando pelas mais pequenas, por onde normalmente sai a comitiva que o acompanha. Menos degraus, menor a probabilidade de cair! A ideia partiu do Politburo.

Em comunicado, o PAN refere que “tomou conhecimento [da ocorrência], por intermédio de diversas denúncias populares”, tendo denunciado a situação à Provedora Regional do Animal e GNR/SEPNA. O PAN/Açores diz ainda que “exigiu esclarecimentos à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, ao Governo Regional e à PSP sobre o sucedido”, visto “serem as entidades que licenciam e fiscalizam as atividades tauromáquicas”.

Na nota, o PAN/Açores considera que está a assistir-se a “uma escalada da gravidade dos ferimentos em pessoas e animais, resultando em mortes” nas touradas à corda, “uma atividade, inegavelmente, violenta”.

Questionado pela Lusa, o vice-presidente da Câmara de Angra do Heroísmo, Guido Teles, disse não ter “muita informação sobre o que ocorreu”, mas lembrou que “o hábito é ter um fiscal presente em cada tourada”, iniciativas que têm de ser autorizadas pelo município.

Segundo a REN – Redes Energéticas Nacionais, o consumo de eletricidade nos primeiros seis meses do ano aumentou 2% em relação ao período homólogo, o que representa um máximo histórico.

“Entre janeiro e junho, foram consumidos 26.229 GWh [gigawatts-hora], ultrapassando em cerca de 240 GWh o anterior máximo, datado de 2010”, adiantou a REN.

As fontes renováveis asseguraram 77% da eletricidade consumida, com a hidroelétrica a representar 36%, a eólica 26%, a solar 11% e a biomassa 5 por cento, enquanto o gás natural representou 13 por cento. As importações energéticas completaram os restantes 10 por cento.

No primeiro semestre do ano, o consumo acumulado de gás natural cresceu 10,1%, com o segmento de produção de eletricidade a mais do que duplicar face ao mesmo período do ano anterior, enquanto o segmento convencional registou uma contração de 7,6%, atingindo o valor mais baixo desde 2009.

Não é só consigo. Pensar demais, sobretudo à noite, tornou-se quase o novo normal. E não é por falta de cansaço, mas sim por excesso de ruído.

Quando o cérebro não sabe desligar

Do ponto de vista neurológico, há uma explicação simples e poderosa: O nosso cérebro tem uma rede chamada Default Mode Network (DMN), que se ativa quando estamos em repouso físico, mas a mente continua a trabalhar – revendo o passado, antecipando o futuro, analisando tudo. À noite, quando o estímulo externo baixa, esta rede entra em força. Se houver ansiedade ou stress acumulado, ela transforma-se num loop difícil de travar.

Além disso, o cortisol – hormona do stress, pode manter-se elevado mesmo em momentos de descanso, sabotando a produção de melatonina, a hormona do sono.

Resultado? O corpo quer dormir, mas o cérebro insiste em falar.

O que podemos fazer com isto?

1. Criar um ritual de desaceleração
Antes de dormir, em vez de só “desligar luzes”, precisamos de desligar estímulos internos e fazer aquilo a que chamamos uma boa higiene do sono.

  1. Ouça sons repetitivos e suaves (como chuva ou batidas ritmadas).
  2. Evite ecrãs e luz forte pelo menos 30 minutos antes de deitar.
  3. Respire fundo e alongue para ajudar a sinalizar o corpo que é hora de parar.

2. Nomear o pensamento em vez de lutar com ele
Quando um pensamento intrusivo surgir, não tente bloqueá-lo. Dê-lhe um nome: “preocupação com o trabalho”, “medo do futuro”, “revisão do dia”. Só esta ação de nomear ativa o córtex pré-frontal e reduz a reatividade emocional.

3. Treinar o foco no corpo
Técnicas como o body scan (percorrer mentalmente o corpo dos pés à cabeça) ou a respiração diafragmática ajudam a ancorar a atenção no presente e a reduzir a ativação do sistema nervoso simpático (o da “luta ou fuga”).

4. Cuidar do ritmo do dia, não só da noite
Mentes que não param à noite são muitas vezes mentes que não têm pausas reais durante o dia. Parar 2 minutos entre tarefas, respirar fundo antes de entrar numa reunião, apanhar alguns minutos de sol sem telemóvel – tudo isto é treino.

