Era uma vez um pobre ermitão que vivia na gruta do Penedo Rachado, nas encostas do Monte do Pilar, e que, para saciar a fome, descia à povoação. Entre tantas, havia uma senhora muito rica, D. Lopa, que não gostava nada do modo como o Ermitão agradecia o que lhe davam: “Quem bem o faz, para si o faz!”. Projectando eliminar o pobre velho, D. Lopa deitou veneno num bolo e ofereceu-o. Satisfeito com a dádiva, o ermitão, mais uma vez, retorquiu a frase da inquietação: “Quem bem o faz, para si o faz!”
Regressado à sua lapa, eis que uma grande tempestade se abate sobre o monte e forte trovoada obriga a que um jovem caçador, filho de D. Lopa, lhe solicite guarida. Vendo-o assim tão cansado e cheio de fome o ermitão oferece-lhe o bolo e garante: “É de confiança! Não tenha receio! É o bolo que eu recebi das mãos de sua mãe. Coma!”
Quando a tempestade amainou, o jovem voltou para casa mas começou a sentir-se bastante incomodado. Ao vê-lo naquele estado, D. Lopa quis saber o que se tinha passado. Pálido e já desfigurado, o filho garantiu-lhe que apenas tinha comido o bolo que ela oferecera ao pobre velho. Estarrecida, D. Lopa debruçou-se sobre o jovem moribundo e exclamou: Perdão, meu filho, perdão! Quis envenenar o velho e matei-te! Agora, só agora, percebo as palavras do velho Ermitão: “Quem bem o faz, para si o faz!”