No fundo, não é sobre dormir melhor. É sobre viver melhor.

E talvez seja essa a pergunta que precisamos fazer antes de dormir:
Hoje, permiti-me descansar?

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

Os utilizadores interessados em temas do espaço e vistas das estrelas vão poder ver esses conteúdos diretamente nas suas televisões, telemóveis e tablets, graças a uma parceria entre a NASA e a Netflix. A agência espacial dos EUA vai começar, a partir deste verão (mas sem data exata confirmada) a transmitir os conteúdos da aplicação NASA Plus na Netflix, incluindo passeios espaciais de astronautas, lançamentos de foguetões e vídeos da Terra vista a partir da Estação Espacial Internacional e muito mais.

A NASA pretende aumentar o interesse da comunidade na exploração espacial e cativar para o trabalho que realiza à volta do globo e além da Terra trazendo estes conteúdos para a base de utilizadores da Netflix.

Rebecca Sirmons, diretora geral da NASA Plus, afirma á Cnet que “juntos, estamos empenhados numa Idade do Ouro da Inovação e Exploração – inspirando novas gerações – diretamente a partir do conforto dos seus sofás ou da palma das suas mãos com os seus telefones”.

A NASA Plus é uma aplicação sem anúncios e sem subscrições onde a NASA divulga notícias, visões globais de missões, documentários e outro tipo de programação sobre o tema do espaço.

Ainda não há data concreta para o início da disponibilização destes conteúdos, mas a NASA já fez saber que a transmissão em direto vai incluir o lançamento e ancoragem da missão Progress 92 Cargo Craft, prevista para este mês.

Palavras-chave:

Elon Musk pretende lançar o America Party, um partido político alternativo ao Democrata e Republicano nos EUA, caso a ‘Big Beautiful Bill’ de Donald Trump seja aprovado. Na segunda-feira, o CEO da Tesla e da SpaceX, publicou no X que “se este projeto insano for aprovado, o America Party vai ser formado no dia seguinte”, realçando que “o nosso país precisa de uma alternativa ao partido único Democrata-Republicano para que as pessoas possam ter VOZ”.

A proposta de orçamento de Donald Trump está a ser recebida com muitas críticas e os Republicanos estão a ter dificuldades em tê-la aprovada, mesmo tendo a maioria no Congresso. Segundo o Departamento de Orçamento do Congresso, este programa irá permitir uma enorme transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos, com estimativas a apontarem para 11,8 milhões de americanos poderem perder os seus seguros de saúde e um aumento de 3,3 biliões de dólares no défice federal.

“Todos os membros do Congresso que tenham feito campanha para reduzir os gastos governamentais e imediatamente depois votaram para o maior aumento de dívida da história deviam enforcar-se de vergonha (…) E irão perder as próximas primárias, mesmo que seja a última coisa que faço na Terra”, continuou a vaticinar Trump no X.

Ainda não é claro o que Musk poderá fazer para tornar este novo partido uma realidade, mas recorde-se que investiu forte na reeleição de Trump e de outros Republicanos, pelo que está bastante envolvido em atividades políticas.

Palavras-chave:

A era digital trouxe avanços inegáveis na comunicação, no acesso à informação e na produtividade. Mas existe um paradoxo inquietante neste progresso: quanto mais avançamos, mais arriscamos perder de vista o essencial. Literalmente. A nossa saúde ocular tem sido posta à prova por um estilo de vida que parece não conhecer pausas nem limites. Vivemos rodeados de ecrãs. Estudamos, trabalhamos, comunicamos através deles e até nos momentos de lazer continuamos agarrados a eles. Mas a conectividade tem um preço que poucos estão verdadeiramente conscientes de estar a pagar. Basta lembrar que a visão fornece uma quantidade significativamente maior de informação sobre o ambiente em comparação com outros sentidos, sendo crucial para a orientação espacial, reconhecimento de objetos e tomada de decisões rápidas. Para a maioria das atividades diárias, desde a navegação até à interação social, a visão é a principal fonte de dados sensoriais, fornecendo detalhes sobre cor, forma, movimento e profundidade, que são essenciais para a perceção completa do ambiente*¹. O desempenho visual influencia diretamente a performance cognitiva, motora, social e emocional. Assim, um sistema visual ineficiente compromete bem mais do que nos apercebemos.

Um dos desafios mais evidentes da era tecnológica é a Síndrome de Visão ao Computador (SVC), resultante da utilização prolongada de dispositivos digitais. Os sintomas – ardor ocular, sensação de olho seco, hiperemia conjuntival, visão turva transitória, cefaleias – são hoje quase uma extensão natural do quotidiano de estudantes e profissionais. A razão é simples e inquietante: pestanejamos menos, forçamos mais, e raramente descansamos. Ainda mais inquietante é o crescimento da miopia entre crianças e adolescentes. Os dados são inequívocos e perturbadores, associados não só aos ecrãs, mas também à reduzida exposição à luz solar natural. A culpa não é dos dispositivos em si, mas da ausência de equilíbrio: entre o ecrã e o mundo real, entre o esforço e o descanso, entre a luz artificial e a natural.

Em Portugal, embora a prevalência da miopia seja ainda consideravelmente inferior à observada nos países asiáticos – onde se estima que cerca de 80% dos jovens sejam atualmente míopes*² -, os dados mais recentes apontam para um crescimento preocupante. Um estudo publicado em 2024, que avaliou mais de mil crianças entre o 5.º e o 9.º anos de escolaridade*³, identificou uma prevalência de miopia de 21,5%. Entre essas crianças, 34,6% não utilizavam a compensação ótica mais adequada e 26,4% não usavam qualquer tipo de compensação – situação que não só compromete o conforto visual, mas que também pode acelerar a progressão da miopia, pondo em causa a saúde visual a longo prazo e afetando diretamente o desempenho académico e social. É como se aceitássemos que uma parte significativa da geração futura cresça a ver o mundo desfocado – e, desta vez, não apenas no sentido literal.

Estes dados refletem uma tendência crescente à escala global, que poderá agravar-se nas próximas décadas, caso não sejam adotadas medidas eficazes de prevenção e controlo. A ausência de diagnóstico precoce e a escassez de estratégias de controlo podem acelerar a evolução da miopia para formas severas – atualmente, cerca de 10% a 20% dos indivíduos míopes atinge níveis de alta miopia*⁴, dependendo da região geográfica e nível de escolaridade*⁵ -, com risco acrescido de patologias como degenerescência miópica, descolamento da retina, glaucoma ou mesmo perda de visão.

Infelizmente, a banalização do diagnóstico e a escassez de campanhas de sensibilização têm contribuído para uma desvalorização generalizada do problema. É urgente incorporar a saúde visual nas políticas públicas, nos programas escolares, nas campanhas de literacia em saúde. Implementar programas estruturados de rastreio visual pode também ser determinante, assim como valorizar os cuidados primários de saúde visual. Se queremos proteger a visão, precisamos de reconquistar o tempo ao ar livre, repensar hábitos escolares e profissionais, e adotar rotinas visuais saudáveis, como evitar aproximar objetos a menos de 30 centímetros dos olhos e a simples mas eficaz regra 20-20-20 (que recomenda que, a cada 20 minutos de esforço visual ao perto, se olhe para algo a 20 pés – cerca de 6 metros – durante 20 segundos). A deteção precoce na infância pode mudar o curso de uma vida, assim como o acompanhamento regular na velhice pode preservar a autonomia. E, para todos os outros, está o direito a ver o mundo – com nitidez, conforto e qualidade. A visão não é um luxo; é uma necessidade biológica. E cuidar dela é, mais do que nunca, um imperativo. Porque se há algo que não podemos mesmo perder de vista é a própria capacidade de ver.

*¹ Goldstein, E. B. (2014). Sensação e Percepção

*² Morgan, I. G., et al. (2022). China turns to school reform to control the myopia epidemic: A narrative review. Asia-Pacific Journal of Ophthalmology

*³ Nunes, A. (2024). Prevalence, sociodemographic risk factors, and coverage of myopia correction among adolescent students in the central region of Portugal, 24, Article number: 2490 *⁴ Morgan, I. G., et al. (2022). China turns to school reform to control the myopia epidemic: A narrative review. Asia-Pacific Journal of Ophthalmology

*⁵ Zhang, J., et al. (2022). Prevalence of myopia: A large-scale population-based study among children and adolescents in Weifang, China. Frontiers in Public Health, 10, 924566

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.